a BÍBLIA para todos Edição Católica (BPTct)
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21O Senhor cumpriu aquilo que tinha dito contra nós, contra os nossos juízes que governaram o povo de Israel, contra os nossos reis e as nossas autoridades, enfim, contra todo o povo de Israel e de Judá. 2Nunca, debaixo de todo o céu, aconteceu uma coisa como a que Deus fez em Jerusalém, de acordo com o que está escrito na Lei de Moisés. 3Alguns dos nossos antepassados chegaram até a comer a carne dos seus filhos, e, outros, das suas filhas! 4E Deus entregou-os a todas as nações que estão à volta do nosso país; e os povos dos países por onde o Senhor os espalhou os desprezaram e os maltrataram. 5Por termos pecado contra o Senhor, nosso Deus, e desobedecido às suas leis, o nosso povo, em vez de vencer, foi derrotado. 6O Senhor, o nosso Deus, é justo, mas nós e os nossos antepassados somos motivo de vergonha até ao dia de hoje. 7Todas as desgraças que o Senhor tinha prometido caíram sobre nós. 8Mesmo assim, não orámos ao Senhor pedindo que ele fizesse com que cada um de nós abandonasse os pensamentos do seu mau coração. 9Por isso, o Senhor foi guardando as nossas desgraças e, finalmente, as fez cair sobre nós, pois ele é justo em todas as obras que nos mandou fazer. 10E não ouvimos a sua voz, para vivermos de acordo com os mandamentos que ele face a face nos deu.

Oração pedindo a ajuda de Deus

11Tu, ó Senhor, Deus de Israel, tiraste o teu povo do Egito com a tua mão forte, por meio de sinais e maravilhas, com grande poder e tremenda força, e ganhaste um nome, que tens até hoje. 12Mas nós, ó Senhor, nosso Deus, pecámos, portámo-nos impiamente, praticámos a injustiça contra todos os teus mandamentos. 13Desvia a tua ira de nós, pois agora somos só uns poucos, vivendo nos países pagãos por onde tu nos espalhaste. 14Ó Senhor, atende a nossa oração e o nosso pedido e salva-nos pela tua própria honra. E concede-nos favor aos olhos daqueles que nos trouxeram para o cativeiro. 15Assim o mundo inteiro saberá que tu és o Senhor, nosso Deus, e que o povo de Israel é designado pelo teu nome. 16Ó Senhor, olha do santo lugar onde vives e pensa em nós; inclina, Senhor, os teus ouvidos para nós e ouve-nos; 17abre os teus olhos, Senhor, e olha para nós. Pois os que estão no mundo dos mortos, aqueles cujo espírito se separou dos seus corpos, não podem louvar a tua grandeza e a tua justiça. 18Mas é a alma muito aflita, que anda encurvada e enfraquecida, a quem a vista falha, é a alma faminta que reconhece a tua glória. 19Ó Senhor, nosso Deus, não é por causa das obras de justiça dos nossos antepassados e reis que pedimos que o teu rosto seja misericordioso para connosco. 20Pois fizeste cair a tua ira e o teu furor sobre nós, como tinhas declarado por meio dos teus servos, os profetas. Eles disseram 21que a tua mensagem, Senhor, era esta: «Sujeitem os vossos ombros à canga do rei da Babilónia e sirvam-no e assim poderão viver na terra que eu dei aos vossos antepassados. 22Mas se não escutarem a voz do Senhor e não quiserem servir o rei da Babilónia, 23então farei com que de Jerusalém, e das outras cidades de Judá, desapareçam os brados de alegria e júbilo, a voz do noivo e a voz da noiva. E o país inteiro transformar-se-á num deserto desabitado». 24Mas nós não ouvimos a tua voz, para servir o rei da Babilónia, e as palavras que proferiste por meio dos teus servos, os profetas, de que os ossos dos nossos reis e dos nossos antepassados seriam tirados das suas sepulturas. 25E agora esses ossos estão lançados por aí, expostos ao calor do dia e ao frio da noite. Eles morreram com sofrimentos horríveis, de fome, a fio de espada e no exílio. 26E por causa da maldade do povo de Israel e de Judá, deixaste que fosse destruído o templo, o lugar onde o teu nome era invocado. E até hoje ele está em ruínas. 27Mas tu, ó Senhor, nosso Deus, tens-nos tratado com toda a tua paciência e com toda a tua compaixão. 28Agiste de acordo com o que disseste por meio do teu servo Moisés, no dia em que ordenaste que ele escrevesse a tua lei na presença do povo de Israel. Disseste: 29«Se o povo não obedecer às minhas leis, certamente esta enorme multidão se tornará pequena no meio das nações pagãs por onde os espalharei. 30Sei que não me vão obedecer, pois são um povo teimoso. Mas na terra para onde forem levados como prisioneiros, hão de arrepender-se 31e reconhecerão que eu sou o Senhor, seu Deus. E dar-lhes-ei um coração obediente e ouvidos que ouvem. 32E eles me louvarão naquela terra estrangeira em que estiveram exilados e lembrar-se-ão do meu nome. 33Deixarão de ser teimosos e de praticar o mal lembrar-se-ão do caminho dos seus antepassados, que pecaram contra mim, o Senhor. 34Então levá-los-ei de volta para a terra que jurei dar aos seus antepassados Abraão, Isaac e Jacó; e novamente o meu povo será dono daquela terra. Farei com que o seu número aumente e nunca mais diminua. 35Farei com eles uma aliança eterna, pela qual eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo. E nunca mais tirarei o meu povo de Israel da terra que lhe dei.»

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Introdução e saudação

11Este livro contém a revelação de Jesus Cristo que ele recebeu de Deus, para a dar a conhecer aos seus servos. Trata-se de coisas que hão de acontecer brevemente e que Cristo deu a conhecer ao seu servo João por um anjo que lhe enviou.

2João atesta tudo quanto viu em relação à palavra e ao testemunho de Jesus Cristo. 3Feliz aquele que lê este livro e felizes os que ouvem estas palavras proféticas e guardam o que aqui está escrito1,3 O autor afirma que é preciso ler, ouvir e guardar estas palavras. A Sagrada Escritura foi escrita por causa desta triologia verbal: ler, ouvir e guardar. Quem assim fizer, será feliz., porque tudo isto há de acontecer em breve.

4Eu, João, dirijo-me às sete igrejas da província da Ásia1,4 As sete igrejas são enumeradas no v. 11.. Desejo-vos graça e paz da parte daquele que é, que era e que há de vir, e ainda da parte dos sete espíritos1,4 Sete Espíritos. O número sete simboliza a perfeição. Os sete espíritos simbolizam, portanto, a ação misteriosa de Deus na história dos homens. que estão diante do seu trono, 5e de Jesus Cristo, a testemunha fiel, o primeiro dos ressuscitados, o soberano dos reis da Terra.

Cristo ama-nos e pela sua morte libertou-nos dos nossos pecados. 6Ele fez de nós um reino de sacerdotes para Deus, seu Pai. A ele seja dada glória e o poder para todo o sempre. Ámen.

7Eis que ele vem com as nuvens.

Toda a gente o verá,

até mesmo os que o mataram.

Todos os povos da Terra se lamentarão por ele.

Assim há de ser! Ámen!

8Eu sou o Alfa e o Ómega1,8 Alfa e Ómega. Primeira e última letra do alfabeto grego (21,2; 22,13). A expressão significa: o Primeiro e o Último ou o Princípio e o Fim., diz o Senhor Deus, aquele que é, que era e que há de vir, o Todo-Poderoso.

Cristo revela-se a João

9Eu sou João, vosso irmão, e participo convosco nas mesmas perseguições no reino de Deus e na perseverança por Jesus. Encontrava-me na ilha de Patmos1,9 Patmos. Pequena ilha do mar Egeu para onde os romanos exilavam as pessoas que julgavam politicamente indesejadas. por ter proclamado a palavra de Deus e o testemunho de Jesus. 10O Espírito de Deus apoderou-se de mim, no dia do Senhor, e eu ouvi atrás de mim uma voz forte que parecia a voz duma trombeta. 11Dizia assim: «Escreve num livro aquilo que vais ver, e manda-o às sete igrejas: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodiceia.» 12Voltei-me para ver quem é que me falava e, ao voltar-me, vi sete castiçais de ouro1,12 Sete castiçais. Representam as sete igrejas a quem o autor escreveu. Ver 1,20.. 13E no meio dos castiçais estava alguém semelhante ao Filho do Homem vestido até aos pés com uma túnica comprida e uma faixa dourada à volta do peito. 14A sua cabeça e os seus cabelos eram brancos como a lã ou como a neve e os seus olhos eram ardentes como o fogo. 15Os seus pés brilhavam como bronze fundido na fornalha e a sua voz era como o ruído das grandes cascatas1,15 Para os v. 13–15, ver Dn 7,13; 10,5; 7,9; 10,6.. 16Na sua mão direita tinha sete estrelas; da sua boca saía uma espada de dois gumes muito afiada e o seu rosto brilhava como o sol do meio-dia.

17Quando o vi, caí aos seus pés como morto. Mas ele pôs a sua mão direita em cima de mim e disse: «Não tenhas medo! Eu sou o primeiro e o último1,17 Para os v. 16–17, ver Is 49,2; Hb 4,12; Is 44,6; 48,12.. 18Eu sou aquele que está vivo! Estive morto, mas agora vivo para sempre. Eu tenho poder sobre a morte e sobre o mundo dos mortos. 19Escreve pois aquilo que viste, o que está a acontecer agora e o que vai acontecer mais tarde. 20O significado das sete estrelas que viste na minha mão direita e dos sete castiçais de ouro é o seguinte: as sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete castiçais são essas sete igrejas.»