a BÍBLIA para todos Edição Católica (BPTct)
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Simão acusa Onias

41Já foi dito que Simão tinha falado com Apolónio a respeito das riquezas do templo, traindo assim a sua pátria. Pois o mesmo Simão começou a falar mal de Onias, afirmando que Onias tinha sido a causa de todos esses males, sob o pretexto de ter sido ele quem tinha atacado Heliodoro. 2Ousou acusar como inimigo público esse benfeitor da cidade, protetor dos seus compatriotas e zeloso cumpridor das leis. 3Esta hostilidade aumentou a tal ponto que correligionários de Simão chegaram a cometer homicídios. 4Onias, apercebendo-se do perigo que estas querelas representavam e sabedor de que Apolónio, filho de Menesteu, governador da Celessíria4,4 Ver 3,5 e nota. e da Fenícia, encorajava Simão nas suas maldades, 5dirigiu-se ao rei, não para acusar os seus concidadãos, mas para velar pelo bem-estar de todo o povo e de cada um em particular. 6Pois ele via que sem uma intervenção do rei seria impossível haver paz pública e que Simão pusesse termo às suas loucuras.

Jasão obriga os judeus a seguir costumes pagãos

7Mas depois da morte do rei Seleuco e da subida ao trono de Antíoco, cognominado Epifânio4,7 Antíoco IV Epifânio foi rei da Síria de 175 a 164 a.C., Jasão, irmão de Onias, comprou o cargo de sumo sacerdote. 8Numa visita ao rei, ele prometeu pagar-lhe doze mil e seiscentos quilos de prata, mais dois mil e oitocentos quilos4,8 Literalmente: trezentos e sessenta talentos de prata e oitenta talentos, respetivamente. de prata de outras proveniências. 9Garantiu-lhe, além disso, o pagamento de mais cinco mil cento e cinquenta quilos4,9 Literalmente: cento e cinquenta talentos., se lhe concedesse autorização para construir, por sua própria conta, um ginásio e uma escola para jovens, e ainda de proceder ao registo dos cidadãos de Antioquia4,9 Antioquia. Capital do reino da Síria, que naquela época dominava a terra de Israel., que habitavam em Jerusalém. 10Obtido o consentimento do rei, Jasão, logo que assumiu o poder, arrastou os seus compatriotas a adotar o estilo de vida dos gregos. 11Revogou as benevolentes concessões régias4,11 Concedidas pelo rei Antíoco III, o Grande, que reinou de 233 a 187 a.C. aos judeus, obtidas por João, pai de Eupólemo, que mais tarde viria a ser enviado como embaixador para firmar um acordo de amizade e aliança com os romanos. Aboliu também as leis do Estado e introduziu novos costumes contrários à lei. 12Com entusiasmo, construiu um ginásio no sopé da própria cidadela e obrigou os jovens das melhores famílias a usar o petáso4,12 Petáso. Chapéu grego de abas largas.. 13O helenismo e a penetração dos costumes estrangeiros atingiu tais proporções, por causa da desmedida perversidade de Jasão, um ímpio e não um sumo sacerdote, 14que até os sacerdotes perdiam o interesse pelos serviços do altar; pelo contrário, desprezando e descurando os sacrifícios, apressavam-se, à chamada para o concurso do lançamento do disco, a participar na respetiva preparação na palestra4,14 Palestra. Recinto para a prática desportiva entre os gregos. o que era interdito pela lei. 15Não fazendo caso algum das honras da pátria, tinham em maior estima as glórias helenísticas. 16E, por causa disso, acabaram por ficar numa situação dolorosa. Aqueles cujo estilo de vida invejavam e que em tudo queriam imitar, acabaram por se tornar seus inimigos e carrascos. 17Na verdade, não é coisa de pouca monta desrespeitar as leis divinas. Ora, isto mesmo o demonstrará o período de tempo que se seguiu. 18Por ocasião da celebração dos jogos quinquenais em Tiro, e estando presente o rei, 19O imoral Jasão escolheu alguns homens para representarem os cidadãos antioquianos4,19 Cidadãos de Antioquia da Síria que habitavam em Jerusalém. Ver v. 9 e nota. de Jerusalém, fazendo-os portadores de trezentas dracmas de prata para um sacrifício ao deus Hércules. Mas estes homens entenderam não as usar num sacrifício, por acharem não ser o uso apropriado para elas. Antes as destinaram a outras despesas. 20Assim o dinheiro destinado a um sacrifício por aquele que o enviara foi canalizado pelos seus portadores à construção de navios de guerra. 21Quando Apolónio, filho de Menesteu, foi enviado ao Egito para assistir à coroação do rei Filometor4,21 Ptolomeu VI Filometor foi coroado em 172 a.C. e reinou até 146 ou 145 a.C., Antíoco soube que este se lhe tornara hostil, e ficou preocupado com a sua segurança. Por isso, foi a Jope e de lá dirigiu-se a Jerusalém. 22Magnificamente recebido por Jasão e pela cidade, nela foi honrado à luz dos archotes e com aclamações, após o que marchou para a Fenícia.

Menelau torna-se sumo sacerdote

23Três anos depois, Jasão enviou Menelau, irmão de Simão, acima mencionado, para levar dinheiro ao rei e concluir assuntos urgentes em agenda. 24Menelau, ao apresentar-se diante do rei, elogiou-o pela sua imagem de autoridade e conseguiu a nomeação para o sumo sacerdócio, com a promessa de uma oferta de mais dez mil e quinhentos quilos de prata4,24 Literalmente: trezentos talentos. do que Jasão dera. 25Munido das credenciais régias, regressou a Jerusalém sem nada meritório para o cargo de sumo sacerdote. Tinha, pelo contrário, um espírito tirano cruel e a fúria de uma fera selvagem. 26E assim Jasão, que por suborno suplantara o seu próprio irmão, foi por seu turno suplantado por outro homem e constrangido a fugir para a terra de Amon. 27Quanto a Menelau, ocupou o cargo de sumo sacerdote, mas não pagou ao rei a quantia que tinha prometido, 28a despeito das solicitações de Sóstrato, o comandante da cidadela a quem competia a gestão financeira. Por este motivo, foram ambos convocados e chamados à presença do rei. 29Menelau deixou o seu irmão Lisímaco a substituí-lo como sumo sacerdote; Sóstrato, por seu turno, fez-se substituir por Crates, que comandava os cipriotas.

Onias é assassinado

30Enquanto tudo isto acontecia, os habitantes de Tarso e de Malos revoltaram-se porque as suas cidades tinham sido dadas de presente a Antióquide, concubina do rei. 31O rei foi acalmar a situação, deixando Andrónico, um dos seus dignitários, a substituí-lo. 32Menelau, julgando que era a ocasião favorável, roubou alguns objetos de ouro do templo e fez deles presentes a Adrónico; outros vendeu-os em Tiro e nas cidades vizinhas. 33Onias, ao tomar conhecimento preciso deste facto, refugiou-se num lugar seguro em Dafne, que ficava perto de Antioquia, e acusou Menelau. 34Então Menelau falou em particular com Andrónico e insistiu com ele para que matasse Onias. Andrónico foi falar com Onias. Este convencido, por uma promessa falsa, a recebê-lo, deu-lhe um aperto de mão com juramento e, embora estivesse desconfiado, deixou-se persuadir a sair do seu refúgio. Imediatamente Andrónico o matou, sem o menor respeito pela justiça. 35Por este motivo, não somente os judeus como também muitos cidadãos de outras nacionalidades ficaram indignados e revoltados com a morte injusta daquele homem.

Andrónico é castigado

36Quando o rei voltou da região da Cilícia, os judeus da cidade, juntamente com muito gregos que também abominavam o crime, foram falar com ele acerca do assassínio de Onias cometido sem qualquer razão. 37O rei, muito triste e cheio de compaixão, chorou ao lembrar-se do bom senso e da grande moderação do falecido. 38E, ardendo em ira, despojou Andrónico do seu manto de púrpura, rasgou-lhe as vestes e fê-lo desfilar por toda a cidade, até ao mesmo lugar onde tinha praticado o ímpio crime contra Onias. E ali mesmo fez desaparecer do mundo este sanguinário, dando-lhe o merecido castigo.

Lisímaco é morto

39Durante esse tempo, muitos sacrilégios cometidos por ação de Lisímaco, com a conivência do irmão Menelau. Com a divulgação destes factos, o povo juntou-se contra Lisímaco, pois muitos objetos de ouro do templo tinham já desaparecido. 40Como a multidão se sublevasse, cheia de fúria, Lisímaco armou cerca de três mil homens e desencadeou vis ataques. Os homens eram comandados por um certo Aurano, tão avançado em idade quanto em estultice. 41Ao ver que Lisímaco os estava a atacar, uns pegaram em pedras, outros em paus, outros ainda encheram as mãos com as cinzas que havia no chão, e arremessaram tudo confusamente. 42Com isto, feriram muitos, mataram alguns e ao sacrílego apanharam-no junto do tesouro do templo.

Menelau é julgado e absolvido

43Por tudo isto, Menelau foi processado. 44Chegado o rei Antíoco a Tiro, três delegados do conselho dos anciãos apresentaram-lhe a acusação. 45Vendo-se já perdido, Menelau prometeu uma grande quantia de dinheiro a Ptolomeu, filho de Doriménio, para obter o favor do rei. 46Então Ptolomeu chamou à parte o rei para o peristilo4,46 Peristilo. Espaço aberto rodeado por uma galeria de colunas., como se fossem espairecer, e fê-lo mudar de opinião. 47O rei absolveu Menelau, o culpado de todos aqueles males, mas condenou à morte aqueles infelizes que, se tivessem defendido a sua causa, mesmo diante de citas4,47 Citas. Povo de tribos nómadas de cavaleiros e pastores que habitava nas regiões do Cáucaso e do mar Negro, e que era exemplo proverbial de selvajaria., teriam sido considerados inocentes. 48Assim sofreram imediatamente um castigo injusto aqueles que tinham defendido a cidade, o povo e os objetos sagrados. 49Por isso, os cidadãos de Tiro, horrorizados com o crime, pagaram-lhes magníficos funerais. 50Por causa da cobiça das autoridades, Menelau continuava no poder e crescia em maldade, tendo-se tornado o maior inimigo dos seus próprios concidadãos.

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Introdução e saudação

11Este livro contém a revelação de Jesus Cristo que ele recebeu de Deus, para a dar a conhecer aos seus servos. Trata-se de coisas que hão de acontecer brevemente e que Cristo deu a conhecer ao seu servo João por um anjo que lhe enviou.

2João atesta tudo quanto viu em relação à palavra e ao testemunho de Jesus Cristo. 3Feliz aquele que lê este livro e felizes os que ouvem estas palavras proféticas e guardam o que aqui está escrito1,3 O autor afirma que é preciso ler, ouvir e guardar estas palavras. A Sagrada Escritura foi escrita por causa desta triologia verbal: ler, ouvir e guardar. Quem assim fizer, será feliz., porque tudo isto há de acontecer em breve.

4Eu, João, dirijo-me às sete igrejas da província da Ásia1,4 As sete igrejas são enumeradas no v. 11.. Desejo-vos graça e paz da parte daquele que é, que era e que há de vir, e ainda da parte dos sete espíritos1,4 Sete Espíritos. O número sete simboliza a perfeição. Os sete espíritos simbolizam, portanto, a ação misteriosa de Deus na história dos homens. que estão diante do seu trono, 5e de Jesus Cristo, a testemunha fiel, o primeiro dos ressuscitados, o soberano dos reis da Terra.

Cristo ama-nos e pela sua morte libertou-nos dos nossos pecados. 6Ele fez de nós um reino de sacerdotes para Deus, seu Pai. A ele seja dada glória e o poder para todo o sempre. Ámen.

7Eis que ele vem com as nuvens.

Toda a gente o verá,

até mesmo os que o mataram.

Todos os povos da Terra se lamentarão por ele.

Assim há de ser! Ámen!

8Eu sou o Alfa e o Ómega1,8 Alfa e Ómega. Primeira e última letra do alfabeto grego (21,2; 22,13). A expressão significa: o Primeiro e o Último ou o Princípio e o Fim., diz o Senhor Deus, aquele que é, que era e que há de vir, o Todo-Poderoso.

Cristo revela-se a João

9Eu sou João, vosso irmão, e participo convosco nas mesmas perseguições no reino de Deus e na perseverança por Jesus. Encontrava-me na ilha de Patmos1,9 Patmos. Pequena ilha do mar Egeu para onde os romanos exilavam as pessoas que julgavam politicamente indesejadas. por ter proclamado a palavra de Deus e o testemunho de Jesus. 10O Espírito de Deus apoderou-se de mim, no dia do Senhor, e eu ouvi atrás de mim uma voz forte que parecia a voz duma trombeta. 11Dizia assim: «Escreve num livro aquilo que vais ver, e manda-o às sete igrejas: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodiceia.» 12Voltei-me para ver quem é que me falava e, ao voltar-me, vi sete castiçais de ouro1,12 Sete castiçais. Representam as sete igrejas a quem o autor escreveu. Ver 1,20.. 13E no meio dos castiçais estava alguém semelhante ao Filho do Homem vestido até aos pés com uma túnica comprida e uma faixa dourada à volta do peito. 14A sua cabeça e os seus cabelos eram brancos como a lã ou como a neve e os seus olhos eram ardentes como o fogo. 15Os seus pés brilhavam como bronze fundido na fornalha e a sua voz era como o ruído das grandes cascatas1,15 Para os v. 13–15, ver Dn 7,13; 10,5; 7,9; 10,6.. 16Na sua mão direita tinha sete estrelas; da sua boca saía uma espada de dois gumes muito afiada e o seu rosto brilhava como o sol do meio-dia.

17Quando o vi, caí aos seus pés como morto. Mas ele pôs a sua mão direita em cima de mim e disse: «Não tenhas medo! Eu sou o primeiro e o último1,17 Para os v. 16–17, ver Is 49,2; Hb 4,12; Is 44,6; 48,12.. 18Eu sou aquele que está vivo! Estive morto, mas agora vivo para sempre. Eu tenho poder sobre a morte e sobre o mundo dos mortos. 19Escreve pois aquilo que viste, o que está a acontecer agora e o que vai acontecer mais tarde. 20O significado das sete estrelas que viste na minha mão direita e dos sete castiçais de ouro é o seguinte: as sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete castiçais são essas sete igrejas.»