a BÍBLIA para todos Edição Católica (BPTct)
3

31E o seu filho Judas, chamado Macabeu, ficou no lugar do pai. 2Todos os parentes e os que se tinham aliado ao seu pai ficaram ao seu lado e lutaram com entusiasmo por Israel. 3Judas trouxe ainda mais glória para o seu povo. Quando vestia a couraça, parecia um gigante. Vestiu as suas armas de guerra, travou combates e com a espada defendeu os seus soldados. 4Parecia um leão, um filhote de leão rugindo quando caça um animal. 5Perseguia os que desprezavam a lei até os apanhar; acabou com os que perturbavam o seu povo. 6Com medo dele, os apóstatas fugiram; todos os que transgrediam a lei ficaram apavorados. Pela sua mão a salvação foi bem sucedida. 7Fez com que muitos reis ficassem aflitos, mas com as suas vitórias trouxe alegria para Jacob, o seu povo. A sua memória será eternamente bendita. 8Passou por todas as cidades de Judá e acabou com todos os apóstatas. E assim desviou do povo de Israel a ira de Deus. 9A fama de Judas espalhou-se até aos confins do mundo, congregou os que estavam em perigo de ser destruídos. 10Apolónio3,10 Apolónio. Governador da Samaria, segundo o historiador judeu Josefo. reuniu um grande exército de não-judeus e de homens de Samaria para lutar contra Israel. 11Quando Judas soube disto, marchou com os seus soldados para lutar contra Apolónio, derrotou-o e matou-o. Muitos inimigos foram feridos de morte e os restantes fugiram. 12Apoderou-se dos despojos dos inimigos e da espada de Apolónio, a qual passou a usar sempre em combate. 13Séron, o comandante do exército sírio, soube que Judas tinha reunido um exército enorme de soldados, que lhe eram fiéis, e prontos para lutar. 14Disse ele: «Vou lutar contra Judas e os seus soldados, aquela gente que despreza a ordem do rei. O meu nome será famoso e receberei glória no reino da Síria15E novamente um forte exército de ímpios foi ajudá-lo a vingar-se dos filhos de Israel. 16Quando Séron estava a chegar perto de Bet-Horon, Judas saiu ao seu encontro com um pequeno grupo de soldados. 17Quando viram o exército sírio a avançar para lutar contra eles, os judeus perguntaram a Judas: «Como é que nós, que somos tão poucos, poderemos lutar contra esta multidão enorme e poderosa? Estamos todos fracos, pois ainda não comemos nada hoje.» 18Judas respondeu: «Deus consegue vencer tanto com muitos como com poucos. 19Pois a vitória na batalha não depende do tamanho do exército, mas do céu é que vem a força. 20Eles vêm contra nós, cheios de orgulho e impiedade, querendo acabar connosco, com as nossas mulheres e filhos e levar para o seu reino tudo quanto temos. 21Mas nós estamos a lutar pelas nossas vidas e pelas nossas leis. 22É Deus quem os derrotará na nossa presença. Não tenham medo deles.» 23Assim que acabou de falar, Judas e os seus soldados atacaram os inimigos e derrotaram Séron e o seu exército. 24Perseguiram-nos pela descida de Bet-Horon até à planície; oitocentos deles foram mortos e os restantes fugiram para a Filisteia. 25Depois disto, todos começaram a ficar com medo de Judas e dos seus irmãos, e os povos dos países vizinhos ficaram apavorados. 26Até o rei Antíoco ouviu falar do nome de Judas, e os não-judeus comentavam as suas batalhas.

O governador Lísias

27Quando o rei Antíoco ouviu falar de tudo isto, ficou furioso e ordenou que todas as forças armadas do reino se juntassem, formando assim um fortíssimo exército. 28Abriu os cofres do reino, pagou a todos os soldados o salário de um ano e ordenou que ficassem prontos para qualquer emergência. 29Mas descobriu que havia pouco dinheiro no tesouro do rei. Os impostos pagos pelas províncias tinham diminuído por causa da revolta e da miséria que ele mesmo havia causado quando anulou as leis que existiram desde os tempos mais antigos. 30Receou não ter dinheiro nem para as suas próprias despesas nem para as ofertas que anteriormente dava. Era pródigo em dar presentes e nisto ultrapassou os reis que o procederam. 31Ficou muito aflito e finalmente resolveu ir até à Pérsia e cobrar os impostos das províncias daquele país para assim conseguir muito dinheiro. 32Antes de partir, pôs Lísias, um homem famoso da família real, a governar o território que ia desde o rio Eufrates até à fronteira do Egito. 33Antíoco deixou-o também encarregado de cuidar da educação do seu filho Antíoco Eupátor, até ao seu regresso. 34Pôs Lísias como comandante de metade das suas tropas e de todos os elefantes usados nas guerras. E deu-lhe instruções a respeito de tudo o que queria que se fizesse. Quanto aos habitantes da Judeia e de Jerusalém, 35Antíoco ordenou que Lísias os atacasse com um exército a fim de derrotar a força de Israel e acabar com o seu poder, especialmente os que ainda estavam a morar em Jerusalém, para que ninguém mais se lembrasse deles. 36Lísias deveria trazer estrangeiros para morarem em todo o país e dividir as terras entre eles. 37Em seguida, o rei Antíoco saiu de Antioquia, a capital do seu reino, com a outra metade do exército. Isto aconteceu no ano cento e quarenta e sete da era grega3,37 Equivale ao ano 165 a.C. Ver 1 Mb 1,10 e nota.. Atravessou o rio Eufrates e marchou pelas regiões montanhosas do planalto da Pérsia.

Os sírios invadem a Judeia

(2 Macabeus 8,8–15)

38Lísias escolheu Ptolomeu, filho de Dorímenes, e Nicanor e Górgias, três homens famosos que pertenciam ao grupo chamado de Amigos do Rei3,38 Sobre este título, ver 1 Mb 2,18 e nota., 39e enviou-os com quarenta mil soldados de infantaria e sete mil de cavalaria para invadirem o território de Judá e o arrasarem, conforme a ordem do rei. 40Partiram com todos os seus soldados e acamparam na planície perto da cidade de Emaús. 41Quando os negociantes daquela região ouviram falar do enorme exército sírio, forneceram-se de ouro e prata e correntes para irem ao acampamento comprar os israelitas como escravos. Forças da Síria e de países estrangeiros juntaram-se a eles. 42Judas e os irmãos viram que as desgraças tinham já ultrapassado a medida e que as forças estrangeiras estavam acampadas dentro das fronteiras do país. E ficaram a conhecer a ordem do rei Antíoco para destruir e extinguir o povo judeu. 43Disseram uns aos outros: «Vamos restaurar o nosso povo da ruína em que ele está! Vamos lutar pelo nosso povo e pelo santuário44Reuniram-se todos a fim de se prepararem para a batalha e para orar e pedir compaixão e misericórdia. 45Jerusalém estava abandonada como um deserto; nenhum dos seus moradores entrava ou saía dela. O templo tinha sido profanado, estrangeiros na cidadela que servia de pousada para pagãos. A alegria tinha desaparecido de Jacob; a flauta e a harpa calaram-se.

A reunião em Mispá

(2 Macabeus 8,16–23)

46Reuniram-se e foram até Mispá, que fica em frente de Jerusalém, pois antigamente havia ali um lugar de adoração para Israel. 47Naquele dia jejuaram, vestiram-se de saco, puseram cinzas na cabeça e rasgaram as suas roupas. 48Abriram o livro da lei, procurando a mesma direção que os pagãos quando consultam os seus ídolos. 49Trouxeram também os mantos sacerdotais, as ofertas dos primeiros cereais e os dízimos e chamaram os nazireus que já tinham completado o tempo da sua promessa. 50Elevando a voz ao céu clamaram: «O que faremos com todas estas coisas e para onde levaremos estes homens? 51O teu santuário foi pisado pelos pagãos e profanado, e os teus sacerdotes pranteiam na sua humilhação. 52Os pagãos juntaram-se contra nós para nos matarem; tu sabes o que eles estão a planear fazer connosco. 53Como poderemos enfrentá-los se não nos ajudares?» 54Então tocaram cornetas e deram um grande brado. 55Depois disto, Judas escolheu homens a quem colocou como chefes de grupos de soldados: de mil, de cem, de cinquenta e de dez. 56E, de acordo com o que diz a lei, mandou embora todos os que estavam a construir as suas casas, os que tinham casado há pouco tempo, os que tinham plantado vinhas e os medronhos. 57Então Judas marchou com o seu exército e acampou ao sul de Emaús. 58E disse aos soldados: «Preparem-se para lutar e sejam corajosos. Estejam prontos amanhã cedo para lutar contra estes pagãos que se ajuntaram e marcharam contra nós para nos matar e para destruir o nosso templo. 59É melhor que morramos na batalha do que vermos a desgraça que vai acontecer com o nosso povo e o nosso santuário. 60Que seja feita a vontade de Deus!»

1

Introdução e saudação

11Este livro contém a revelação de Jesus Cristo que ele recebeu de Deus, para a dar a conhecer aos seus servos. Trata-se de coisas que hão de acontecer brevemente e que Cristo deu a conhecer ao seu servo João por um anjo que lhe enviou.

2João atesta tudo quanto viu em relação à palavra e ao testemunho de Jesus Cristo. 3Feliz aquele que lê este livro e felizes os que ouvem estas palavras proféticas e guardam o que aqui está escrito1,3 O autor afirma que é preciso ler, ouvir e guardar estas palavras. A Sagrada Escritura foi escrita por causa desta triologia verbal: ler, ouvir e guardar. Quem assim fizer, será feliz., porque tudo isto há de acontecer em breve.

4Eu, João, dirijo-me às sete igrejas da província da Ásia1,4 As sete igrejas são enumeradas no v. 11.. Desejo-vos graça e paz da parte daquele que é, que era e que há de vir, e ainda da parte dos sete espíritos1,4 Sete Espíritos. O número sete simboliza a perfeição. Os sete espíritos simbolizam, portanto, a ação misteriosa de Deus na história dos homens. que estão diante do seu trono, 5e de Jesus Cristo, a testemunha fiel, o primeiro dos ressuscitados, o soberano dos reis da Terra.

Cristo ama-nos e pela sua morte libertou-nos dos nossos pecados. 6Ele fez de nós um reino de sacerdotes para Deus, seu Pai. A ele seja dada glória e o poder para todo o sempre. Ámen.

7Eis que ele vem com as nuvens.

Toda a gente o verá,

até mesmo os que o mataram.

Todos os povos da Terra se lamentarão por ele.

Assim há de ser! Ámen!

8Eu sou o Alfa e o Ómega1,8 Alfa e Ómega. Primeira e última letra do alfabeto grego (21,2; 22,13). A expressão significa: o Primeiro e o Último ou o Princípio e o Fim., diz o Senhor Deus, aquele que é, que era e que há de vir, o Todo-Poderoso.

Cristo revela-se a João

9Eu sou João, vosso irmão, e participo convosco nas mesmas perseguições no reino de Deus e na perseverança por Jesus. Encontrava-me na ilha de Patmos1,9 Patmos. Pequena ilha do mar Egeu para onde os romanos exilavam as pessoas que julgavam politicamente indesejadas. por ter proclamado a palavra de Deus e o testemunho de Jesus. 10O Espírito de Deus apoderou-se de mim, no dia do Senhor, e eu ouvi atrás de mim uma voz forte que parecia a voz duma trombeta. 11Dizia assim: «Escreve num livro aquilo que vais ver, e manda-o às sete igrejas: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodiceia.» 12Voltei-me para ver quem é que me falava e, ao voltar-me, vi sete castiçais de ouro1,12 Sete castiçais. Representam as sete igrejas a quem o autor escreveu. Ver 1,20.. 13E no meio dos castiçais estava alguém semelhante ao Filho do Homem vestido até aos pés com uma túnica comprida e uma faixa dourada à volta do peito. 14A sua cabeça e os seus cabelos eram brancos como a lã ou como a neve e os seus olhos eram ardentes como o fogo. 15Os seus pés brilhavam como bronze fundido na fornalha e a sua voz era como o ruído das grandes cascatas1,15 Para os v. 13–15, ver Dn 7,13; 10,5; 7,9; 10,6.. 16Na sua mão direita tinha sete estrelas; da sua boca saía uma espada de dois gumes muito afiada e o seu rosto brilhava como o sol do meio-dia.

17Quando o vi, caí aos seus pés como morto. Mas ele pôs a sua mão direita em cima de mim e disse: «Não tenhas medo! Eu sou o primeiro e o último1,17 Para os v. 16–17, ver Is 49,2; Hb 4,12; Is 44,6; 48,12.. 18Eu sou aquele que está vivo! Estive morto, mas agora vivo para sempre. Eu tenho poder sobre a morte e sobre o mundo dos mortos. 19Escreve pois aquilo que viste, o que está a acontecer agora e o que vai acontecer mais tarde. 20O significado das sete estrelas que viste na minha mão direita e dos sete castiçais de ouro é o seguinte: as sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete castiçais são essas sete igrejas.»