a BÍBLIA para todos Edição Católica (BPTct)
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Aliança com Acab, rei de Israel

(1 Reis 22,1–40)

181Josafat teve grande riqueza e prestígio e casou com uma filha de Acab, rei de Israel. 2Alguns anos mais tarde, foi à Samaria, a casa de Acab. Este mandou matar muitas ovelhas e bois para o receber a ele e a quantos o acompanhavam. Depois Acab disse a Josafat se queria ir com ele atacar a cidade de Ramot em Guilead. 3Falou-lhe deste modo: «Queres ir comigo atacar Ramot de Guilead?» Ao que Josafat respondeu: «Tanto eu como o meu povo estamos contigo, prontos para ir para a guerra.» 4Entretanto Josafat disse ao rei de Israel: «Peço-te que procures primeiro saber qual é a vontade do Senhor

5O rei de Israel reuniu então os seus profetas, em número de quatrocentos, e perguntou-lhes: «Devemos atacar Ramot de Guilead ou não?» E eles responderam: «Vai, porque Deus colocará a cidade nas tuas mãos.» 6Apesar disso, Josafat perguntou: «Não há por aqui um profeta do Senhor a quem possamos consultar?» 7O rei de Israel respondeu a Josafat: «Há mais um por meio de quem se pode consultar o Senhor. É Miqueias, filho de Jímela, mas eu não gosto dele, porque nunca me anuncia coisas boas; só desgraças.» Josafat replicou a Acab: «Não fales dessa maneira!»

8O rei de Israel chamou então um funcionário do palácio e disse-lhe para ir rapidamente chamar Miqueias de Jímela. 9O rei de Israel e o rei de Judá, Josafat, estavam sentados cada um no seu trono, revestidos das suas insígnias reais, na esplanada, em frente da porta da Samaria, enquanto os profetas proclamavam a sua mensagem à frente deles. 10Sedecias, filho de Canaana, tinha feito uns chifres de ferro e proclamava: «É isto que diz o Senhor: “Com estes chifres atacarás os arameus até os destruíres.”» 11E todos os outros profetas anunciavam o mesmo, dizendo ao rei: «Ataca Ramot de Guilead que hás de vencer, pois o Senhor vai entregar-te a cidade.»

O profeta Miqueias anuncia a derrota

12Aquele homem que tinha ido chamar Miqueias deu-lhe a seguinte informação: «Todos os profetas sem exceção anunciam a vitória ao rei. Vê lá se as tuas palavras são como as deles. Anuncia-lhe também tu a vitória.» 13Mas Miqueias respondeu: «Juro-te, pelo Senhor, que só anunciarei aquilo que o meu Deus me mandar.»

14Apresentou-se ao rei e este perguntou-lhe: «Miqueias, devemos ir atacar Ramot de Guilead ou não?» E Miqueias respondeu: «Vai e vencerás; o Senhor entregará a cidade nas tuas mãos.» 15Mas o rei replicou: «Quantas vezes te hei de pedir para me jurares que só me dizes a verdade, em nome do Senhor16Então Miqueias exclamou:

«Vejo todo o povo de Israel

disperso pelos montes,

como um rebanho sem pastor

E o Senhor disse:

«Eles não têm chefe.

Que voltem tranquilamente,

cada um para sua casa.»

17O rei de Israel disse então a Josafat:

«Eu não te disse que este homem nunca me anuncia coisas boas, mas apenas desgraças?» 18Miqueias retorquiu: «Escuta o que diz o Senhor: “Eu vi o Senhor, sentado no seu trono, tendo de pé à sua direita e à sua esquerda a multidão dos seus servidores celestes.” 19Então o Senhor perguntou: “Há alguém que queira ir enganar Acab, rei de Israel, para ele atacar Ramot de Guilead e encontrar lá a sua ruína?” Uns diziam uma coisa, outros diziam outra. 20Então um espírito apresentou-se diante do Senhor e disse: “Eu irei enganá-lo.” O Senhor perguntou-lhe como é que iria fazer 21e ele respondeu que iria inspirar mentiras em todos os profetas do rei. O Senhor replicou: “É boa ideia! Vai e faz isso mesmo.” 22“Ora bem — comentou Miqueias — o Senhor deixou que um espírito mau inspirasse a mentira aos teus profetas e já decidiu a tua desgraça.”»

23Então Sedecias, filho de Canaana aproximou-se de Miqueias, deu-lhe uma bofetada e disse-lhe: «Por onde é que saiu de mim o Espírito do Senhor, para te falar?» 24Miqueias deu-lhe esta resposta: «hás de saber isso no dia em que andares à procura de um lugar em casa para te esconderes.»

25O rei de Israel deu então esta ordem aos seus servidores: «Prendam Miqueias e levem-no a Amon, governador da cidade e ao príncipe Joás. 26Digam-lhe que eu mando meter na cadeia este indivíduo. Alimentem-no apenas com um pouco de pão e de água, sem mais nada, até que eu volte são e salvo da guerra.» 27Miqueias comentou: «Se tu voltares são e salvo, é porque o Senhor não falou por meu intermédio. Que todos os povos ouçam isto!»

O rei Acab é morto no combate

28Acab, rei de Israel e Josafat, rei de Judá, foram, pois, atacar Ramot de Guilead. 29O rei de Israel disse a Josafat: «Vou-me disfarçar para entrar no combate, mas tu vai com traje real.» E assim fez. Disfarçou-se antes de entrar em combate. 30Ora, o rei da Síria tinha dado ordens aos chefes dos seus carros de combate para não atacarem nem soldados nem oficiais, mas apenas o rei de Israel. 31Os encarregados dos carros ao verem Josafat pensaram que era o rei de Israel e cercaram-no, para o atacarem. Mas Josafat gritou a pedir ajuda e o Senhor ajudou-o, afastando dele os inimigos. 32Quando os encarregados dos carros se deram conta de que não era ele o rei de Israel, deixaram de o perseguir. 33Mas um soldado arameu atirou o arco e, sem querer, atingiu o rei de Israel entre as junturas da couraça. O rei disse então ao condutor do seu carro: «Volta a rédea e leva-me para fora do combate, porque estou muito ferido.»

34Naquele dia o combate foi muito violento. O rei de Israel teve de ficar de pé até à tarde no seu carro, a fazer frente aos arameus, e ao pôr do sol, morreu.

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Josafat institui juízes em Judá

191Quanto a Josafat, rei de Judá, regressou são e salvo ao seu palácio, em Jerusalém. 2No entanto, Jeú, filho do profeta Hanani saiu-lhe ao encontro e disse-lhe: «Por que é que tu foste ajudar um homem mau? Achas que se pode ser amigo dos que odeiam o Senhor? Por causa disso, o Senhor está irado contigo. 3Todavia há ainda algumas coisas boas a teu favor, pois destruíste os símbolos da deusa Achera, que havia no país, e procuraste servir a Deus com sinceridade.»

4Josafat residiu em Jerusalém e voltou a percorrer o país, desde Bercheba até às montanhas de Efraim, para fazer com que os israelitas se voltassem para o Senhor, Deus dos seus antepassados. 5Foi estabelecendo juízes em cada uma das cidades fortificadas de Judá 6e foi-lhes dizendo: «Reparem bem no que fazem, pois não é em nome dos homens que administram a justiça, mas em nome do Senhor, que estará convosco nos vossos julgamentos. 7Tenham respeito pelo Senhor e tenham cuidado com o que fazem, porque o Senhor não tolera injustiças nem faz distinção entre as pessoas, nem se deixa influenciar com presentes.»

8Josafat também estabeleceu em Jerusalém alguns levitas, sacerdotes e chefes dos clãs de Israel, para julgarem em questões religiosas e resolverem conflitos entre os habitantes da cidade. Por isso, habitavam em Jerusalém. 9Deu-lhes as seguintes instruções: «Procedam sempre com temor do Senhor, com honestidade e retidão. 10Sempre que os vossos compatriotas, vindos das cidades em que habitam, vos apresentarem uma questão, seja referente a assassínios, seja referente à lei, mandamentos, ordens ou preceitos, devem esclarecê-los, para não se tornarem culpados diante do Senhor e para que ele não fique irado convosco e contra os vossos compatriotas. Façam isso, para não serem culpados. 11O vosso chefe para as questões religiosas será o sacerdote Amarias e, para as questões civis, o vosso chefe será Zebadias, filho de Ismael, chefe da tribo de Judá. Os levitas ficarão a ajudar-vos como administradores. Sejam corajosos no desempenho das vossas funções e que o Senhor esteja com os que fazem o bem.»

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Oração contra os invasores

201Algum tempo depois, os moabitas e os amonitas, com os seus aliados meunitas20,1 Segundo a antiga tradução grega. entraram em guerra com Josafat. 2Houve então quem fosse levar ao rei, a seguinte informação: «Está a avançar contra ti um grande exército da Síria, do outro lado do mar. Já chegaram a Haçon-Tamar, ou seja En-Guédi!» 3Josafat, cheio de medo, resolveu consultar o Senhor e promulgar um jejum em todo o país. 4Acorreram a Jerusalém pessoas de todas as cidades do país a pedir a ajuda do Senhor. 5Então Josafat pôs-se de pé no meio do povo, que pedia a ajuda do Senhor, no átrio novo do templo, 6e fez esta oração: «Senhor, Deus dos nossos antepassados, tu és o Deus do céu, tu governas todos os povos. Tu tens a força e o poder e ninguém te pode resistir! 7Ó nosso Deus, tu expulsaste os habitantes desta terra, quando aqui chegou o teu povo, Israel, e deste-a para sempre aos descendentes do teu amigo Abraão. 8Estabeleceram-se aqui, construíram um templo para ti e disseram: 9“Se nos vem alguma desgraça como castigo: guerra, peste ou fome, nós viremos apresentar-nos diante de ti neste templo, pois é aqui que tu habitas. Viremos pedir-te ajuda, na nossa aflição, e tu nos escutarás e salvarás.” 10Pois bem, agora são os amonitas e os moabitas e outros povos da montanha que nos vêm atacar. Quando os nossos antepassados saíram do Egito, não permitiste que atravessassem os territórios destes povos. Desviaram-se de lá e não os destruíram. 11Agora, em contrapartida, vêm eles expulsar-nos da terra que tu nos deste. 12Ó nosso Deus, irás deixá-los agora sem castigo? Nós não temos força contra esta multidão que avança contra nós. Não sabemos o que havemos de fazer. Por isso, temos os olhos postos em ti!»

13Toda a população de Judá estava de pé, diante do Senhor, incluindo mulheres e filhos, mesmo os mais pequeninos.

O Senhor dá a vitória

14O Espírito do Senhor apoderou-se, então, dum levita, que estava no meio da multidão. Chamava-se Jaziel e era filho de Zacarias, neto de Benaías e descendente de Jeiel, do levita Matanias e de Assaf. 15Exclamou Jaziel: «Ouçam com atenção, habitantes de Judá e de Jerusalém e também tu, ó rei Josafat! O Senhor manda-vos dizer que não devem ter medo nem se devem assustar diante desse enorme exército, porque esta guerra não é vossa mas de Deus. 16Amanhã descerão contra eles. Eles estão a subir pela encosta de Sis e irão encontrá-los no cimo do ribeiro que está em frente do deserto de Jeruel. 17Não terão necessidade de combater contra eles. Fiquem quietos, sem arredar pé e verão como o Senhor vos alcançará a vitória. Habitantes de Jerusalém e de Judá, não tenham medo nem se assustem! Amanhã avancem contra eles, que o Senhor estará convosco!»

18Então Josafat inclinou-se até à terra e todos os habitantes de Jerusalém e de Judá se inclinaram também, diante do Senhor, para o adorarem. 19Em seguida, os levitas descendentes de Queat e de Corá começaram a louvar o Senhor, Deus de Israel, em voz alta.

20No dia seguinte, levantaram-se cedo para se porem a caminho em direção ao deserto de Técoa. No momento da partida, Josafat falou-lhes desta maneira: «Escutem-me, habitantes de Jerusalém e de Judá! Tenham confiança no Senhor, vosso Deus, e sentirão confiança. Tenham confiança nos seus profetas e tudo correrá bem!»

21Depois de ter consultado o povo, Josafat escolheu alguns cantores para irem à frente do exército, vestidos com trajes sagrados, cantando ao Senhor este hino de louvor: «Deem graças ao Senhor, porque é eterno o seu amor.»

22No momento em que principiaram o cântico de louvor, o Senhor fez com que os amonitas, os moabitas e os outros povos da montanha de Seir, que vinham atacar Judá, armassem ciladas entre si e combatessem uns contra os outros. 23Os amonitas, os moabitas atacaram os da montanha de Seir e destruíram-nos completamente. Os que ficaram mataram-se uns aos outros. 24Quando os homens de Judá chegaram ao sítio donde se pode ver o deserto e olharam para o exército inimigo, apenas viram cadáveres estendidos no solo. Não tinha escapado ninguém. 25Josafat e o seu exército foram então recolher os despojos que tinham ficado da batalha e encontraram entre os cadáveres grandes quantidades de animais, armas, roupas e outros objetos de valor. Havia tanta coisa que levaram três dias a recolher o que havia, sem conseguirem apanhar tudo. 26No quarto dia, reuniram-se no vale de Beracá e ali deram graças ao Senhor. Por isso, deram àquele lugar o nome de Beracá20,26 Beracá significa, em hebraico, “ação de graças”., nome que ainda hoje se conserva. 27Depois disso, todos os homens de Jerusalém e de Judá, com Josafat à frente, puseram-se a caminho para Jerusalém, cheios de alegria. De facto o Senhor tinha-lhes dado uma grande alegria ao livrá-los dos seus inimigos. 28Entraram em Jerusalém, entraram no templo do Senhor ao som de liras, de harpas e de cornetins.

29Ao saberem que o Senhor combatia contra os inimigos de Israel, as outras nações da terra ficaram cheias de medo diante de Deus. 30Assim o reino de Josafat continuou a gozar de tranquilidade, porque o seu Deus lhe concedeu a paz com os vizinhos.

Fim do reinado de Josafat

(1 Reis 22,41–50)

31Josafat tornou-se rei de Judá, quando tinha trinta e cinco anos, e reinou vinte e cinco anos em Jerusalém. A mãe dele era Azuba, filha de Chili. 32Seguiu o exemplo de seu pai Asa, sem se desviar, e o seu procedimento agradou ao Senhor. 33Mas não acabou com os santuários pagãos e o povo não estava firmemente voltado para o Deus de seus antepassados. 34O resto da história de Josafat, desde o princípio até ao fim, está nas Crónicas de Jeú, filho de Hanani e também no livro dos Reis de Israel.

35Mais tarde, Josafat fez uma aliança com Acazias, rei de Israel que tinha mau procedimento. 36Aliou-se com ele para construir navios destinados a fazer viagens para Társis. A construção fazia-se no porto de Ecion-Guéber. 37Então Eliézer, filho de Dodava, de Maressa, pronunciou contra Josafat estas palavras proféticas: «Uma vez que tu fizeste uma aliança com Acazias, o Senhor vai destruir o que tu fizeste.» De facto os navios partiram-se em pedaços e não puderam ir para Társis.