a BÍBLIA para todos Edição Católica (BPTct)
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Demétrio II é feito prisioneiro

141No ano cento e setenta e dois14,1 Equivale ao ano 140 a.C. Ver 1 Mb 1,10 e nota., o rei Demétrio reuniu o seu exército e marchou até à Média para procurar ajuda na sua luta contra Trífon. 2Arsaces14,2 Trata-se de Arsaces VI., rei da Pérsia e da Média, ouviu dizer que Demétrio tinha entrado no seu país; então enviou um dos seus generais para o capturar e trazer vivo. 3Este partiu, derrotou o exército de Demétrio e levou-o a Arsaces, que o lançou na prisão.

Elogio a Simão

4E houve paz na terra de Judá enquanto Simão foi vivo. Ele procurou fazer o melhor pelo seu povo que, durante o seu tempo de vida, apreciou a sua autoridade e fama. 5De todos os seus feitos, o mais glorioso foi a conquista de Jope para servir de porto, e isso deu-lhe uma saída para as ilhas do mar. 6Estendeu as fronteiras da sua nação e firmou o seu poder no país. 7Resgatou muitos prisioneiros de guerra14,7 Ou: Juntou muitos inimigos como prisioneiros.; conquistou Guézer, Bet-Sur e a cidadela de Jerusalém, e baniu dela a impureza. Não havia quem lhe resistisse. 8O povo cultivava as suas terras em paz; a terra produzia as suas colheitas, e as árvores da planície davam os seus frutos. 9Os velhos sentavam-se nas praças e falavam das suas riquezas; os jovens vestiam-se de roupa de gala e uniformes de guerra. 10Proveu as cidades de mantimentos e armou-as de fortificações, de sorte que o seu nome ficou revestido de glória até aos confins da terra. 11Estabeleceu a paz no país, e Israel exultou de alegria. 12Cada um descansava debaixo das suas parreiras e das suas figueiras, e não havia quem os amedrontasse. 13No país não havia quem os atacasse, e naquele tempo os reis foram derrotados. 14Fortaleceu todos os humildes do seu povo, foi zeloso com a lei e destruiu todos os que a não cumprissem e os maus. 15Tornou o santuário ainda mais sumptuoso e encheu-o de vasos sagrados.

Novo acordo com Esparta e Roma

16A notícia da morte de Jónatas chegou a Roma e até a Esparta, que fizeram grande luto. 17Quando ouviram a notícia de que o seu irmão Simão tinha ficado no seu lugar, como sumo sacerdote, e que ele mesmo estava a governar o país e todas as suas cidades, 18escreveram-lhe uma carta gravada em placas de bronze, para renovar com ele a amizade e a aliança que tinham feito com os seus irmãos Judas e Jónatas. 19O documento foi lido diante da assembleia em Jerusalém. 20Esta é uma cópia da carta escrita pelos espartanos: «Os governantes da cidade de Esparta enviam saudações ao sumo sacerdote Simão, aos anciãos do povo, aos sacerdotes e ao resto do povo judeu, nossos irmãos. 21Os vossos embaixadores acreditados junto do nosso povo informaram-nos da vossa glória e fama, e alegramo-nos com a sua vinda. 22Registámos as suas declarações nas atas oficiais da nossa nação, nos seguintes termos: “Numénio, filho de Antíoco, e Antípatro, filho de Jasão, representantes oficiais dos judeus, dirigiram-se a nós no sentido de renovar a sua amizade connosco. 23E aprouve ao nosso povo recebê-los com honra e colocar nos arquivos públicos uma cópia das suas palavras, para que o povo de Esparta preserve a sua memória. Foi feita uma cópia deste documento para o sumo sacerdote Simão.”» 24Depois disso, Simão enviou Numénio a Roma com um enorme escudo de ouro, com o peso de quase quatrocentos quilos14,24 Literalmente: mil minas., para confirmar a aliança com os romanos.

Homenagem a Simão

25Quando o povo soube destes factos perguntou-se: «Como demonstraremos a nossa gratidão a Simão e aos seus filhos? 26É que ele, os seus irmãos e a casa de seu pai mostraram-se firmes; combateram e expulsaram os inimigos de Israel e garantiram-lhe a liberdade.» Então gravaram uma inscrição em placas de bronze que pregaram em colunas no monte Sião. 27Segue a reprodução da inscrição: «No dia dezoito de Elul do ano cento e setenta e dois14,27 Equivale ao ano 140 a.C. Ver 1 Mb 1,10 e nota., que é o terceiro ano do governo de Simão, grande sumo sacerdote, em Asaramel, 28numa grande reunião de sacerdotes, do povo, dos líderes da nação e dos anciãos do país, recebemos a seguinte informação: 29“Quando se levantaram muitas guerras no nosso país, Simão, filho de Matatias, sacerdote da linhagem de sacerdotes de Joiarib, e os seus irmãos arriscaram a vida lutando contra os inimigos da nação para defenderem o templo e a Lei de Moisés, tendo assim trazido grande glória para a nação. 30Jónatas reuniu a nação e tornou-se sumo sacerdote, tendo-se depois juntado aos seus. 31Os inimigos fizeram planos para invadirem o país e estender as mãos para se apossarem do templo. 32Então levantou-se Simão e lutou pelo seu povo. Gastou uma boa parte do seu próprio dinheiro, armou os soldados do seu exército e pagou-lhes salários. 33Fortificou as cidades da Judeia, incluindo Bet-Sur, na fronteira do país, onde antigamente os inimigos guardavam as suas armas e colocou ali uma guarnição de soldados judeus. 34Fortificou também Jope, no litoral, e Guézer, na fronteira com o território de Asdod, onde outrora habitaram os inimigos, e aí estabeleceu judeus, provendo-os de tudo o que era necessário para a reconstrução destas cidades. 35O povo viu a fidelidade de Simão e a glória que se propusera dar à sua nação. Então colocou-o como seu chefe e sumo sacerdote, por causa de todas essas coisas que ele tinha feito e também pela retidão e fidelidade que guardava para com a nação, e porque procurava por todos os meios enaltecer o seu povo. 36Durante o seu tempo de vida, as suas mãos foram bem sucedidas em expulsar as nações pagãs do país e também da cidade de David, em Jerusalém, onde tinham construído uma cidadela para seu uso, donde faziam incursões para contaminar toda a área do santuário, atentando gravemente contra a sua pureza. 37Simão colocou soldados judeus na cidadela, fortificou-a, para proteger o país e a cidade, e aumentou a altura das muralhas de Jerusalém. 38Por isso, o rei Demétrio confirmou Simão como o sumo sacerdote; 39nomeou-o também um dos Amigos do Rei14,39 Ver 1 Mb 2,18 e nota. e prestou-lhe enormes honras. 40Pois tinha ouvido dizer que os romanos tratavam os judeus como amigos, aliados e irmãos e que tinham recebido com honra os embaixadores de Simão. 41Soube ainda que os judeus e os seus sacerdotes acharam por bem resolver que Simão fosse o seu líder e sumo sacerdote para sempre, até surgir um profeta fiel, 42e fosse o seu chefe militar; que tivesse também o encargo do santuário e que estabelecesse homens responsáveis pelos trabalhos do mesmo, pela governação do país, pelo arsenal e pelas fortalezas. 43Soube ainda que ele próprio se encarregaria do santuário, que todos lhe obedeceriam e que todos os documentos oficiais seriam por ele assinados e que ele usaria um manto de púrpura e joias de ouro. 44E não seria permitido a ninguém dentre o povo ou aos sacerdotes rejeitar nenhuma das suas decisões, nem opor-se-lhes, nem convocar uma assembleia sem a sua autorização; nem ainda usar um manto de púrpura ou uma fivela de ouro. 45E quem transgredisse qualquer destas disposições ou as contestasse incorreria na pena devida. 46Soube também que o povo unanimemente concordou que se desse a Simão o direito de agir de acordo com estas decisões, 47e que Simão aceitou e concordou em exercer os cargos de sumo sacerdote e de chefe militar e civil do povo e dos sacerdotes, como líder de todos eles. 48E foi determinado que este documento fosse gravado em placas de bronze, para serem colocadas em lugar de destaque, na área envolvente do santuário, 49e que uma cópia fosse guardada no tesouro à disposição de Simão e seus filhos.”»

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Introdução e saudação

11Este livro contém a revelação de Jesus Cristo que ele recebeu de Deus, para a dar a conhecer aos seus servos. Trata-se de coisas que hão de acontecer brevemente e que Cristo deu a conhecer ao seu servo João por um anjo que lhe enviou.

2João atesta tudo quanto viu em relação à palavra e ao testemunho de Jesus Cristo. 3Feliz aquele que lê este livro e felizes os que ouvem estas palavras proféticas e guardam o que aqui está escrito1,3 O autor afirma que é preciso ler, ouvir e guardar estas palavras. A Sagrada Escritura foi escrita por causa desta triologia verbal: ler, ouvir e guardar. Quem assim fizer, será feliz., porque tudo isto há de acontecer em breve.

4Eu, João, dirijo-me às sete igrejas da província da Ásia1,4 As sete igrejas são enumeradas no v. 11.. Desejo-vos graça e paz da parte daquele que é, que era e que há de vir, e ainda da parte dos sete espíritos1,4 Sete Espíritos. O número sete simboliza a perfeição. Os sete espíritos simbolizam, portanto, a ação misteriosa de Deus na história dos homens. que estão diante do seu trono, 5e de Jesus Cristo, a testemunha fiel, o primeiro dos ressuscitados, o soberano dos reis da Terra.

Cristo ama-nos e pela sua morte libertou-nos dos nossos pecados. 6Ele fez de nós um reino de sacerdotes para Deus, seu Pai. A ele seja dada glória e o poder para todo o sempre. Ámen.

7Eis que ele vem com as nuvens.

Toda a gente o verá,

até mesmo os que o mataram.

Todos os povos da Terra se lamentarão por ele.

Assim há de ser! Ámen!

8Eu sou o Alfa e o Ómega1,8 Alfa e Ómega. Primeira e última letra do alfabeto grego (21,2; 22,13). A expressão significa: o Primeiro e o Último ou o Princípio e o Fim., diz o Senhor Deus, aquele que é, que era e que há de vir, o Todo-Poderoso.

Cristo revela-se a João

9Eu sou João, vosso irmão, e participo convosco nas mesmas perseguições no reino de Deus e na perseverança por Jesus. Encontrava-me na ilha de Patmos1,9 Patmos. Pequena ilha do mar Egeu para onde os romanos exilavam as pessoas que julgavam politicamente indesejadas. por ter proclamado a palavra de Deus e o testemunho de Jesus. 10O Espírito de Deus apoderou-se de mim, no dia do Senhor, e eu ouvi atrás de mim uma voz forte que parecia a voz duma trombeta. 11Dizia assim: «Escreve num livro aquilo que vais ver, e manda-o às sete igrejas: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodiceia.» 12Voltei-me para ver quem é que me falava e, ao voltar-me, vi sete castiçais de ouro1,12 Sete castiçais. Representam as sete igrejas a quem o autor escreveu. Ver 1,20.. 13E no meio dos castiçais estava alguém semelhante ao Filho do Homem vestido até aos pés com uma túnica comprida e uma faixa dourada à volta do peito. 14A sua cabeça e os seus cabelos eram brancos como a lã ou como a neve e os seus olhos eram ardentes como o fogo. 15Os seus pés brilhavam como bronze fundido na fornalha e a sua voz era como o ruído das grandes cascatas1,15 Para os v. 13–15, ver Dn 7,13; 10,5; 7,9; 10,6.. 16Na sua mão direita tinha sete estrelas; da sua boca saía uma espada de dois gumes muito afiada e o seu rosto brilhava como o sol do meio-dia.

17Quando o vi, caí aos seus pés como morto. Mas ele pôs a sua mão direita em cima de mim e disse: «Não tenhas medo! Eu sou o primeiro e o último1,17 Para os v. 16–17, ver Is 49,2; Hb 4,12; Is 44,6; 48,12.. 18Eu sou aquele que está vivo! Estive morto, mas agora vivo para sempre. Eu tenho poder sobre a morte e sobre o mundo dos mortos. 19Escreve pois aquilo que viste, o que está a acontecer agora e o que vai acontecer mais tarde. 20O significado das sete estrelas que viste na minha mão direita e dos sete castiçais de ouro é o seguinte: as sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete castiçais são essas sete igrejas.»