a BÍBLIA para todos Edição Católica (BPTct)
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Julgamento dos casos de idolatria

171«Não deves oferecer em sacrifício ao Senhor, teu Deus, um touro ou qualquer animal que tenha defeito, porque isso seria abominável para o Senhor, teu Deus.

2Se, numa das cidades que o Senhor te vai dar, acontecer que um homem ou uma mulher transgredir a aliança do Senhor, fazendo aquilo que lhe desagrada, 3indo adorar outros deuses e inclinar-se diante deles ou diante do Sol ou da Lua ou de qualquer dos astros, coisas que eu proibi; 4se alguém te vier informar ou se ouvires falar disso, procura investigar bem a questão. Se verificares que realmente foi verdade que alguém no teu país cometeu uma coisa tão abominável 5leva essa pessoa, seja homem ou mulher, ao tribunal da tua cidade e que seja condenada a morrer apedrejada17,5 A execução dava-se fora da cidade; comparar com Lv 24,14; At 7,58; Hb 13,12..

6Mas só deve haver condenação à morte com base nas declarações de duas ou três testemunhas e não duma só17,6 Ver Dt 19,15; Nm 35,30; Mt 18,16; 2 Co 13,1; 1 Tm 5,19; Hb 10,28.. 7Os primeiros a atirarem pedras contra o condenado serão as testemunhas e a seguir o povo todo. E assim acabas com aquele escândalo do meio do teu povo17,7 Ver 1 Co 5,13.

O tribunal de última instância

8«Se aparecer para julgamento, na tua cidade, um caso de morte ou uma queixa por maus tratos corporais ou outra questão que não sejas capaz de resolver, deves dirigir-te ao lugar que o Senhor, teu Deus, tiver escolhido. 9Vai ter com os sacerdotes levitas17,9 Eram assim designados provavelmente os da tribo de Levi, que exerciam a função de sacerdotes no santuário central de Jerusalém (ver 17,18; 27,9), para os distinguir dos outros levitas em serviço ao longo do país (ver 12,12; 18,6). e o juiz que estiver nessa altura. Consulta-os sobre o assunto e eles te indicarão a solução a dar. 10Deves seguir exatamente as instruções que eles te derem, pois estão no lugar que o Senhor escolheu. Põe em prática tudo o que te disserem. 11Segue as orientações que te derem e segue a sentença que pronunciarem. Não te desvies nem para um lado, nem para o outro.

12E quem for orgulhoso e não obedecer ao sacerdote que estiver ao serviço do Senhor, teu Deus, ou ao juiz, esse que assim desobedecer será condenado à morte. Desse modo, acabas com aquele escândalo do meio do povo de Israel. 13Todo o povo ficará cheio de medo, ao ouvir contar o sucedido, e ninguém mais terá atitudes de rebeldia.»

Instruções sobre o rei

14«Quando chegares à terra que o Senhor, teu Deus, te vai dar, quando tomares posse dela e nela te instalares vais querer ter um rei, tal como os outros povos que estiverem à tua volta17,14 Ver 1 Sm 8,5.. 15Mas deves estabelecer como teu rei um dos teus compatriotas que o Senhor, teu Deus, escolher. De maneira nenhuma deves pôr como teu rei um estrangeiro, que o Senhor não escolheu.

16De qualquer modo, o rei não deve preocupar-se em ter muitos cavalos, nem mandar gente ao Egito para conseguirem mais cavalos17,16 Comparar com 1 Rs 10,26–28; 2 Cr 1,14–16; 9,25–28., porque o Senhor disse que nunca mais caminhassem em direção ao Egito.

17Também não deve ter muitas mulheres17,17 Ver 1 Rs 11,1–8., para não correr o risco de se desencaminhar; nem deve acumular muita prata e muito ouro17,17 Ver 1 Rs 10,14–27; 2 Cr 1,15; 9,13–27..

18E, quando ele estiver instalado no seu trono real, deve mandar fazer uma cópia desta lei, feita sobre o original que está ao cuidado dos sacerdotes levitas17,18 Ver nota ao v. 9.. 19Deve tê-la sempre consigo, para a ler durante toda a sua vida, para aprender a respeitar o Senhor, seu Deus, para cumprir tudo o que está nesta lei e pôr em prática todos estes preceitos. 20Não deve sentir-se mais importante que os seus compatriotas, nem desviar-se desses mandamentos para um lado ou para o outro. Desta maneira, tanto ele como os seus sucessores terão longo reinado, à frente do povo de Israel.»

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Direitos dos sacerdotes

181«Todos os membros da tribo de Levi, quer sejam sacerdotes quer sejam simples levitas, não terão parte na distribuição da terra com o resto do povo de Israel. Devem alimentar-se das ofertas feitas ao Senhor e do que lhe pertence. 2Eles não têm herança como têm os seus compatriotas. O Senhor é a sua herança, como lhe prometeu18,2 Ver Nm 18,20..

3Os sacerdotes têm direito a receber de todos os israelitas que forem oferecer um sacrifício, seja de bois seja de qualquer outro animal, a espádua, as mandíbulas e o estômago. 4Devem dar-lhes igualmente das primícias do trigo, do vinho, do azeite e da lã das primeiras ovelhas que forem tosquiadas. 5A tribo de Levi, com todos os seus descendentes, foi escolhida dentre todas as tribos, para se dedicar ao serviço do Senhor, para sempre.

6Se um levita, que vive em qualquer das cidades de Israel, desejar ir para o lugar que o Senhor escolher, 7poderá lá servir o Senhor, seu Deus, tal como os outros levitas seus companheiros que servem diante do Senhor. 8E receberá uma porção de alimentos igual à dos outros, sem contar aquilo que ele conseguir obter pela venda dos seus bens de família18,8 Ou: Isto não se aplica aos sacerdotes que fazem adivinhação.

Contra a adivinhação

9«Quando chegares à terra que o Senhor, teu Deus, te vai dar, não te ponhas a fazer as coisas abomináveis que aqueles povos fazem. 10Que ninguém ofereça o seu filho ou filha em sacrifício aos deuses, queimando-os no fogo; 11que ninguém pratique encantamentos, ou a adivinhação, ou a magia ou a superstição; que ninguém pratique feitiçarias, ou consulte os espíritos, ou procure visões ou consulte os mortos18,11 Os v. 10–11 enumeram várias formas de magia e consulta dos mortos. Ver Ex 22,17; Lv 19,26.31.. 12Todos os que praticam essas coisas tornam-se abomináveis para o Senhor. E é por causa de tais abominações que o Senhor, vosso Deus, os expulsa da vossa frente. 13Deves ser honesto para com o Senhor, teu Deus.

14Esses povos que vão ser desalojados da vossa frente dão ouvidos aos adivinhos e encantadores, mas a vocês o Senhor, vosso Deus, não permite semelhante coisa.»

Os profetas do Senhor

15«O Senhor, vosso Deus, há de dar-vos sempre um profeta como eu, escolhido entre os vossos compatriotas. É a ele que devem escutar18,15 Ver At 3,22; 7,37..

16Na verdade, foi isto mesmo que pediram ao Senhor, vosso Deus, no monte Horeb, no dia da reunião solene, quando disseram: “Não posso voltar a ouvir falar o Senhor, meu Deus, nem posso continuar a ver este enorme fogo, senão morro18,16 Ver 5,25.!” 17E o Senhor, meu Deus, declarou: “Estou de acordo com aquilo que eles dizem. 18Hei de fazer surgir, no meio deles e dentre os seus compatriotas, um profeta semelhante a ti. Hei de dar-lhe a conhecer a minha palavra e ele há de dar-vos a conhecer tudo o que eu lhe mandar.

19E se alguém não escutar as minhas palavras, que esse profeta transmitirá em meu nome, eu mesmo lhe hei de pedir contas disso18,19 Ver At 3,23..

20Mas se um profeta tiver a ousadia de se pôr a falar em meu nome, dizendo coisas que eu não mandei, ou se falar em nome de outros deuses, será condenado à morte.”

21Podes perguntar a ti mesmo: “Como é que havemos de distinguir as palavras que não vêm da parte do Senhor?” 22Se um profeta pretender falar em nome do Senhor, mas aquilo que ele diz não se chega a cumprir, trata-se evidentemente duma palavra que não vem da parte do Senhor, mas é apenas da responsabilidade desse profeta. Por isso, não tenhas medo dele.»

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Cidades de refúgio

(Números 35,9–28)

191«O Senhor, teu Deus, vai eliminar os povos que estão na terra que te vai dar. Irás tomar posse dessa terra e ocuparás as suas casas e cidades. 2Separarás três cidades na terra que o Senhor, teu Deus, te dará por herança. 3Dividirás em três partes a terra que o Senhor, teu Deus, te fez herdar e prepararás o caminho, de modo que quem cometer homicídio possa refugiar-se ali19,3 Comparar com 4,41–43; Nm 35,9–34; Js 20..

4Este é o critério que dá direito a um homicida a procurar refúgio nelas e a salvar assim a sua vida. É o caso de alguém que, sem querer, causou a morte a outra pessoa, mas sem antes lhe querer mal nenhum. 5Por exemplo, um homem foi à floresta com um companheiro cortar árvores. Agarra no machado para cortar as árvores, mas o machado desencaba-se e o ferro vai ferir o companheiro, que cai morto. Esse homem pode fugir para uma das cidades de refúgio e salva a vida. 6Se não se refugiar, pode vir um parente do morto para o vingar19,6 Ver Nm 35,12 e nota; 35,19–27. e corre atrás do que o matou. Com a raiva que leva é capaz de o apanhar, porque a cidade de refúgio fica muito longe, e mata-o. Ora a verdade é que aquele homem não merecia a morte, porque nem sequer queria mal nenhum à pessoa que morreu. 7Por isso, te ordenei que escolhesses três cidades de refúgio.

8E, se algum dia o Senhor, teu Deus, estender o teu território, tal como prometeu aos teus antepassados, e te vier a entregar tudo o que prometeu dar-lhes19,8 Ver 1,8 e nota., 9então deves acrescentar mais outras três cidades de refúgio às três já existentes. O Senhor cumprirá essa promessa, se puseres em prática todos estes mandamentos e cumprires o que hoje te ordeno. 10Desta forma, na terra, que o Senhor, teu Deus, te vai dar em propriedade, ninguém virá a ser morto, quando estiver inocente; se tal viesse a acontecer tu serias responsável por isso.

11Mas se alguém que quer mal a outra pessoa, lhe sai ao caminho e cai sobre ela e a mata, fugindo depois para uma dessas cidades de refúgio, 12os anciãos da sua cidade devem mandá-lo buscar e pô-lo à disposição do parente que quer vingar o morto e será condenado à morte. 13Não tenhas pena dele. Assim acabarás com a morte de pessoas inocentes em Israel e tudo te correrá bem.

14Quando estiveres de posse da terra, que o Senhor, teu Deus, te vai dar, não deves alterar os limites das propriedades do teu vizinho. Deves deixá-los como foram marcados pelos teus antepassados19,14 Ver 27,17.

Contra os falsos testemunhos

15«Uma só testemunha não basta para acusar uma pessoa de ter cometido uma maldade, um crime ou um pecado qualquer. A acusação só é válida quando for feita por duas ou três testemunhas19,15 Ver Dt 17,6; Nm 35,30; Mt 18,16; 2 Co 13,1; 1 Tm 5,19; Hb 10,28..

16Se aparecer alguém com falso testemunho contra uma pessoa, acusando-a de um crime, 17então as duas pessoas, acusador e acusado, irão apresentar-se ao Senhor, diante dos sacerdotes e dos juízes que estiverem em função naquela altura. 18Os juízes procurarão averiguar bem a questão. Se verificarem que se trata de um falso testemunho, 19farão recair sobre o acusador o castigo que ele pretendia para o outro. E assim acabas com este mal do meio do teu povo. 20As outras pessoas, ao terem conhecimento do que se passou, terão tanto medo que nunca cometerão tal ação. 21Não tenhas pena do culpado. Deve-se exigir vida por vida, olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé19,21 Ver Ex 21,23–25; Lv 24,19–20; Mt 5,38.