a BÍBLIA para todos Edição Católica (BPTct)
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Cura de um aleijado

31Uma vez, Pedro e João iam para o templo para a oração das três horas da tarde. 2Era ali levado todos os dias um homem, coxo de nascença, e colocado à porta do templo chamada «Formosa», para pedir esmola aos que por ali entravam. 3Quando ele viu Pedro e João a entrarem, pediu uma esmola. 4Eles fixaram os olhos nele, e Pedro disse: «Olha para nós!» 5O homem olhou para eles pensando que ia receber alguma coisa. 6Então Pedro disse-lhe: «Não tenho prata nem ouro, mas vou dar-te aquilo que tenho. Em nome de Jesus Cristo de Nazaré, eu te digo: levanta-te e anda!» 7Pedro depois pegou na mão direita do homem e ajudou-o a levantar-se. Nesse mesmo instante, os pés e os artelhos ficaram fortes 8e ele pôs-se de pé num salto e começou a andar. Entrou com eles no templo, caminhando, saltando e agradecendo a Deus. 9Toda a gente o viu a andar e a louvar a Deus. 10Reconheceram que era o mesmo que costumava estar sentado a pedir esmola à porta «Formosa» do templo e ficaram admirados e espantados com o que lhe tinha acontecido.

Discurso de Pedro no templo

11O homem que tinha sido curado não largava Pedro e João. E toda a gente, cheia de espanto, correu para onde eles estavam, na parte do templo chamada Pórtico de Salomão. 12Quando Pedro viu aquilo, falou assim ao povo: «Israelitas, por que estão assim tão admirados e por que olham para nós dessa maneira? Julgam que foi pelo nosso próprio poder ou pela nossa piedade que fizemos andar este homem? 13O Deus de Abraão, de Isaac e de Jacob, Deus dos nossos antepassados, quis assim glorificar o seu servo Jesus, aquele que vocês entregaram às autoridades. E quando Pilatos o quis soltar recusaram. 14Recusaram aquele que era o santo, o justo, e pediram a liberdade para um criminoso. 15Desse modo, mataram quem dá a vida. Mas Deus ressuscitou-o, e nós somos testemunhas disso. 16Foi a fé no poder de Jesus que deu forças a este homem que aqui veem e bem conhecem. Essa fé em Jesus curou-o completamente, como todos estão a ver. 17Eu sei, irmãos, que tanto vocês como os vossos chefes o fizeram por ignorância. 18Mas cumpriu-se desse modo aquilo que Deus já antes tinha dito pela boca de todos os profetas: que o seu Messias tinha de sofrer. 19Portanto, arrependam-se e mudem de vida, para que Deus vos perdoe os pecados. 20Desse modo, o Senhor vos dará dias de paz e vos enviará Jesus, o Messias, conforme tinha planeado a pensar em vós. 21Jesus, por agora, terá de ficar no Céu, até que chegue o tempo de renovar todas as coisas, conforme Deus mandou dizer há muito tempo pelos seus santos profetas. 22Com efeito, Moisés disse: O Senhor Deus há de fazer aparecer de entre vós um profeta semelhante a mim. Hão de prestar atenção a tudo o que ele vos disser. 23Quem não der ouvidos a esse profeta será excluído do povo de Israel3,23 Ver Dt 18,15.18–19..

24E também todos os profetas, desde Samuel em diante, anunciaram o que se ia passar nos tempos de hoje. 25As promessas que Deus fez por intermédio dos profetas são para vosso benefício e assim participam da aliança que Deus fez com os vossos antepassados, quando disse a Abraão: Todos os povos do mundo serão abençoados por meio da tua descendência3,25 Ver Gn 22,18; Gl 3,8..

26Deus, depois de ressuscitar o seu Servo, enviou-o primeiramente a vós para vos abençoar e afastar do mal que fazem.»

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Pedro e João no tribunal

41Pedro e João estavam ainda a falar ao povo, quando chegaram os sacerdotes, o oficial dos guardas do templo e os saduceus. 2Ficaram irritados porque os apóstolos estavam a ensinar ao povo que pela união com Jesus, também os mortos ressuscitavam. 3Levaram-nos presos e meteram-nos na cadeia até ao outro dia, porque já era muito tarde. 4Porém, muitos dos que ouviram a palavra creram e o número de crentes já ia em quase cinco mil, contando apenas os homens.

5No outro dia, os chefes dos judeus, os anciãos e os doutores da lei reuniram-se4,5 Reunião do Supremo Tribunal de Israel. em Jerusalém 6com Anás, sumo sacerdote, e Caifás, João, Alexandre e todos os que eram das famílias dos chefes dos sacerdotes. 7Mandaram trazer Pedro e João à sua presença e perguntaram-lhes: «Com que poder ou em nome de quem é que fizeram isso?» 8Então Pedro, cheio do Espírito Santo, respondeu-lhes: «Chefes do povo e anciãos! 9Já que nos perguntam acerca do bem que fizemos a um homem aleijado e da maneira como foi curado, 10fiquem a saber, assim como todo o povo de Israel, que foi pelo poder de Jesus Cristo de Nazaré, o mesmo que vocês crucificaram, mas que Deus ressuscitou. 11Este Jesus, como diz a Sagrada Escritura, é a pedra que vocês, os construtores, rejeitaram, mas que veio a tornar-se a pedra principal4,11 Ver Sl 118,22.. 12E não há salvação em nenhum outro, pois em todo o mundo não há mais ninguém, dado por Deus à Humanidade, que nos possa salvar4,12 Em hebraico Jesus significa Deus salva ou o Senhor salva.

13Os membros do tribunal judaico ficaram admirados com a ousadia de Pedro e de João, pois sabiam que eram homens do povo, sem estudos, e reconheceram que tinham sido companheiros de Jesus. 14Entretanto, não puderam dizer nada contra Pedro e João, por verem de pé junto deles o homem que tinha sido curado. 15Mandaram-nos então sair da sala do tribunal e procuravam esclarecer o assunto uns com os outros. 16«Que havemos de fazer a estes homens? Qualquer habitante de Jerusalém sabe que este grande sinal milagroso foi feito por eles e nós não o podemos negar! 17Para evitarmos que a notícia se espalhe ainda mais entre o povo, vamos ameaçá-los para que daqui em diante nunca mais falem com ninguém a respeito de Jesus.»

18Mandaram-nos chamar e proibiram-nos terminantemente de falar ou ensinar acerca de Jesus. 19Mas Pedro e João responderam: «Pensem bem se é justo diante de Deus obedecer-vos, em vez de obedecer a Deus. 20Não podemos deixar de falar daquilo que vimos e ouvimos.» 21Então as autoridades ameaçaram-nos outra vez e mandaram-nos embora. Não encontraram maneira de os castigar, porque toda a gente dava glória a Deus pelo que tinha acontecido. 22Até porque o homem que tinha sido curado por este milagre tinha mais de quarenta anos de idade.

Oração dos crentes

23Quando Pedro e João foram postos em liberdade, voltaram para junto dos companheiros e contaram-lhes tudo o que os chefes dos sacerdotes e os anciãos lhes tinham dito. 24Depois de os terem ouvido, oraram todos juntos a Deus e disseram: «Senhor, tu és o Criador do Céu, da Terra, do mar e de tudo o que neles existe. 25Tu disseste, por meio do Espírito Santo, pela boca do nosso antepassado David, teu servo:

Por que é que as nações ficaram agitadas,

e os povos fizeram projetos insensatos?

26Os reis da Terra prepararam-se

e os governantes dos povos conspiraram

contra o Senhor e contra o seu Messias4,26 Messias. No grego é traduzido por Cristo e significa Ungido. Ver Sl 2,1–2..

27Na verdade, Herodes e Pôncio Pilatos aliaram-se, aqui nesta cidade, com gente de outras nações e com israelitas, contra o teu santo servo Jesus, o teu Messias. 28Desta maneira realizaram tudo aquilo que tu, pelo teu poder e sabedoria4,28 Literalmente: a tua mão e o teu conselho., já tinhas decidido que ia acontecer. 29Agora, Senhor, repara nas ameaças deles e dá confiança aos teus servos para pregarem a tua mensagem com toda a ousadia, 30para mostrarem o teu poder na cura de doentes e fazerem sinais milagrosos e maravilhas, pelo nome do teu santo servo Jesus.»

31Mal acabaram de orar, tremeu o lugar onde estavam reunidos. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a pregar a mensagem de Deus com ousadia.

Comunhão de bens

32Os crentes viviam perfeitamente unidos: eram como um só coração e uma só alma. Nenhum deles dizia que os seus bens eram apenas seus, mas punham tudo em comum. 33Os apóstolos falavam com grande autoridade acerca da ressurreição do Senhor Jesus e eram grandemente abençoados. 34Nenhum dos crentes passava necessidade, porque os que tinham campos ou casas vendiam tudo e entregavam aos apóstolos o dinheiro da venda, 35para eles repartirem por cada um conforme as suas necessidades. 36Havia entre eles um levita, nascido na ilha de Chipre. Os apóstolos chamavam-lhe Barnabé, palavra que na língua deles quer dizer «o que dá coragem». 37Este vendeu uma propriedade que possuía e entregou o dinheiro aos apóstolos.

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Ananias e Safira

51Ora um certo homem chamado Ananias e sua mulher, Safira, venderam também uma propriedade. 2Ele ficou com uma parte do dinheiro e entregou a outra aos apóstolos. Safira concordou. 3Então Pedro perguntou a Ananias: «Por que é que te deixaste tentar por Satanás e mentiste ao Espírito Santo, ao guardares para ti uma parte do dinheiro que recebeste pela venda da propriedade? 4Se não vendesses a propriedade ela continuava a ser tua! E depois de a venderes o dinheiro também era teu. Por que foi então que resolveste fazer isso? Fica sabendo que não mentiste aos homens, mas sim a Deus!»

5Quando Ananias ouviu aquelas palavras caiu morto. E todos os que souberam do caso ficaram muito assustados. 6Então os mais novos amortalharam o corpo, levaram-no dali para fora e foram enterrá-lo.

7Umas três horas depois, apareceu a mulher de Ananias, sem saber o que tinha acontecido. 8Pedro perguntou-lhe: «Diz-me cá! Foi por este preço que tu e o teu marido venderam o terreno?» Ela respondeu que sim. 9E Pedro disse: «Por que é que resolveram enganar o Espírito do Senhor? Estão aí a chegar os jovens que acabaram de enterrar o teu marido e vão agora levar-te a ti também.» 10Nesse mesmo instante, ela caiu morta aos pés de Pedro. Ao entrarem, os jovens viram-na já morta e foram enterrá-la ao lado do marido. 11Toda a igreja e os outros que ouviram falar disto ficaram muito impressionados.

Milagres dos apóstolos

12Os apóstolos faziam muitos sinais milagrosos e maravilhas entre o povo. Os crentes, muito unidos, costumavam reunir-se no Pórtico de Salomão; 13ninguém que não fosse crente se atrevia a juntar-se a eles, mas toda a gente dizia bem deles. 14E o número de homens e mulheres que se tornavam crentes no Senhor era cada vez maior. 15Por tudo isso, o povo trazia os doentes para as ruas em camas e enxergas, para que quando Pedro passasse, ao menos a sua sombra tocasse alguns deles. 16Vinham multidões das cidades vizinhas a Jerusalém, e traziam doentes e atormentados por espíritos malignos. Todos eram curados.

Os apóstolos são perseguidos

17Então o chefe dos sacerdotes e os seus companheiros, que eram do partido dos saduceus, num gesto de fanatismo, 18apanharam os apóstolos e mandaram metê-los na cadeia. 19Mas de noite, um anjo do Senhor abriu as portas da prisão, levou os apóstolos para fora e disse: 20«Vão ao templo e transmitam ao povo a palavra da vida.» 21Os apóstolos obedeceram, foram de manhãzinha ao templo e puseram-se a ensinar.

Entretanto, o sumo sacerdote e os companheiros convocaram os membros do tribunal judaico e todos os anciãos representantes do povo para uma reunião, e mandaram buscar os apóstolos à cadeia. 22Mas quando os soldados lá chegaram não os encontraram. Foram então dizer aos do tribunal: 23«Encontrámos as portas da cadeia fechadas com toda a segurança e os guardas a tomar conta, mas quando as abrimos não estava ninguém lá dentro.»

24Quando o oficial da guarda do templo e os chefes dos sacerdotes ouviram aquilo, ficaram sem saber o que teria acontecido aos apóstolos e o que seria tudo aquilo. 25Nisto, chegou alguém que disse: «Olhem que os homens que meteram na cadeia estão no templo a ensinar o povo!» 26Então o oficial da guarda foi com os seus soldados buscar os apóstolos. Mas levaram-nos com todos os cuidados, porque tinham medo de ser apedrejados pelo povo. 27Apresentaram-nos ao tribunal e o sumo sacerdote perguntou-lhes: 28«Então nós não vos tínhamos proibido de falarem no nome desse homem? Afinal têm enchido Jerusalém dessa doutrina e ainda por cima querem fazer recair sobre nós a culpa da sua morte!» 29Então Pedro e os outros apóstolos responderam: «É mais importante obedecer a Deus do que aos homens. 30O Deus dos nossos antepassados ressuscitou Jesus, que vocês mataram pregando-o num madeiro. 31Mas Deus deu-lhe o lugar de honra como Chefe e Salvador, para dar ao povo de Israel a oportunidade de se arrepender dos seus pecados e de ser perdoado. 32Nós somos testemunhas de tudo isso — nós e o Espírito Santo, que Deus dá aos que lhe obedecem.»

33Quando os membros do tribunal ouviram isto, ficaram tão furiosos que resolveram mandá-los matar. 34Mas um deles, um fariseu chamado Gamaliel5,34 Gamaliel. Um dos mais célebres mestres judaicos. Fazia parte do Conselho Superior e foi mestre de Paulo., doutor da lei e pessoa muito respeitada por todo o povo, levantou-se, mandou levar os apóstolos para fora da sala por uns momentos, 35e disse ao tribunal: «Israelitas, tenham cuidado com o que pensam fazer a estes homens! 36Há tempos apareceu um certo Teudas que se dizia pessoa muito importante e com isso conseguiu que uns quatrocentos homens se juntassem a ele. Por fim ele foi morto, os que andavam com ele espalharam-se e ficou tudo em nada. 37Mais tarde apareceu Judas, o Galileu, na altura do recenseamento. Também conseguiu arrastar consigo muita gente, mas foi morto e os que andavam com ele desapareceram. 38Agora neste caso, sou de opinião que não façam nada contra estes homens. Mandem-nos embora, porque se este plano e este movimento são apenas ideias de homens acabam por falhar; 39mas se vêm de Deus não conseguirão destruí-los e correm o risco de estar a lutar contra Deus!»

Eles aceitaram a opinião de Gamaliel. 40Chamaram os apóstolos, mandaram castigá-los e deram-lhes ordens para não falarem mais no nome de Jesus. Depois soltaram-nos. 41Os apóstolos saíram do tribunal muito contentes por Deus os ter achado dignos de sofrerem por causa de Jesus. 42E não se cansavam de ensinar todos os dias no templo, e de casa em casa, e de pregar a boa nova de que Jesus é o Messias.