a BÍBLIA para todos Edição Católica (BPTct)
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O sonho de Nabucodonosor

21No segundo ano do seu reinado, Nabucodonosor foi assaltado por sonhos que o agitaram de tal maneira que não conseguia dormir. 2Mandou chamar os magos, adivinhos, feiticeiros e astrólogos, para lhe explicarem os sonhos. Quando estavam reunidos na sua presença, 3o rei disse-lhes: «Tive um sonho e fiquei muito preocupado, sem saber o que ele significava.»

4Em seguida, aqueles magos dirigiram-se ao rei em aramaico2,4 A partir daqui e até ao final do cap. 7, o texto original encontra-se em aramaico, língua internacional do Médio Oriente, a partir do séc VIII a.C.: «Que Vossa Majestade viva para sempre! Conte-nos o sonho que teve e diremos o que significa.»

5O rei replicou: «Tomei esta firme decisão: se não forem capazes de me explicar o sonho e o seu significado, vou mandar que vos cortem aos bocados e que destruam por completo as vossas casas. 6Mas se me contarem o sonho e me derem o seu significado, receberão grande recompensa e honra. Digam-me lá então o que sonhei e o seu significado.»

7Ao ouvirem estas palavras, ainda insistiram: «Se Vossa Majestade nos contar o sonho, imediatamente lhe diremos o que significa.»

8Então o rei exclamou: «É isso mesmo! Estão a tentar ganhar tempo, porque veem que decidi 9castigar-vos a todos, se não me disserem o que sonhei. Estão a ganhar tempo, para ver se me esqueço de vez do que sonhei, para me dizerem outra coisa e eu mudar a minha decisão a vosso respeito. Digam-me primeiro o que eu sonhei e só então terei a certeza de que são capazes de me dar o seu significado.»

10Os magos responderam: «Não há ninguém em toda a terra que possa satisfazer o desejo de Vossa Majestade. Nenhum rei, por maior e mais poderoso que seja pode exigir semelhante coisa aos seus magos, adivinhos e astrólogos. 11O que Vossa Majestade pede é tão difícil que ninguém o pode fazer, a não ser os deuses; e estes não vivem no mundo dos seres humanos.»

12Ao ouvir isto, o rei não pôde conter a sua ira e ordenou que fossem mortos todos os sábios2,12 Sábios. Termo que designa todos os especialistas de adivinhação. da Babilónia. 13E foi publicado um decreto para que eles fossem executados. Daniel e os seus companheiros tinham de ser igualmente mortos.

Deus revela a Daniel o significado do sonho

14Então Daniel foi ter com Arioc, comandante da guarda real, a quem fora dada a ordem de matar os sábios da Babilónia. Escolhendo as palavras com cuidado e sabedoria, 15perguntou-lhe a razão de uma ordem tão severa da parte do rei. E Arioc contou-lhe o que sucedera. 16Em seguida, Daniel foi pedir ao rei para que lhe concedesse um prazo e que lhe havia de dar o significado do sonho.

17Ao regressar a casa, contou aos seus amigos Hananias, Michael e Azarias tudo o que se passava. 18Pediu-lhes que orassem para que o Deus dos céus tivesse misericórdia e lhes revelasse o mistério, para que não fossem mortos juntamente com os outros sábios da Babilónia.

19Naquela mesma noite, o sonho misterioso foi revelado a Daniel, numa visão, e ele louvou o Deus dos céus, desta maneira:

20«Deus é sábio e poderoso2,20 Ver Jb 12,13; Pv 2,6.;

louvado seja o seu nome para todo o sempre!

21Ele controla os tempos e as estações;

estabelece e destrona os reis;

é ele que dá a sabedoria aos sábios

e a inteligência aos inteligentes.

22Revela o que é profundo e secreto,

conhece o que é obscuro,

e está sempre rodeado de luz2,22 Ver Jb 12,22; Sl 139,11–12..

23A ti, ó Deus dos meus antepassados,

dou louvor e honra.

Tu deste-me sabedoria e coragem:

respondeste à nossa oração,

e mostraste-nos o que devemos dizer ao rei.»

24Em seguida, Daniel dirigiu-se a Arioc, a quem o rei dera ordens para que executasse os sábios da Babilónia, e disse-lhe: «Não os mates; leva-me à presença do rei e eu lhe mostrarei o que significa o sonho.» 25Arioc fez comparecer Daniel diante do rei Nabucodonosor e disse-lhe: «Majestade! Descobri, entre os exilados judeus, um que diz que é capaz de revelar o significado do sonho.»

A estátua com pés de barro

26O rei perguntou a Daniel, que também se chamava Beltechaçar: «És capaz de me contar o sonho e dizer o que ele significa?»

27Daniel respondeu-lhe: «Saiba Vossa Majestade que não há nenhum sábio, adivinho, mago, ou astrólogo capaz de lhe revelar esse mistério. 28Mas há um Deus nos céus, capaz de revelar os mistérios. Ele quis informar Vossa Majestade sobre o que vai acontecer no futuro. Na visão que teve enquanto estava a dormir, o seu sonho foi o seguinte: 29Deitado na sua cama, Vossa Majestade sonhou acerca do futuro; Deus, que revela os mistérios, mostrou o que vai acontecer. 30Esse sonho misterioso foi-me revelado, não porque eu seja mais sábio do que os outros, mas para que Vossa Majestade conheça o significado do sonho que teve e perceba aquilo que o preocupava.

31Vossa Majestade viu diante de si uma estátua gigantesca, muito brilhante e de aspeto impressionante. 32A cabeça era feita de ouro puro; o peito e os braços eram de prata; o ventre e as coxas eram de bronze; 33as suas pernas eram de ferro e os pés em parte de ferro e em parte de barro. 34Enquanto Vossa Majestade olhava, uma grande pedra soltou-se dum rochedo2,34 Dum rochedo. Segundo a antiga tradução grega, e também v. 45. A expressão não se encontra no texto original aramaico do v. 34., sem que ninguém lhe tocasse, e bateu nos pés de ferro e de barro da estátua, fazendo-os em pedaços. 35Como consequência, não só o ferro e o barro, mas também o bronze, a prata e o ouro desfizeram-se em pó; e como o pó da eira, no verão2,35 Ver Jr 4,11., o vento espalhou-o de tal maneira que não ficou nenhum vestígio. Porém a pedra cresceu até se transformar numa montanha, que cobriu toda a terra.

36Este foi o sonho. Agora vou dizer a Vossa Majestade o que ele significa. 37Vossa Majestade é o maior de todos os reis. O Deus dos céus deu-lhe soberania, poder, domínio e honra. 38Fê-lo senhor de toda a Humanidade e de todos os animais e aves, onde quer que se encontrem. Vossa Majestade é a cabeça de ouro. 39Depois de Vossa Majestade, virá outro reino, não tão poderoso como o seu, que será seguido de um terceiro, um reino de bronze, que dominará sobre toda a terra. 40Em seguida, surgirá um quarto reino, forte como o ferro, que tudo faz em bocados e destrói. E assim como o ferro tudo faz em bocados, também fará em bocados e destruirá os reinos anteriores2,40 Os diferentes metais, de valor decrescente, que compõem a estátua, simbolizam a sucessão dos reinos babilónio, medo-persa, grego e romano, ou segundo uma outra interpretação, os reinos babilónio, persa e grego.. 41Vossa Majestade viu ainda que os pés e os dedos dos pés da estátua eram em parte de barro e em parte de ferro. Isso significa que se trata de um reino dividido. A sua força será em parte semelhante à do ferro, porque havia ferro misturado com barro. 42Os dedos em parte de ferro e em parte de barro, significa que parte desse reino será forte e parte será fraco. 43Vossa Majestade viu igualmente que o ferro estava misturado com o barro. Isso significa que os governantes desse reino tentarão unir as suas famílias por casamento, mas não o conseguirão, da mesma maneira que o ferro se não pode misturar com o barro2,43 Ver 11,6.17..

44No tempo desses reis, o Deus dos céus fundará um reino que não terá fim. Esse reino nunca será conquistado por outro povo, mas aniquilará por completo todos os outros reinos e permanecerá para sempre. 45Por isso, Vossa Majestade viu como uma grande pedra2,45 Esta pedra anuncia o advento de um novo reino fundado pelo próprio Deus. se soltou de um rochedo, sem que ninguém lhe tocasse, e reduziu a pó o ferro, bronze, barro, prata e ouro. O Deus que é poderoso quis assim mostrar a Vossa Majestade o que irá acontecer no futuro. O que acabo de relatar foi o que o rei viu em sonhos; e esta interpretação é verdadeira.»

46Então o rei Nabucodonosor inclinou-se respeitosamente até ao chão diante de Daniel e deu ordens para que lhe apresentassem sacrifícios e ofertas. 47E dirigindo-se a Daniel, o rei disse: «O vosso Deus é o maior de todos; ele domina sobre todos os reis e só ele revela os mistérios. De facto, só tu foste capaz de me desvendar este mistério.» 48Em seguida, concedeu a Daniel grandes honras e ofereceu-lhe muitos e valiosos presentes. Entregou-lhe ainda o governo da província da Babilónia e fê-lo chefe supremo de todos os sábios do país. 49A pedido de Daniel, o rei nomeou Chadrac, Mechac e Abed-Nego para a administração da província da Babilónia, enquanto Daniel ficava no palácio real.

3

A estátua de ouro

31O rei Nabucodonosor mandou fazer uma estátua de ouro, com cerca de trinta metros de altura e três de largura, e ordenou que a pusessem na planície de Dura, na província da Babilónia. 2E ordenou também que se reunissem todos os altos funcionários, os sátrapas, ministros prefeitos, conselheiros, tesoureiros, letrados e magistrados. Todos deviam assistir à inauguração da estátua que o rei Nabucodonosor mandara fazer. 3Quando todos eles estavam reunidos para a inauguração e se apresentaram diante da estátua erguida por Nabucodonosor, 4um arauto fez saber em alta voz:

«Povos de todas as nações, raças e línguas, prestem atenção! 5Vão ouvir o toque das trompas, oboés, cítaras, harpas, liras e saltérios e de muitos outros instrumentos. Quando se ouvir o toque desses instrumentos, prostrai-vos para adorar a estátua de ouro que o rei Nabucodonosor mandou erguer. 6Quem não se prostrar em adoração será imediatamente lançado numa fornalha a arder em chamas!»

7E assim, mal o som dos referidos instrumentos se fez ouvir, os povos de todas as nações, raças e línguas se prostraram para adorar a estátua de ouro que o rei Nabucodonosor mandara fazer.

Os amigos de Daniel acusados de desobediência

8Foi então que alguns caldeus aproveitaram a ocasião para denunciar os judeus. 9E foram dizer ao rei Nabucodonosor: «Que Vossa Majestade viva para sempre! 10Vossa Majestade emitiu um decreto para que mal se fizesse ouvir o toque das trompas, oboés, cítaras, harpas, liras e saltérios e doutros instrumentos, todos se deviam prostrar para adorar a estátua de ouro. 11E se alguém não se inclinasse e recusasse adorar a estátua seria atirado para uma fornalha a arder em chamas. 12Mas alguns judeus que Vossa Majestade nomeou para governarem a província da Babilónia desobedeceram às ordens dadas pelo rei. Não adoraram os vossos deuses nem se prostraram diante da estátua. São eles Chadrac, Mechac e Abed-Nego.»

13Nabucodonosor ficou furioso e ordenou que os três homens fossem levados à sua presença. Quando eles se apresentaram, 14o rei perguntou-lhes: «Chadrac, Mechac e Abed-Nego, é verdade que vocês se recusaram a adorar os meus deuses e a adorar a estátua que mandei erguer? 15Pois bem! Mal ouvirem o som das trompas, oboés, cítaras, harpas, liras e saltérios e de todos os outros instrumentos, devem prostrar-se e adorar a estátua que fiz. Se desobedecerem, serão imediatamente atirados para dentro da fornalha a arder em chamas. Pensam que há algum deus que vos possa livrar do meu poder?»

16Chadrac, Mechac e Abed-Nego responderam: «Saiba Vossa Majestade que não nos queremos defender. 17Mas o Deus a quem servimos é capaz de nos livrar da fornalha e do vosso poder. E vai livrar-nos. 18Mas mesmo que ele não nos livrasse, pode ter a certeza que não adoraremos os vossos deuses nem nos inclinaremos diante da estátua de ouro que mandou fazer.»

Os amigos de Daniel condenados à morte

19Nabucodonosor ficou furioso e perdeu a paciência com Chadrac, Mechac e Abed-Nego. Ordenou aos seus servos que pusessem sete vezes mais lenha na fornalha. 20Mandou então aos soldados mais fortes do seu exército que amarrassem os três homens e os atirassem para dentro da fornalha a arder em chamas. 21E assim foram amarrados com a camisa, capa, turbante e tudo o que tinham vestido e foram lançados na fornalha a arder. 22Como o rei tinha dado ordens estritas para a fornalha ser aquecida acima do normal, as chamas atingiram e mataram os guardas que atiraram para o fogo os três homens, Chadrac, Mechac e Abed-Nego. 23Chadrac, Mechac e Abed-Nego, ainda ligados, caíram os três no meio da fornalha em chamas.

24De repente, Nabucodonosor levantou-se estupefacto, e perguntou aos oficiais: «Não eram três os homens que amarrámos e atirámos para dentro da fornalha?»

Eles responderam: «É certo, Majestade!»

25O rei replicou: «Então como é que eu vejo quatro a andar no fogo? E estes não estão ligados nem parecem ser atingidos pelas chamas! O quarto parece mesmo um deus!»

Confissão de Nabucodonosor

26Então Nabucodonosor aproximou-se da entrada da fornalha e gritou: «Chadrac! Mechac! Abed-Nego! Servos do Deus altíssimo! Saiam cá para fora!» E eles saíram.

27Sátrapas, chefes, governadores e outros oficiais do rei aproximaram-se dos três homens para verificar se não estavam queimados. O seu cabelo não estava chamuscado, nem a roupa tinha ardido. Nem sequer cheiravam a fumo. 28Então o rei exclamou: «Louvado seja o Deus de Chadrac, Mechac e Abed-Nego! Ele enviou o seu anjo para socorrer estes homens que o servem e nele confiam. Desobedeceram às minhas ordens e preferiram arriscar a vida a inclinar-se para adorar outros deuses, além do seu. 29Por isso, ordeno que quem falar sem respeito pelo Deus de Chadrac, Mechac e Abed-Nego, seja quem for e venha donde vier, sem distinção de raça ou de língua, seja feito em bocados e a sua casa seja completamente destruída. Pois não há outro deus que possa livrar alguém, como este.»

30Em seguida o rei promoveu Chadrac, Mechac e Abed-Nego3,30 Ou: Em seguida, o rei reconduziu Chadrac, Mechac e Abed-Nego aos seus cargos respetivos. a posições ainda mais elevadas, no governo da província da Babilónia.

Carta de Nabucodonosor

31Mensagem do rei Nabucodonosor para os povos de todas as nações, raças e línguas do mundo:

«Desejo-vos paz e prosperidade!

32Pareceu-me bem fazer o relato dos prodígios e milagres que o Deus Altíssimo me fez.

33Como são grandes os prodígios de Deus!

E como são extraordinários os seus milagres!

Deus reinará para sempre;

o seu domínio durará eternamente.»

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Segundo sonho do rei

41«Eu vivia tranquilo no conforto e sumptuosidade do meu palácio. 2E, uma noite, enquanto dormia, tive um sonho e pesadelos que me perturbaram; neles vi coisas terríveis. 3Quando acordei, mandei vir à minha presença os sábios da Babilónia, para que me revelassem o significado daquilo que eu sonhara. 4Os magos, adivinhos, astrólogos e feiticeiros compareceram diante de mim. Contei-lhes o sonho, mas não foram capazes de me explicar o seu sentido. 5Por fim, veio à minha presença Daniel, que também se chama Beltechaçar, segundo o nome do meu deus4,5 Meu Deus. Trata-se de Bel, a principal divindade dos babilónios.. O espírito dos deuses santos4,5 Ou: do Deus santo. está com ele. Contei-lhe também o que sonhara e disse-lhe: 6“Eu sei que o espírito dos deuses santos4,6 Ou: do Deus santo. está contigo, ó Beltechaçar, chefe dos magos; sei que podes entender todos os mistérios. Vou dizer-te o que sonhei, para que me digas o que significa.

7Enquanto dormia na minha cama, tive esta visão:

Vi uma árvore gigantesca, plantada no meio da terra.

8Ela não parou de crescer

até que chegou ao céu

e podia ser vista do mundo inteiro.

9As suas folhas eram belas,

e estava carregada de fruto

suficiente para alimentar toda a terra.

Animais selvagens descansavam à sua sombra;

as aves faziam ninho nos seus ramos

e todos os seres criados comiam do seu fruto.

10Enquanto eu, deitado, meditava na visão,

vi que um anjo descia do céu, alerta e vigilante,

11que proclamava com voz forte:

Deitem a árvore abaixo e cortem os seus ramos;

tirem-lhe as folhas e espalhem os frutos.

Afastem os animais que estão debaixo dela,

e enxotem as aves dos seus ramos!

12Mas deixem no chão o cepo com as raízes,

com um anel de ferro e bronze à sua volta.

Deixem-no ali no campo, juntamente com a erva.

Será molhado pelo orvalho do céu

e comerá erva como os animais.

13Perderá o entendimento de homem

ficando só como um animal.

E que fique assim durante sete anos.

14Esta é a decisão dos anjos vigilantes,

a ordem transmitida pelos santos.

Todo o povo saiba que o Altíssimo

tem poder sobre os reinos humanos,

e que os pode entregar a quem quiser,

até mesmo ao mais insignificante dos homens.”»

Daniel dá a interpretação do sonho

15«Este é o sonho que eu, Nabucodonosor, tive. Diz-me agora, Beltechaçar! Qual é o seu sentido, pois nenhum dos sábios do meu reino pôde explicá-lo, mas tu podes, porque o espírito dos deuses santos4,15 Ou: do Deus santo. está contigo.»

16Então Daniel, também chamado Beltechaçar, ficou tão alarmado que mal podia falar. O rei disse-lhe: «Beltechaçar, não te deixes alarmar pelo sonho e pelo seu significado.» Beltechaçar respondeu: «Quem dera que o sonho e o seu significado se referissem aos vossos inimigos e não a vós, mas refere-se a Vossa Majestade! 17A árvore que viu era tão alta que chegava ao céu e podia ser vista do mundo inteiro. 18As suas folhas eram belas e o seu fruto, suficiente para alimentar toda a população da terra. Os animais selvagens repousavam à sua sombra e as aves faziam ninho nos seus ramos. 19Majestade, vós sois a grande árvore, alta e forte. Vossa Majestade cresceu tanto que chega ao céu e o seu poder chega até aos confins da terra. 20Enquanto Vossa Majestade estava a sonhar, um anjo desceu do céu e ordenou: “Que a árvore seja cortada e destruída, mas que o cepo fique intacto. Ligue-se o tronco com um anel de ferro e de bronze e seja deixado junto à erva do campo. Que o orvalho caia sobre esse homem e viva como os animais, durante sete anos.”

21É este o significado do sonho e o que o Altíssimo predisse que vai acontecer a Vossa Majestade. 22Vai ser afastado do convívio da sociedade humana e habitará com os animais selvagens. Durante sete anos, comerá erva como os bois, dormirá ao relento e será molhado pelo orvalho. Depois disto, Vossa Majestade tem que admitir, finalmente, que o Altíssimo domina sobre todos os reinos e os entrega a quem bem lhe parece. 23Os anjos deram ordens para que o cepo fosse poupado com as raízes. Isso significa que Vossa Majestade será rei novamente, quando reconhecer que Deus é soberano sobre toda a terra. 24Por isso, ó rei, siga o meu conselho. Renuncie aos seus pecados, pratique a justiça e tenha compaixão dos pobres. Só então poderá viver tranquilo.» 25E tudo isto aconteceu ao rei Nabucodonosor.

26Doze meses mais tarde, enquanto passeava pelos jardins do seu palácio, na Babilónia, 27dizia com admiração: «Olhem para esta cidade da Babilónia, como é grandiosa! Construí-a para que fosse a minha capital, para demonstrar o meu poder e domínio, a minha glória e majestade.»

28Ainda o rei não tinha acabado de falar, ouviu-se uma voz do céu: «Rei Nabucodonosor, escuta o que te vou dizer: o teu poder real vai-te ser retirado. 29Vais ser afastado do convívio da sociedade humana; terás que viver como os animais selvagens e comer erva como os bois, durante sete anos. Então reconhecerás que o Deus altíssimo domina sobre todos os reinos e os entrega a quem bem lhe parece.»

30E logo esta sentença se cumpriu. Nabucodonosor foi afastado da sociedade e passou a comer erva como se fosse um boi. O orvalho caía sobre o seu corpo e cresceu-lhe pelo tão comprido como penas de águia; as suas unhas eram como garras das aves.

Nabucodonosor dá louvor a Deus

31«Cumprido aquele tempo, eu, Nabucodonosor, olhei para o céu e recuperei o meu juízo. Louvei o Altíssimo e dei honra e glória àquele que vive para sempre.

A sua soberania é eterna e o seu reino durará por séculos sem fim. 32Os habitantes da terra não são nada aos seus olhos; os anjos e os homens estão debaixo do seu domínio. Ninguém se pode opor à sua vontade nem pedir-lhe contas do que faz.

33Quando recuperei o juízo, recebi novamente a honra, a majestade e a glória que me são devidas. Os meus oficiais e nobres acolheram-me com alegria e foi-me restituído o poder real, mais ainda do que tinha antes. 34Por isso, eu, Nabucodonosor, louvo, honro e dou glória ao Rei do Céu. Tudo o que ele faz está certo e são justos os seus caminhos. Sim, ele tem poder para humilhar os orgulhosos!»