a BÍBLIA para todos Edição Católica (BPTct)
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Regresso da arca da aliança

61A arca da aliança do Senhor já estava há sete meses entre os filisteus. 2Então eles chamaram os sacerdotes e os magos e perguntaram-lhes: «Que devemos fazer com a arca do Senhor? Como é que havemos de a mandar para o lugar de onde veio?» 3Eles responderam: «Se querem devolver a arca do Deus de Israel, não a devem mandar sem mais nada; devem mandar uma oferta em desagravo do vosso pecado. Assim ficarão curados e saberão por que motivo Deus vos estava a castigar.» 4O povo perguntou-lhes: «Que género de oferta devemos enviar?» Eles responderam: «Cinco modelos dos tumores em ouro e cinco modelos de ratos também em ouro, porque são cinco os chefes dos filisteus, uma vez que o mesmo castigo vos atingiu junto com os vossos chefes. 5Devem fazer estes modelos dos tumores e dos ratos que destroem a vossa terra, reconhecendo o poder do Deus de Israel. Desta maneira talvez ele deixe de vos castigar tão severamente, bem como aos vossos deuses e à vossa terra. 6Que é que ganham em serem teimosos como foram os egípcios e o faraó6,6 Faraó. Ver Ex 7,3; 12,31.? Não se esqueçam que Deus castigou os egípcios duramente até serem obrigados a deixar sair os israelitas do Egito. 7Preparem, pois, um carro de bois novo, puxado por duas vacas com crias que ainda não usaram a canga6,7 Carro de bois novo. Ver 2 Sm 6,3; cf. 2 Rs 2,20. Não usaram canga. Ver Nm 19,2; Dt 21,3; cf. Ex 20,25.; ponham as vacas ao carro e levem as crias para o curral. 8Depois peguem na arca do Senhor e coloquem-na no carro de bois. Os objetos de ouro que fizeram como oferta de desagravo pelos vossos pecados, ponham-nos dentro duma caixa e coloquem-nos ao lado da arca da aliança. Depois deixem ir o carro à vontade. 9Reparem bem na direção que ele toma: se for na direção de Israel, pelo caminho de Bet-Chemes, quer dizer que foi realmente o Deus de Israel que nos castigou desta maneira; em caso contrário, concluiremos que não foi ele que fez tal coisa, mas que se tratou apenas de uma fatalidade.»

10O povo filisteu assim o fez: atrelaram as duas vacas ao carro e deixaram as crias no curral. 11Colocaram depois a arca do Senhor em cima do carro, com a caixa que tinha os modelos de ouro dos ratos e dos tumores. 12As vacas seguiram em direção a Bet-Chemes e foram sempre por aquela estrada, sem nunca se desviarem, embora fossem sempre a mugir. Os cinco chefes dos filisteus seguiram atrás do carro até à fronteira com Bet-Chemes.

13O povo de Bet-Chemes andava a ceifar o trigo nos campos. De repente levantaram os olhos e viram a arca da aliança ao longe e ficaram muito contentes. 14O carro chegou ao campo dum homem chamado Josué, que vivia em Bet-Chemes, e parou lá, junto duma grande pedra. Do carro, o povo fez lenha para oferecer as vacas em sacrifício ao Senhor6,14 Em sacrifício. Ver 2 Sm 24,22; 1 Rs 19,21.. 15Os levitas tiraram do carro a arca do Senhor e a caixa com os modelos de ouro e colocaram-nos na pedra grande. Depois o povo de Bet-Chemes matou alguns animais e ofereceu-os ao Senhor, juntamente com outros sacrifícios. 16Os cinco chefes dos filisteus, depois de terem observado tudo isto, regressaram a Ecron, naquele mesmo dia.

17Os filisteus mandaram ao Senhor os cinco modelos dos tumores em ouro, como oferta pelos seus pecados, um por cada uma das seguintes cidades: Asdod, Gaza, Ascalon, Gat e Ecron. 18Enviaram também os modelos em ouro dos ratos, um por cada uma das cidades governadas pelos cinco chefes dos filisteus, desde as cidades fortificadas até às aldeias sem muralhas. A grande pedra que está no campo de Josué de Bet-Chemes, onde colocaram a arca do Senhor, ainda hoje recorda o que aconteceu.

A arca da aliança em Quiriat-Iarim

19O Senhor matou setenta homens6,19 Ver 2 Sm 6,7. de Bet-Chemes porque olharam para a arca da aliança. E o povo ficou consternado, porque o Senhor lhe deu semelhante castigo.

20As pessoas de Bet-Chemes disseram: «Quem é que pode estar na presença do Senhor, este Deus santo? Para onde é que o enviaremos, para que fique longe de nós?» 21Mandaram então mensageiros aos habitantes de Quiriat-Iarim, com estas palavras: «Os filisteus devolveram-nos a arca do Senhor. Venham buscá-la e levem-na para aí.»

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71O povo de Quiriat-Iarim pegou na arca da aliança do Senhor e levou-a para casa dum homem chamado Abinadab, que vivia na colina. E consagraram Eleazar, filho de Aminadab, para cuidar dela.

Samuel governa Israel

2A arca do Senhor já estava em Quiriat-Iarim há mais de vinte anos e durante esse tempo o povo de Israel esforçava-se por seguir o Senhor.

3Samuel disse ao povo de Israel: «Se querem realmente voltar para o Senhor com todo o coração, afastem todos os deuses estranhos e as imagens da deusa Astarté7,3 Astarté. Deusa do amor e da fecundidade.. Voltem-se para o Senhor e sirvam-no só a ele, que ele vos há de libertar do perigo dos filisteus4Então os israelitas afastaram os ídolos do deus Baal e da deusa Astarté, e serviram apenas o Senhor. 5Samuel pediu então aos israelitas para se reunirem em Mispá e disse-lhes: «Vou orar ao Senhor em vosso favor.» 6E reuniram-se todos em Mispá. Foram buscar um pouco de água, derramaram-na pelo chão como oferta ao Senhor e jejuaram durante todo o dia. E diziam: «Pecámos contra o Senhor

E Samuel foi juiz7,6 Juiz. Na sequência dos juízes ou chefes carismáticos do livro dos Juízes. Cf. Jz 2,16. do povo de Israel em Mispá.

7Quando os filisteus souberam que os israelitas se reuniam em Mispá, os chefes dos filisteus prepararam-se para os atacar. Os israelitas, ao saberem disto, ficaram cheios de medo 8e pediram com insistência a Samuel: «Não deixes de orar e clamar ao Senhor nosso Deus por nós, para que nos salve das mãos dos filisteus.» 9Samuel pegou num cordeirinho ainda de leite e ofereceu-o ao Senhor em sacrifício. Intercedeu junto do Senhor por Israel e o Senhor atendeu-o.

10Enquanto Samuel oferecia o sacrifício, os filisteus avançaram para atacar o povo de Israel, mas o Senhor mandou contra eles fortes trovões. Os filisteus entraram em pânico e Israel derrotou-os. 11Os israelitas partiram de Mispá e perseguiram os filisteus até para além de Bet-Car. 12Então Samuel colocou uma pedra entre Mispá e Chen e chamou-lhe Eben-Ézer, dizendo: «Até aqui nos auxiliou o Senhor7,12 As localidades de Bet-Car e Chen são-nos desconhecidas. Cf. 4,1 e 5,1.13Os filisteus tiveram de se render e não se atreveram a entrar no território de Israel durante o tempo de Samuel, porque o poder do Senhor os impedia. 14Todas as cidades que os filisteus tinham tomado a Israel entre Ecron e Gat foram reconquistadas. Desta maneira Israel recuperou todo o seu território aos filisteus e houve paz entre Israel e os amorreus.

15Samuel governou Israel até ao fim da sua vida. 16Todos os anos visitava Betel, Guilgal7,16 Betel. Localidade a uns 15 km a norte de Jerusalém ligada à história de Abraão e Jacob; ver Gn 12,8; 28,19; 35,1. Guilgal. Nome de várias localidades. Deve ser Guilgal próxima de Jericó; ver Js 4,19–20; 5,9–10. e Mispá e decidia as questões do povo em cada um destes lugares. 17Depois dessas visitas, regressava à sua casa em Ramá, de onde continuava a governar Israel. E em Ramá construiu um altar para o Senhor.

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O povo pede um rei

81Quando Samuel envelheceu, nomeou os seus filhos como governantes de Israel. 2O mais velho chamava-se Joel e o mais novo Abias e exerciam as suas funções em Bercheba. 3Mas eles não seguiram o exemplo do seu pai e só procuravam o seu próprio proveito. Deixavam-se subornar e não julgavam as pessoas com honestidade.

4Então reuniram-se todos os anciãos de Israel, foram ter com Samuel a Ramá 5e disseram-lhe: «Estás a ficar velho e os teus filhos não seguem o teu exemplo. Dá-nos um rei que nos governe, à maneira de todas as outras nações8,5 Ver 1 Sm 8,20; Dt 17,15; Ez 20,32. Os textos manifestam a dialética entre um governo teocrático, existente até à data, em que Deus governava através dos seus juízes, e um governo monárquico.6Samuel ficou aborrecido por lhe pedirem um rei para os governar e foi falar com o Senhor. 7E o Senhor respondeu a Samuel: «Aceita aquilo que o povo te propõe. Não é a ti que eles rejeitam, mas a mim, não querendo que eu seja o seu rei. 8Desde que os tirei da terra do Egito, têm-me abandonado muitas vezes para adorarem outros deuses; agora estão a portar-se contigo da mesma maneira. 9Ouve-os, pois, mas avisa-os sobre o modo como os seus reis os irão governar.»

10Ao povo, que lhe pedia um rei, Samuel transmitiu aquilo que o Senhor lhe tinha comunicado. 11E disse-lhes: «Estes são os direitos do rei vos há-de governar: os vossos filhos serão os seus soldados, uns para os seus carros de guerra, outros para a sua cavalaria, mas todos à frente do seu carro de comando. 12Alguns deles serão os seus oficiais responsáveis pelas companhias de mil e de cinquenta soldados.

Os vossos filhos terão de cultivar as terras do rei, terão de fazer as suas colheitas, fabricar as suas armas e preparar os seus carros de combate. 13As vossas filhas terão que preparar os perfumes para o rei e servi-lo como cozinheiras e como padeiras. 14Ele há de apoderar-se dos vossos melhores campos, vinhas e olivais, para os distribuir pelos seus ministros. 15Tomará para si uma décima parte do vosso cereal e das vossas uvas, para distribuir pelos seus cortesãos e ministros. 16Há de apoderar-se dos vossos criados e criadas, e dos vossos melhores jovens, bem como dos vossos burros para os pôr ao seu serviço. 17Tirará para si uma décima parte dos vossos rebanhos e vocês mesmos serão seus escravos. 18Quando tudo isto acontecer, hão de queixar-se do rei que escolheram, mas o Senhor não atenderá as vossas queixas.»

19Mas o povo não deu ouvidos a Samuel e insistia: «Não importa! Queremos um rei! 20Desta maneira seremos como as outras nações, com um rei que nos governe, que vá connosco para a guerra e nos dirija nos combates.» 21Samuel ouviu tudo quanto o povo dizia e transmitiu-o ao Senhor. 22O Senhor respondeu-lhe: «Atende o seu pedido e dá-lhes um rei.» Então Samuel disse-lhes que podiam voltar para a sua terra.