a BÍBLIA para todos Edição Católica (BPTct)
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Pedro e João no tribunal

41Pedro e João estavam ainda a falar ao povo, quando chegaram os sacerdotes, o oficial dos guardas do templo e os saduceus. 2Ficaram irritados porque os apóstolos estavam a ensinar ao povo que pela união com Jesus, também os mortos ressuscitavam. 3Levaram-nos presos e meteram-nos na cadeia até ao outro dia, porque já era muito tarde. 4Porém, muitos dos que ouviram a palavra creram e o número de crentes já ia em quase cinco mil, contando apenas os homens.

5No outro dia, os chefes dos judeus, os anciãos e os doutores da lei reuniram-se4,5 Reunião do Supremo Tribunal de Israel. em Jerusalém 6com Anás, sumo sacerdote, e Caifás, João, Alexandre e todos os que eram das famílias dos chefes dos sacerdotes. 7Mandaram trazer Pedro e João à sua presença e perguntaram-lhes: «Com que poder ou em nome de quem é que fizeram isso?» 8Então Pedro, cheio do Espírito Santo, respondeu-lhes: «Chefes do povo e anciãos! 9Já que nos perguntam acerca do bem que fizemos a um homem aleijado e da maneira como foi curado, 10fiquem a saber, assim como todo o povo de Israel, que foi pelo poder de Jesus Cristo de Nazaré, o mesmo que vocês crucificaram, mas que Deus ressuscitou. 11Este Jesus, como diz a Sagrada Escritura, é a pedra que vocês, os construtores, rejeitaram, mas que veio a tornar-se a pedra principal4,11 Ver Sl 118,22.. 12E não há salvação em nenhum outro, pois em todo o mundo não há mais ninguém, dado por Deus à Humanidade, que nos possa salvar4,12 Em hebraico Jesus significa Deus salva ou o Senhor salva.

13Os membros do tribunal judaico ficaram admirados com a ousadia de Pedro e de João, pois sabiam que eram homens do povo, sem estudos, e reconheceram que tinham sido companheiros de Jesus. 14Entretanto, não puderam dizer nada contra Pedro e João, por verem de pé junto deles o homem que tinha sido curado. 15Mandaram-nos então sair da sala do tribunal e procuravam esclarecer o assunto uns com os outros. 16«Que havemos de fazer a estes homens? Qualquer habitante de Jerusalém sabe que este grande sinal milagroso foi feito por eles e nós não o podemos negar! 17Para evitarmos que a notícia se espalhe ainda mais entre o povo, vamos ameaçá-los para que daqui em diante nunca mais falem com ninguém a respeito de Jesus.»

18Mandaram-nos chamar e proibiram-nos terminantemente de falar ou ensinar acerca de Jesus. 19Mas Pedro e João responderam: «Pensem bem se é justo diante de Deus obedecer-vos, em vez de obedecer a Deus. 20Não podemos deixar de falar daquilo que vimos e ouvimos.» 21Então as autoridades ameaçaram-nos outra vez e mandaram-nos embora. Não encontraram maneira de os castigar, porque toda a gente dava glória a Deus pelo que tinha acontecido. 22Até porque o homem que tinha sido curado por este milagre tinha mais de quarenta anos de idade.

Oração dos crentes

23Quando Pedro e João foram postos em liberdade, voltaram para junto dos companheiros e contaram-lhes tudo o que os chefes dos sacerdotes e os anciãos lhes tinham dito. 24Depois de os terem ouvido, oraram todos juntos a Deus e disseram: «Senhor, tu és o Criador do Céu, da Terra, do mar e de tudo o que neles existe. 25Tu disseste, por meio do Espírito Santo, pela boca do nosso antepassado David, teu servo:

Por que é que as nações ficaram agitadas,

e os povos fizeram projetos insensatos?

26Os reis da Terra prepararam-se

e os governantes dos povos conspiraram

contra o Senhor e contra o seu Messias4,26 Messias. No grego é traduzido por Cristo e significa Ungido. Ver Sl 2,1–2..

27Na verdade, Herodes e Pôncio Pilatos aliaram-se, aqui nesta cidade, com gente de outras nações e com israelitas, contra o teu santo servo Jesus, o teu Messias. 28Desta maneira realizaram tudo aquilo que tu, pelo teu poder e sabedoria4,28 Literalmente: a tua mão e o teu conselho., já tinhas decidido que ia acontecer. 29Agora, Senhor, repara nas ameaças deles e dá confiança aos teus servos para pregarem a tua mensagem com toda a ousadia, 30para mostrarem o teu poder na cura de doentes e fazerem sinais milagrosos e maravilhas, pelo nome do teu santo servo Jesus.»

31Mal acabaram de orar, tremeu o lugar onde estavam reunidos. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a pregar a mensagem de Deus com ousadia.

Comunhão de bens

32Os crentes viviam perfeitamente unidos: eram como um só coração e uma só alma. Nenhum deles dizia que os seus bens eram apenas seus, mas punham tudo em comum. 33Os apóstolos falavam com grande autoridade acerca da ressurreição do Senhor Jesus e eram grandemente abençoados. 34Nenhum dos crentes passava necessidade, porque os que tinham campos ou casas vendiam tudo e entregavam aos apóstolos o dinheiro da venda, 35para eles repartirem por cada um conforme as suas necessidades. 36Havia entre eles um levita, nascido na ilha de Chipre. Os apóstolos chamavam-lhe Barnabé, palavra que na língua deles quer dizer «o que dá coragem». 37Este vendeu uma propriedade que possuía e entregou o dinheiro aos apóstolos.

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Ananias e Safira

51Ora um certo homem chamado Ananias e sua mulher, Safira, venderam também uma propriedade. 2Ele ficou com uma parte do dinheiro e entregou a outra aos apóstolos. Safira concordou. 3Então Pedro perguntou a Ananias: «Por que é que te deixaste tentar por Satanás e mentiste ao Espírito Santo, ao guardares para ti uma parte do dinheiro que recebeste pela venda da propriedade? 4Se não vendesses a propriedade ela continuava a ser tua! E depois de a venderes o dinheiro também era teu. Por que foi então que resolveste fazer isso? Fica sabendo que não mentiste aos homens, mas sim a Deus!»

5Quando Ananias ouviu aquelas palavras caiu morto. E todos os que souberam do caso ficaram muito assustados. 6Então os mais novos amortalharam o corpo, levaram-no dali para fora e foram enterrá-lo.

7Umas três horas depois, apareceu a mulher de Ananias, sem saber o que tinha acontecido. 8Pedro perguntou-lhe: «Diz-me cá! Foi por este preço que tu e o teu marido venderam o terreno?» Ela respondeu que sim. 9E Pedro disse: «Por que é que resolveram enganar o Espírito do Senhor? Estão aí a chegar os jovens que acabaram de enterrar o teu marido e vão agora levar-te a ti também.» 10Nesse mesmo instante, ela caiu morta aos pés de Pedro. Ao entrarem, os jovens viram-na já morta e foram enterrá-la ao lado do marido. 11Toda a igreja e os outros que ouviram falar disto ficaram muito impressionados.

Milagres dos apóstolos

12Os apóstolos faziam muitos sinais milagrosos e maravilhas entre o povo. Os crentes, muito unidos, costumavam reunir-se no Pórtico de Salomão; 13ninguém que não fosse crente se atrevia a juntar-se a eles, mas toda a gente dizia bem deles. 14E o número de homens e mulheres que se tornavam crentes no Senhor era cada vez maior. 15Por tudo isso, o povo trazia os doentes para as ruas em camas e enxergas, para que quando Pedro passasse, ao menos a sua sombra tocasse alguns deles. 16Vinham multidões das cidades vizinhas a Jerusalém, e traziam doentes e atormentados por espíritos malignos. Todos eram curados.

Os apóstolos são perseguidos

17Então o chefe dos sacerdotes e os seus companheiros, que eram do partido dos saduceus, num gesto de fanatismo, 18apanharam os apóstolos e mandaram metê-los na cadeia. 19Mas de noite, um anjo do Senhor abriu as portas da prisão, levou os apóstolos para fora e disse: 20«Vão ao templo e transmitam ao povo a palavra da vida.» 21Os apóstolos obedeceram, foram de manhãzinha ao templo e puseram-se a ensinar.

Entretanto, o sumo sacerdote e os companheiros convocaram os membros do tribunal judaico e todos os anciãos representantes do povo para uma reunião, e mandaram buscar os apóstolos à cadeia. 22Mas quando os soldados lá chegaram não os encontraram. Foram então dizer aos do tribunal: 23«Encontrámos as portas da cadeia fechadas com toda a segurança e os guardas a tomar conta, mas quando as abrimos não estava ninguém lá dentro.»

24Quando o oficial da guarda do templo e os chefes dos sacerdotes ouviram aquilo, ficaram sem saber o que teria acontecido aos apóstolos e o que seria tudo aquilo. 25Nisto, chegou alguém que disse: «Olhem que os homens que meteram na cadeia estão no templo a ensinar o povo!» 26Então o oficial da guarda foi com os seus soldados buscar os apóstolos. Mas levaram-nos com todos os cuidados, porque tinham medo de ser apedrejados pelo povo. 27Apresentaram-nos ao tribunal e o sumo sacerdote perguntou-lhes: 28«Então nós não vos tínhamos proibido de falarem no nome desse homem? Afinal têm enchido Jerusalém dessa doutrina e ainda por cima querem fazer recair sobre nós a culpa da sua morte!» 29Então Pedro e os outros apóstolos responderam: «É mais importante obedecer a Deus do que aos homens. 30O Deus dos nossos antepassados ressuscitou Jesus, que vocês mataram pregando-o num madeiro. 31Mas Deus deu-lhe o lugar de honra como Chefe e Salvador, para dar ao povo de Israel a oportunidade de se arrepender dos seus pecados e de ser perdoado. 32Nós somos testemunhas de tudo isso — nós e o Espírito Santo, que Deus dá aos que lhe obedecem.»

33Quando os membros do tribunal ouviram isto, ficaram tão furiosos que resolveram mandá-los matar. 34Mas um deles, um fariseu chamado Gamaliel5,34 Gamaliel. Um dos mais célebres mestres judaicos. Fazia parte do Conselho Superior e foi mestre de Paulo., doutor da lei e pessoa muito respeitada por todo o povo, levantou-se, mandou levar os apóstolos para fora da sala por uns momentos, 35e disse ao tribunal: «Israelitas, tenham cuidado com o que pensam fazer a estes homens! 36Há tempos apareceu um certo Teudas que se dizia pessoa muito importante e com isso conseguiu que uns quatrocentos homens se juntassem a ele. Por fim ele foi morto, os que andavam com ele espalharam-se e ficou tudo em nada. 37Mais tarde apareceu Judas, o Galileu, na altura do recenseamento. Também conseguiu arrastar consigo muita gente, mas foi morto e os que andavam com ele desapareceram. 38Agora neste caso, sou de opinião que não façam nada contra estes homens. Mandem-nos embora, porque se este plano e este movimento são apenas ideias de homens acabam por falhar; 39mas se vêm de Deus não conseguirão destruí-los e correm o risco de estar a lutar contra Deus!»

Eles aceitaram a opinião de Gamaliel. 40Chamaram os apóstolos, mandaram castigá-los e deram-lhes ordens para não falarem mais no nome de Jesus. Depois soltaram-nos. 41Os apóstolos saíram do tribunal muito contentes por Deus os ter achado dignos de sofrerem por causa de Jesus. 42E não se cansavam de ensinar todos os dias no templo, e de casa em casa, e de pregar a boa nova de que Jesus é o Messias.

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Escolha de sete diáconos

61Naquela altura, o número de pessoas que aceitavam a fé era cada vez maior. Por isso houve um certo descontentamento por parte dos crentes de língua grega contra os crentes de língua hebraica, porque as sua viúvas eram esquecidas na distribuição diária de auxílios.

2Então os doze apóstolos reuniram todos os crentes e disseram: «Não está certo que deixemos de pregar a palavra de Deus para nos ocuparmos da distribuição de auxílios. 3Por isso, irmãos, escolham dentre vós sete homens de confiança, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, para os encarregarmos desse serviço. 4E nós continuamos a dar o nosso tempo à oração e ao ministério da palavra de Deus.» 5Todos concordaram com a proposta e escolheram então Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo, Filipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Parmenas e Nicolau, que era natural de Antioquia e se tinha convertido à religião judaica. 6Apresentaram estes homens aos apóstolos que oraram por eles e impuseram as mãos sobre as suas cabeças. 7Assim se espalhava cada vez mais a palavra de Deus e o número de crentes aumentava em Jerusalém. Também um grande número de sacerdotes aceitava a fé cristã.

Prisão de Estêvão

8Estêvão, cheio de graça e do poder de Deus, fazia grandes prodígios e sinais milagrosos entre o povo. 9Entretanto, apareceram a discutir com Estêvão os judeus da sinagoga chamada dos «Homens Livres» com os que tinham vindo das cidades de Cirene e Alexandria e das regiões da Cilícia e da Ásia. 10Mas não conseguiram contradizer Estêvão devido ao espírito de sabedoria com que ele falava. 11Instigaram então algumas pessoas para dizerem: «Ouvimos este homem falar contra Moisés e contra Deus!» 12E excitaram o povo, os anciãos e os doutores da lei. Depois apareceram de surpresa, agarraram Estêvão e levaram-no ao tribunal. 13Apresentaram falsas testemunhas que declararam: «Este homem não faz outra coisa senão falar contra o nosso santo templo e contra a Lei de Moisés. 14Até o ouvimos afirmar que esse Jesus de Nazaré vai destruir o templo e mudar as tradições que Moisés nos deixou.» 15Todos os membros do tribunal judaico tinham os olhos postos em Estêvão e viram que o seu rosto era como o de um anjo.