a BÍBLIA para todos Edição Católica (BPTct)
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Daniel e o ídolo Bel

11[1] Quando o rei Astíages, da Média, morreu, o rei Ciro14,1 Ver Dn 1,21., da Pérsia, ficou no seu lugar como rei. 2[2] Daniel era conselheiro particular de Ciro, e este tinha mais consideração por ele do que pelos outros conselheiros. 3[3] Os babilónios adoravam um ídolo chamado Bel14,3 Belsignifica senhor. Era um dos títulos de Marduc, deus da Babilónia. Ver Jr 50,2.. Todos os dias tinham de oferecer ao ídolo uns quatrocentos quilos da melhor farinha, quarenta ovelhas e duzentos e trinta e cinco litros de vinho. 4[4] O rei era devoto do ídolo Bel e todos os dias ia ao templo para o adorar; mas Daniel adorava ao seu Deus. 5[5] Um dia o rei perguntou-lhe: «Por que é que tu não adoras o deus Bel?» Daniel respondeu: «Porque não adoro ídolos, que são feitos por seres humanos; eu adoro somente o Deus vivo, que criou o céu e a terra e que é o Senhor de todos os seres humanos.» 6[6] O rei perguntou: «Então não acreditas que Bel é um deus vivo? Não vês que todos os dias ele come e bebe?» 7[7] Daniel sorriu e respondeu: «Não te enganes, ó rei. Por dentro, Bel é de barro e por fora é de bronze; ele nunca comeu nem bebeu coisa alguma!» 8[8] O rei, muito zangado, chamou os seus sacerdotes e disse: «Se não puderem provar que é Bel quem come toda essa comida, vocês morrerão. Mas se provarem que de facto é Bel quem come tudo isto, Daniel morrerá, pois então o que ele disse será considerado uma blasfémia contra Bel.» 9[9] Daniel disse ao rei: «Pois que a tua ordem seja cumprida.» Os sacerdotes de Bel eram setenta, sem contar com as esposas e os filhos. 10[10] O rei foi com Daniel até o templo de Bel. 11[11] Os sacerdotes disseram ao rei: «Nós ficaremos aqui fora, ó rei, enquanto apresentas a Bel os alimentos e a mistura de vinho. Coloca tudo na mesa, sai, fecha e sela a porta. E, quando voltares aqui amanhã cedo, se descobrires que Bel não comeu tudo, nós morreremos; mas se verificares que de facto ele comeu tudo, então quem morrerá será Daniel, que mentiu a nosso respeito.» 12[12] Os sacerdotes não estavam preocupados, pois tinham feito uma passagem secreta, com uma saída debaixo da mesa. E, assim, todas as noites eles entravam no templo e comiam tudo. 13[13] Os sacerdotes saíram, e na mesma hora o rei colocou em cima da mesa a comida e a bebida para Bel. 14[14] Depois Daniel mandou que os seus empregados trouxessem cinzas e as espalhassem por todo o chão do templo. Só o rei viu fazer aquilo. Então saíram todos, trancaram a porta e selaram-na com o anel do rei e foram-se embora. 15[15] Naquela noite, como de costume, os sacerdotes entraram no templo com as suas esposas e os seus filhos, e juntos comeram e beberam tudo. 16[16] De manhã bem cedo o rei e Daniel foram até ao templo, 17[17] e o rei perguntou: «Os selos da porta foram quebrados?» E Daniel respondeu: «Não.» 18[18] Logo que a porta foi aberta, o rei olhou para a mesa e gritou bem alto: «Tu és grande, ó Bel! Tu nunca enganas ninguém!» 19[19] Mas Daniel começou a rir e segurou o rei para que ele não entrasse no templo. Então disse: «Olha para o chão e diz de quem são essas marcas de pés.» 20[20] «Eu vejo marcas de pés de homens, mulheres e crianças», respondeu o rei. 21[21] O rei ficou furioso e mandou prender os sacerdotes, as suas esposas e os seus filhos. Os sacerdotes mostraram-lhe a passagem secreta pela qual entravam no templo a fim de comerem tudo o que ficava em cima da mesa. 22[22] Então o rei mandou matá-los e entregou o ídolo Bel a Daniel. E Daniel destruiu o ídolo e o templo de Bel.

Daniel e o dragão

23[23] Havia um enorme dragão que era adorado pelos babilónios. 24[24] Um dia o rei disse a Daniel: «Tu não podes dizer que este dragão não é um deus vivo. Portanto, adora-o.» 25[25] Daniel respondeu: «Eu adoro somente ao Senhor, o meu Deus; ele é o único Deus vivo. Se tu, ó rei, me deres licença, eu matarei o dragão sem usar espada nem pau.» 26[26] O rei disse: «Pois eu dou-te licença.» 27[27] Daniel pegou em pez, gordura e pelos de animais; cozinhou tudo junto, fez uns bolos e chegou-os à boca do dragão. Assim que este os comeu, estourou. E Daniel disse: «Babilónios, vejam só o que adoram!» 28[28] Quando souberam do que tinha acontecido, os babilónios ficaram muito zangados e revoltaram-se contra o rei, dizendo: «O rei tornou-se judeu! Ele destruiu Bel, acabou com o dragão e mandou matar os sacerdotes29[29] Depois foram falar com o rei e disseram: «Entrega-nos Daniel; se não, nós matar-te-emos e à tua família.» 30[30] O rei viu que a ameaça deles era séria e sentiu-se obrigado a entregar-lhes Daniel. 31[31] Eles levaram Daniel até uma cova de leões e lançaram-no lá dentro, onde ele ficou durante seis dias. 32[32] Na cova havia sete leões, que todos os dias recebiam dois corpos humanos e dois carneiros para comer; mas daí em diante não receberam nada a fim de que devorassem Daniel. 33[33] Naquele tempo, o profeta Habacuc estava em Judá. Ele tinha preparado um cozido e havia posto alguns pães numa cesta e dirigia-se para o campo, a fim de levar essa comida aos homens que estavam a fazer a colheita. 34[34] De repente o Anjo do Senhor disse a Habacuc: «Leva esta comida à Babilónia e entrega-a a Daniel, que está numa cova de leões.» 35[35] Habacuc respondeu: «Senhor, eu nunca vi a cidade da Babilónia e não sei onde fica essa cova.» 36[36] O Anjo pegou o profeta pelos cabelos e, rápido como o vento14,36 Ou: pelo poder do seu espírito., levou-o até à Babilónia, deixando-o perto da cova dos leões. 37[37] Então Habacuc gritou: «Daniel, Daniel, come esta comida que Deus mandou para ti!» 38[38] Daniel disse: «Tu lembraste-te de mim, ó Deus, pois nunca abandonas os que te amam.» 39[39] Então Daniel levantou-se e comeu. Nisto o Anjo de Deus levou Habacuc novamente para casa. 40[40] Uma semana depois de Daniel ter sido lançado na cova dos leões, o rei foi até lá a fim de chorar por causa da sua morte. E, quando chegou, olhou e viu Daniel sentado lá dentro. 41[41] Então gritou bem alto: «Tu és poderoso, ó Senhor, Deus de Daniel, e não há outro deus além de ti!» 42[42] O rei mandou que tirassem Daniel da cova e que lançassem lá dentro os homens que o tinham tentado matar. E os leões devoraram aqueles homens naquele mesmo instante, na presença do rei.

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Introdução e saudação

11Este livro contém a revelação de Jesus Cristo que ele recebeu de Deus, para a dar a conhecer aos seus servos. Trata-se de coisas que hão de acontecer brevemente e que Cristo deu a conhecer ao seu servo João por um anjo que lhe enviou.

2João atesta tudo quanto viu em relação à palavra e ao testemunho de Jesus Cristo. 3Feliz aquele que lê este livro e felizes os que ouvem estas palavras proféticas e guardam o que aqui está escrito1,3 O autor afirma que é preciso ler, ouvir e guardar estas palavras. A Sagrada Escritura foi escrita por causa desta triologia verbal: ler, ouvir e guardar. Quem assim fizer, será feliz., porque tudo isto há de acontecer em breve.

4Eu, João, dirijo-me às sete igrejas da província da Ásia1,4 As sete igrejas são enumeradas no v. 11.. Desejo-vos graça e paz da parte daquele que é, que era e que há de vir, e ainda da parte dos sete espíritos1,4 Sete Espíritos. O número sete simboliza a perfeição. Os sete espíritos simbolizam, portanto, a ação misteriosa de Deus na história dos homens. que estão diante do seu trono, 5e de Jesus Cristo, a testemunha fiel, o primeiro dos ressuscitados, o soberano dos reis da Terra.

Cristo ama-nos e pela sua morte libertou-nos dos nossos pecados. 6Ele fez de nós um reino de sacerdotes para Deus, seu Pai. A ele seja dada glória e o poder para todo o sempre. Ámen.

7Eis que ele vem com as nuvens.

Toda a gente o verá,

até mesmo os que o mataram.

Todos os povos da Terra se lamentarão por ele.

Assim há de ser! Ámen!

8Eu sou o Alfa e o Ómega1,8 Alfa e Ómega. Primeira e última letra do alfabeto grego (21,2; 22,13). A expressão significa: o Primeiro e o Último ou o Princípio e o Fim., diz o Senhor Deus, aquele que é, que era e que há de vir, o Todo-Poderoso.

Cristo revela-se a João

9Eu sou João, vosso irmão, e participo convosco nas mesmas perseguições no reino de Deus e na perseverança por Jesus. Encontrava-me na ilha de Patmos1,9 Patmos. Pequena ilha do mar Egeu para onde os romanos exilavam as pessoas que julgavam politicamente indesejadas. por ter proclamado a palavra de Deus e o testemunho de Jesus. 10O Espírito de Deus apoderou-se de mim, no dia do Senhor, e eu ouvi atrás de mim uma voz forte que parecia a voz duma trombeta. 11Dizia assim: «Escreve num livro aquilo que vais ver, e manda-o às sete igrejas: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodiceia.» 12Voltei-me para ver quem é que me falava e, ao voltar-me, vi sete castiçais de ouro1,12 Sete castiçais. Representam as sete igrejas a quem o autor escreveu. Ver 1,20.. 13E no meio dos castiçais estava alguém semelhante ao Filho do Homem vestido até aos pés com uma túnica comprida e uma faixa dourada à volta do peito. 14A sua cabeça e os seus cabelos eram brancos como a lã ou como a neve e os seus olhos eram ardentes como o fogo. 15Os seus pés brilhavam como bronze fundido na fornalha e a sua voz era como o ruído das grandes cascatas1,15 Para os v. 13–15, ver Dn 7,13; 10,5; 7,9; 10,6.. 16Na sua mão direita tinha sete estrelas; da sua boca saía uma espada de dois gumes muito afiada e o seu rosto brilhava como o sol do meio-dia.

17Quando o vi, caí aos seus pés como morto. Mas ele pôs a sua mão direita em cima de mim e disse: «Não tenhas medo! Eu sou o primeiro e o último1,17 Para os v. 16–17, ver Is 49,2; Hb 4,12; Is 44,6; 48,12.. 18Eu sou aquele que está vivo! Estive morto, mas agora vivo para sempre. Eu tenho poder sobre a morte e sobre o mundo dos mortos. 19Escreve pois aquilo que viste, o que está a acontecer agora e o que vai acontecer mais tarde. 20O significado das sete estrelas que viste na minha mão direita e dos sete castiçais de ouro é o seguinte: as sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete castiçais são essas sete igrejas.»