a BÍBLIA para todos Edição Católica (BPTct)
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Saudação

11Da parte de Paulo, escolhido por Deus para ser apóstolo de Jesus Cristo, a todos os santos que vivem em Éfeso1,1 Sobre a comunidade de Éfeso, ver a Introdução a esta carta. A indicação dos efésios como destinatários falta em bastantes manuscritos antigos. Sobre a estadia de Paulo em Éfeso, ver At 18,19–21; 19,1–40. e são fiéis a Cristo Jesus. 2Que Deus, nosso Pai, e Jesus Cristo, nosso Senhor, vos concedam graça e paz.

O amor de Deus vem por Cristo

3Bendito1,3 Toda a perícope constitui uma espécie de hino, celebrando o papel fundamental de Cristo na criação e na salvação. seja Deus, Pai de nosso Senhor Jesus, que nos encheu de bênçãos espirituais em Cristo, nos céus.

4Pois, antes de o mundo existir, ele escolheu-nos para juntamente com Cristo sermos santos e irrepreensíveis e vivermos diante dele em amor. 5Ele destinou-nos para sermos seus filhos por meio de Cristo, conforme era seu desejo e vontade, 6para louvor da sua graça gloriosa que ele gratuitamente nos concedeu no seu amado Filho. 7Pelo sacrifício da sua morte fomos libertados e recebemos o perdão dos pecados1,7 Comparar com Cl 1,14., em virtude das riquezas da sua graça, 8que ele derramou abundantemente sobre nós com toda a sabedoria e entendimento. 9Deu-nos a conhecer o mistério da sua vontade e o plano generoso que tinha determinado realizar por meio de Cristo. 10Esse plano consiste em levar o Universo à sua realização total, reunindo todas as coisas em submissão a Cristo, tanto nos Céus como na Terra1,10 Ver Cl 1,16–20.. 11Foi também em Cristo que fomos escolhidos para sermos herdeiros1,11 Há aqui uma analogia com a partilha da terra prometida. Ver Js 13—19. do seu reino, destinados de acordo com o plano daquele que tudo opera conforme o propósito da sua vontade. 12Louvemos, portanto, a glória de Deus, nós que previamente1,12 Ou: que antes de outros nos fez viver, sem que se saiba muito bem a que precedência se estaria a fazer alusão. já pusemos a nossa esperança em Cristo.

13Foi em união com Cristo que também receberam a palavra da verdade, a boa nova da salvação. Foi também em união com Cristo que creram e foram selados com o Espírito Santo da promessa. 14O Espírito Santo é a garantia da herança que nos está prometida e que consiste na completa libertação dos que pertencem a Deus, para louvor da sua glória.

Cristo, plenitude do Universo

15Ouvi falar da vossa fé no Senhor Jesus e do vosso amor para com todos os santos. 16Por isso, não me canso de dar graças a Deus a vosso respeito e de vos lembrar nas minhas orações. 17Peço a Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, e digno de todo o louvor, que vos dê o Espírito de sabedoria e revelação para melhor o conhecerem. 18Que ele ilumine o vosso entendimento para poderem descobrir a grande esperança que o seu chamamento nos traz, a riqueza maravilhosa da herança que destinou aos seus escolhidos 19e o poder extraordinário que ele nos dá, a nós os crentes. Foi esse grande e extraordinário poder que ele manifestou no mais alto grau, 20ao ressuscitar Jesus Cristo da morte e ao dar-lhe o lugar de honra à sua direita, no céu1,20 Ver Sl 110,1; Mt 22,44; Mc 16,19; At 2,34; Hb 1,3; 8,1; 10,12; 12,2.. 21Colocou-o acima de todos os chefes, autoridades, poderes e domínios1,21 Estes nomes designam seres espirituais que, segundo a mentalidade daquele tempo, governavam o Universo e as ações religiosas dos homens. Ver Ef 2,2; 3,10; 6,12; Cl 1,16; Gl 4,3. e acima de todos os que têm poder neste mundo e no que há de vir. 22Submeteu todas as coisas à autoridade de Cristo1,22 Ver Sl 8,7. e pô-lo à cabeça de todas as coisas para bem da igreja. 23A igreja é o corpo de Cristo e ele, que enche o Universo inteiro, está nela em toda a sua plenitude1,23 Ver Ef 4,10; Cl 1,19..

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Da morte para a vida

21Outrora estavam mortos, por causa dos vossos delitos e pecados. 2O espírito deste mundo levava-vos a viverem dessa maneira. Andavam sujeitos ao chefe das forças do mal, àquele que ainda agora atua nos que são desobedientes a Deus. 3Todos nós estávamos na mesma condição, dominados pelos nossos maus desejos. Obedecíamos a esses maus desejos e pensamentos, e estávamos naturalmente destinados, como os outros, a receber o castigo de Deus.

4Mas Deus, que é rico em misericórdia, mostrou por nós um grande amor. 5Estando nós mortos, por causa dos nossos delitos, ele deu-nos a vida juntamente com Cristo. É pela sua graça que estão salvos. 6Pois Deus ressuscitou-nos juntamente com Cristo Jesus e com ele nos fez tomar parte no seu reino celestial. 7Desta maneira, quis mostrar para sempre a todos os que hão de existir a imensa riqueza dos favores que nos concedeu por meio de Jesus Cristo.

8Porque é pela graça que estão salvos, mediante a fé. E isto não é mérito vosso, é dom de Deus. 9Não vem das obras para que ninguém se glorie. 10Pois somos obra das suas mãos, criados em Cristo Jesus para vivermos na prática das boas obras, as quais de antemão Deus preparou para nós.

Cristo, pedra principal

11Lembrem-se, portanto, de que outrora eram considerados pelos judeus como pagãos por não serem judeus de nascimento e não terem recebido a circuncisão praticada na carne. 12Lembrem-se de que naquele tempo estavam longe de Cristo e não faziam parte do povo de Israel. Não eram abrangidos pelas promessas da aliança e andavam no mundo sem esperança e sem Deus. 13Mas, se antes estavam longe, agora, por meio da morte de Cristo, estão perto dele.

14Cristo é de facto a nossa paz. De dois povos separados fez um só povo. Com o sacrifício da sua vida ele destruiu o muro que os separava e os tornava inimigos um do outro. 15Aboliu a lei judaica com os seus regulamentos e decretos para, a partir de judeus e não-judeus, formar uma Humanidade nova, em união com ele, fazendo a paz, 16a fim de os reconciliar com Deus num só corpo, por meio da sua cruz, destruindo por ela o ódio que os dividia. 17Cristo veio, portanto, anunciar a boa nova da paz, tanto aos que como vós estavam longe, como também aos que estavam perto2,17 Comparar com Is 57,19; 52,7; Zc 9,10.. 18Graças a ele, podemos agora, tanto uns como outros, chegar ao Pai, guiados pelo mesmo Espírito.

19Portanto, já não são estrangeiros nem hóspedes. Fazem parte do povo santo de Deus e são membros da sua família. 20Formam um único edifício, que tem por alicerces os apóstolos e os profetas e do qual Jesus Cristo é a pedra principal. 21É em Cristo que todo o edifício2,21 Alguns manuscritos antigos têm: qualquer edifício. está seguro e cresce até se transformar num templo consagrado ao Senhor. 22É igualmente em Cristo que fazem parte desse edifício, que é a casa onde Deus habita pelo seu Espírito.

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Missão de Paulo entre os não-judeus

31É por isso que eu, Paulo, estou preso, por amor de Cristo Jesus, para benefício daqueles que como vós não são judeus. 2Com certeza, já ouviram falar da missão que Deus, com a sua graça, me confiou para vosso bem. 3Ele deu-me a conhecer o seu plano misterioso3,3 Referência ao plano eterno de salvação, por meio de Cristo. Ver Ef 1,9–10; Cl 1,26.. Já antes tratei deste assunto rapidamente. 4E se voltarem a ler o que então escrevi, podem dar-se conta daquilo que eu penso desse plano misterioso que se realiza em Cristo.

5No passado, ninguém tinha conhecimento desse plano, mas agora foi revelado aos santos apóstolos e profetas, por meio do Espírito Santo. 6O plano consiste em que pelo evangelho de Jesus Cristo e em união com ele, os não-judeus têm parte na mesma herança, são membros do mesmo corpo e participam da mesma promessa. 7É deste evangelho que eu sou porta-voz, por um privilégio especial que Deus, pelo seu poder e iniciativa, me concedeu. 8Eu sou o mais insignificante de todos os santos, mas foi-me concedida a graça de anunciar aos não-judeus a boa nova das infinitas riquezas de Cristo. 9Devo dar a conhecer a todos o plano misterioso que Deus, criador de todas as coisas, tinha preparado desde o princípio, sem o manifestar. 10Mas agora até os poderes e as autoridades3,10 Ver 1,21 e nota. do céu devem ficar a conhecer, por meio da igreja, a imensidão da sabedoria de Deus. 11Este é o plano que Deus traçou desde o princípio e que realizou por meio de Jesus Cristo, nosso Senhor. 12É pela fé em Cristo, e em união com ele, que nós sentimos a liberdade de nos apresentarmos diante de Deus, cheios de confiança. 13Por isso vos peço que não se preocupem com os sofrimentos que tenho de passar por vossa causa. Isso deve ser para vós motivo de honra.

Imensidão do amor de Cristo

14Por este motivo, eu me ajoelho em oração diante de Deus Pai3,14 Vários manuscritos antigos acrescentam: de nosso Senhor Jesus Cristo., 15do qual toda a paternidade, tanto no Céu como na Terra, recebe o nome. 16Que ele vos conceda, com a riqueza da sua glória, a força de se manterem interiormente firmes e seguros, pelo Espírito. 17Também peço a Deus que Cristo habite pela fé nos vossos corações e que estejam bem arraigados e alicerçados no amor, 18para poderem compreender, com todos os crentes, a grandeza, a largueza, a imensidão e a profundidade do amor de Cristo. 19Que sejam capazes de conhecer o amor de Cristo, ainda que ele ultrapasse qualquer possibilidade de conhecimento, para que Deus vos encha com toda a sua plenitude3,19 A afirmação que o amor de Cristo ultrapassa qualquer possibilidade de conhecimento é de grande importância, num ambiente em que se atribuía grande valor a qualquer forma de conhecimento religioso. A parte final do versículo seria, segundo o texto de alguns manuscritos antigos, para que Cristo vos encha com toda a sua riqueza.. 20Dêmos louvores a Deus, o qual, pela força que nos concede, tem poder para realizar muito mais do que aquilo que nós pedimos ou somos capazes de imaginar. 21Dêmos-lhe glória por meio da igreja e de Jesus Cristo, agora e para todo o sempre. Ámen.