a BÍBLIA para todos Edição Católica (BPTct)
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O decreto a favor dos judeus

81[1] Naquele mesmo dia, o rei Artaxerxes deu a Ester todos os bens de Haman, o inimigo dos judeus. E Mardoqueu foi recebido pelo rei, porque Ester lhe contou que Mardoqueu era seu parente. 2[2] O rei tirou o seu anel8,2 Ver 3,10 e nota., que retirara de Haman, e deu-o a Mardoqueu. E Ester nomeou Mardoqueu como administrador de todos os bens que tinham sido de Haman. 3[3] Depois Ester dirigiu-se ao rei e lançou-se aos seus pés, pedindo-lhe que não deixasse que o terrível plano de Haman contra os judeus fosse executado. 4[4] O rei estendeu o cetro de ouro na direção de Ester e ela, pondo-se de pé diante dele, 5[5] disse: «Ó rei, se for do teu agrado, e se eu puder abusar da tua bondade, assina um decreto a anular a ordem que Haman deu para que todos os judeus do teu reino sejam mortos. 6[6] Pois eu não poderei suportar a destruição do meu povo. Como poderia eu salvar-me se todos os meus irmãos fossem mortos?» 7[7] O rei disse a Ester8,7 Alguns manuscritos têm: a Ester e ao judeu Mardoqueu.: «Dei-te todos os bens de Haman e ordenei que ele fosse enforcado por ter tentado acabar com os judeus. Se isso ainda não basta, 8[8] escrevam em meu nome o que quiserem aos judeus e selem as cartas com o meu anel. Pois uma carta escrita por ordem do rei e selada com o seu selo não pode ser anulada.» 9[9] No dia vinte e três do primeiro mês, o mês de Nisan, os secretários foram chamados e escreveram cartas aos judeus, nas quais havia ordens para os governadores e para os administradores das cento e vinte e sete províncias, que iam desde a Índia até à Etiópia. A cada província foi escrita uma carta na língua que era aí falada. 10[10] As cartas foram escritas em nome do rei, carimbadas com o seu anel e levadas por mensageiros. 11[11] Nas cartas o rei dava autorização aos judeus, que moravam em todas as cidades do reino, que seguissem as suas próprias leis. Dava também autorização para se defenderem e para tratarem os seus inimigos e adversários como quisessem, 12[12] em todo o reino de Artaxerxes, no dia marcado para a matança; isto é, no dia treze do décimo segundo mês, o mês de Adar8,12 O capítulo 8 continua depois do capítulo E..

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13[1] O decreto dizia o seguinte: 14[2] «Do grande rei Artaxerxes para os governadores das cento e vinte e sete províncias, que vão desde a Índia até à Etiópia, e a todos os que me são fiéis: saudações. 15[3] Há muitos que ficam orgulhosos quando recebem homenagens e são bem tratados pelos seus superiores. Não sabem como se comportar ao receberem tantos favores e, não só procuram maltratar as pessoas que eu governo, como também fazem planos para prejudicar os seus benfeitores. 16[4] Nunca agradecem aos outros; pelo contrário, ficam cheios de orgulho quando são elogiados por pessoas sem juízo. Pensam que poderão escapar do justo castigo de Deus, que vê todas as coisas e não suporta a maldade. 17[5] Às vezes, acontece que as autoridades põem em altas posições homens que parecem amigos, e então elas também se tornam culpadas quando esses homens tentam matar pessoas inocentes e causam males que não podem ser desfeitos. 18[6] Com a sua malícia e as suas mentiras, esses amigos aproveitam-se da boa fé e das boas intenções das autoridades superiores. 19[7] Não é preciso lembrarmo-nos das histórias que temos ouvido a respeito de coisas que aconteceram há muitos anos; é só olhar para o que está a acontecer agora. Quantos crimes estão a ser praticados por essa peste de governantes sem moral? 20[8] Portanto, no futuro, farei tudo o que for possível para garantir paz e segurança a todos os que habitam no meu reino. 21[9] Farei as mudanças que forem necessárias e julgarei com cuidado e justiça todas as causas que eu tiver de resolver. 22[10] Vejam, por exemplo, o caso de Haman, filho de Hamedata da Macedónia, que abusou da minha boa vontade. Esse homem não é persa; é um estrangeiro e não tem nem um pouco da minha bondade. Mesmo assim, recebi-o com gentileza 23[11] e tratei-o generosamente como trato todos os povos. Ele foi até proclamado PaiE,11 Ver 3,21 e nota. do reino, chegando a ocupar a segunda posição mais alta do governo; todos tinham de se ajoelhar diante dele. 24[12] Mas o seu enorme orgulho levou-o a tentar derrubar-me do poder e matar-me. 25[13] Com astúcia e mentiras ele tentou matar Mardoqueu, o homem que salvou a minha vida e sempre me serviu bem. Tentou matar também Ester, a nossa digníssima rainha, juntamente com todas as pessoas da sua raça. 26[14] Pensou que assim me apanharia de surpresa, fazendo com que os macedónios tomassem o poder que agora nos pertence a nós, os persas. 27[15] Mas descobri que os judeus, que esse louco queria matar, não são criminosos, mas um povo que é governado por leis muito justas. 28[16] Eles são filhos do Altíssimo, o Deus vivo e todo-poderoso, que tem conservado o nosso reino em ótimas condições, tanto no passado como no presente. 29[17] Portanto, é bom que não deem nenhuma importância às cartas escritas por Haman, filho de Hamedata, que planeou todo esse mal; 30[18] pois ele e a sua família foram enforcados na praça principal da cidade de Susa. O Deus todo-poderoso deu-lhe sem demora o castigo que ele merecia. 31[19] Coloquem cópias desta carta em todas as praças. Deixem que os judeus vivam de acordo com as suas leis 32[20] e deem-lhes a ajuda de que precisarem para se defenderem dos seus inimigos no dia marcado para a sua destruição, isto é, no dia treze do décimo segundo mês, o mês de Adar. 33[21] O Deus todo-poderoso fez com que o dia que está marcado para a destruição do seu povo escolhido seja um dia de festa para eles. 34[22] E vocês, judeus, comemorem esse dia importante com muita alegria, como costumam comemorar as vossas outras festas sagradas. 35[23] Assim, agora e no futuro, eu e as pessoas do meu reino, que me são fiéisE,23 Outra tradução: nós, os persas, e os nossos aliados., lembrar-nos-emos de como vocês foram salvos, e os nossos inimigos lembrar-se-ão de como eles mesmos foram destruídos. 36[24] Qualquer cidade ou província, seja qual for, que não obedecer às minhas ordens será completamente arrasada pela guerra e pelo fogo. Nunca mais ninguém vai querer morar ali, e até os animais selvagens e as aves terão horror daqueles lugaresE,24 Os versículos 1–12 vêm antes do capítulo E..

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37[13] Que em todo o reino cópias desta carta sejam colocadas em lugares públicos para que, no dia marcado, os judeus estejam prontos para lutar contra os seus inimigos.» 38[14] Os mensageiros montaram os seus cavalos e saíram depressa para cumprirem a ordem do rei. O decreto foi lido em público também em Susa. 39[15] Mardoqueu saiu do palácio, usando uma capa real, uma coroa de ouro e um turbante de linho cor de púrpura. Quando os moradores de Susa o viram ficaram muito contentes. 40[16] Brilhou assim para os judeus a luz da felicidade. 41[17] Em todas as cidades e províncias onde foi lida a ordem do rei, os judeus ficaram felizes e alegres e comemoraram com festas e banquetes. E, com medo dos judeus, muitos que não eram judeus circuncidaram-se e tornaram-se judeus.

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Introdução e saudação

11Este livro contém a revelação de Jesus Cristo que ele recebeu de Deus, para a dar a conhecer aos seus servos. Trata-se de coisas que hão de acontecer brevemente e que Cristo deu a conhecer ao seu servo João por um anjo que lhe enviou.

2João atesta tudo quanto viu em relação à palavra e ao testemunho de Jesus Cristo. 3Feliz aquele que lê este livro e felizes os que ouvem estas palavras proféticas e guardam o que aqui está escrito1,3 O autor afirma que é preciso ler, ouvir e guardar estas palavras. A Sagrada Escritura foi escrita por causa desta triologia verbal: ler, ouvir e guardar. Quem assim fizer, será feliz., porque tudo isto há de acontecer em breve.

4Eu, João, dirijo-me às sete igrejas da província da Ásia1,4 As sete igrejas são enumeradas no v. 11.. Desejo-vos graça e paz da parte daquele que é, que era e que há de vir, e ainda da parte dos sete espíritos1,4 Sete Espíritos. O número sete simboliza a perfeição. Os sete espíritos simbolizam, portanto, a ação misteriosa de Deus na história dos homens. que estão diante do seu trono, 5e de Jesus Cristo, a testemunha fiel, o primeiro dos ressuscitados, o soberano dos reis da Terra.

Cristo ama-nos e pela sua morte libertou-nos dos nossos pecados. 6Ele fez de nós um reino de sacerdotes para Deus, seu Pai. A ele seja dada glória e o poder para todo o sempre. Ámen.

7Eis que ele vem com as nuvens.

Toda a gente o verá,

até mesmo os que o mataram.

Todos os povos da Terra se lamentarão por ele.

Assim há de ser! Ámen!

8Eu sou o Alfa e o Ómega1,8 Alfa e Ómega. Primeira e última letra do alfabeto grego (21,2; 22,13). A expressão significa: o Primeiro e o Último ou o Princípio e o Fim., diz o Senhor Deus, aquele que é, que era e que há de vir, o Todo-Poderoso.

Cristo revela-se a João

9Eu sou João, vosso irmão, e participo convosco nas mesmas perseguições no reino de Deus e na perseverança por Jesus. Encontrava-me na ilha de Patmos1,9 Patmos. Pequena ilha do mar Egeu para onde os romanos exilavam as pessoas que julgavam politicamente indesejadas. por ter proclamado a palavra de Deus e o testemunho de Jesus. 10O Espírito de Deus apoderou-se de mim, no dia do Senhor, e eu ouvi atrás de mim uma voz forte que parecia a voz duma trombeta. 11Dizia assim: «Escreve num livro aquilo que vais ver, e manda-o às sete igrejas: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodiceia.» 12Voltei-me para ver quem é que me falava e, ao voltar-me, vi sete castiçais de ouro1,12 Sete castiçais. Representam as sete igrejas a quem o autor escreveu. Ver 1,20.. 13E no meio dos castiçais estava alguém semelhante ao Filho do Homem vestido até aos pés com uma túnica comprida e uma faixa dourada à volta do peito. 14A sua cabeça e os seus cabelos eram brancos como a lã ou como a neve e os seus olhos eram ardentes como o fogo. 15Os seus pés brilhavam como bronze fundido na fornalha e a sua voz era como o ruído das grandes cascatas1,15 Para os v. 13–15, ver Dn 7,13; 10,5; 7,9; 10,6.. 16Na sua mão direita tinha sete estrelas; da sua boca saía uma espada de dois gumes muito afiada e o seu rosto brilhava como o sol do meio-dia.

17Quando o vi, caí aos seus pés como morto. Mas ele pôs a sua mão direita em cima de mim e disse: «Não tenhas medo! Eu sou o primeiro e o último1,17 Para os v. 16–17, ver Is 49,2; Hb 4,12; Is 44,6; 48,12.. 18Eu sou aquele que está vivo! Estive morto, mas agora vivo para sempre. Eu tenho poder sobre a morte e sobre o mundo dos mortos. 19Escreve pois aquilo que viste, o que está a acontecer agora e o que vai acontecer mais tarde. 20O significado das sete estrelas que viste na minha mão direita e dos sete castiçais de ouro é o seguinte: as sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete castiçais são essas sete igrejas.»