a BÍBLIA para todos Edição Católica (BPTct)
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Revolta de Cheba contra David

201Encontrava-se lá um homem muito mau, chamado Cheba, filho de Bicri, da tribo de Benjamim. Ele tocou a trombeta e gritou:

«Nada temos a ver com David,

nada temos de comum com este filho de Jessé!

Ó israelitas, voltem para vossa casa!»

2Então os israelitas abandonaram David para seguirem Cheba, filho de Bicri. Só os judeus ficaram com o seu rei, para o acompanharem desde o Jordão até Jerusalém.

3Logo que David entrou no seu palácio, em Jerusalém, mandou chamar as dez concubinas que lá tinha deixado a tomar conta do palácio. Fechou-as no seu harém, provendo sempre à sua alimentação, sem nunca mais ter relações com elas. E assim ficaram enclausuradas, vivendo como viúvas até à morte.

Joab assassina Amassá

4Depois disto, o rei disse a Amassá: «Dou-te três dias para mobilizares o exército de Judá e para te apresentares aqui com ele.» 5Amassá foi cumprir esta ordem, mas demorou-se mais do que o prazo estabelecido pelo rei. 6Então David disse a Abisai: «Presentemente, Cheba é mais perigoso do que foi Absalão. Leva contigo a minha guarda pessoal e persegue-o, antes que ele se refugie nas cidades fortificadas e nos escape.» 7Com Abisai foram também os homens comandados por Joab, assim como os cretenses e os peleteus da guarda real e todos os soldados mais bem preparados. Deixaram Jerusalém e foram em perseguição de Cheba, filho de Bicri. 8Quando chegaram junto da grande pedra de Guibeon, Amassá juntou-se a eles. Joab trazia o seu equipamento militar, com um cinturão, do qual pendia uma espada embainhada. Quando Joab se aproximou de Amassá, a espada caiu-lhe. 9Joab perguntou a Amassá: «Como é que vais, meu irmão?» E com a mão direita agarrou a barba de Amassá como para o abraçar. 10Amassá, porém, não reparou na espada que Joab tinha na mão esquerda. E Joab espetou-lha na barriga. Os intestinos de Amassá espalharam-se por terra e morreu, sem que Joab precisasse de lhe dar um segundo golpe.

Fim da revolta de Cheba

Em seguida, Joab e o seu irmão Abisai, continuaram em perseguição de Cheba, filho de Bicri. 11Um dos soldados de Joab tinha ficado junto do corpo de Amassá e dizia: «Quem for partidário de Joab e de David, siga Joab!»

12Amassá continuava entretanto estendido no meio do caminho, coberto de sangue, e todos quantos passavam paravam para ver. Perante isto, o soldado puxou o cadáver para fora do caminho e cobriu-o com um pano. 13Uma vez retirado o cadáver do caminho, os soldados de Joab continuaram em perseguição de Cheba, filho de Bicri, seguindo atrás de Joab.

14Joab atravessou todas as tribos de Israel e chegou à cidade de Abel-Bet-Macá, e todos os beritas se reuniram para se unirem a ele20,14 Ou: Cheba atravessou todas as tribos de Israel, que o desprezaram, e foi até Abel-Bet-Macá, e todos os da sua terra o seguiram. Abel-Bet-Macá ficava a uns 40 km a norte do lago de Genesaré, uma das cidades mais setentrionais do território de Israel.. 15Cheba tinha-se refugiado nesta cidade e Joab e os seus soldados puseram-lhe cerco. Construíram uma rampa de terra até à altura da muralha e começaram a tentar destruir a muralha.

16Nisto ouviu-se a voz de uma mulher, que era tida por sábia: «Ouçam! Ouçam! Peçam a Joab que venha cá, porque tenho algo a dizer-lhe.» 17Joab foi ter com ela e ela perguntou-lhe: «És tu Joab?» «Sou» — respondeu ele. E ela acrescentou: «Ouve bem o que tenho para te dizer.» «Estou a ouvir» — respondeu-lhe ele. 18E a mulher continuou: «Antigamente, costumava dizer-se: “Proceda-se a uma consulta em Abel e a questão será resolvida!” 19A nossa cidade é uma das principais em Israel, e das mais pacíficas e fiéis. Por que queres destruir aquilo que pertence ao Senhor20Joab respondeu: «De modo algum! Não venho arruinar nem destruir coisa alguma. 21Apenas procuro um homem da região montanhosa de Efraim, chamado Cheba, filho de Bicri, que se revoltou contra o rei David. Se vocês mo entregarem, eu levantarei o cerco.» «Está bem» — disse a mulher, «nós vamos lançar a sua cabeça por cima do muro.»

22A mulher foi ter com o povo da cidade e convenceu-os com a sua esperteza. Cortaram a cabeça de Cheba e lançaram-na para Joab. Este mandou tocar a trombeta e os soldados levantaram o cerco, indo cada um para sua casa. E Joab voltou para junto do rei, em Jerusalém.

Lista dos funcionários de David

23Joab era o chefe militar das tropas de Israel. Benaías, filho de Joiadá, comandava os cretenses e os peleteus. 24O responsável pelos trabalhos obrigatórios era Adoniram; Josafat, filho de Ailud, era o cronista do rei; 25Cheva era o porta-voz; Sadoc e Abiatar eram os sacerdotes; 26Ira, descendente de Jair, também era sacerdote ao serviço de David20,26 Confrontar esta lista com 8,15–18 e 15,18..

21

Os guibeonitas e os descendentes de Saul

211Durante o reinado de David, houve uma fome que durou três anos. David consultou o Senhor, que lhe respondeu: «É por causa de Saul e dos sanguinários da sua família, por terem mandado executar os guibeonitas.» 2O rei mandou chamar então os guibeonitas para lhes falar. Eles não eram israelitas, mas sobreviventes dos amorreus, a quem os israelitas tinham prometido por juramento21,2 Este Juramento foi feito quando os israelitas entraram na Palestina. não aniquilar. Mas Saul, no seu zelo por Israel e Judá, procurou eliminá-los. 3David perguntou-lhes: «Que posso eu fazer por vós? Como poderei reparar o mal que vocês sofreram, para poderem abençoar o povo do Senhor4Os guibeonitas responderam: «A questão que temos com Saul e com a sua família não se resolve com prata e ouro. Nem queremos acabar com nenhum israelita.» David disse-lhes: «Tudo quanto desejarem, eu vo-lo concederei.» 5Os guibeonitas responderam-lhe: «Saul esmagou-nos e queria exterminar-nos, de modo a desaparecermos todos da terra de Israel. 6Agora pedimos que nos sejam entregues sete homens dos seus descendentes, para os enforcarmos em honra do Senhor, em Guibeá, a cidade de Saul, escolhido do Senhor.» «Eu vo-los entregarei» — respondeu David.

7O rei poupou Mefiboset, filho de Jónatas e neto de Saul, por causa do juramento feito entre ele e Jónatas, em nome do Senhor. 8Mandou que trouxessem os dois filhos que Rispa, filha de Aiá, dera a Saul, chamados Armoni e Mefiboset, e os cinco filhos que Mical21,8 Mical. Segundo 1 Sm 18,19, a esposa de Adriel chamava-se Merab., filha de Saul, tinha dado a Adriel, filho de Barzilai, que era de Meolá. 9Entregou-os aos guibeonitas, que os enforcaram num monte, diante do Senhor. E os sete foram mortos ao mesmo tempo. A execução teve lugar nos primeiros dias da colheita da cevada.

10Rispa, filha de Aiá, pegou numa manta e estendeu-a sobre o rochedo, e permaneceu ali desde o princípio da colheita da cevada até ao dia em que começou a chover sobre os cadáveres. Durante o dia, afastava as aves de rapina e durante a noite os animais selvagens.

11Foram dizer a David o que tinha feito Rispa, filha de Aiá e concubina de Saul. 12Então David foi recolher os ossos de Saul e do seu filho Jónatas, que eram posse dos senhores de Jabés, em Guilead. É que os filisteus, depois de terem vencido Saul em Guilboa, penduraram os corpos de Saul e Jónatas na praça de Bet-Chan, onde os habitantes de Jabés os foram roubar. 13Trouxe pois de Jabés os ossos de Saul e do seu filho Jónatas; mandou também recolher os ossos dos que tinham sido enforcados 14e foram colocados, juntamente com os de Saul e de Jónatas, no túmulo de Quis, pai de Saul, em Sela, no território de Benjamim. Fez-se tudo o que o rei ordenou e, depois disso, Deus mostrou-se favorável para com o país.

Combates contra os filisteus

15Rebentou novamente a guerra entre os filisteus e os israelitas. David e os seus soldados puseram-se em marcha para atacar os filisteus, mas David sentiu-se subitamente cansado. 16Então apresentou-se Jis-Benob, descendente de Harafá21,16 Ou: descendente dos gigantes refaítas.Tratar-se-ia do chefe tribal dos refaítas (Dt 2,11; 3,11; Js 12,4)., para matar David. Tinha uma armadura nova e a ponta da sua lança, que era de bronze, pesava mais de três quilos. 17Mas Abisai, filho de Seruia, foi socorrer David e matou o filisteu. Foi então que os soldados obrigaram o rei a prometer que não sairia mais com eles para os combates, para que a luz da realeza não se apagasse em Israel.

18Houve ainda, mais tarde, uma outra guerra contra os filisteus, em Gob. Foi então que Sibecai, natural de Hucha, matou Saf, um outro descendente de Harafá. 19Numa outra batalha contra os filisteus, também em Gob, Elanan, filho de Jaré-Oreguim, natural de Belém, matou Golias, de Gat, que tinha uma lança com um cabo como um cilindro de tear. 20Deu-se ainda outra batalha em Gat. Havia lá um perigoso gigante com seis dedos em cada mão e em cada pé, fazendo um total de vinte e quatro. Também ele era descendente de Harafá. 21Este gigante insultou os israelitas, mas foi morto por Jónatas, filho de Chamá e sobrinho de David.

22Estes quatro guerreiros filisteus, descendentes de Harafá, eram naturais de Gat e foram mortos por David e pelos seus soldados.

22

David agradece a Deus as suas vitórias

221David dirigiu ao Senhor este cântico, no dia em que este o livrou de cair nas mãos de Saul e de todos os seus inimigos. 2Disse David22,2 Este cântico é idêntico ao de Salmos 18.:

«O Senhor é a minha rocha, fortaleza e proteção.

3O meu Deus é o rochedo em que me refugio.

Ele é a força que me protege,

a força que me salva.

Ele é o meu asilo, o meu salvador,

que me liberta dos opressores.

4Que o Senhor seja louvado!

Eu chamei pelo Senhor

e fiquei livre dos meus inimigos.

5A morte cercou-me com as suas vagas;

como torrentes destruidoras encheram-me de medo;

6o poder da morte envolveu-me com os seus laços

e preparou-me armadilhas fatais.

7Na minha angústia invoco o Senhor,

peço ajuda ao meu Deus.

Do seu santuário ele escuta a minha voz,

o meu clamor chega aos seus ouvidos.

8Houve então um forte tremor de terra,

os céus estremeceram pela base,

foram sacudidos pela ira do Senhor.

9Saía fumo das suas narinas

e da sua boca, um fogo destruidor:

dele saíam como que carvões acesos.

10Ele rasgou os céus e desceu

com densas nuvens debaixo dos seus pés.

11Voa, montado num querubim,

aparece nas asas do vento.

12Envolveu-se num véu de escuridão

e cercou-se de nuvens, carregadas de água.

13Com o fulgor da sua presença

acendiam-se centelhas de fogo.

14Do céu, o Senhor fez ecoar o trovão,

o Altíssimo fez ouvir a sua voz.

15Arremessou flechas em todas as direções,

relâmpagos em todos os sentidos.

16O fundo do mar ficou descoberto

e as profundezas da terra ficaram à vista,

perante as ameaças do Senhor,

e o seu sopro impetuoso.

17Lá do alto estendeu a sua mão e agarrou-me,

o Senhor tirou-me das águas profundas.

18Livrou-me de um inimigo poderoso,

de adversários mais fortes do que eu.

19Atacaram-me, quando eu estava em aflição,

mas o Senhor deu-me o seu apoio.

20Levou-me para longe do perigo,

libertou-me, porque me quer bem.

21O Senhor recompensou-me pela minha retidão,

retribuiu-me pelo meu comportamento honesto,

22porque segui os caminhos do Senhor

e nunca reneguei o meu Deus.

23Sempre tive presentes todos os seus decretos

e nunca rejeitei as suas leis.

24Tenho sido sincero para com ele

e afastei-me dos maus caminhos.

25O Senhor recompensou-me pela minha retidão

e pelo meu comportamento honesto para com ele.

26Tu, Senhor, és fiel a quem te é fiel,

és irrepreensível com quem é irrepreensível para contigo.

27És reto com os que são retos

e astuto com os mal-intencionados.

28Tu salvas os que são humildes,

com o teu olhar humilhas os orgulhosos.

29Ó Senhor, tu és para mim uma luz!

Sim uma luz que alumia a minha escuridão.

30Com a tua ajuda atacarei os meus inimigos;

com a tua força saltarei muralhas.

31Os caminhos de Deus são perfeitos

e as promessas do Senhor são dignas de confiança.

Deus protege os que nele confiam.

32Pois não há outro deus, além do Senhor,

nem rochedo de proteção além do nosso Deus!

33É ele o Deus que me dá força

e torna perfeito o meu caminho.

34Ele dá aos meus pés a ligeireza do veado

e faz-me andar seguro nas montanhas.

35Ele exercita-me para a batalha

e põe nas minhas mãos um arco de bronze.

36Ó Senhor, tu dás-me o escudo da tua proteção,

e a tua bondade fez-me prosperar.

37Facilitaste o meu caminho

e os meus pés não vacilaram.

38Persegui os meus inimigos e derrotei-os;

não desisti sem os ter destruído.

39Destruí-os, fi-los em pedaços; já não se levantaram.

Caíram debaixo dos meus pés.

40Tu deste-me força para combater;

humilhaste diante de mim os meus adversários.

41Tu fazes com que eu vença os meus inimigos;

destruirei aqueles que me odeiam.

42Pedem socorro, mas ninguém lhes acode;

invocam o Senhor, mas ele não responde.

43Eu pisei-os como pó do chão,

calquei-os como lama das ruas.

44Livraste-me das contendas do meu povo

e fizeste-me governante de nações;

um povo desconhecido é meu vassalo.

45Os estrangeiros submetem-se a mim

e prontamente me obedecem.

46Eles perdem a coragem

e saem a tremer dos seus refúgios.

47Viva o Senhor! Bendito seja o meu protetor!

Louvado seja Deus, minha rocha de salvação!

48Ele é o Deus que me torna vitorioso,

que submete os povos ao meu poder

49e me livra dos meus inimigos.

Tu arrancas-me aos meus inimigos

e livras-me dos que são violentos.

50Por isso, te louvarei, Senhor, entre as nações

e cantarei hinos ao teu nome.

51Deus concede grandes vitórias ao seu rei

e mostra constante amor ao seu ungido,

a David e aos seus descendentes para sempre.»