a BÍBLIA para todos Edição Católica (BPTct)
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Os judeus são perseguidos

61Não muito tempo depois, o rei enviou um dos anciãos de Atenas6,1 Ou: Gerontes, de Atenas. com ordens para forçar os judeus a abandonar as leis da sua pátria e a deixar de viver segundo os princípios de Deus, 2e para profanar o templo de Jerusalém e dedicá-lo a Zeus Olímpico6,2 Zeus. O deus mais importante dos gregos. Monte Olimpo. Lugar onde se dizia que Zeus morava.; como também aquele que havia em Garizim, a Zeus Hospitaleiro, conforme os costumes dos habitantes do local. 3Foi para todos dura e insuportável a violência destes males. 4O templo estava cheio da devassidão e orgias dos pagãos, que se divertiam com prostitutas e tinham relações com mulheres no átrio sagrado, levando mesmo para o templo objetos proibidos. 5O altar dos sacrifícios estava cheio de vítimas impuras, proibidas pelas leis. 6Não se podia observar o sábado nem as festas nacionais, nem confessar-se judeu. 7Todos os meses, no dia de aniversário do rei, os judeus eram coagidos pela força a participar num festim ritual, e aquando das festas de Dionísio6,7 Dionísio. O deus grego das uvas e do vinho., eram obrigados a tomar parte na procissão dionísica, usando coroas de hera6,7 Hera. Planta trepadeira, cujos ramos eram usados para fazer coroas em honra do deus Dionísio.. 8Por sugestão de Ptolomeu6,8 De acordo com o texto grego. Ver 2 Mb 4,45 e 8,8. Alguns manuscritos gregos e algumas versões antigas dizem: dos habitantes da cidade de Ptolemaida., foi publicado um decreto, dirigido às cidades gregas vizinhas que obrigava a adotar idêntico procedimento com os judeus e forçá-los a participar nos festins e rituais pagãos; 9quem não se dispusesse a seguir os costumes gregos seria executado. Podia pois prever-se a iminência de desgraças. 10Assim duas mulheres foram acusadas de terem circuncidado os filhos. Fizeram-nas desfilar publicamente pela cidade com as crianças penduradas no peito e precipitaram-nas do alto das muralhas. 11Outros reuniram-se em grutas na vizinhança para celebrar em segredo o dia do sábado. Denunciados a Filipe, foram queimados em conjunto, porque se abstiveram de resistir, por reverência para com a santidade do dia.

Breve meditação sobre a perseguição

12Peço aos leitores deste livro que não fiquem desanimados por causa dessas desgraças, mas considerem que estes castigos vieram não para destruir o nosso povo, mas para o corrigir. 13Pois é sinal de grande bondade, não deixar os ímpios muito tempo entregues a si mesmos, antes aplicar-lhes sem demora a merecida retribuição. 14Ao contrário do que faz com os demais, que o Senhor espera pacientemente até que encham as medidas dos seus pecados para os castigar, connosco não entendeu agir assim, 15para que, chegados nós ao extremo dos nossos pecados, não tenha de nos castigar depois. 16Por isso, nunca afasta de nós a sua compaixão mas, ao castigar-nos com a adversidade, não abandona o seu povo. 17Que estas palavras vos sirvam de lembrança. Mas finda esta breve interrupção, voltemos agora à história.

O martírio de Eleazar

18Eleazar, um dos mais destacados mestres da lei, homem avançado em idade e de belíssima aparência, foi forçado a abrir a boca e comer carne de porco. 19Mas ele, preferindo morrer com honra a viver na abominação, caminhou voluntariamente para a tortura. 20Cuspiu a carne, como devem fazer os que têm a coragem de rejeitar o que lhes não é permitido provar, mesmo por amor à vida. 21Ora, os homens encarregados deste banquete ritual, proibido pela lei, em virtude de há muito conhecerem este homem, tomaram-no à parte e insistiram com ele para que levasse consigo carne de que lhe fosse lícito servir-se, preparada por ele mesmo, e fingisse estar a comer das carnes do sacrifício prescritas pelo rei, 22a fim de, agindo assim, escapar à morte, e gozar deste gesto de humanidade da parte deles, em virtude da antiga amizade. 23Mas ele tomou uma nobre decisão, digna da sua idade, devido prestígio que a sua velhice lhe dava, distinção conquistada com os seus cabelos brancos, como também da sua conduta impecável desde criança, mas principalmente digna da lei instituída por Deus; respondeu em conformidade que o mandassem, sem demora, para o mundo dos mortos. 24Disse ele: «Não é digno da nossa idade fingir, para que muitos dos jovens não venham a pensar que Eleazar, com noventa anos de idade, se tenha convertido a costumes pagãos, 25e para que, por causa do meu fingimento e só para prolongar um pouco mais a brevidade da minha vida, eles se não desviem por minha causa, e eu não atraia vergonha e desonra para a minha velhice. 26E, mesmo que no presente momento eu me livrasse do castigo humano, não escaparia vivo ou morto, das mãos do Todo-Poderoso. 27Portanto, se corajosamente deixar agora a vida, mostrarei ser digno da minha velhice. 28E deixo também aos jovens um nobre exemplo de como se deve morrer voluntária e generosamente pelas nossas venerandas e santas leis.» Dito isto, imediatamente se encaminhou para o suplício. 29Mas aqueles que o conduziam, pouco antes afetuosos para com ele, tornaram-se-lhe hostis por causa das palavras que ele tinha proferido, por as julgarem loucura. 30Estando prestes a morrer por espancamento, soltou um gemido e disse: «Ao Senhor, cuja sabedoria é santa, para quem é tudo manifesto. Ele sabe que eu, podendo ter escapado da morte, suporto estas terríveis dores dos açoites; mas, na minha alma, sofro com alegria, porque o temo.» 31Assim rendeu a vida este homem, deixando, não somente para os jovens, mas também para a maioria dos seus compatriotas, um modelo de nobreza e um memorial de virtude.

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Introdução e saudação

11Este livro contém a revelação de Jesus Cristo que ele recebeu de Deus, para a dar a conhecer aos seus servos. Trata-se de coisas que hão de acontecer brevemente e que Cristo deu a conhecer ao seu servo João por um anjo que lhe enviou.

2João atesta tudo quanto viu em relação à palavra e ao testemunho de Jesus Cristo. 3Feliz aquele que lê este livro e felizes os que ouvem estas palavras proféticas e guardam o que aqui está escrito1,3 O autor afirma que é preciso ler, ouvir e guardar estas palavras. A Sagrada Escritura foi escrita por causa desta triologia verbal: ler, ouvir e guardar. Quem assim fizer, será feliz., porque tudo isto há de acontecer em breve.

4Eu, João, dirijo-me às sete igrejas da província da Ásia1,4 As sete igrejas são enumeradas no v. 11.. Desejo-vos graça e paz da parte daquele que é, que era e que há de vir, e ainda da parte dos sete espíritos1,4 Sete Espíritos. O número sete simboliza a perfeição. Os sete espíritos simbolizam, portanto, a ação misteriosa de Deus na história dos homens. que estão diante do seu trono, 5e de Jesus Cristo, a testemunha fiel, o primeiro dos ressuscitados, o soberano dos reis da Terra.

Cristo ama-nos e pela sua morte libertou-nos dos nossos pecados. 6Ele fez de nós um reino de sacerdotes para Deus, seu Pai. A ele seja dada glória e o poder para todo o sempre. Ámen.

7Eis que ele vem com as nuvens.

Toda a gente o verá,

até mesmo os que o mataram.

Todos os povos da Terra se lamentarão por ele.

Assim há de ser! Ámen!

8Eu sou o Alfa e o Ómega1,8 Alfa e Ómega. Primeira e última letra do alfabeto grego (21,2; 22,13). A expressão significa: o Primeiro e o Último ou o Princípio e o Fim., diz o Senhor Deus, aquele que é, que era e que há de vir, o Todo-Poderoso.

Cristo revela-se a João

9Eu sou João, vosso irmão, e participo convosco nas mesmas perseguições no reino de Deus e na perseverança por Jesus. Encontrava-me na ilha de Patmos1,9 Patmos. Pequena ilha do mar Egeu para onde os romanos exilavam as pessoas que julgavam politicamente indesejadas. por ter proclamado a palavra de Deus e o testemunho de Jesus. 10O Espírito de Deus apoderou-se de mim, no dia do Senhor, e eu ouvi atrás de mim uma voz forte que parecia a voz duma trombeta. 11Dizia assim: «Escreve num livro aquilo que vais ver, e manda-o às sete igrejas: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodiceia.» 12Voltei-me para ver quem é que me falava e, ao voltar-me, vi sete castiçais de ouro1,12 Sete castiçais. Representam as sete igrejas a quem o autor escreveu. Ver 1,20.. 13E no meio dos castiçais estava alguém semelhante ao Filho do Homem vestido até aos pés com uma túnica comprida e uma faixa dourada à volta do peito. 14A sua cabeça e os seus cabelos eram brancos como a lã ou como a neve e os seus olhos eram ardentes como o fogo. 15Os seus pés brilhavam como bronze fundido na fornalha e a sua voz era como o ruído das grandes cascatas1,15 Para os v. 13–15, ver Dn 7,13; 10,5; 7,9; 10,6.. 16Na sua mão direita tinha sete estrelas; da sua boca saía uma espada de dois gumes muito afiada e o seu rosto brilhava como o sol do meio-dia.

17Quando o vi, caí aos seus pés como morto. Mas ele pôs a sua mão direita em cima de mim e disse: «Não tenhas medo! Eu sou o primeiro e o último1,17 Para os v. 16–17, ver Is 49,2; Hb 4,12; Is 44,6; 48,12.. 18Eu sou aquele que está vivo! Estive morto, mas agora vivo para sempre. Eu tenho poder sobre a morte e sobre o mundo dos mortos. 19Escreve pois aquilo que viste, o que está a acontecer agora e o que vai acontecer mais tarde. 20O significado das sete estrelas que viste na minha mão direita e dos sete castiçais de ouro é o seguinte: as sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete castiçais são essas sete igrejas.»