a BÍBLIA para todos Edição Católica (BPTct)
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Senaquerib invade Judá

(2 Reis 18,13—19,37; 20,21; Isaías 36—37)

321Depois destas coisas e desta fidelidade de Ezequias para com o Senhor, Senaquerib, rei da Assíria, invadiu Judá e pôs cerco às cidades fortificadas, para as conquistar. 2Quando Ezequias soube que Senaquerib tinha chegado para atacar Jerusalém, 3resolveu tapar as nascentes, que se encontravam fora da cidade, de acordo com os seus chefes e soldados da sua guarda pessoal. 4Juntou então muitas pessoas e foram tapar todas as nascentes, assim como o canal subterrâneo32,4 Trata-se do chamado Canal de Ezequias que levava a água da fonte de Guion para o vale de Cédron., para que os assírios, ao chegarem, não encontrassem água suficiente.

5Ezequias, encheu-se de coragem e reconstruiu a muralha da cidade, onde quer que estava destruída. Construiu torres sobre ela e fez ainda construir uma segunda muralha na parte exterior. Restaurou o terraço, designado por Milo, na cidade de David e fabricou uma grande quantidade de lanças e de escudos. 6Colocou à frente do povo oficiais militares e convocou-os para a esplanada próxima da porta da cidade, onde lhes falou assim: 7«Não tenham medo nem desanimem, diante do rei da Assíria e do grande exército que o acompanha, porque há mais força do nosso lado do que do lado dele. 8Do lado dele está a força humana, mas do nosso lado está a força do Senhor, nosso Deus, para nos ajudar, combatendo do nosso lado.» O povo sentiu-se confortado com estas palavras do rei Ezequias.

9Passado algum tempo, Senaquerib, rei da Assíria, estava a atacar a cidade de Láquis, com todo o seu exército. Mandou então a Jerusalém alguns dos seus oficiais para dizerem ao rei Ezequias de Judá e aos habitantes de Jerusalém o seguinte: 10«Senaquerib, rei da Assíria manda dizer isto: “Em quem é que vocês estão a confiar, para se encerrarem assim em Jerusalém? 11Se Ezequias vos diz que o Senhor, vosso Deus, vos livrará das mãos do rei da Assíria, ele está a enganar-vos, para morrerem à fome e à sede. 12Não foi o próprio Ezequias que destruiu os santuários e os altares e ordenou ao povo de Judá e de Jerusalém que prestasse culto e oferecesse incenso apenas num altar? 13Não sabem o que fizemos, eu e os meus antepassados, a todos os povos de outros países? Porventura os deuses desses países puderam livrá-los de caírem nas minhas mãos? 14Entre os deuses dessas nações vencidas pelos meus antepassados houve algum que pudesse salvar o seu povo? Como é que vocês pensam agora que o vosso Deus vos pode salvar? 15Não se deixem enganar nem seduzir por Ezequias! Não acreditem nele! Nenhum deus de nenhuma nação ou reino conseguiu libertar o seu povo do meu poder e do poder dos meus antepassados. Também os vossos deuses não serão capazes disso!”»

16Estas e outras palavras disseram os enviados do rei da Assíria contra o Senhor Deus e contra o seu servo, Ezequias.

17Senaquerib escreveu mesmo uma carta em que insultava o Senhor, Deus de Israel, e onde dizia: «Assim como os deuses das outras nações da terra não puderam libertar os seus povos das minhas mãos, também não será o Deus de Ezequias que poderá livrar o seu povo das minhas mãos.»

18Os enviados de Senaquerib dirigiram-se à gente de Jerusalém, que estava junto da muralha, gritando bem alto, em hebraico, para os assustarem e desanimarem, a fim de poderem conquistar a cidade. 19Falavam do Deus de Jerusalém como falavam dos deuses das nações pagãs, que não são mais que estátuas feitas pelos homens.

20Por causa disto, o rei Ezequias e o profeta Isaías, filho de Amós, oraram a Deus a pedir-lhe o seu auxílio. 21E o Senhor enviou-lhes um anjo que fez morrer os soldados e oficiais do acampamento do rei da Assíria, que teve de voltar para o seu país, cheio de vergonha. E, certo dia, ao entrar no templo do seu deus, foi ali mesmo assassinado pelos próprios filhos.

22Deste modo, o Senhor livrou Ezequias e a população de Jerusalém do poder de Senaquerib, rei da Assíria e dos outros inimigos e concedeu-lhe a paz com todos os seus vizinhos. 23Houve muitos que levaram a Jerusalém ofertas para o Senhor e também valiosos presentes para Ezequias, rei de Judá. A partir daí, o seu prestígio aumentou diante de todas as nações.

24Por aquela altura, Ezequias foi atingido com uma doença mortal, mas orou ao Senhor que lhe respondeu por meio de um sinal milagroso. 25Apesar disso, não soube ficar reconhecido pelo benefício recebido. Pelo contrário, ficou orgulhoso. Por isso, o Senhor irritou-se com ele e também com Judá e Jerusalém. 26Entretanto Ezequias e os habitantes de Jerusalém foram reconhecer as suas faltas e o Senhor não descarregou a sua ira contra eles, enquanto Ezequias viveu.

27Ezequias teve grandes riquezas e grande prestígio. Juntou tesouros de prata, ouro, pedras preciosas, aromas, escudos e toda a espécie de objetos de valor. 28Mandou fazer armazéns para recolha do trigo, do vinho e do azeite e mandou fazer estábulos de ovelhas e de toda a espécie de animais. 29Fez construir cidades e possuiu ovelhas e vacas em abundância, pois Deus concedeu-lhe imensos bens.

30Foi Ezequias que mandou fechar a saída da água de Guion, pela parte de cima, para a canalizar por baixo da terra, dirigindo-a para o lado ocidental da cidade de David.

Ezequias foi bem sucedido em tudo o que fez. 31Assim sucedeu, mesmo quando os governantes da Babilónia lhe enviaram mensageiros para se informarem a respeito do facto extraordinário que tinha acontecido no país. Deus deixou Ezequias proceder como entendeu, mesmo para o experimentar e conhecer o seu caráter.

32O resto da história de Ezequias e as suas obras de beneficência encontra-se na revelação do profeta Isaías32,32 Não se sabe de que revelação e de que livro se trata., filho de Amós, e no livro dos Reis de Judá e de Israel. 33Quando Ezequias morreu, foi sepultado na parte superior do panteão dos descendentes de David. Todos os habitantes de Jerusalém e os outros habitantes do reino de Judá lhe prestaram homenagem. E quem lhe sucedeu foi o seu filho Manassés.

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Reinado de Manassés

(2 Reis 21,1–18)

331Manassés tinha doze anos quando começou a reinar e reinou cinquenta e cinco anos em Jerusalém. 2O seu procedimento desagradou ao Senhor, por ter caído nas práticas abomináveis das nações que o Senhor tinha expulsado do país, quando chegaram os israelitas. 3Reconstruiu os santuários pagãos que seu pai Ezequias tinha destruído, fez erguer altares aos ídolos do deus Baal, fez imagens da deusa Achera e prestou culto aos astros. 4Mesmo no templo de Jerusalém, ele fez erguer altares pagãos, apesar de o Senhor ter dito que aí seria o seu santuário para sempre. 5Também levantou altares em honra dos astros nos dois pátios do templo. 6Chegou mesmo a oferecer em sacrifício os filhos, queimando-os no vale de Ben-Hinom. Praticou a invocação dos espíritos, a adivinhação, a magia e a bruxaria. Foi desagradando cada vez mais ao Senhor e provocando a sua indignação. 7Mandou esculpir um ídolo para o colocar no templo, apesar de Deus ter dito a David e ao seu filho Salomão: «Este templo de Jerusalém, cidade que eu preferi a todo o resto do território de Israel, será para sempre o meu santuário. 8Se o povo de Israel observar os meus mandamentos e a lei que lhe foi dada por meio de Moisés, não o obrigarei mais a sair do país que dei aos seus antepassados.»

9Mas Manassés fez com que os habitantes de Jerusalém e de Judá procedessem ainda pior do que os povos que o Senhor tinha destruído para darem lugar ao seu povo. 10O Senhor ainda falou a Manassés e ao seu povo mas não lhe deram ouvidos. 11Por isso, o Senhor fez ir contra eles os chefes do exército do rei da Assíria, que prenderam Manassés. Ligaram-no com cadeias, puseram-lhe algemas e levaram-no para a Babilónia. 12Na sua aflição, suplicou ao Senhor, seu Deus, e humilhou-se profundamente diante do Deus dos seus antepassados. 13Deus ouviu a sua oração e atendeu ao seu pedido. Fez com que voltasse a Jerusalém e desempenhasse novamente as suas funções de rei. Com isto, Manassés reconheceu que o Senhor é o verdadeiro Deus.

14Depois destas coisas, construiu na parte exterior da cidade de David a muralha elevada. Passava a ocidente da fonte de Guion e seguia pelo vale do Cédron até à porta do Peixe, contornando a colina de Ofel. Também pôs comandantes militares em todas as cidades fortificadas de Judá. 15Retirou do templo do Senhor os deuses estrangeiros e o ídolo que lá tinha colocado, assim como todos os altares pagãos que tinha levantado na colina do templo e em Jerusalém, arremessando-os para fora da cidade. 16Restaurou o altar do Senhor e ofereceu lá sacrifícios de reconciliação e de ação de graças e deu ordens a Judá que prestou culto ao Senhor, seu Deus. 17A verdade é que o povo continuou a oferecer sacrifícios nos antigos altares pagãos, mas dedicou-os ao Senhor, seu Deus.

18O resto da história de Manassés, incluindo a sua oração a Deus e as declarações que lhe fizeram os profetas, em nome do Senhor, encontra-se nas Crónicas dos reis de Israel. 19A sua oração e a maneira como foi atendida, os seus pecados e infidelidades para com Deus, os sítios onde construiu santuários pagãos e onde colocou imagens da deusa Achera, assim como os ídolos, antes de se arrepender diante de Deus, tudo isso está escrito na Crónica dos seus profetas33,19 Ou: Crónica de Hozai, que não chegou até nós.. 20Quando ele morreu, sepultaram-no junto da sua casa. Quem lhe sucedeu foi o seu filho Amon.

Reinado de Amon

(2 Reis 21,19–26)

21Amon tinha vinte e dois anos quando subiu ao trono e reinou dois anos em Jerusalém. 22O seu procedimento, tal como o do seu pai, Manassés, desagradou ao Senhor. De facto, ofereceu sacrifícios aos ídolos que seu pai tinha feito e prestou-lhes culto. 23Mas não se humilhou diante do Senhor, como tinha feito Manassés, seu pai. Pelo contrário, cometeu mais faltas do que ele.

24Os seus oficiais fizeram uma conspiração contra ele e assassinaram-no no palácio real. 25Mas o povo do país castigou com a morte os que organizaram essa conspiração contra o rei Amon e designou o seu filho Josias, para lhe suceder.

34

Reinado de Josias

(2 Reis 22,1–2)

341Josias tinha oito anos quando subiu ao trono e reinou trinta e um anos em Jerusalém. 2O procedimento de Josias agradou ao Senhor, pois seguiu o exemplo de seu antepassado David, sem se afastar em nada, nem para a direita nem para a esquerda.

3No oitavo ano do seu reinado, quando era ainda jovem, começou a procurar saber melhor qual era a vontade do Deus do seu antepassado David, e no décimo segundo ano do seu reinado começou a limpar Jerusalém e Judá dos santuários pagãos, dos símbolos da deusa Achera, dos ídolos e de toda a espécie de imagens. 4Foram destruídos na presença do rei, os altares dedicados ao deus Baal, os ídolos que estavam colocados por cima dos altares, as imagens à deusa Achera, os ídolos e toda a espécie de imagens. Tudo foi reduzido a pó que depois se espalhou sobre os túmulos daqueles que tinham oferecido sacrifícios a esses falsos deuses. 5Queimaram-se mesmo os ossos dos sacerdotes pagãos sobre esses altares e assim se purificou a cidade e o reino de Judá. 6Fez-se o mesmo nas cidades de Manassés, de Efraim, de Simeão, de Neftali e nas suas aldeias. 7Destruíram-se as imagens da deusa Achera, os ídolos e deitaram-se abaixo os altares que eram destinados ao incenso, em todo o território das tribos do norte. Depois disto, o rei Josias voltou para Jerusalém.

Descoberta do livro da lei

(2 Reis 22,3—23,3)

8No ano dezoito do seu reinado, depois de ter purificado o país e o templo, Josias deu ordens a Chafan, filho de Açalias, a Masseias governador da cidade e a Joá, filho de Joacaz, porta-voz do rei, para tratarem de restaurar o templo do Senhor, seu Deus. 9Eles foram ter com o sumo sacerdote Hilquias e entregaram-lhe o dinheiro que os levitas porteiros tinham recolhido das ofertas das tribos de Manassés e de Efraim, bem como das restantes populações de Israel e de Judá, de Benjamim e dos habitantes de Jerusalém. 10Entregaram esse dinheiro aos empreiteiros e encarregados das obras de consolidação e restauração do templo, 11para que os artesãos e construtores pudessem comprar as pedras de cantaria e a madeira para as traves e vigamento dos edifícios que os reis de Judá deixaram cair em ruínas. 12Esses homens desempenharam fielmente a sua missão. Eram dirigidos por Jaat e Obadias, descendentes de Merari, e por Zacarias e Mechulam descendentes de Queat. Todos eles eram levitas e sabiam tocar instrumentos de música. 13Vigiavam o trabalho dos que transportavam os materiais, bem como todos os outros trabalhadores, qualquer que fosse a sua profissão. Também havia levitas que desempenhavam as funções de secretários, de administradores e de porteiros.

14Quando estavam a retirar o dinheiro que tinha sido levado para o templo, o sacerdote Hilquias encontrou o livro da lei do Senhor, dada por Moisés34,14 Trata-se do Pentateuco, constituído pelos cinco primeiros livros da Bíblia.. 15Hilquias anunciou então ao secretário Chafan, que tinha encontrado o livro da lei no templo do Senhor e entregou-lho. 16Este, por sua vez, levou o livro ao rei, quando lhe foi dar contas do seu trabalho e disse-lhe: «Os teus servos têm estado a fazer tudo o que tu mandaste. 17Fundiram a prata do cofre do templo e deram-na aos empreiteiros e encarregados das obras.» 18Acrescentou ainda: «O sacerdote Hilquias entregou-me este livro.» E começou a lê-lo ao rei.

Consulta à profetisa Hulda

19Quando o rei tomou conhecimento do que dizia o livro, rasgou a roupa em sinal de tristeza 20e deu as seguintes ordens a Hilquias, a Aicam, filho de Chafan, a Abdon, filho de Miqueias, ao secretário Chafan, e a Assaías, um dos seus funcionários: 21«Vão consultar o Senhor, em meu nome e em nome dos que restam do povo de Israel e de Judá, a respeito do que está escrito neste livro que acaba de se encontrar. É que o Senhor deve estar muito irado contra nós, visto que os nossos antepassados não prestaram atenção ao que diz o Senhor, nem puseram em prática o que está escrito neste livro.»

22Então Hilquias e outros enviados do rei foram ter com a profetisa Hulda, que vivia na parte nova da cidade de Jerusalém. Era casada com Salum, filho de Toqueat e neto de Hasra, encarregado do guarda-roupa do templo. Contaram-lhe o que tinha acontecido 23e ela deu-lhes esta resposta, para eles a levarem ao rei: 24«É isto o que diz o Senhor, Deus de Israel: “Vou enviar contra Jerusalém e contra os seus habitantes todas as desgraças e maldições escritas neste livro, que foi lido diante do rei de Judá. 25Eles abandonaram-me e ofereceram incenso a outros deuses, e tudo isso me irritou. Por tal razão, a minha irritação contra este lugar é grande e não se acalmará. 26Digam, pois, ao rei, que vos mandou ter comigo, aquilo que diz o Senhor, Deus de Israel: Tu escutaste o que está escrito nesse livro, 27e ouviste com atenção o que eu disse, a respeito de Jerusalém e dos seus habitantes. Tu arrependeste-te, rasgaste as tuas roupas em sinal de tristeza e choraste. Por isso, eu escutei a tua oração 28e vou deixar-te morrer em paz e juntar-te aos teus antepassados, no sepulcro, sem que os teus olhos vejam a desgraça que hei de enviar contra Jerusalém e contra os seus habitantes.”» Os enviados voltaram para contar tudo ao rei. 29O rei mandou então reunir todos os anciãos de Jerusalém e de Judá. 30Ele próprio subiu ao templo acompanhado dos homens de Judá e dos habitantes de Jerusalém, juntamente com os sacerdotes e levitas e todo o povo, desde o maior até ao mais pequeno. E ali o rei leu-lhes o livro da aliança, descoberto no templo. 31O rei pôs-se de pé no lugar que lhe estava reservado e comprometeu-se diante do Senhor a observar com todo o coração e com toda a alma os seus mandamentos, as suas ordens e preceitos, segundo o que estava escrito no livro. 32E fez com que toda a gente de Jerusalém e de Benjamim, que ali se encontrava se comprometesse a fazer o mesmo. Desta forma os habitantes de Jerusalém passaram a observar a aliança feita com o Deus dos seus antepassados. 33O rei Josias acabou com todas as práticas abomináveis que havia em todo o território de Israel e obrigou todos os habitantes a adorarem o Senhor, seu Deus. Enquanto viveu o rei, ninguém se afastou do Senhor, Deus dos seus antepassados.