a BÍBLIA para todos Edição Católica (BPTct)
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Mardoqueu pede a ajuda de Ester

41[1] Mardoqueu soube de tudo isto. Então, em sinal de tristeza, rasgou a roupa que estava a usar, vestiu uma roupa feita de pano grosseiro, pôs cinzas na cabeça e saiu a correr pela cidade, gritando em voz alta: «Vão acabar com um povo inocente!» 2[2] Quando chegou à entrada do palácio, parou, pois não podia entrar no palácio quem vestisse roupa feita de pano grosseiro e estivesse com cinzas na cabeça. 3[3] Em todas as províncias onde foi lida a ordem do rei, os judeus começaram a gritar, a chorar e a lamentar-se, vestiram roupas feitas de pano grosseiro e puseram cinzas na cabeça. 4[4] As empregadas e os eunucos que trabalhavam para a rainha Ester foram contar-lhe o que tinha acontecido. Ester ficou muito aflita com a notícia e mandou roupas para Mardoqueu vestir, mas ele não quis. 5[5] Então ela mandou chamar Acrateu, um dos eunucos que tinham sido escolhidos para a servir, e ordenou que fosse falar com Mardoqueu para saber exatamente o que estava a acontecer. 6[6] [Acrateu foi procurar Mardoqueu na praça que ficava à entrada do portão da cidade4,6 Alguns manuscritos acrescentam este versículo..] 7[7] Mardoqueu contou-lhe tudo o que tinha acontecido e falou da promessa que Haman havia feito ao rei, de entregar ao tesouro do rei trezentos e quarenta e dois mil quilos de prata para acabar com os judeus. 8[8] Mardoqueu entregou a Acrateu uma cópia do decreto que tinha sido lido em Susa, no qual era ordenado que os judeus fossem mortos, e pediu que ele a levasse a Ester. Pediu também a Acrateu que desse um recado a Ester. Neste recado Mardoqueu mandava que ela fosse falar com o rei e insistisse com ele para que tivesse pena do seu povo. Mardoqueu disse ainda a Acrateu: «Diz a Ester para não se esquecer de que foi criada na minha pobre casa. E agora Haman, que ocupa a segunda posição mais alta do reino, falou mal de nós ao rei e quer matar-nos. Diz-lhe que ore ao Senhor e fale com o rei a nosso favor e nos salve da morte!» 9[9] Acrateu foi e contou tudo isso a Ester. 10[10] Ela mandou-o levar a Mardoqueu a seguinte resposta: 11[11] «Todos os povos do reino sabem que ninguém, seja homem ou mulher, pode entrar sem licença no pátio interior do palácio para falar com o rei. Sem essa licença, a pessoa será morta. Apenas se salvará se o rei estender o seu cetro de ouro para ela, e já faz um mês que o rei não me manda chamar.» 12[12] Quando Acrateu deu a Mardoqueu a resposta de Ester, 13[13] Mardoqueu disse-lhe que voltasse e desse a Ester o seguinte recado: «Não penses que, entre todos os judeus do reino, só tu escaparás da morte. 14[14] Se ficares calada numa situação como esta, do céu virão socorro e ajuda para os judeus, porém tu e a família do teu pai morrerão. Mas quem sabe, talvez te tenhas tornado rainha justamente para ajudar numa situação como esta!» 15[15] Ester mandou que Acrateu voltasse e desse a Mardoqueu este recado: 16[16] «Reúne todos os judeus que estiverem em Susa e jejuem todos por mim. Durante três dias não comam nem bebam nada, nem de dia nem de noite. Eu e as minhas empregadas também vamos jejuar. Depois mesmo sendo contra a lei, eu irei falar com o rei; e se tiver de morrer por causa disso, morrerei.» 17[17] Então Mardoqueu foi e fez tudo o que Ester tinha ordenado.

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A oração de Mardoqueu

18[1] E Mardoqueu, lembrando-se de tudo o que o Senhor tinha feito, orou assim: 19[2] «Senhor! Senhor, tu és o Rei todo-poderoso; tu dominas sobre todas as coisas e, se quiseres salvar o povo de Israel, não haverá quem possa resistir. 20[3] Tu fizeste o céu e a terra e todas as coisas maravilhosas que há no mundo. Tu és o Senhor de tudo e não há quem possa ir contra ti, Senhor. 21[4] Tu conheces todas as coisas e sabes, Senhor, que não foi por orgulho, vaidade ou arrogância que eu não me ajoelhei diante de Haman, aquele homem orgulhoso. Sabes que para salvar o povo de Israel estou pronto a beijar a sola dos pés daquele homem. 22[5] Agi assim para não dar a um homem mais glória do que aquela que te dou a ti, ó Deus. Somente diante de ti, meu Senhor, é que eu me ajoelharei; não me ajoelharei diante de mais ninguém. E não é por orgulho que o faço. 23[6] E agora, Senhor Deus, Rei, Deus de Abraão, porque existem pessoas que nos querem matar, gente que tenta acabar com o povo que sempre foi teu, 24[7] não desprezes este teu povo que tiraste da terra do Egito para que fosse somente teu. 25[8] Ouve a minha oração; tem piedade do teu povo e transforma o nosso luto em festa, a fim de que vivamos e cantemos hinos de louvor a ti, Senhor. Salva-nos da morte para que possamos continuar a louvar-te.» 26[9] E todos os judeus clamaram em voz bem alta, pedindo socorro a Deus, pois viam que a morte estava próxima.

A oração de Ester

27[10] A rainha Ester, numa aflição de morte, procurou a proteção do Senhor. Tirou as suas roupas de luxo e vestiu roupas de luto e tristeza; em vez de perfumes caros, ela pôs cinzas e lixo na cabeça; descuidou completamente o seu corpo e deixou que os seus cabelos soltos e despenteados cobrissem o corpo que tanto gostava de enfeitar. Ela orou ao Senhor, o Deus de Israel, dizendo: 28[11] «Ó meu Senhor, nosso Rei, tu és o único Deus. Salva-me, pois estou sozinha; tu és a minha única ajuda e estou prestes a arriscar a minha vida. 29[12] Aprendi desde criança com os meus pais e os meus parentes que tu, ó Senhor, entre todos os povos, escolheste o povo de Israel e escolheste os nossos pais, entre todos os seus antepassados, para serem teus para sempre, e trataste-os como prometeste. 30[13] Mas temos pecado contra ti e tu entregaste-nos nas mãos dos nossos inimigos, por termos prestado homenagem aos seus deuses. Tu és justo, ó Senhor! 31[14] Porém os nossos inimigos não se contentaram em fazer-nos sofrer uma escravidão cruel; agora juraram aos seus ídolos que irão obrigar-nos a abandonar a tua lei, que irão acabar com o teu povo, matar aqueles que te louvam, apagar a glória do teu templo e destruir o teu altar. 32[15] Com isso, os pagãos louvarão os deuses falsos e prestarão homenagem para sempre a um rei mortal. 33[16] Ó Senhor, não entregues o teu poder aos ídolos! Não deixes que os nossos inimigos zombem da nossa desgraça, mas faz com que os seus planos causem a sua própria desgraça. Castiga aquele homem que planeou este mal contra nós; que ele sirva de exemplo para os outros. 34[17] Lembra-te de nós, Senhor! Vem socorrer-nos nesta hora de aflição. Dá-me coragem, ó Rei dos deuses, ó Senhor todo-poderoso. 35[18] Quando eu for falar com aquele leão4,35 Referência ao rei Artaxerxes., dá-me palavras agradáveis para dizer. Muda o seu coração para que odeie aquele que luta contra nós, a fim de que aquele homem e todos os seus companheiros morram. 36[19] Salva-nos com o teu poder e socorre-me, pois estou sozinha, Senhor, e não tenho nenhuma ajuda além da que vem de ti. 37[20] Senhor, tu conheces todas as coisas; tu sabes que odeio as homenagens que esses pagãos me prestam e tenho nojo de me deitar com um desses estrangeiros incircuncisos. 38[21] Tu bem conheces a minha situação difícil; detesto a coroa de rainha que tenho de usar quando apareço em público; detesto-a como se fosse um trapo imundo e só a uso quando sou obrigada. 39[22] Eu, tua serva, não como à mesa de Haman. Não honro com a minha presença os banquetes do rei nem bebo do vinho que ele oferece aos seus deuses. 40[23] Desde que aqui cheguei, o meu único prazer tem sido adorar-te a ti, ó Senhor, Deus de Abraão. 41[24] Ó Deus todo-poderoso, ouve os pedidos do teu povo desesperado; salva-nos desses malfeitores e livra-me do meu medo!»

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Introdução e saudação

11Este livro contém a revelação de Jesus Cristo que ele recebeu de Deus, para a dar a conhecer aos seus servos. Trata-se de coisas que hão de acontecer brevemente e que Cristo deu a conhecer ao seu servo João por um anjo que lhe enviou.

2João atesta tudo quanto viu em relação à palavra e ao testemunho de Jesus Cristo. 3Feliz aquele que lê este livro e felizes os que ouvem estas palavras proféticas e guardam o que aqui está escrito1,3 O autor afirma que é preciso ler, ouvir e guardar estas palavras. A Sagrada Escritura foi escrita por causa desta triologia verbal: ler, ouvir e guardar. Quem assim fizer, será feliz., porque tudo isto há de acontecer em breve.

4Eu, João, dirijo-me às sete igrejas da província da Ásia1,4 As sete igrejas são enumeradas no v. 11.. Desejo-vos graça e paz da parte daquele que é, que era e que há de vir, e ainda da parte dos sete espíritos1,4 Sete Espíritos. O número sete simboliza a perfeição. Os sete espíritos simbolizam, portanto, a ação misteriosa de Deus na história dos homens. que estão diante do seu trono, 5e de Jesus Cristo, a testemunha fiel, o primeiro dos ressuscitados, o soberano dos reis da Terra.

Cristo ama-nos e pela sua morte libertou-nos dos nossos pecados. 6Ele fez de nós um reino de sacerdotes para Deus, seu Pai. A ele seja dada glória e o poder para todo o sempre. Ámen.

7Eis que ele vem com as nuvens.

Toda a gente o verá,

até mesmo os que o mataram.

Todos os povos da Terra se lamentarão por ele.

Assim há de ser! Ámen!

8Eu sou o Alfa e o Ómega1,8 Alfa e Ómega. Primeira e última letra do alfabeto grego (21,2; 22,13). A expressão significa: o Primeiro e o Último ou o Princípio e o Fim., diz o Senhor Deus, aquele que é, que era e que há de vir, o Todo-Poderoso.

Cristo revela-se a João

9Eu sou João, vosso irmão, e participo convosco nas mesmas perseguições no reino de Deus e na perseverança por Jesus. Encontrava-me na ilha de Patmos1,9 Patmos. Pequena ilha do mar Egeu para onde os romanos exilavam as pessoas que julgavam politicamente indesejadas. por ter proclamado a palavra de Deus e o testemunho de Jesus. 10O Espírito de Deus apoderou-se de mim, no dia do Senhor, e eu ouvi atrás de mim uma voz forte que parecia a voz duma trombeta. 11Dizia assim: «Escreve num livro aquilo que vais ver, e manda-o às sete igrejas: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodiceia.» 12Voltei-me para ver quem é que me falava e, ao voltar-me, vi sete castiçais de ouro1,12 Sete castiçais. Representam as sete igrejas a quem o autor escreveu. Ver 1,20.. 13E no meio dos castiçais estava alguém semelhante ao Filho do Homem vestido até aos pés com uma túnica comprida e uma faixa dourada à volta do peito. 14A sua cabeça e os seus cabelos eram brancos como a lã ou como a neve e os seus olhos eram ardentes como o fogo. 15Os seus pés brilhavam como bronze fundido na fornalha e a sua voz era como o ruído das grandes cascatas1,15 Para os v. 13–15, ver Dn 7,13; 10,5; 7,9; 10,6.. 16Na sua mão direita tinha sete estrelas; da sua boca saía uma espada de dois gumes muito afiada e o seu rosto brilhava como o sol do meio-dia.

17Quando o vi, caí aos seus pés como morto. Mas ele pôs a sua mão direita em cima de mim e disse: «Não tenhas medo! Eu sou o primeiro e o último1,17 Para os v. 16–17, ver Is 49,2; Hb 4,12; Is 44,6; 48,12.. 18Eu sou aquele que está vivo! Estive morto, mas agora vivo para sempre. Eu tenho poder sobre a morte e sobre o mundo dos mortos. 19Escreve pois aquilo que viste, o que está a acontecer agora e o que vai acontecer mais tarde. 20O significado das sete estrelas que viste na minha mão direita e dos sete castiçais de ouro é o seguinte: as sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete castiçais são essas sete igrejas.»