a BÍBLIA para todos Edição Católica (BPTct)
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91Aconteceu que nessa ocasião Antíoco voltou sem dignidade dos territórios da Pérsia. 2Com efeito, tentara entrar na cidade chamada Persépolis, saquear os templos e ocupara a cidade; por isso, a multidão recorreu às armas e revoltou-se; e Antíoco viu-se forçado pelos habitantes a fazer uma retirada vergonhosa. 3Ao achar-se em Ecbátana, foi informado do sucedido com Nicanor e com o exército de Timóteo. 4Furioso, resolveu descarregar sobre os judeus o mal infligido por aqueles que o tinham posto em fuga. Por isso, ordenou ao condutor da sua carruagem que prosseguisse a viagem, sem parar, mas o juízo do céu já seguia com ele. Pois cheio de soberba, disse: «Quando lá chegar, farei de Jerusalém uma vala comum de judeus!» 5Mas o Senhor que vê tudo, o Deus de Israel, derrubou-o com uma doença incurável e invisível. Mal acabara de pronunciar estas palavras, acometeu-o uma dor intolerável nas entranhas e atrozes tormentos no ventre. 6Era o castigo que ele merecia, pois tinha feito outros sofrerem as mesmas dores, ferindo cruelmente, como forma de tortura, os intestinos de muitas pessoas. 7Mas o seu sofrimento não fez diminuir a sua arrogância, antes se encheu de orgulho e, exalando uma fúria ardente contra os judeus, mandou que se acelerasse o andamento. Sucedeu, enfim, que eles caiu do carro, que rodava a toda a velocidade e, na infeliz queda, todos os membros do seu corpo ficaram mutilados. 8O homem que pouco antes julgava que podia mandar nas ondas do mar e pesar os picos das montanhas numa balança, jazendo por terra, era transportado numa maca, mostrando claramente a todos o poder de Deus. 9Dos olhos daquele pagão começaram a sair vermes. Ainda estava vivo, e sentia muita dor e aflição, e pedaços de carne caíam do seu corpo. E o mau cheiro da podridão do seu corpo fazia o exército inteiro sentir-se mal. 10Por causa do fedor, ninguém podia carregar esse homem que pouco antes pensava que podia tocar com as mãos as estrelas do céu. 11Foi então que começou a cair da sua excessiva soberba, na sua tortura, e se deu conta do seu estado, sob o chicote divino, entre dores que se intensificavam a todo o momento. 12E não podendo suportar o seu próprio fedor, disse ele: «Justo é que um mortal se submeta a Deus, sem pensar em ser igual a ele.» 13Já tinha passado a hora de o Senhor ter compaixão daquele miserável, mas mesmo assim Antíoco fez a seguinte promessa a Deus: 14«Eu dirigia-me com pressa à cidade santa a fim de a arrasar e fazer com que ela se tornasse um cemitério; mas agora declaro que Jerusalém é uma cidade livre. 15Tinha resolvido atirar para o campo os corpos dos judeus e dos seus filhos, para serem comidos pelos animais selvagens e pelos pássaros, pois achava que os judeus não mereciam ser enterrados. Mas agora declaro que os judeus terão os mesmos direitos que os moradores de Atenas. 16Devolverei os vasos sagrados que roubei do templo; darei ainda outros vasos mais bonitos e enfeitarei o santuário com lindos presentes; e eu mesmo pagarei as despesas dos sacrifícios que serão oferecidos ali. 17Além disso, vou tornar-me judeu e irei percorrer todos os países do mundo a fim de anunciar o poder de Deus.»

A carta de Antíoco aos judeus

18Contudo, sem experimentar qualquer alívio para as suas dores, pois o justo castigo de Deus pesava sobre ele, perdeu a esperança sobre o seu próprio estado, escreveu aos judeus uma carta, com uma petição, que a seguir se transcreve: 19«Aos nobres cidadãos judeus, muitas saudações e votos de boa saúde e prosperidade da parte de Antíoco, rei e comandante das forças armadas. 20Se vos encontrais bem, vós e os vossos filhos, bem como os vossos negócios, conforme os vossos desejos, eu ponho a minha esperança no céu. 21Lembro com grande prazer o carinho com que sempre me têm tratado. Ao regressar da Pérsia, atingido por uma terrível doença, achei necessário tratar do bem-estar de todos. 22Não que esteja desenganado; ao contrário, tenho grande esperança de me livrar desta doença. 23Mas considerando que o meu pai, nas ocasiões em que partia em campanha para as regiões do planalto da Pérsia, designava um sucessor, 24a fim de que, no caso de algum imprevisto ou notícia desagradável, os habitantes do país vissem a quem tinha a governação sido confiada e se não perturbassem. 25Além disso, apercebendo-me de que os soberanos dos países vizinhos do nosso reino observam a ocasião e esperam o que venha a acontecer, designei Antíoco9,25 Trata-se de Antíoco IV Eupátor. como rei, o qual, aquando das minhas campanhas no planalto, com frequência recomendei à maioria de vós. E escrevi-lhe a carta que se transcreve abaixo9,25 O autor do livro não inclui essa carta. Ao que parece, não conseguiu encontrar uma cópia da mesma.. 26Portanto, peço e insisto que não se esqueçam dos benefícios que eu vos fiz, tanto públicos como particulares, e continuem a ter boa vontade para comigo e para com o meu filho. 27Pois estou convicto de que ele vos tratará cordial e humanamente, dando curso aos meus planos.» 28E assim este homem, esse assassino e blasfemo, sofrendo dores tão terríveis como aquelas que ele tinha feito outros sofrerem, morreu de um destino miserável nas montanhas de um país estrangeiro. 29Filipe9,29 Provavelmente o guardião de Antíoco V Eupátor. Ver 1 Mb 6,14–15., seu amigo de infância, transladou-lhe o corpo; mas com medo do filho Antíoco, retirou-se para junto de Ptolemeu Filometor, no Egito.

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Introdução e saudação

11Este livro contém a revelação de Jesus Cristo que ele recebeu de Deus, para a dar a conhecer aos seus servos. Trata-se de coisas que hão de acontecer brevemente e que Cristo deu a conhecer ao seu servo João por um anjo que lhe enviou.

2João atesta tudo quanto viu em relação à palavra e ao testemunho de Jesus Cristo. 3Feliz aquele que lê este livro e felizes os que ouvem estas palavras proféticas e guardam o que aqui está escrito1,3 O autor afirma que é preciso ler, ouvir e guardar estas palavras. A Sagrada Escritura foi escrita por causa desta triologia verbal: ler, ouvir e guardar. Quem assim fizer, será feliz., porque tudo isto há de acontecer em breve.

4Eu, João, dirijo-me às sete igrejas da província da Ásia1,4 As sete igrejas são enumeradas no v. 11.. Desejo-vos graça e paz da parte daquele que é, que era e que há de vir, e ainda da parte dos sete espíritos1,4 Sete Espíritos. O número sete simboliza a perfeição. Os sete espíritos simbolizam, portanto, a ação misteriosa de Deus na história dos homens. que estão diante do seu trono, 5e de Jesus Cristo, a testemunha fiel, o primeiro dos ressuscitados, o soberano dos reis da Terra.

Cristo ama-nos e pela sua morte libertou-nos dos nossos pecados. 6Ele fez de nós um reino de sacerdotes para Deus, seu Pai. A ele seja dada glória e o poder para todo o sempre. Ámen.

7Eis que ele vem com as nuvens.

Toda a gente o verá,

até mesmo os que o mataram.

Todos os povos da Terra se lamentarão por ele.

Assim há de ser! Ámen!

8Eu sou o Alfa e o Ómega1,8 Alfa e Ómega. Primeira e última letra do alfabeto grego (21,2; 22,13). A expressão significa: o Primeiro e o Último ou o Princípio e o Fim., diz o Senhor Deus, aquele que é, que era e que há de vir, o Todo-Poderoso.

Cristo revela-se a João

9Eu sou João, vosso irmão, e participo convosco nas mesmas perseguições no reino de Deus e na perseverança por Jesus. Encontrava-me na ilha de Patmos1,9 Patmos. Pequena ilha do mar Egeu para onde os romanos exilavam as pessoas que julgavam politicamente indesejadas. por ter proclamado a palavra de Deus e o testemunho de Jesus. 10O Espírito de Deus apoderou-se de mim, no dia do Senhor, e eu ouvi atrás de mim uma voz forte que parecia a voz duma trombeta. 11Dizia assim: «Escreve num livro aquilo que vais ver, e manda-o às sete igrejas: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodiceia.» 12Voltei-me para ver quem é que me falava e, ao voltar-me, vi sete castiçais de ouro1,12 Sete castiçais. Representam as sete igrejas a quem o autor escreveu. Ver 1,20.. 13E no meio dos castiçais estava alguém semelhante ao Filho do Homem vestido até aos pés com uma túnica comprida e uma faixa dourada à volta do peito. 14A sua cabeça e os seus cabelos eram brancos como a lã ou como a neve e os seus olhos eram ardentes como o fogo. 15Os seus pés brilhavam como bronze fundido na fornalha e a sua voz era como o ruído das grandes cascatas1,15 Para os v. 13–15, ver Dn 7,13; 10,5; 7,9; 10,6.. 16Na sua mão direita tinha sete estrelas; da sua boca saía uma espada de dois gumes muito afiada e o seu rosto brilhava como o sol do meio-dia.

17Quando o vi, caí aos seus pés como morto. Mas ele pôs a sua mão direita em cima de mim e disse: «Não tenhas medo! Eu sou o primeiro e o último1,17 Para os v. 16–17, ver Is 49,2; Hb 4,12; Is 44,6; 48,12.. 18Eu sou aquele que está vivo! Estive morto, mas agora vivo para sempre. Eu tenho poder sobre a morte e sobre o mundo dos mortos. 19Escreve pois aquilo que viste, o que está a acontecer agora e o que vai acontecer mais tarde. 20O significado das sete estrelas que viste na minha mão direita e dos sete castiçais de ouro é o seguinte: as sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete castiçais são essas sete igrejas.»