a BÍBLIA para todos Edição Católica (BPTct)
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Mais perseguições

121Nesse tempo, o rei Herodes12,1 Herodes. Herodes Agripa I, que reinou em toda a Judeia a partir do ano 41 d.C. começou a perseguir algumas pessoas da igreja. 2Mandou cortar a cabeça a Tiago, irmão de João. 3E como viu que isso agradava aos judeus, mandou também prender Pedro. Isso aconteceu na semana antes da Páscoa. 4Depois de prender Pedro, Herodes mandou-o meter na cadeia, guardado por quatro grupos de soldados, com quatro em cada grupo. Herodes queria apresentá-lo diante do povo depois da Páscoa. 5Enquanto Pedro estava guardado na prisão, os crentes oravam por ele a Deus continuamente.

Pedro é libertado

6Na noite antes do dia em que Herodes o ia apresentar diante do povo, estava Pedro a dormir entre dois soldados. Estava preso com duas correntes e havia sentinelas a guardar a porta da cadeia. 7De repente, apareceu um anjo do Senhor e a prisão encheu-se de luz. O anjo tocou no ombro de Pedro e acordou-o: «Levanta-te depressa!» Nisto, as correntes caíram das mãos de Pedro 8e o anjo disse-lhe: «Veste-te e calça as sandálias.» Pedro assim fez e o anjo disse ainda: «Põe a capa aos ombros e vem comigo.» 9Pedro seguia o anjo sem saber que era verdade o que estava a acontecer. Pensava que era uma visão. 10Eles passaram o primeiro e o segundo posto da guarda e chegaram ao portão de ferro que dava para a rua. O portão abriu-se por si e eles saíram. Caminharam por uma rua, o anjo desapareceu de repente e Pedro ficou só. 11Foi então que Pedro caiu em si: «Agora é que vejo que isto é verdade! O Senhor mandou o seu anjo e livrou-me do poder de Herodes e de tudo o que os judeus me queriam fazer.»

12Pensando nisto, Pedro foi a casa de Maria, a mãe de João, também chamado Marcos. Estavam lá reunidas muitas pessoas a orar. 13Pedro bateu à porta da frente e a empregada, que se chamava Rosa, foi ver quem era. 14Quando reconheceu a voz de Pedro, ficou tão contente que em vez de abrir a porta correu para dentro e disse que Pedro estava à porta. 15Eles disseram-lhe: «Estás louca!» Mas ela afirmava que era verdade. Então eles replicaram: «Não é ele; é o seu anjo.» 16Entretanto, Pedro continuava a bater à porta. Quando finalmente a abriram e viram Pedro, ficaram assustados. 17Mas ele fez-lhes sinal com a mão para que se calassem e contou-lhes como o Senhor o tinha tirado da prisão. Depois disse-lhes: «Contem isto a Tiago12,17 Tiago. O irmão do Senhor. Ver Gl 1,19. e aos outros irmãos.» Saiu então dali e foi para outro lugar.

18Quando amanheceu, houve grande confusão entre os soldados, porque não sabiam o que tinha acontecido a Pedro. 19Herodes mandou-o buscar e não o encontraram. Por isso, pediu contas aos guardas e mandou-os matar.

Depois disto, Herodes saiu da Judeia e ficou algum tempo na cidade de Cesareia.

Morte de Herodes

20Herodes andava muito irritado com os habitantes das cidades de Tiro e Sídon. Eles então juntaram-se e foram ter com ele. Conseguiram primeiro o apoio de Blasto, alto funcionário do palácio do rei. Seguidamente, foram falar com Herodes e pediram-lhe que fizesse as pazes com eles, porque a terra deles recebia alimentos do país do rei Herodes. 21Ele marcou um dia para falar ao povo e nessa ocasião vestiu o traje de cerimónia, sentou-se no trono e fez um discurso. 22Então o povo começou a gritar: «Isto é a voz de Deus e não dum homem!» 23Nesse mesmo instante, um anjo do Senhor feriu Herodes12,23 A morte de Herodes Agripa aconteceu no ano 44 d.C. por ele ter usurpado a glória de Deus. Herodes morreu comido por vermes.

24Entretanto, a palavra de Deus ia-se espalhando, sendo pregada por toda a parte. 25Quando Barnabé e Saulo terminaram o seu trabalho em Jerusalém, voltaram levando com eles João Marcos12,25 João Marcos. Já referido em 12,12, voltará a ser referido em 13,5.13; 15,37–39. Era primo de Barnabé (Cl 4,10). Esteve junto de Paulo durante o seu primeiro cativeiro romano (Cl 4,10; Fm v. 24) e Paulo solicitou os seus serviços pouco antes de morrer (2 Tm 4,11). Foi também discípulo de Pedro (1 Pe 5,13). A tradição atribui-lhe a autoria do segundo evangelho..

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Novo trabalho para Barnabé e Saulo

131Na igreja de Antioquia havia profetas e mestres. Eram Barnabé, Simeão (a quem chamavam «Negro»), Lúcio (de Cirene), Manaene (companheiro de infância de Herodes) e Saulo. 2Um dia, quando eles estavam a adorar a Deus e a jejuar, o Espírito Santo disse: «Separem-me Barnabé e Saulo para que eles vão e cumpram a missão para que os escolhi.»

3Eles então depois de jejuarem e orarem, impuseram as mãos sobre Barnabé e Saulo e enviaram-nos.

Em Chipre

4Barnabé e Saulo, enviados pelo Espírito Santo, foram até à cidade de Selêucia e dali embarcaram para a ilha de Chipre. 5Quando chegaram a Salamina, começaram a pregar a palavra de Deus nas sinagogas dos judeus. João Marcos tinha ido com eles para os ajudar. 6Atravessaram toda a ilha até à cidade de Pafos. Aí encontraram um judeu chamado Barjesus, e em grego Elimas, que praticava artes mágicas e que se fazia passar por profeta. 7Era amigo do governador da ilha, Sérgio Paulo, homem sensato. O governador mandou chamar Barnabé e Saulo, pois queria ouvir a palavra de Deus. 8Mas o mágico opôs-se aos apóstolos e tentava impedir que o governador aceitasse a fé cristã. 9Então Saulo, também conhecido por Paulo13,9 Ver 7,58 e nota., cheio do Espírito Santo, olhou bem de frente para Elimas 10e disse-lhe: «Filho do Diabo, inimigo de todo o bem! Tu estás cheio de engano e de maldade. Quando é que deixarás de perverter os retos caminhos do Senhor? 11Pois agora o Senhor vai castigar-te. Ficarás cego e por algum tempo não poderás ver a luz do Sol.» No mesmo instante, Elimas sentiu uma escuridão completa cobrir-lhe os olhos, e começou a dar voltas procurando quem o levasse pela mão. 12Quando o governador viu isto, acreditou e ficou muito admirado com a doutrina do Senhor.

Em Antioquia da Pisídia

13Paulo e os seus companheiros embarcaram em Pafos e viajaram até Perga, na região da Panfília. Porém, João Marcos deixou-os e voltou para Jerusalém. 14Eles continuaram a viagem, indo da cidade de Perga até Antioquia, na região de Pisídia. No sábado, entraram na sinagoga e sentaram-se. 15Depois da leitura da Lei de Moisés e dos livros dos profetas, os chefes da sinagoga mandaram-lhes dizer: «Irmãos, se têm alguma palavra de edificação para o povo, falem.»

16Então Paulo levantou-se, fez sinal com a mão a pedir silêncio, e disse: «Homens de Israel e aqueles que temem a Deus! Escutem o que tenho para vos dizer: 17O Deus de Israel escolheu os nossos antepassados e fez deles um grande povo, quando viviam como estrangeiros no Egito. Tirou-os de lá com o seu poder 18e, por terras desertas, suportou aquele povo durante quase quarenta anos. 19Destruiu sete nações no país de Canaã e deu essas terras como herança ao seu povo 20durante cerca de quatrocentos e cinquenta anos. Depois deu juízes para o governarem, até ao tempo do profeta Samuel. 21Então o povo pediu um rei e Deus deu-lhes Saul, filho de Quis, da tribo de Benjamim, que reinou quarenta anos. 22Em seguida, tirou Saul do poder e deu o reino a David. Foi a respeito deste que Deus disse: “Encontrei David, filho de Jessé. Ele é pessoa do meu agrado, que irá fazer sempre a minha vontade.” 23Um dos descendentes de David foi Jesus, a quem Deus pôs como Salvador de Israel, conforme tinha prometido. 24Antes de Jesus, veio João Batista com a sua mensagem para todo o povo de Israel, dizendo que se arrependessem e fossem batizados. 25Mas quando João estava a chegar ao fim da sua missão, disse ao povo: “Quem julgam que eu sou? Eu não sou aquele que esperam. Mas a seguir a mim, há de vir alguém de quem eu nem sequer mereço a honra de o ajudar a descalçar as sandálias.”»

26Paulo continuou: «Meus irmãos, descendentes de Abraão e aqueles que temem a Deus, sem serem judeus, quero dizer-vos que esta mensagem de salvação se destina a todos nós! 27O povo de Jerusalém e os seus chefes não sabiam quem era Jesus e, ao condenarem-no, estavam a cumprir as palavras dos profetas que se leem todos os sábados. 28Ainda que não encontrassem nenhuma razão para o condenar à morte, pediram a Pilatos que o mandasse matar. 29E depois de terem feito tudo o que a Sagrada Escritura diz a respeito dele, tiraram-no do madeiro e puseram-no num sepulcro. 30Mas Deus ressuscitou-o 31e durante muitos dias ele apareceu aos que o tinham acompanhado na sua viagem da Galileia a Jerusalém. Agora são eles as suas testemunhas diante do povo de Israel. 32E nós estamos aqui para vos anunciar o cumprimento da promessa que Deus fez aos nossos antepassados. 33Deus cumpriu-a presentemente connosco, que somos descendentes deles, ao ressuscitar Jesus como está escrito no Salmo segundo:

Tu és meu filho.

Hoje sou teu pai13,33 Ver Sl 2,7..

34Que o ressuscitou, de modo que Jesus nunca mais morreria, é o que Deus declarou por estas palavras: “Cumprirei em vosso favor as santas e verdadeiras promessas feitas a David.” 35Por isso, ele diz também noutro Salmo:

Tu não permitirás que o teu Santo se decomponha no sepulcro13,35 Ver Sl 16,10.

36Paulo continuou: «Na verdade, David serviu no seu tempo de vida os planos de Deus. Depois morreu. O seu corpo foi enterrado ao lado dos seus antepassados e destruído pela morte. 37Mas o corpo daquele que Deus ressuscitou não foi destruído pela morte. 38Meus irmãos, é preciso pois que saibam que é por meio de Jesus que a mensagem do perdão dos pecados vos é agora anunciada. 39Por meio dele, todos os que creem recebem a justificação que não podiam receber pela Lei de Moisés. 40Tenham pois cuidado para que não vos aconteça o que escreveram os profetas, quando disseram:

41Escutem, todos os que fazem pouco destas coisas;

pasmem de espanto e desapareçam;

porque estou a fazer, diante de vós,

coisas tão grandes, que nem acreditarão

mesmo que alguém vo-las explique13,41 Ver Hc 1,5 segundo a antiga tradução grega.

42Quando Paulo e Barnabé saíram da sinagoga, pediram-lhes para voltarem no sábado seguinte e falarem sobre o mesmo assunto. 43Depois de acabar a reunião, muitos dos judeus e dos convertidos ao Judaísmo acompanharam Paulo e Barnabé, que os aconselhavam a andarem firmes na graça de Deus.

44No sábado seguinte, quase toda a população da cidade foi ouvir a palavra do Senhor. 45Quando os judeus viram tanta gente, ficaram cheios de inveja e começaram a contradizer Paulo e a insultá-lo. 46Mas Paulo e Barnabé disseram-lhes com toda a coragem: «Era necessário anunciar-vos a palavra de Deus, a vós em primeiro lugar. Mas, uma vez que a rejeitam e não se acham merecedores da vida eterna, então vamos virar-nos para os que não são judeus. 47Esta é a ordem que o Senhor nos deu:

Coloquei-te como uma luz para os pagãos,

para que leves a salvação ao mundo inteiro13,47 Ver Is 49,6.

48Ao ouvirem isto, os não-judeus ficaram muito contentes e começaram a glorificar a palavra do Senhor. E todos os que Deus escolheu para a vida eterna creram na sua palavra. 49Assim se espalhou a mensagem do Senhor por toda aquela região. 50Mas os judeus falaram com algumas mulheres mais religiosas e respeitadas, e com os homens importantes da cidade, e convenceram-nos a perseguir Paulo e Barnabé, até os expulsar da região. 51Então os apóstolos sacudiram a poeira dos seus pés, em sinal de protesto contra eles, e foram para a cidade de Icónio. 52Entretanto, os discípulos em Antioquia ficaram cheios de alegria e do Espírito Santo.

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Em Icónio

141Na cidade de Icónio, Paulo e Barnabé entraram na sinagoga e falaram de tal maneira que muitos dos judeus e dos que não eram judeus creram no Senhor. 2Mas os judeus que não acreditaram fizeram com que os não-judeus se voltassem contra os irmãos. 3Paulo e Barnabé ficaram muito tempo em Icónio e falavam corajosamente a respeito do Senhor. E o Senhor confirmava o que eles diziam sobre a graça de Deus, dando-lhes poder para fazerem sinais milagrosos e prodígios. 4O povo da cidade estava dividido. Uns eram a favor dos judeus e outros a favor dos apóstolos. 5Então judeus e não-judeus, juntamente com os seus chefes, resolveram maltratar e apedrejar os apóstolos. 6Quando Paulo e Barnabé se aperceberam disso, refugiaram-se em Listra e Derbe, cidades da região de Licaónia, e nos seus arredores. 7Ali pregavam a boa nova.

Em Listra e Derbe

8Havia em Listra um homem que estava sempre sentado, porque era coxo de nascença, e nunca tinha andado. 9Este homem estava a ouvir as palavras de Paulo. Então Paulo olhou bem para ele, viu que tinha fé para ser curado, 10e disse em voz alta: «Levanta-te e põe-te direito sobre os teus pés!» De um salto o homem começou a andar. 11Ao ver o que Paulo tinha feito, o povo pôs-se a gritar, na língua de Licaónia: «São deuses em forma de homem, que nos vieram visitar!» 12Diziam que Barnabé era o deus Zeus e Paulo o deus Hermes14,12 Zeus. Júpiter para os romanos, era o pai dos deuses. Hermes. Mercúrio para os romanos, era o mensageiro dos deuses., porque era Paulo quem falava. 13O templo de Zeus era em frente da cidade. Por isso, o sacerdote desse deus trouxe bois e grinaldas de flores para a porta da cidade. Queriam adorá-los com um sacrifício de animais. 14Mas quando os apóstolos souberam disto, rasgaram as suas roupas, em sinal de indignação, correram para o meio da multidão e gritaram: 15«Amigos! O que é que estão a fazer? Nós somos apenas homens, gente como vós! Estamos aqui para vos anunciar o evangelho, a fim de que deixem essas coisas que não servem para nada e se voltem para o Deus vivo, que fez o céu, a terra, o mar e tudo o que neles existe. 16Noutro tempo, Deus deixou que todos os povos vivessem cada um à sua maneira, 17embora sempre lhes mostrasse quem ele é por meio do bem que lhes fazia. É ele quem manda as chuvas e as colheitas no tempo próprio, e vos dá aquilo de que precisam para comer e para se alegrarem.»

18Mesmo depois de dizerem isto, tiveram dificuldade em impedir que o povo sacrificasse os animais em sua honra.

19Entretanto, chegaram alguns judeus de Antioquia e de Icónio que convenceram a multidão. Apedrejaram Paulo e arrastaram-no para fora da cidade, pensando que já estava morto. 20Mas quando os discípulos se juntaram à sua volta, ele levantou-se e entrou outra vez na cidade. No dia seguinte, Paulo foi com Barnabé para Derbe.

Regresso a Antioquia da Síria

21Pregaram o evangelho na cidade de Derbe e conseguiram fazer lá muitos discípulos. Depois voltaram para Listra, Icónio e Antioquia da Pisídia, 22onde animavam os crentes e lhes recomendavam que continuassem firmes na fé, ensinando-lhes que era preciso passar muitos sofrimentos até entrar no reino de Deus. 23Também elegeram presbíteros em cada igreja. Depois de orarem e jejuarem, pediram para eles a proteção do Senhor, em quem tinham posto a sua fé.

24Mais tarde atravessaram a região da Pisídia e chegaram à Panfília. 25Pregaram a mensagem de Deus na cidade de Perga e foram para o porto de Atália. 26Dali embarcaram para Antioquia da Síria, cidade onde tinham sido confiados à graça de Deus, para a obra que agora tinham terminado. 27Quando lá chegaram, reuniram os membros da igreja e contaram tudo o que Deus tinha feito por meio deles e como ele abriu aos pagãos as portas da fé. 28E ficaram ali muito tempo com os irmãos.