a BÍBLIA para todos Edição Católica (BPTct)
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Reinado de Joás

(2 Reis 12,1–22)

241Joás tinha apenas sete anos quando começou a reinar e reinou quarenta anos em Jerusalém. A mãe dele era Síbia, natural de Bercheba. 2Joás fez o que era reto aos olhos do Senhor, enquanto viveu o sacerdote Joiadá. 3Joiadá arranjou-lhe casamento com duas mulheres, de quem teve vários filhos e filhas.

4Passado certo tempo, Joás resolveu restaurar o templo do Senhor. 5Para isso, reuniu os sacerdotes e levitas e disse-lhes: «Vão pelas cidades de Judá e recolham dinheiro de todos os israelitas, para que todos os anos se possam fazer obras de restauro no templo de Deus. Façam isso sem demora!» Mas os levitas não tiveram pressa. 6Então o rei chamou o sumo sacerdote Joiadá, para lhe dizer: «Por que é que não trataste de obrigar os levitas a trazerem dos habitantes de Jerusalém e de Judá o imposto estabelecido por Moisés, servo do Senhor, e pela comunidade de Israel, para o santuário onde se encontra o documento da aliança? 7Na verdade, a malvada Atália e os seus seguidores tinham deixado em mau estado de conservação o templo do Senhor. Chegaram mesmo a utilizar os objetos sagrados para o culto dos seus ídolos.»

8O rei deu então ordens para se fazer um cofre que seria colocado junto da entrada do templo, do lado de fora. 9Depois apregoou-se por Jerusalém e por todo o reino que se devia levar ao Senhor o contributo que Moisés, servo do Senhor, tinha imposto aos israelitas, no deserto. 10Todos os chefes e todo o povo acorreram com alegria a depositar no cofre o seu contributo até o encherem. 11Sempre que os levitas levavam o cofre à inspeção do rei para se verificar se havia bastante dinheiro, chegava o secretário do rei e o administrador do sumo sacerdote para o esvaziarem, colocando-o em seguida no seu lugar. Faziam isso todos os dias e recolhiam muito dinheiro. 12O rei e Joiadá entregavam esse dinheiro aos encarregados das obras e estes contratavam os pedreiros, os carpinteiros e os operários especializados no trabalho do ferro e do bronze, a fim de restaurarem o templo do Senhor.

13Os operários puseram-se a trabalhar e graças às suas mãos o trabalho avançou e o templo foi restituído ao estado primitivo e com perfeição. 14Quando as obras ficaram prontas, os empreiteiros levaram o dinheiro que sobrou ao rei e a Joiadá. Com esse dinheiro mandaram-se fazer certos utensílios para o templo: objetos utilizados no culto, instrumentos para os holocaustos, conchas e recipientes de ouro e prata. Enquanto Joiadá foi vivo, ofereceram-se com regularidade holocaustos no templo do Senhor.

15Joiadá envelheceu e veio a falecer com a idade de cento e trinta anos. 16Sepultaram-no na cidade de David, junto dos reis, pelo bem que sempre fizera por Israel, pelo Senhor e pelo seu templo.

Pecado e castigo de Joás

17Depois da morte de Joiadá, os chefes de Judá foram encontrar-se com Joás e prestaram-lhe homenagem. O rei, por sua vez, deu ouvidos ao que eles lhe disseram. 18Abandonaram o templo do Senhor, Deus dos seus antepassados e prestaram culto aos símbolos da deusa Achera e de outros ídolos. Tais pecados fizeram com que o Senhor se irritasse contra Judá e Jerusalém. 19O Senhor enviou-lhes então profetas para os converterem, mas eles não fizeram caso desses profetas nem lhes deram ouvidos. 20O Espírito de Deus apoderou-se então de Zacarias, filho do sacerdote Joiadá, que se apresentou diante do povo para lhe dizer: «Assim fala Deus: “Por que é que desobedeceram aos mandamentos do Senhor? Não aproveitaram nada com isso, pois já que me abandonaram também eu vos abandonarei.”»

21Mas eles fizeram conspiração contra o profeta e apedrejaram-no, por ordem do rei, no átrio do templo do Senhor. 22O rei Joás esqueceu as provas de bondade que sempre recebera de Joiadá, pai de Zacarias e matou-lhe o filho. Ao morrer, Zacarias ainda exclamou: «Que o Senhor veja e te peça contas!»

Fim do reinado de Joás

23Na primavera seguinte, o exército arameu lançou um ataque contra Joás. Invadiram Judá e a cidade de Jerusalém, massacraram os chefes do povo e levaram todos os despojos para o rei de Damasco. 24Embora o exército arameu não fosse grande, o Senhor entregou-lhes um exército muito numeroso, o dos judeus, por estes terem abandonado o Senhor, Deus dos seus antepassados. E este foi o castigo de Joás. 25Depois de os arameus se afastarem, deixando-o com grandes sofrimentos, os funcionários de Joás fizeram contra ele uma conspiração, para se vingarem do assassinato do filho do sacerdote Joiadá, e mataram-no na própria cama. Sepultaram-no na cidade de David, mas não ficou no panteão dos reis. 26Quem fez a conspiração contra Joás foi Zabad, filho de Chimeat, que era amonita, e Jozabad, filho de Chimerit, que era moabita.

27Tudo o que diz respeito aos filhos de Joás, às muitas profecias contra ele e à sua restauração do templo de Deus, tudo isso se encontra no Comentário do livro dos Reis24,27 Esta obra desapareceu e não chegou até nós.. Quem lhe sucedeu foi o seu filho, Amazias.

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Reinado de Amazias

(2 Reis 14,1–20)

251Amazias tinha vinte e cinco anos quando subiu ao trono e reinou vinte e nove anos em Jerusalém. A mãe dele chamava-se Joadan e era natural de Jerusalém. 2Fez o que era reto aos olhos do Senhor, mas não o fez com total sinceridade. 3Quando se sentiu seguro no trono, mandou matar os funcionários que tinham assassinado o rei, seu pai. 4Mas não mandou matar os filhos deles, porque está escrito no livro da Lei de Moisés que o Senhor deu esta ordem: «Os pais não serão condenados à morte por causa dos pecados dos filhos, nem os filhos por causa dos pecados dos pais, mas cada um morrerá por causa do seu próprio pecado.»

5Amazias reuniu os homens de Judá e de Benjamim, por unidades militares, segundo os seus clãs e colocou oficiais a comandarem unidades de mil e de cem homens. O número de homens com mais de vinte anos era de trezentos mil, todos preparados para a guerra, sabendo usar a lança e o escudo. 6Além disso, contratou cem mil valentes soldados de Israel, por cerca de três mil quilos de prata.

7Mas um homem de Deus foi ter com ele e disse-lhe: «Ó rei, os soldados de Israel, não devem ir contigo, porque o Senhor não ajuda esses homens do reino do Norte. 8Mesmo que vás com ele e dês mostras de valor na guerra, unicamente Deus pode dar a vitória ou a derrota e ele deixará que os teus inimigos te vençam.»

9Amazias perguntou ao homem de Deus: «Mas agora, que é que acontece com os três mil quilos de prata que dei aos soldados de Israel?» O homem de Deus respondeu: «O Senhor tem mais do que isso para te dar.» 10Então Amazias mandou ir embora para as suas terras os soldados que tinham vindo de Efraim. Estes porém ficaram muito irritados com Judá e voltaram para as suas casas profundamente revoltados. 11Mas Amazias, cheio de coragem, partiu à frente das suas tropas para o vale do Sal e matou dez mil edomeus. 12Além disso, os judeus prenderam outros dez mil, conduziram-nos para o cimo de um rochedo, e atiraram-nos dali a baixo. Morreram todos despedaçados.

13Entretanto os soldados israelitas, que Amazias tinha mandado embora para não irem com ele para a guerra, invadiram as cidades de Judá desde a Samaria até Bet-Horon. Mataram três mil pessoas e apoderaram-se de muitas coisas.

Amazias vencido pelo rei de Israel

14Quando Amazias voltou da guerra contra os edomeus, levou consigo as estátuas dos deuses edomeus. Tomou-os como seus deuses, adorou-os e queimou-lhes incenso. 15Então o Senhor encheu-se de ira contra ele e mandou-lhe um profeta que lhe disse: «Por que é que tu adoras esses deuses estrangeiros que não foram capazes de livrar o seu povo das tuas mãos?» 16A estas palavras, o rei respondeu: «Porventura foste nomeado conselheiro real? Cala-te se não queres que te matem.» Perante isto, o profeta calou-se e não insistiu mais, mas deu-lhe esta resposta: «Eu sei que Deus decidiu a tua destruição, porque fizeste isto e não ouviste o meu conselho.»

17Amazias, rei de Judá, seguindo outros conselhos, mandou dizer ao rei de Israel, Joás, filho de Joacaz e neto de Jeú o seguinte: «Vem para nos encontrarmos frente a frente.» 18E Joás mandou dizer a Amazias, rei de Judá, o seguinte: «No Líbano, havia um cardo que mandou dizer ao cedro: “Dá a tua filha em casamento ao meu filho!” Mas passou uma fera que pisou o cardo25,18 Ver 2 Rs 14,9.. 19Agora, Amazias, tu dizes que derrotaste os edomeus e enches-te de orgulho, mas farias melhor, se ficasses em casa. Por que é que queres provocar a desgraça para ti e para o teu povo?»

20Mas Amazias não fez caso do aviso. Era a vontade de Deus que eles fossem derrotados porque se tinham voltado para os deuses dos edomeus. 21E assim Joás, rei de Israel, avançou contra Amazias, rei de Judá, e deu-se o confronto dos dois exércitos em Bet-Chemes, no território de Judá. 22O exército de Judá foi derrotado pelo de Israel. Os soldados tiveram de fugir para as suas casas. 23Joás, rei de Israel, prendeu Amazias, rei de Judá e levou-o de Bet-Chemes para Jerusalém. Aí destruiu a muralha da cidade numa extensão de cerca de duzentos metros entre a porta de Efraim e a porta da Esquina. 24Apoderou-se do ouro, da prata e de todos os objetos de valor que havia no templo ao cuidado de Obed-Edom, e apoderou-se igualmente do que havia no palácio real. E levou consigo alguns reféns para a Samaria.

Fim do reinado de Amazias

25Depois da morte de Joás, filho de Joacaz, rei de Israel, Amazias, filho de Joás, rei de Judá, ainda viveu quinze anos.

26O resto da história de Amazias, desde o princípio até ao fim, está escrito no livro dos Reis de Judá e de Israel. 27Desde a altura em que Amazias se desviou do Senhor, começou-se a formar uma conspiração contra ele em Jerusalém. Ele fugiu para Láquis, mas perseguiram-no e mataram-no. 28Depois levaram-no em carro de cavalos para Jerusalém, onde o sepultaram, junto dos seus antepassados, na capital de Judá.

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Reinado de Uzias

(2 Reis 14,21–22; 15,1–7)

261Todo o povo de Judá proclamou então Uzias, que tinha dezasseis anos, como rei, para suceder a Amazias, seu pai. 2Foi ele que, depois da morte do pai, recuperou para o reino de Judá, a cidade de Elat e a reconstruiu.

3Uzias, que tinha dezasseis anos quando subiu ao trono, reinou em Jerusalém cinquenta e dois anos. A sua mãe era Jecolias, natural de Jerusalém. 4Uzias procedeu com retidão diante do Senhor, tal como acontecera com o seu pai, Amazias.

Fidelidade e infidelidade de Uzias

5Enquanto viveu Zacarias, homem entendido nas coisas de Deus26,5 Ou: que o educou no temor de Deus., Uzias procurou seguir a vontade do Senhor e, durante esse tempo, Deus concedeu-lhe prosperidade.

6A certa altura, Uzias partiu para a guerra contra os filisteus. Destruiu a muralha de Gat, de Jabne e de Asdod e construiu cidades no território de Asdod e noutros lugares do território dos filisteus. 7Deus ajudou-o contra os filisteus, contra os árabes, que habitavam em Gur-Baal e contra os meunitas. 8Os amonitas pagaram-lhe tributo de guerra e chegou a ser tão poderoso que a sua fama se estendeu até às fronteiras do Egito. 9Construiu torres fortificadas nas muralhas de Jerusalém, junto da porta da Esquina, junto da Porta do Vale e junto do ângulo da muralha. 10Também construiu torres de guarda nas regiões do deserto, onde abriu muitos poços, pois possuía grandes rebanhos, tanto na região da Chefela como na planície. Tinha muitos homens a trabalhar nos campos e nas vinhas, pois gostava do trabalho da terra.

11Tinha um exército preparado para a guerra, que estava organizado em diversas unidades, segundo o recenseamento feito pelo secretário Jeiel e pelo administrador Masseias, sob a direção de Hananias, um dos oficiais do rei. 12O total dos chefes de clã, todos valentes guerreiros, era de dois mil e seiscentos. 13Comandavam um exército de trezentos e sete mil e quinhentos homens, corajosos e prontos para combaterem contra os inimigos do rei. 14Uzias fornecia-lhes escudos, lanças, capacetes, couraças, arcos e pedras para fundas. 15Em Jerusalém, mandou fazer máquinas, inventadas por engenheiros para arremessarem flechas e grandes pedras, das torres e dos ângulos das muralhas. Deus ajudou-o de forma extraordinária. Por isso, ele foi muito poderoso e a sua fama estendeu-se por muito longe.

16Mas quando se viu cheio de poder, tornou-se orgulhoso e isso levou-o à ruína. Cometeu uma falta para com o Senhor, seu Deus, ao entrar no templo para queimar incenso no altar do incenso. 17Mas atrás dele entrou o sacerdote Azarias, acompanhado de oitenta sacerdotes do Senhor, todos bastante fortes 18que se foram colocar em frente dele e lhe disseram: «Não é ao rei que compete queimar incenso ao Senhor, mas apenas aos sacerdotes descendentes de Aarão, que foram consagrados para esse fim. Sai do santuário, porque estás a transgredir a lei. Isto não será uma ação que te honre diante do Senhor19Uzias, que tinha na mão o turíbulo para oferecer o incenso enfureceu-se com os sacerdotes e imediatamente lhe apareceu lepra na face, ali mesmo, dentro do templo do Senhor, diante do altar do incenso e na presença dos próprios sacerdotes. 20Quando o sumo sacerdote e todos os outros sacerdotes olharam para ele, viram que tinha lepra na face e apressaram-se a retirá-lo dali. Aliás ele próprio se apressou a sair do santuário, ao dar conta de que tinha sido castigado pelo Senhor.

Fim do reinado de Uzias

21O rei Uzias ficou leproso até à sua morte e, por causa da doença, viveu isolado numa casa, sem ter direito a entrar no templo do Senhor. Era o filho Jotam o encarregado de administrar o palácio real e de governar o país.

22O resto da história de Uzias, desde o princípio ao fim, foi escrito pelo profeta Isaías, filho de Amós. 23Quando Uzias morreu, sepultaram-no no cemitério real, mas não no túmulo da família real porque era leproso. Quem lhe sucedeu foi o seu filho Jotam.