a BÍBLIA para todos Edição Católica (BPTct)
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Jeú extermina a família de Acab

101Havia em Samaria setenta10,1 Setenta é um dos números com funções simbólicas na Bíblia. Cf. Gn 4,24; 46,27; Ex 1,5; 24,1; Nm 11,24; Jz 8,30; 9,56; Dn 9,24; Mt 18,22; Lc 10,1.17. descendentes de Acab. Jeú escreveu uma carta, que enviou aos magistrados da cidade de Jezrael, aos anciãos e aos tutores dos descendentes do rei Acab. A carta dizia o seguinte: 2«Como estão ao vosso cuidado as crianças da família real, assim como os cavalos e os carros de combate, uma cidade fortificada e armas, logo que receberem esta carta, 3escolham o melhor e o mais apto dos descendentes do rei, instalem-no no trono e lutem pela defesa do vosso soberano.»

4Eles ficaram cheios de medo e disseram: «Se dois reis10,4 Os dois reis eram Jorão, rei de Israel, e Acazias, rei de Judá. Ver 9,22–29. não puderam fazer-lhe frente, como podemos nós?» 5Então o chefe do palácio real, o comandante militar da cidade, os anciãos e os tutores dos descendentes de Acab mandaram dizer a Jeú: «Estamos às tuas ordens e faremos tudo o que mandares; não queremos eleger ninguém para ser rei. Faz como melhor te parecer.»

6Jeú escreveu-lhes uma segunda carta nestes termos: «Se estão do meu lado e querem obedecer às minhas ordens, cortem a cabeça a todos os descendentes do rei e tragam-mas a Jezrael, amanhã a esta hora.»

Os setenta descendentes da família real viviam em casa de cidadãos influentes de Samaria, que cuidavam da sua educação. 7Logo que receberam a carta, pegaram nos setenta rapazes e mataram-nos, enviando as suas cabeças em cestos para Jeú, em Jezrael. 8Quando o mensageiro chegou, disse a Jeú: «Já trouxeram as cabeças dos descendentes do rei.» Jeú ordenou: «Ponham-nas em dois montes à entrada da cidade e deixem-nas lá ficar até amanhã.» 9No dia seguinte de manhã, Jeú saiu da cidade e, pondo-se de pé diante do povo, disse: «Fui eu quem conspirou contra o rei Jorão e o matou; nenhum de vós é responsável. Mas quem cortou a cabeça a estes todos? 10Reconheçam pois, que nada do que o Senhor anunciou contra a família de Acab deixará de se cumprir! O Senhor tem executado tudo o que o profeta Elias anunciou da sua parte.»

11Então Jeú matou todos os que restavam da família de Acab em Jezrael, bem como todos os seus partidários influentes, os seus amigos íntimos e os seus sacerdotes, sem deixar escapar ninguém com vida.

Massacre dos príncipes de Judá

12Em seguida, Jeú dirigiu-se à Samaria. Ao passar por um lugar chamado Campo de Pastores, 13encontrou alguns parentes de Acazias, rei de Judá, e perguntou-lhes: «Quem são os senhores?» Eles responderam: «Somos parentes de Acazias e viemos visitar os filhos da rainha Jezabel10,13 O texto hebraico tem apenas rainha sem referir o seu nome. e o resto da família real.» 14Então Jeú ordenou aos que o seguiam: «Apanhem-nos vivos!» Eles apanharam-nos vivos e degolaram-nos junto do poço do Campo de Pastores. Eram quarenta e dois e nem um só deles escapou com vida.

Morte dos restantes parentes de Acab

15Um pouco mais adiante, Jeú encontrou Jonadab, filho de Recab10,15 Sobre Jonadab e os seus descendentes, os recabitas, ver Jr 35., que ia ao seu encontro. Jeú cumprimentou-o e perguntou-lhe: «És tão leal para comigo como eu sou para contigo?» Jonadab respondeu que sim e Jeú disse-lhe: «Nesse caso, dá cá a mão!» Jonadab deu-lhe a mão e Jeú fê-lo subir para o seu carro, 16dizendo: «Vem comigo e verás o zelo que eu tenho pelo Senhor.» E levou-o no seu carro10,16 Em hebraico: e puseram-se no seu carro. Seguimos a antiga tradução grega.. 17Ao entrar em Samaria, Jeú matou todos os descendentes de Acab que lá havia. Exterminou-os completamente, como o Senhor tinha anunciado a Elias.

Jeú mata os adoradores de Baal

18Jeú reuniu toda a população de Samaria e declarou: «O rei Acab adorou um pouco o deus Baal; eu, Jeú, vou adorá-lo muito mais. 19Por isso, chamem todos os profetas de Baal, os seus fiéis e os sacerdotes. Que não falte ninguém, porque quero oferecer um grande sacrifício em honra de Baal. Os que faltarem serão mortos.»

Isto era uma armadilha de Jeú, para poder exterminar todos os adoradores de Baal. 20A seguir, Jeú ordenou: «Proclamem uma assembleia solene em honra de Baal!» A proclamação foi feita 21e Jeú enviou mensageiros por toda a terra de Israel, convocando os adoradores de Baal, tendo comparecido todos, sem faltar nenhum. Reuniram-se todos no templo de Baal, que se encheu duma ponta à outra. 22Jeú disse depois ao encarregado das vestes sagradas10,22 Isto permitiu a Jeú conhecer quem eram os adoradores de Baal. para as distribuir pelos adoradores de Baal e ele entregou vestes a todos eles. 23Depois disso, o próprio Jeú entrou no templo com Jonadab, filho de Recab, e disse aos adoradores de Baal: «Assegurem-se de que não há entre vós nenhum que sirva o Senhor, mas apenas adoradores de Baal.»

24Jeú tinha colocado no exterior do templo oitenta soldados, aos quais tinha ordenado: «Aquele que deixar escapar um só destes homens que entrego nas vossas mãos pagará com a vida.» Jeú e Jonadab avançaram para oferecerem holocaustos e outros sacrifícios. 25Quando Jeú terminou, ordenou aos soldados e aos oficiais: «Entrem e matem-nos todos; não deixem escapar ninguém!» Eles entraram, puxaram das espadas e mataram-nos todos, arrastando depois os corpos para fora do templo. Depois entraram no santuário do templo de Baal10,25 Texto hebraico de difícil compreensão., 26levaram dali para fora os pilares sagrados do templo e queimaram-nos. 27Em seguida, derrubaram o monumento em honra de Baal e destruíram o seu templo, transformando-o em estrumeiras, que ainda hoje existem.

Jeú, rei de Israel

28Foi assim que Jeú fez desaparecer do reino de Israel o culto de Baal. 29Contudo, não deixou de cometer os mesmos pecados que Jeroboão, filho de Nebat, que tinha levado o povo de Israel a pecar e a adorar os bezerros de ouro em Betel e em Dan10,29 Betel e Dan. Extremos sul e norte do reino de Israel. Ver 1 Rs 12,28–29 e respetiva nota..

30Então o Senhor disse a Jeú: «Já que fizeste o que eu acho justo, tratando a família de Acab como eu tinha decidido, os teus descendentes reinarão em Israel até à quarta geração.»

31Apesar disso, Jeú não se preocupou em cumprir fielmente a lei do Senhor, Deus de Israel; pois não se afastou dos pecados com que Jeroboão fez pecar os israelitas.

Morte de Jeú

32Por aquele tempo, o Senhor começou a reduzir o tamanho do território de Israel. Hazael, rei da Síria, atacou os israelitas em todas as suas fronteiras, 33fazendo-os assim perder toda a região situada a leste do rio Jordão e a norte da cidade de Aroer, junto ao ribeiro de Arnon, isto é, os territórios de Guilead e Basã, ocupados pelas tribos de Gad, Rúben e Manassés.

34O resto da história de Jeú, com o que ele fez e todas as suas façanhas, está tudo escrito no livro das Crónicas dos Reis de Israel. 35Jeú morreu e foi sepultado em Samaria. À sua morte, sucedeu-lhe no trono o seu filho Joacaz. 36Jeú reinou vinte e oito anos como rei de Israel, em Samaria.

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Atália usurpa o trono de Judá

111Quando Atália, mãe de Acazias, teve conhecimento da morte do filho, resolveu eliminar toda a descendência. 2Mas Josseba11,2 Conforme 2 Cr 22,11, Josseba era a mulher do sacerdote Joiadá. O príncipe não foi morto porque a dinastia de David não podia ser interrompida. Ver 2 Rs 8,19 e nota., filha do rei Jorão e meia-irmã de Acazias, raptou Joás, filho de Acazias, quando estavam a assassinar os outros filhos do rei. Ela escondeu-o, juntamente com a ama, num quarto, de tal forma que Atália não o conseguiu matar. 3Joás ficou escondido com os seus protetores no templo do Senhor, durante seis anos, enquanto durou o reinado de Atália.

4No sétimo ano, o sacerdote Joiadá mandou chamar os capitães dos cários11,4 Cários. Mercenários oriundos da Ásia Menor, encarregados de guardar o palácio real e o templo. e os soldados da guarda real e os do palácio e disse-lhes para irem ao templo; fez um acordo com eles e juraram cumpri-lo. Mostrou-lhes o príncipe Joás, filho do rei Acazias 5e deu-lhes estas ordens: «Quando entrarem de serviço no sábado, um terço de vós ficará de guarda ao palácio, 6o outro terço guardará a porta de Sur11,6 A localização desta porta é desconhecida. e o outro terço ficará de guarda na porta que está por detrás dos outros guardas. Assim guardarão por turnos o palácio. 7Os dois grupos que saem de serviço no sábado ficarão de guarda ao templo do Senhor, para protegerem o rei11,7 A tradução dos v. 5–7 é incerta porque o texto hebraico desses versículos é de difícil compreensão.. 8Guardarão o rei Joás de espadas desembainhadas e irão para onde ele for. Quem tentar passar pelas fileiras da guarda, matem-no.»

9Os comandantes obedeceram às instruções de Joiadá e cada um lhe apresentou os guardas ao seu comando, que saíam de serviço no sábado e os que estavam de serviço. 10O sacerdote Joiadá deu-lhes as lanças11,10 Em hebraico: a lança. A versão grega dos Setenta, que seguimos, tem lanças. e os escudos do rei David, que se encontravam no templo do Senhor. 11Os guardas colocaram-se em semicírculo, de espadas desembainhadas, na frente do altar e do templo, de norte a sul, para protegerem o rei. 12Então Joiadá fez sair Joás, colocou-lhe a coroa na cabeça e entregou-lhe o documento da aliança11,12 Ou: entregou-lhe o testemunho. Ou: entregou-lhe a lei. O termo hebraico que traduzimos por documento da aliança é muito vago.. Joás foi então consagrado com óleo na cabeça e proclamado rei. O povo bateu palmas e gritou: «Viva o rei!»

13Quando a rainha Atália ouviu as aclamações dos guardas e do povo, foi ao templo por entre o povo. 14Viu lá o novo rei, de pé junto à coluna11,14 Ou: sobre o estrado., como era costume. A seu lado, estavam os oficiais e os tocadores de trombeta, enquanto o povo manifestava a sua alegria ao toque das trombetas. Atália rasgou os seus vestidos indignada e gritou: «Traição! Traição!»

15O sacerdote Joiadá não queria que Atália fosse morta na área do templo, por isso ordenou aos comandantes das unidades do exército: «Façam-na sair entre filas de guardas e se alguém tentar segui-la, matem-no.» 16Eles agarraram-na, levaram-na para o palácio pela porta da cavalariça e ali a mataram.

Reformas de Joiadá

17O sacerdote Joiadá fez uma aliança entre o Senhor, o rei e o povo, segundo a qual eles seriam o povo do Senhor. Fez também uma aliança entre o rei e o povo. 18Então a multidão foi ao templo de Baal e derrubou-o, destruindo os altares e os ídolos. Matan, sacerdote de Baal, foi morto diante dos altares.

Joiadá pôs guardas de vigia ao templo do Senhor 19e depois, ele, os comandantes das unidades, os cários da guarda real e a guarda do palácio real escoltaram o rei, do templo para o palácio, seguidos por todo o povo. Joás entrou pelo portão da guarda e ocupou o seu lugar no trono real. 20Todo o povo manifestava a sua alegria. A cidade ficou calma, porque Atália tinha sido morta no palácio.

12

Joás, rei de Judá

12112,1 Em algumas traduções, os v. 1–22 do cap. 12 são numerados de 11,21 a 12,21.No sétimo ano do reinado de Jeú, rei de Israel, Joás que tinha então sete anos de idade, subiu ao trono de Judá. 2Reinou quarenta anos, em Jerusalém. A sua mãe chamava-se Síbia e era natural de Bercheba. 3Joás conduziu-se com retidão aos olhos do Senhor, toda a sua vida, porque tinha sido educado pelo sacerdote Joiadá. 4No entanto, não suprimiu os santuários pagãos e o povo continuava a ir lá oferecer sacrifícios e a queimar incenso.

Joás manda reparar o templo

5Um dia Joás chamou os sacerdotes e ordenou-lhes: «Todo o dinheiro das ofertas sagradas que der entrada no templo do Senhor, tanto o que está determinado para os indivíduos em concreto, como o que é oferecido voluntariamente no templo, 6deverá ser recebido pelos sacerdotes e todo aplicado na reparação do templo, onde quer que ele se encontre estragado.»

7Contudo, no vigésimo terceiro ano do reinado de Joás ainda os sacerdotes não tinham feito qualquer reparação no templo. 8O rei chamou o sacerdote Joiadá e os outros sacerdotes e perguntou-lhes: «Por que não fazem reparações no templo? De agora em diante não ficarão com o dinheiro que recebem; têm de o entregar para que se façam as reparações.»

9Os sacerdotes concordaram em não receber o dinheiro e concordaram também que não seriam eles a fazer as reparações no templo. 10Por isso, o sacerdote Joiadá arranjou um cofre, fez-lhe um buraco na tampa e colocou-o junto do altar, à direita da entrada no templo. Os sacerdotes de serviço à entrada12,10 Estes sacerdotes eram personagens importantes na hierarquia sacerdotal, a julgar pelos relatos de 23,4 e 25,18, mas não se sabe exatamente quais eram as suas funções. metiam no cofre todo o dinheiro que lhes entregavam os fiéis. 11Quando viam muito dinheiro no cofre, um secretário do rei e o sumo sacerdote tiravam as moedas e contavam-nas. 12Depois de pesado, o dinheiro era entregue aos encarregados das obras do templo, para pagarem aos carpinteiros e aos mestres de obras que trabalhavam na reparação do templo, 13bem como aos pedreiros e aos canteiros, e para comprarem madeiras e pedras de cantaria para as reparações e ainda para cobrirem outras despesas decorrentes dos trabalhos.

14Nenhum daquele dinheiro, que entrava no templo, podia ser utilizado para fazer taças de prata, ou canivetes, bacias de aspersão, ou trombetas, ou quaisquer outros utensílios de ouro ou de prata12,14 Sobre estes diversos utensílios, ver 1 Rs 7,50.. 15Aquele dinheiro era integralmente entregue aos encarregados das obras para o utilizarem nas reparações do templo. 16Ninguém pedia contas aos encarregados que recebiam o dinheiro para pagar aos operários, porque eram homens dignos de confiança12,16 Ver 22,7.. 17O dinheiro dos sacrifícios por delito ou por pecado não entrava no cofre do templo; ficava para os sacerdotes.

Fim do reinado de Joás

18Naquele tempo, Hazael, rei da Síria, sitiou e conquistou a cidade de Gat12,18 Não se trata aqui da cidade, com o mesmo nome, habitada pelos filisteus (1 Rs 2,39), mas sim de uma cidade mais a norte, também na costa mediterrânica.. Depois decidiu atacar Jerusalém. 19Porém Joás, rei de Judá, pegou em todos os objetos sagrados oferecidos ao Senhor pelos reis, seus antepassados, Josafat, Jorão e Acazias, reis de Judá, e os objetos que ele próprio tinha oferecido ao Senhor, bem como todo o ouro dos tesouros do templo e do palácio real, e enviou tudo como presente ao rei Hazael, que assim desistiu da sua campanha contra Jerusalém.

20O resto da história de Joás com todos os seus feitos, está tudo escrito no livro das Crónicas dos Reis de Judá. 21Os seus oficiais formaram uma conspiração contra ele e mataram-no em Bet-Milo12,21 É possível que se trate do lugar de Milo referido em 1 Rs 9,15. O hebraico acrescenta a expressão que traduzimos por: na descida de Sila, mas não se sabe onde ficava Sila., na descida de Sila. 22Foram Jozacar, filho de Chimeat, e Jozabad, filho de Chomer, os oficiais que o assassinaram. O rei Joás foi sepultado junto dos seus antepassados, na cidade de David. Sucedeu-lhe no trono o seu filho Amazias.