a BÍBLIA para todos Edição Católica (BPTct)
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Haman faz planos para acabar com os judeus

31[1] Depois destes eventos, Artaxerxes promoveu Haman, filho de Hamedata e descendente de Agague3,1 Ver A,17 e nota., e colocou-o no cargo de primeiro-ministro. 2[2] O rei ordenou que, em sinal de respeito, todos os funcionários do palácio se prostrassem diante de Haman, quando se encontrassem com ele. E todos começaram a fazer isso, menos Mardoqueu, que não se ajoelhava diante de Haman. 3[3] Então os outros funcionários perguntaram a Mardoqueu por que é que não obedecia à ordem do rei. 4[4] Todos os dias insistiam com Mardoqueu para que obedecesse, mas ele não lhes ligava. Então foram dizer a Haman que Mardoqueu estava contra a ordem do rei. Mardoqueu tinha-lhes explicado que não obedecia porque era judeu. 5[5] Quando soube que Mardoqueu não se ajoelhava diante dele, Haman ficou furioso 6[6] e resolveu acabar com todos os judeus que havia no reino de Artaxerxes. 7[7] No ano doze do reinado de Artaxerxes, Haman assinou uma ordem mandando que tirassem à sorte, a fim de resolver em que dia e mês seria morta, num só dia, a raça de Mardoqueu. A sorte caiu no dia catorze do mês de Adar. 8[8] Haman foi dizer ao rei o seguinte: «No meio de todos os povos do teu reino está espalhado um povo cujas leis são diferentes das leis dos outros povos. E esse povo não obedece às tuas leis, ó rei. Portanto, não convém que continues a tolerar essa gente. 9[9] Se quiseres, assina um decreto ordenando que todos sejam mortos, e eu entregarei ao tesouro do rei trezentos e quarenta e dois mil quilos de prata.» 10[10] Então o rei tirou o seu anel3,10 Anel. Os reis e as altas autoridades usavam anéis com gravações em alto-relevo, para carimbar documentos oficiais. do dedo e deu-o a Haman para que ele carimbasse o decreto contra os judeus. 11[11] Disse o rei a Haman: «Fica com o dinheiro e faz com essa gente o que quiseres.» 12[12] No dia treze do primeiro mês, Haman mandou chamar os secretários do palácio e, conforme Haman ordenou, eles escreveram cartas em nome do rei aos chefes militares e aos governadores de todas as cento e vinte e sete províncias que iam desde a Índia até à Etiópia. As cartas eram também para as autoridades de todos os povos do reino. A ordem foi escrita na língua de cada povo, assinada em nome do rei Artaxerxes e selada com o selo do anel real. 13[13] As cartas foram levadas por mensageiros a todas as províncias reais e continham a seguinte ordem: «No dia primeiro do décimo segundo mês, o mês de Adar, acabar com a raça dos judeus e ficar com tudo o que é deles3,13 O capítulo 3 continua depois do capítulo B.

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O decreto contra os judeus

16[1] O decreto dizia assim: «O grande rei Artaxerxes escreve o seguinte aos governadores e aos seus funcionários das cento e vinte e sete províncias que vão desde a Índia até à Etiópia: 17[2] Desde que me tornei rei de muitos povos e senhor do mundo inteiro, tenho desejado fazer com que toda a gente do meu reino viva uma vida sossegada; tenho desejado criar um reino civilizado, em que todos possam viajar sem perigo por toda a parte, e assim fazer voltar a paz que todos desejam. Resolvi fazer isso, não porque o meu poder me tenha deixado cheio de orgulho, mas porque quero governar sempre com bondade e sem violência. 18[3] Perguntei aos meus conselheiros como é que poderia realizar os meus planos e Haman deu uma sugestão. De todos os meus conselheiros ele é o mais sábio e sempre tem mostrado boa vontade e tem-me sido muito fiel; por isso, tem a honra de ocupar a segunda posição mais elevada no reino. 19[4] Ele contou-nos que entre todos os povos do reino está espalhado um povo revoltado, que tem leis diferentes das leis de todos os outros povos e que não obedece às ordens do rei. Por causa deles, nós não temos podido manter unido o nosso reino, que é o que temos tentado fazer com as melhores intenções. 20[5] Tendo em conta que esse povo é o único que sempre está contra todos os outros povos; tendo em conta que, por causa das suas leis estranhas, são uma gente que leva uma vida diferente da dos outros; tendo em conta que eles são contra os nossos interesses e cometem os piores crimes, pondo em perigo a segurança do nosso reino. 21[6] Tendo em conta tudo isto, decretamos que sejam mortos todos os indivíduos cujos nomes estão na carta escrita por Haman, o nosso primeiro-ministroB,6 Literalmente: nosso segundo pai., que é o responsável pelo governo. Que no dia catorze do décimo segundo mês, o mês de Adar, deste ano, todos, incluindo as mulheres e as crianças, sejam mortos à espada pelos seus inimigos, sem dó nem piedade. 22[7] Assim essa gente que sempre foi e continua a ser contra nós, morrerá com violência num só dia; e daí em diante o nosso governo terá segurança e paz.»

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23[14] Cópias desse decreto foram lidas em público em todas as províncias e foi dada a ordem para que, quando chegasse o dia marcado, todos estivessem prontos. 24[15] O decreto foi de imediato lido em público por toda a cidade de Susa. E enquanto a confusão se espalhava pela cidade, o rei e Haman embebedavam-se.

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Introdução e saudação

11Este livro contém a revelação de Jesus Cristo que ele recebeu de Deus, para a dar a conhecer aos seus servos. Trata-se de coisas que hão de acontecer brevemente e que Cristo deu a conhecer ao seu servo João por um anjo que lhe enviou.

2João atesta tudo quanto viu em relação à palavra e ao testemunho de Jesus Cristo. 3Feliz aquele que lê este livro e felizes os que ouvem estas palavras proféticas e guardam o que aqui está escrito1,3 O autor afirma que é preciso ler, ouvir e guardar estas palavras. A Sagrada Escritura foi escrita por causa desta triologia verbal: ler, ouvir e guardar. Quem assim fizer, será feliz., porque tudo isto há de acontecer em breve.

4Eu, João, dirijo-me às sete igrejas da província da Ásia1,4 As sete igrejas são enumeradas no v. 11.. Desejo-vos graça e paz da parte daquele que é, que era e que há de vir, e ainda da parte dos sete espíritos1,4 Sete Espíritos. O número sete simboliza a perfeição. Os sete espíritos simbolizam, portanto, a ação misteriosa de Deus na história dos homens. que estão diante do seu trono, 5e de Jesus Cristo, a testemunha fiel, o primeiro dos ressuscitados, o soberano dos reis da Terra.

Cristo ama-nos e pela sua morte libertou-nos dos nossos pecados. 6Ele fez de nós um reino de sacerdotes para Deus, seu Pai. A ele seja dada glória e o poder para todo o sempre. Ámen.

7Eis que ele vem com as nuvens.

Toda a gente o verá,

até mesmo os que o mataram.

Todos os povos da Terra se lamentarão por ele.

Assim há de ser! Ámen!

8Eu sou o Alfa e o Ómega1,8 Alfa e Ómega. Primeira e última letra do alfabeto grego (21,2; 22,13). A expressão significa: o Primeiro e o Último ou o Princípio e o Fim., diz o Senhor Deus, aquele que é, que era e que há de vir, o Todo-Poderoso.

Cristo revela-se a João

9Eu sou João, vosso irmão, e participo convosco nas mesmas perseguições no reino de Deus e na perseverança por Jesus. Encontrava-me na ilha de Patmos1,9 Patmos. Pequena ilha do mar Egeu para onde os romanos exilavam as pessoas que julgavam politicamente indesejadas. por ter proclamado a palavra de Deus e o testemunho de Jesus. 10O Espírito de Deus apoderou-se de mim, no dia do Senhor, e eu ouvi atrás de mim uma voz forte que parecia a voz duma trombeta. 11Dizia assim: «Escreve num livro aquilo que vais ver, e manda-o às sete igrejas: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodiceia.» 12Voltei-me para ver quem é que me falava e, ao voltar-me, vi sete castiçais de ouro1,12 Sete castiçais. Representam as sete igrejas a quem o autor escreveu. Ver 1,20.. 13E no meio dos castiçais estava alguém semelhante ao Filho do Homem vestido até aos pés com uma túnica comprida e uma faixa dourada à volta do peito. 14A sua cabeça e os seus cabelos eram brancos como a lã ou como a neve e os seus olhos eram ardentes como o fogo. 15Os seus pés brilhavam como bronze fundido na fornalha e a sua voz era como o ruído das grandes cascatas1,15 Para os v. 13–15, ver Dn 7,13; 10,5; 7,9; 10,6.. 16Na sua mão direita tinha sete estrelas; da sua boca saía uma espada de dois gumes muito afiada e o seu rosto brilhava como o sol do meio-dia.

17Quando o vi, caí aos seus pés como morto. Mas ele pôs a sua mão direita em cima de mim e disse: «Não tenhas medo! Eu sou o primeiro e o último1,17 Para os v. 16–17, ver Is 49,2; Hb 4,12; Is 44,6; 48,12.. 18Eu sou aquele que está vivo! Estive morto, mas agora vivo para sempre. Eu tenho poder sobre a morte e sobre o mundo dos mortos. 19Escreve pois aquilo que viste, o que está a acontecer agora e o que vai acontecer mais tarde. 20O significado das sete estrelas que viste na minha mão direita e dos sete castiçais de ouro é o seguinte: as sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete castiçais são essas sete igrejas.»