a BÍBLIA para todos Edição Católica (BPTct)
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A morte de Antíoco Epifânio

(2 Macabeus 1,11–17; 9,1–29; 10,9–11)

61O rei Antíoco estava a atravessar, com o seu exército, as províncias do planalto da Pérsia quando ouviu falar de Elimaida, uma cidade da Pérsia que era famosa pela sua abundância em prata e ouro. 2O templo da cidade era riquíssimo; havia nele escudos folheados a ouro, couraças e outras armas, que tinham sido guardadas lá por Alexandre, filho de Filipe, o rei da Macedónia que tinha sido o primeiro rei da Grécia. 3Por isso Antíoco foi até Elimaida e tentou conquistar a cidade e tirar de lá todas as coisas de valor. Mas não o pôde fazer porque os moradores da cidade tinham sido avisados do seu plano 4e estavam prontos para lutar contra ele. Antíoco retirou-se de lá, muito envergonhado, e decidiu voltar para a Babilónia. 5Antíoco ainda estava na Pérsia quando chegou um mensageiro que lhe deu a notícia de que os exércitos que ele enviara para a terra de Judá tinham sido derrotados; 6que Lísias, o primeiro que havia atacado com um exército poderoso, tinha fugido dos judeus; que estes estavam agora ainda mais fortes por terem tomado armas, munições e despojos de valor dos exércitos que haviam derrotado; 7que os judeus tinham derrubado «a abominação»6,7 Ver 1 Mb 1,54 e nota., que ele colocara em cima do altar de Jerusalém; que tinham construído muralhas altas ao redor do templo, como havia antes; e que tinham construído muralhas também ao redor de Bet-Sur, uma das cidades do rei Antíoco. 8Ao ouvir tudo isso, Antíoco ficou tão desesperado e aflito, que caiu de cama doente, com tristeza por nada ter acontecido como queria. 9Antíoco teve de ficar de cama muitos dias, pois a sua tristeza foi aumentando cada vez mais; e compreendeu que ia morrer. 10Então chamou todos os seus Amigos6,10 Ver 1 Mb 2,18 e nota. e disse-lhes: «Já não consigo dormir; estou aflito e completamente desanimado. 11E interroguei-me sobre a razão de ter caído em tão grande desgraça e sofrimento, eu que fui tão bondoso e amado no exercício do meu poder! 12Mas agora lembro-me de todas as coisas más que fiz em Jerusalém. Roubei todos os objetos de prata e de ouro e, sem motivo nenhum, mandei matar os moradores de Judá. 13Sei que é por causa disso que estou a sofrer todas estas desgraças. E agora vou morrer de tristeza aqui em terra estrangeira.» 14Antíoco mandou chamar Filipe, que era um dos seus Amigos, e pô-lo como chefe de todo o seu reino. 15Entregou-lhe a sua coroa, o manto real e o anel-sinete e encarregou-o de educar o seu filho Antíoco e prepará-lo para ser rei. 16E o rei Antíoco morreu ali, na Pérsia, no ano cento e quarenta e nove da era grega6,16 Equivale ao ano 163 a.C. Ver 1 Mb 1,10 e nota. 17Quando Lísias soube da morte do rei, colocou Antíoco, filho de Antíoco, como rei no lugar do pai e acrescentou ao nome dele o título de Eupátor. Lísias tinha criado Antíoco desde menino.

Mais batalhas em Jerusalém e Bet-Sur

(2 Macabeus 13,1–22)

18Durante todo este tempo os ocupantes da cidadela de Jerusalém não deixavam os israelitas saírem da área à volta do santuário. Faziam tudo o que era possível para os maltratar e ajudar os pagãos. 19Então Judas Macabeu resolveu destruí-los; mandou que todo o povo viesse e cercasse a fortaleza a fim de a atacar. 20Por isso, no ano cento e cinquenta da era grega6,20 Equivale ao ano 162 a.C. Ver 1 Mb 1,10 e nota., os judeus juntaram-se e cercaram a cidadela. Judas mandou construir catapultas e outros engenhos de guerra. 21Um grupo de sitiados conseguiu escapar da fortaleza e, juntamente com alguns israelitas apóstatas, 22foram falar com o rei e disseram: «Quanto tempo vai levar até que faças o que é justo e vingues os nossos irmãos? 23Nós concordámos em servir o teu o pai, obedecer às suas leis e seguir todas as suas ordens. 24Por causa disso, os filhos do nosso povo cercaram a cidadela e tornaram-se nossos inimigos. Chegaram até a matar os nossos que conseguiram apanhar e tiraram-nos tudo o que tínhamos. 25Não nos atacaram somente a nós, mas também aos povos vizinhos. 26E agora cercam a cidadela de Jerusalém, tentando conquistá-la. E também construíram muralhas à volta do templo e da cidade de Bet-Sur. 27Se não tomares providências, farão coisas piores ainda, e jamais os poderás parar.» 28Ao ouvir isso, o rei ficou furioso. Mandou chamar todos os seus Amigos6,28 Ver 1 Mb 2,18 e nota., os comandantes do exército e os oficiais da cavalaria. 29Juntaram-se a eles também mercenários de outros países e das ilhas. 30O número total do seu exército era de cem mil soldados de infantaria, vinte mil de cavalaria e trinta e dois elefantes treinados para a guerra. 31O rei e os seus soldados atravessaram a Idumeia e acamparam perto de Bet-Sur. Ali construíram máquinas para derrubar muralhas e atacaram a cidade durante muitos dias. Mas os judeus saíram da cidade, queimaram as máquinas e lutaram com coragem. 32Então Judas e os seus soldados deixaram de cercar a cidadela e foram acampar perto de Bet-Zacarias, a fim de impedirem que o exército do rei avançasse. 33No dia seguinte, bem cedo, o rei levantou-se e avançou em marcha forçada pela estrada em direção a Bet-Zacarias. Os seus homens prepararam-se para lutar, e foram tocadas as cornetas. 34Mostraram aos elefantes sumo de uva e sumo de amora, a fim de os atiçarem para a batalha. 35Distribuíram os elefantes entre os vários batalhões de infantaria. Ao redor de cada elefante havia mil soldados revestidos de cotas feitas de malha de ferro e capacetes de bronze. Além disso, quinhentos cavaleiros muito experientes iam juntamente com cada elefante. 36Todos estes soldados acompanhavam de perto os elefantes, seguindo-os em todos os passos e nunca se afastando deles. 37No dorso de cada um havia uma torre fortificada de madeira, protegida por um teto e guarnecida de equipamentos de guerra. Em cada uma delas, além do condutor indiano, havia quatro soldados que lutavam dali. 38Lísias colocou os outros cavaleiros em fileiras nos dois lados da infantaria; assim, enquanto atacavam o inimigo, os cavaleiros eram protegidos pelos soldados da infantaria. 39Quando o sol batia nos escudos de ouro e de bronze, os montes brilhavam com o reflexo da luz e pareciam tochas acesas. 40Uma parte do exército do rei foi disposta nos montes, e a outra parte ficou em baixo, na planície; e todos começaram a avançar com passo firme e em perfeita ordem. 41Ficaram apavorados todos os que ouviram o barulho daqueles soldados marchando e batendo as suas armas umas nas outras. De facto, aquele exército era enorme e poderoso. 42Judas e os seus soldados atacaram e seiscentos soldados do rei foram mortos. 43Eleazar Macabeu, também chamado de Avaran, notou que um dos elefantes era maior do que os outros e estava coberto por uma armadura real. Então pensou que o próprio rei vinha montado naquele animal. 44Por isso, Eleazar deu a sua vida para salvar o seu povo e ganhar fama eterna para o seu nome: 45correu corajosamente na direção do elefante, que estava no meio de um batalhão de infantaria, e matou soldados à sua direita e à sua esquerda, abrindo assim uma brecha por onde foi avançando. 46Meteu-se debaixo do elefante e deu-lhe um golpe. O elefante caiu morto sobre Eleazar, que morreu ali mesmo. 47Mas os judeus, vendo o poder do exército do rei e a força com que os soldados atacavam, bateram em retirada. 48O exército do rei Antíoco Eupátor avançou contra os judeus até Jerusalém e acampou na Judeia e no monte Sião. 49O rei fez um acordo de paz com os moradores de Bet-Sur, e todos eles saíram da cidade. Porque, se a cidade fosse cercada pelos inimigos, os moradores não teriam mantimentos suficientes para aguentar o cerco, pois era o sétimo ano6,49 De acordo com a Lei de Moisés, cada sétimo ano os judeus não plantavam nem faziam colheitas. Ver Lv 25,1–7., e nesse ano os campos não eram semeados. 50Assim o rei conquistou Bet-Sur e deixou ali soldados para a defender. 51Depois acampou durante muitos dias em frente do templo; construiu catapultas, máquinas de atirar pedras e dardos de fogo, e outras máquinas para lançar flechas e ainda fundas. 52Os judeus também construíram máquinas de guerra para enfrentar as do inimigo, e a batalha durou muitos dias. 53Mas eles não tinham mantimentos nos depósitos, pois estavam no sétimo ano, e os judeus que tinham voltado à Judeia e escapado dos pagãos alimentaram-se do que sobrava das reservas. 54E também havia poucos homens no templo, pois a fome prevalecera sobre os demais que dispersaram, voltando cada um para casa.

Liberdade religiosa para os judeus

(2 Macabeus 13,23–26; 11,22–26)

55Lísias ouviu dizer que Filipe, a quem o rei Antíoco, ainda em vida encarregara de educar o seu filho Antíoco e prepará-lo para ser rei, 56voltara da Pérsia e da Média6,56 Média. País a nordeste da Babilónia, que veio a pertencer ao reino da Pérsia. com os soldados que tinham acompanhado o rei até lá, e que procurava ele mesmo apoderar-se do controlo do governo. 57Então Lísias apressou-se em regressar e disse aos chefes militares e aos soldados: «Estamos a ficar cada dia mais fracos, as nossas reservas alimentares escasseiam e o lugar que estamos a cercar está bem protegido. Além disso, há assuntos do reino por resolver. 58Portanto, vamos estender a mão a estes homens e fazer um acordo com eles e com todo o seu povo, 59dando-lhes o direito de viverem conforme as suas leis mandam, como faziam antes. Pois foi justamente por termos acabado com essas leis que eles se irritaram e fizeram tudo isto.» 60A ideia foi do agrado do rei e dos chefes militares. E Lísias enviou aos judeus um mensageiro com uma proposta para fazer a paz; e eles aceitaram. 61Então o rei e os chefes militares juraram que cumpririam o acordo, e por fim os judeus saíram da fortaleza. 62O rei foi até ao monte Sião e, quando viu as fortificações que nele havia, quebrou o seu juramento e ordenou que derrubassem a muralha em todo o seu perímetro. 63Depois foi-se embora e voltou rapidamente para Antioquia, onde encontrou Filipe a governar a cidade. O rei lutou contra ele e conquistou a cidade pela força.

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Introdução e saudação

11Este livro contém a revelação de Jesus Cristo que ele recebeu de Deus, para a dar a conhecer aos seus servos. Trata-se de coisas que hão de acontecer brevemente e que Cristo deu a conhecer ao seu servo João por um anjo que lhe enviou.

2João atesta tudo quanto viu em relação à palavra e ao testemunho de Jesus Cristo. 3Feliz aquele que lê este livro e felizes os que ouvem estas palavras proféticas e guardam o que aqui está escrito1,3 O autor afirma que é preciso ler, ouvir e guardar estas palavras. A Sagrada Escritura foi escrita por causa desta triologia verbal: ler, ouvir e guardar. Quem assim fizer, será feliz., porque tudo isto há de acontecer em breve.

4Eu, João, dirijo-me às sete igrejas da província da Ásia1,4 As sete igrejas são enumeradas no v. 11.. Desejo-vos graça e paz da parte daquele que é, que era e que há de vir, e ainda da parte dos sete espíritos1,4 Sete Espíritos. O número sete simboliza a perfeição. Os sete espíritos simbolizam, portanto, a ação misteriosa de Deus na história dos homens. que estão diante do seu trono, 5e de Jesus Cristo, a testemunha fiel, o primeiro dos ressuscitados, o soberano dos reis da Terra.

Cristo ama-nos e pela sua morte libertou-nos dos nossos pecados. 6Ele fez de nós um reino de sacerdotes para Deus, seu Pai. A ele seja dada glória e o poder para todo o sempre. Ámen.

7Eis que ele vem com as nuvens.

Toda a gente o verá,

até mesmo os que o mataram.

Todos os povos da Terra se lamentarão por ele.

Assim há de ser! Ámen!

8Eu sou o Alfa e o Ómega1,8 Alfa e Ómega. Primeira e última letra do alfabeto grego (21,2; 22,13). A expressão significa: o Primeiro e o Último ou o Princípio e o Fim., diz o Senhor Deus, aquele que é, que era e que há de vir, o Todo-Poderoso.

Cristo revela-se a João

9Eu sou João, vosso irmão, e participo convosco nas mesmas perseguições no reino de Deus e na perseverança por Jesus. Encontrava-me na ilha de Patmos1,9 Patmos. Pequena ilha do mar Egeu para onde os romanos exilavam as pessoas que julgavam politicamente indesejadas. por ter proclamado a palavra de Deus e o testemunho de Jesus. 10O Espírito de Deus apoderou-se de mim, no dia do Senhor, e eu ouvi atrás de mim uma voz forte que parecia a voz duma trombeta. 11Dizia assim: «Escreve num livro aquilo que vais ver, e manda-o às sete igrejas: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodiceia.» 12Voltei-me para ver quem é que me falava e, ao voltar-me, vi sete castiçais de ouro1,12 Sete castiçais. Representam as sete igrejas a quem o autor escreveu. Ver 1,20.. 13E no meio dos castiçais estava alguém semelhante ao Filho do Homem vestido até aos pés com uma túnica comprida e uma faixa dourada à volta do peito. 14A sua cabeça e os seus cabelos eram brancos como a lã ou como a neve e os seus olhos eram ardentes como o fogo. 15Os seus pés brilhavam como bronze fundido na fornalha e a sua voz era como o ruído das grandes cascatas1,15 Para os v. 13–15, ver Dn 7,13; 10,5; 7,9; 10,6.. 16Na sua mão direita tinha sete estrelas; da sua boca saía uma espada de dois gumes muito afiada e o seu rosto brilhava como o sol do meio-dia.

17Quando o vi, caí aos seus pés como morto. Mas ele pôs a sua mão direita em cima de mim e disse: «Não tenhas medo! Eu sou o primeiro e o último1,17 Para os v. 16–17, ver Is 49,2; Hb 4,12; Is 44,6; 48,12.. 18Eu sou aquele que está vivo! Estive morto, mas agora vivo para sempre. Eu tenho poder sobre a morte e sobre o mundo dos mortos. 19Escreve pois aquilo que viste, o que está a acontecer agora e o que vai acontecer mais tarde. 20O significado das sete estrelas que viste na minha mão direita e dos sete castiçais de ouro é o seguinte: as sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete castiçais são essas sete igrejas.»