a BÍBLIA para todos Edição Católica (BPTct)
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Os romanos

81Judas ouviu falar da fama dos romanos; disseram-lhe que eram muito poderosos, que tratavam bem todos os que faziam acordos de paz com eles e que eram amigos de todos os que a eles recorriam, pois era grande o seu poder. 2Contaram-lhe também das suas guerras e de todos os seus atos de coragem nas lutas contra os gálatas, a quem tinham derrotado e forçado a pagar-lhes impostos. 3Também contaram a Judas como os romanos tinham conquistado a Hispânia e ficado com as minas de prata e de ouro que lá havia; 4como conquistaram toda aquela região graças ao seu entendimento e paciência, embora ela ficasse muito longe da sua terra. Contaram-lhe também como os romanos tinham vencido os reis que vieram dos fins da terra para lutarem contra eles; esmagaram-nos derrotando-os completamente; os outros reis pagavam-lhes impostos anuais. 5Os romanos esmagaram também Filipe e seu filho Perseu, reis de Cícion, e também outros reis que tinham lutado contra eles, e subjugaram-nos. 6Antíoco, o Grande, rei da Ásia, saíra para lutar contra os romanos com cento e vinte elefantes, cavalaria, carros de guerra e um enorme e poderoso exército, mas também foi derrotado por eles. 7Os romanos apanharam-no vivo, e ele e os que ficaram no seu lugar foram forçados a pagar um imposto muito alto, a entregar reféns e a passar para os romanos 8as suas mais belas províncias, a Índia, a Média e a Lídia. E os romanos entregaram essas províncias ao rei Êumenes8,8 Êumenes II, que foi rei de Pérgamo de 197 a 158 a.C.. 9Também contaram a Judas que os gregos tinham feito planos de acabar com os romanos. 10Mas estes souberam disto e enviaram um general com o seu exército para os combater. Muitos soldados gregos foram feridos e mortos, e as esposas e os filhos foram levados como prisioneiros. Os romanos ficaram com tudo o que os gregos tinham, conquistaram o país inteiro e derrubaram as suas fortalezas e reduziram-nos a escravos até hoje8,10 Isto é, até à data em que o texto foi escrito.. 11Todos os outros países e as ilhas que lhes resistiram foram arrasados, e os seus moradores foram reduzidos a escravos. Mas os romanos conservavam a sua amizade com os seus amigos e com aqueles que procuravam a sua ajuda. 12Os romanos têm conquistado os países que ficam perto e os que ficam longe; todos os que ouvem o seu nome os temem. 13Eles ajudam os que querem ser reis e que pedem a sua ajuda para isso; tiram do poder aqueles que querem tirar. Tornaram-se extremamente poderosos. 14Apesar de tudo isto, nenhum romano colocou na cabeça uma coroa de rei e nenhum vestiu um manto de púrpura para mostrar que é mais poderoso do que os outros. 15Os romanos formaram um senado, e trezentos e vinte senadores reúnem-se todos os dias para discutir como resolver os problemas do povo. 16Todos os anos confiam a um homem o governo e o poder sobre todo o seu império; e todos lhe obedecem e não há inveja nem ciúme entre eles.

O acordo com os romanos

17Judas escolheu Eupólemo, filho de João e neto de Acos, e Jasão, filho de Eleazar, e enviou-os a Roma para fazer um acordo de amizade e uma aliança com os romanos, 18para os libertarem do jugo dos gregos; pois viram que o seu domínio estava a reduzir Israel à escravidão. 19Depois de uma longa e difícil viagem, Eupólemo e Jasão chegaram a Roma. Deslocaram-se ao senado e ali se fizeram ouvir. Disseram: 20«Judas, também chamado de Macabeu, e os seus irmãos e o povo judeu enviaram-nos aqui para celebrarmos uma aliança e um acordo de paz convosco, a fim de podermos entrar na lista dos vossos aliados e amigos.» 21Os senadores gostaram da ideia; 22e o que segue é uma cópia da carta que escreveram em folhas de bronze e enviaram a Jerusalém para que ficasse ali com os judeus como prova de paz e aliança: 23«Que, na terra e no mar, tudo vá bem para sempre com os romanos e com o povo judeu! E que a espada e os inimigos estejam longe deles! 24Mas se houver guerra primeiro contra Roma ou contra os seus aliados em todo o seu império, 25então os judeus lutarão ao lado dos romanos como aliados fiéis, conforme a ocasião o exigir. 26Aos que estiverem a lutar contra Roma os judeus não darão nem arranjarão mantimentos, armas, dinheiro ou navios, conforme a decisão de Roma. Os judeus deverão cumprir a sua promessa sem receberem qualquer pagamento. 27Da mesma forma, se houver primeiro guerra contra os judeus, os romanos irão lutar ao lado, como aliados fiéis, conforme a ocasião o exigir. 28A quem lutar contra os judeus, os romanos não darão mantimentos, armas, dinheiro ou navios, conforme a decisão de Roma. Os romanos cumprirão fielmente a sua promessa. 29São essas as condições do acordo que os romanos fazem com o povo judeu. 30Se, no futuro, os dois povos resolverem acrescentar uma coisa a este acordo ou tirar qualquer parte dele, poderão fazê-lo, se ambos concordarem; e o que estiver escrito, com as modificações, é que terá valor.» 31E os romanos disseram também que tinham escrito ao rei Demétrio a respeito das coisas más que ele estava a fazer contra os judeus. A carta dizia o seguinte: «Por que é que estás a maltratar os judeus, que são nossos amigos e aliados? 32Se eles se queixarem de novo de ti, defenderemos os seus direitos e lutaremos contra ti na terra e no mar.»

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Introdução e saudação

11Este livro contém a revelação de Jesus Cristo que ele recebeu de Deus, para a dar a conhecer aos seus servos. Trata-se de coisas que hão de acontecer brevemente e que Cristo deu a conhecer ao seu servo João por um anjo que lhe enviou.

2João atesta tudo quanto viu em relação à palavra e ao testemunho de Jesus Cristo. 3Feliz aquele que lê este livro e felizes os que ouvem estas palavras proféticas e guardam o que aqui está escrito1,3 O autor afirma que é preciso ler, ouvir e guardar estas palavras. A Sagrada Escritura foi escrita por causa desta triologia verbal: ler, ouvir e guardar. Quem assim fizer, será feliz., porque tudo isto há de acontecer em breve.

4Eu, João, dirijo-me às sete igrejas da província da Ásia1,4 As sete igrejas são enumeradas no v. 11.. Desejo-vos graça e paz da parte daquele que é, que era e que há de vir, e ainda da parte dos sete espíritos1,4 Sete Espíritos. O número sete simboliza a perfeição. Os sete espíritos simbolizam, portanto, a ação misteriosa de Deus na história dos homens. que estão diante do seu trono, 5e de Jesus Cristo, a testemunha fiel, o primeiro dos ressuscitados, o soberano dos reis da Terra.

Cristo ama-nos e pela sua morte libertou-nos dos nossos pecados. 6Ele fez de nós um reino de sacerdotes para Deus, seu Pai. A ele seja dada glória e o poder para todo o sempre. Ámen.

7Eis que ele vem com as nuvens.

Toda a gente o verá,

até mesmo os que o mataram.

Todos os povos da Terra se lamentarão por ele.

Assim há de ser! Ámen!

8Eu sou o Alfa e o Ómega1,8 Alfa e Ómega. Primeira e última letra do alfabeto grego (21,2; 22,13). A expressão significa: o Primeiro e o Último ou o Princípio e o Fim., diz o Senhor Deus, aquele que é, que era e que há de vir, o Todo-Poderoso.

Cristo revela-se a João

9Eu sou João, vosso irmão, e participo convosco nas mesmas perseguições no reino de Deus e na perseverança por Jesus. Encontrava-me na ilha de Patmos1,9 Patmos. Pequena ilha do mar Egeu para onde os romanos exilavam as pessoas que julgavam politicamente indesejadas. por ter proclamado a palavra de Deus e o testemunho de Jesus. 10O Espírito de Deus apoderou-se de mim, no dia do Senhor, e eu ouvi atrás de mim uma voz forte que parecia a voz duma trombeta. 11Dizia assim: «Escreve num livro aquilo que vais ver, e manda-o às sete igrejas: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodiceia.» 12Voltei-me para ver quem é que me falava e, ao voltar-me, vi sete castiçais de ouro1,12 Sete castiçais. Representam as sete igrejas a quem o autor escreveu. Ver 1,20.. 13E no meio dos castiçais estava alguém semelhante ao Filho do Homem vestido até aos pés com uma túnica comprida e uma faixa dourada à volta do peito. 14A sua cabeça e os seus cabelos eram brancos como a lã ou como a neve e os seus olhos eram ardentes como o fogo. 15Os seus pés brilhavam como bronze fundido na fornalha e a sua voz era como o ruído das grandes cascatas1,15 Para os v. 13–15, ver Dn 7,13; 10,5; 7,9; 10,6.. 16Na sua mão direita tinha sete estrelas; da sua boca saía uma espada de dois gumes muito afiada e o seu rosto brilhava como o sol do meio-dia.

17Quando o vi, caí aos seus pés como morto. Mas ele pôs a sua mão direita em cima de mim e disse: «Não tenhas medo! Eu sou o primeiro e o último1,17 Para os v. 16–17, ver Is 49,2; Hb 4,12; Is 44,6; 48,12.. 18Eu sou aquele que está vivo! Estive morto, mas agora vivo para sempre. Eu tenho poder sobre a morte e sobre o mundo dos mortos. 19Escreve pois aquilo que viste, o que está a acontecer agora e o que vai acontecer mais tarde. 20O significado das sete estrelas que viste na minha mão direita e dos sete castiçais de ouro é o seguinte: as sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete castiçais são essas sete igrejas.»