a BÍBLIA para todos Edição Católica (BPTct)
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Haman é enforcado

71O rei e Haman foram, pois, ao banquete de Ester. 2E neste segundo banquete o rei perguntou novamente à rainha Ester: «Diz o que pretendes e eu to darei, ainda que seja metade do meu império.»

3Então a rainha Ester respondeu: «Se mereço a estima de Vossa Majestade e se achar bem aceder ao meu desejo, peço que poupe a minha vida e a do meu povo. Era este o meu pedido. 4É que eu e o meu povo fomos vendidos, para nos matarem, exterminarem e destruírem. Se fosse só para nos venderem como escravos eu nem dizia nada, pois essa desgraça não iria prejudicar os interesses do rei.»

5Perante isto o rei perguntou-lhe: «Quem se atreve a fazer tal coisa? Onde está esse homem?»

6Ester respondeu: «Esse inimigo e opressor é o malvado Haman.»

Haman ficou aterrorizado diante do rei e da rainha.

7O rei levantou-se encolerizado, deixou a sala e dirigiu-se para os jardins do palácio. Haman compreendeu que tinha caído em total desgraça diante do rei e da rainha e por isso permaneceu junto da rainha, para lhe implorar que lhe salvasse a vida.

8Quando o rei voltou para a sala do banquete, deu com Haman inclinado sobre o sofá onde se encontrava a rainha Ester e exclamou: «Este homem, além do que fez, ainda quer violar a rainha na minha própria casa?» Mal o rei acabou de proferir estas palavras, os guardas cobriram o rosto de Haman7,8 Era costume cobrir o rosto dos condenados à morte..

9Então um deles, chamado Harbona, disse: «Haman até fez uma forca de mais de vinte metros de altura, junto à sua casa, para enforcar Mardoqueu, que salvou com a sua denúncia a vida de Vossa Majestade.» Então o rei exclamou: «Enforquem Haman nessa forca!»

10E assim Haman morreu na forca que tinha preparado para Mardoqueu. E a ira do rei acalmou.

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Triunfo de Mardoqueu

81Naquele mesmo dia, o rei Xerxes deu à rainha Ester todos os bens de Haman, o inimigo dos judeus. Ester revelou ao rei o seu parentesco com Mardoqueu e por isso ele passou a ter acesso à presença do rei. 2O rei pegou no seu anel, que já tinha retirado a Haman, e entregou-o a Mardoqueu. E Ester encarregou Mardoqueu de tomar conta dos bens de Haman.

3Ester voltou de novo à presença do rei e, ajoelhando-se a seus pés com lágrimas nos olhos, suplicou-lhe que pusesse termo ao plano maligno que Haman, descendente de Agag, tinha preparado contra os judeus. 4O rei estendeu-lhe o cetro de ouro e ela levantou-se e disse: 5«Se for do agrado de Vossa Majestade e se eu merecer a sua estima, que sejam anuladas por um decreto as cartas que Haman escreveu para serem exterminados os judeus de todas as províncias do império. 6Como posso eu suportar a desgraça que está a ameaçar o meu povo? Como poderia eu suportar o extermínio da minha gente?»

7O rei Xerxes respondeu então à rainha Ester e ao judeu Mardoqueu: «Como veem, dei a Ester os bens de Haman, a quem mandei enforcar por conspirar contra os judeus. 8Escrevam agora uma proclamação a favor dos judeus, como vos parecer melhor, em nome do rei, e ponham-lhe o selo do meu anel, pois, se for escrita em meu nome e por mim selada, não poderá ser revogada.»

9Foram então chamados os secretários do rei. Era o dia vinte e três do terceiro mês, o mês de Sivan8,9 Sivan. Corresponde a Maio-Junho.. Mardoqueu ditou cartas destinadas aos judeus, aos sátrapas, aos governadores e aos chefes das cento e vinte e sete províncias, desde a Índia até à Etiópia, tendo em conta as suas diferentes escritas e línguas, incluindo a dos judeus. 10As cartas foram escritas em nome do rei Xerxes e seladas com o selo real, sendo em seguida levadas por emissários montados em cavalos rápidos, escolhidos nos estábulos reais.

11As cartas conferiam aos judeus de todas as cidades, o direito de se reunirem e de se defenderem. Podiam repelir, matar e destruir qualquer força, povo ou país que os ameaçasse, incluindo mulheres e crianças. Ficavam ainda com o direito de se apoderar dos seus bens. 12O decreto entrava em vigor em todo o império persa, no mesmo dia treze de Adar, que é o décimo segundo mês. 13Em todas as províncias foi publicado o decreto, para que os judeus estivessem preparados para se vingarem dos seus inimigos naquele dia.

14Por ordem do rei, os emissários partiram a toda a pressa, montados nos cavalos reais escolhidos. Este decreto foi publicado em Susa.

15Depois disto, Mardoqueu saiu do palácio com vestes reais em azul e branco, com um manto de linho e púrpura e uma riquíssima coroa de ouro. E a cidade de Susa vibrava de alegria. 16Entre os judeus houve enorme alegria, regozijo e satisfação. 17Em todas as cidades e províncias, aonde ia chegando o decreto real, os judeus festejavam o acontecimento com banquetes e grande alegria. Até entre as populações houve muitos que se uniram aos judeus, com medo deles.

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O triunfo dos judeus

91Chegou o dia treze de Adar, dia em que o decreto devia entrar em vigor. Os inimigos dos judeus esperavam cair-lhes em cima; mas foram os judeus que dominaram os seus inimigos. 2Os judeus organizaram-se nas suas cidades, em todas as províncias do império de Xerxes, para reagirem contra quem procurasse atacá-los. Porém a população teve medo e ninguém se voltou contra eles. 3Pelo contrário, todas as autoridades provinciais — sátrapas, governadores e altos funcionários — tomaram o partido dos judeus, com medo de Mardoqueu. 4Sabia-se em todo o império que Mardoqueu era poderoso no palácio e que o seu poder aumentava de dia para dia.

5Os judeus mataram os seus inimigos à espada, dizimando-os e aniquilando todos os que eles quiseram. 6Só na capital, Susa, mataram quinhentas pessoas. 7Entre os mortos contavam-se Parchandata, Dalfon, Aspata, 8Porata, Adalia, Aridata, 9Parmasta, Arisai, Aridai e Vaizata, 10os dez filhos de Haman, filho de Hamedata, o inimigo dos judeus. Mas não se apoderaram dos seus bens.

11Naquele mesmo dia, deram a conhecer ao rei o número das pessoas mortas em Susa. 12Ele disse então à rainha Ester: «Só em Susa os judeus mataram quinhentas pessoas, incluindo os dez filhos de Haman. O que não terão feito nas províncias! Que pretendes agora? Tudo o que quiseres ainda pedir te será concedido.»

13Ester respondeu: «Se parecer bem a Vossa Majestade, conceda-se aos judeus de Susa fazerem amanhã aquilo que o decreto hoje lhes permitiu. E sejam pendurados na forca os corpos dos dez filhos de Haman.»

14O rei ordenou por meio de um decreto publicado em Susa que assim se fizesse. E os corpos dos dez filhos de Haman foram pendurados na forca.

15Os judeus de Susa reuniram-se de novo no dia catorze do mês de Adar, exterminando mais de trezentas pessoas da cidade. Mas não se apoderaram dos seus bens.

16Os judeus que viviam nas províncias também se organizaram e defenderam, desembaraçando-se dos seus inimigos, matando setenta e cinco mil dentre aqueles que os odiavam. Mas não se apoderaram dos seus bens. 17Foi o que se passou no dia treze do mês de Adar. No dia catorze repousaram e fizeram dessa data um dia de festa e regozijo.

18Mas os judeus de Susa, que se juntaram nos dias treze e no dia catorze, apenas repousaram no dia quinze e fizeram dessa data um dia de festa e alegria.

19Por isso, os judeus que vivem na província celebram o dia catorze do mês de Adar com alegria, banquetes e troca de presentes.

A festa de Purim

20Mardoqueu escreveu estes acontecimentos e enviou cartas a todos os judeus de perto e de longe, em todo o império de Xerxes, 21decretando que, daí em diante, as datas de catorze e quinze de Adar de todos os anos fossem observadas como dias festivos. 22Foi nesses dias que os judeus se libertaram dos seus inimigos. Este foi o mês em que a tristeza e o luto se converteram em alegria e festa, com banquetes, troca de presentes e ofertas para os pobres. 23Assim os judeus seguiram as indicações de Mardoqueu, passando a celebrar aquela festa anualmente.

24Haman, filho de Hamedata, descendente de Agag e inimigo do povo judeu, tinha deitado sortes, isto é, Purim, para fixar o dia para os matar, pois o seu plano era exterminá-los. 25Mas Ester apresentou-se diante do rei e este ordenou por escrito que Haman sofresse o destino que tinha planeado para os judeus. E ele e os seus filhos foram enforcados. 26É por isso que àqueles dias se chama Purim, que é o plural de Pur.

Por causa da carta de Mardoqueu e por tudo o que lhes aconteceu, 27os judeus estabeleceram que eles, os seus descendentes e quem quer que se convertesse ao judaísmo, passariam a celebrar cada ano e para sempre estes dois dias, nas datas indicadas, conforme fora estabelecido por Mardoqueu, nas suas instruções. 28Foi resolvido que, em todas as gerações futuras, em cada família, em cada província e em cada cidade, se deveriam comemorar e observar os dias de Purim, para nunca mais serem esquecidos pelos judeus e seus descendentes.

29A rainha Ester, filha de Abiail, e o judeu Mardoqueu escreveram uma segunda carta, insistindo e confirmando o que foi ordenado na primeira, acerca da festa de Purim. 30A carta era dirigida a todos os judeus, sendo enviadas cópias, a cada uma das cento e vinte e sete províncias do império persa. Desejava paz e segurança a todos os judeus 31e recomendava-lhes que observassem as festas de Purim nas datas fixadas, eles e os seus descendentes, tal como Mardoqueu e Ester tinham mandado e tal como eles próprios tinham adotado. E acrescentavam mais algumas coisas relativas à observância dos jejuns e lamentações.

32A ordem de Ester confirmou a maneira de celebrar a festa de Purim. E tudo foi escrito num livro.