a BÍBLIA para todos Edição Católica (BPTct)
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A praga de gafanhotos

101O Senhor disse então a Moisés: «Vai ter com o faraó, porque eu endureci o seu coração e o dos seus servidores, para poder realizar no meio deles estas maravilhas, 2e para que possas contar aos teus filhos e aos teus netos as maravilhas que realizei no Egito e os prodígios que realizei entre eles. Assim vocês reconhecerão que eu sou o Senhor

3Moisés e Aarão foram ter com o faraó e disseram-lhe: «Assim diz o Senhor, o Deus dos hebreus: “Até quando te recusarás a humilhar-te diante de mim? Deixa sair o meu povo para que vá adorar-me; 4porque se continuares a não deixar sair o meu povo, amanhã mandarei gafanhotos sobre todo o teu país. 5Eles cobrirão a superfície desta terra em tal quantidade que não se conseguirá ver o chão. Devorarão o que escapou do granizo e ainda todas as árvores que crescem nos vossos campos. 6Invadirão os teus palácios e as casas dos teus servidores e as casas de todos os egípcios. Será uma calamidade tão grande que os teus pais e os teus avós nunca viram igual, desde que chegaram a esta terra até aos nossos dias.”» Depois Moisés retirou-se da presença do faraó. 7Então os servidores do faraó disseram-lhe: «Até quando é que este homem nos vai causar problemas? Deixa lá ir esta gente para oferecer sacrifícios ao Senhor, seu Deus. Ainda não viste que o Egito está a arruinar-se?»

8O faraó mandou outra vez chamar Moisés e Aarão e disse-lhes: «Podem ir adorar o Senhor, vosso Deus. Diz-me quais são os que têm de partir.» 9Moisés respondeu: «Temos que ir com as nossas crianças e os nossos velhos, os nossos filhos e as nossas filhas; e levaremos as nossas ovelhas e os nossos bois; pois para nós é uma grande festa em honra do Senhor10O faraó disse: «Então que o Senhor vos acompanhe! Mas eu é que não vou deixar-vos ir com as vossas crianças. Vê-se bem que estão mal-intencionados. 11Não! Vão apenas os homens para adorar o Senhor, como têm pedido!» E mandou-os pôr fora do palácio.

12O Senhor disse então a Moisés: «Estende a tua mão sobre o Egito para que venham contra eles os gafanhotos e acabem com todas as plantas do país, com tudo o que escapou ao granizo.» 13Moisés estendeu a sua vara sobre o Egito e o Senhor fez soprar sobre o país um vento leste que se manteve todo o dia e toda a noite. Quando amanheceu, o vento leste tinha trazido os gafanhotos, 14que invadiram todo o país e poisavam por todo o lado. Nunca houve antes nem haverá depois tantos gafanhotos como naquele dia, 15pois cobriram a terra em tal quantidade que não se conseguia ver o chão; e devoraram todas as plantas e toda a fruta que tinha ficado nas árvores, depois do granizo. Não ficou qualquer verdura em todo o Egito: nem no campo, nem nas árvores.

16O faraó mandou imediatamente chamar Moisés e Aarão e disse-lhes: «Procedi mal contra o Senhor, vosso Deus, e contra vós, 17mas peço-vos que perdoem a minha falta, ainda esta vez, e roguem ao Senhor, vosso Deus, que afaste de mim este flagelo mortal.»

18Quando Moisés saiu do palácio do faraó orou ao Senhor. 19Então o Senhor mudou o rumo do vento e um vento oeste fortíssimo levou os gafanhotos e lançou-os no Mar Vermelho. Não ficou um único gafanhoto em todo o território do Egito. 20Mas o Senhor fez com que o faraó se endurecesse outra vez e não deixasse sair os israelitas.

A praga da escuridão

21O Senhor disse então a Moisés: «Levanta a tua mão para que em todo o Egito haja uma escuridão tão espessa que se possa tocar.» 22Moisés levantou a mão para o céu e uma escuridão muito densa cobriu todo o Egito, durante três dias. 23Não se viam uns aos outros na escuridão e, durante os três dias, ninguém saiu do lugar onde estava. Mas os filhos de Israel tinham luz nas suas casas.

24Então o faraó mandou chamar Moisés e disse-lhe: «Vão adorar o Senhor e levem também as crianças; deixem ficar apenas as ovelhas e as vacas.» 25Mas Moisés respondeu: «Tu é que deves entregar-nos os animais necessários para sacrificarmos e queimarmos em honra do Senhor, nosso Deus. 26Além disso, todo o nosso gado nos acompanhará; nem um só animal nosso deverá ficar, porque temos de escolher alguns deles para os oferecermos em sacrifício ao Senhor. Até lá chegarmos, não sabemos do que iremos necessitar para adorarmos ao Senhor

27O Senhor, porém, endureceu de novo o coração do faraó e ele não os quis deixar partir. 28O faraó disse ainda a Moisés: «Vai-te daqui e não voltes a aparecer diante de mim, porque no dia em que me apareceres morrerás.» 29Moisés respondeu: «Disseste bem. Nunca mais me apresentarei diante de ti.»

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Morte dos filhos mais velhos dos egípcios

111Então o Senhor disse a Moisés: «Enviarei ainda outra praga contra o faraó e contra o Egito. Depois disso, ele não só vos deixará sair daqui, mas até vos mandará embora. 2Dirás aos israelitas que, tanto os homens como as mulheres, deverão pedir cada um aos seus vizinhos objetos de ouro e de prata.»

3O Senhor fez com que os egípcios mostrassem boa vontade para com os israelitas. O próprio Moisés era uma pessoa muito respeitada no Egito, tanto pelos servidores do faraó como pelo povo em geral. 4Moisés disse: «Assim diz o Senhor: “A meio da noite, passarei por todo o Egito 5e o primeiro filho de todas as famílias egípcias morrerá, desde o filho do faraó, herdeiro do trono, até ao filho da escrava que mói a farinha. Morrerá também a primeira cria de todos os animais. 6Em todo o Egito haverá um grande clamor como nunca houve nem haverá. 7E, para que saibam que o Senhor faz distinção entre egípcios e israelitas, nem um cão ladrará contra os israelitas ou contra o seu gado. 8E todos os teus servidores aqui presentes virão ter comigo e me pedirão de joelhos: Sai daqui, tu e todo o povo que está contigo. Só depois disso é que eu partirei.”» E Moisés saiu muito irritado do palácio do faraó.

9O Senhor disse a Moisés: «O faraó não vos vai dar ouvidos, e assim as minhas maravilhas hão de multiplicar-se no Egito.» 10Moisés e Aarão realizaram todas essas maravilhas diante do faraó, mas o Senhor endureceu o coração do faraó, de modo que ele não deixou sair os israelitas do Egito.

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Instituição da Páscoa

121No Egito, o Senhor falou com Moisés e Aarão e disse-lhes: 2«Este mês será o vosso mês mais importante e o primeiro dos meses do ano. 3Digam a todo o povo de Israel o seguinte: No dia dez deste mês cada um de vós escolha um cordeiro por família, um por cada casa. 4Se a família for pequena para comer todo o cordeiro, então o chefe da família e o seu vizinho mais próximo comerão juntos, repartindo o cordeiro conforme o número de pessoas e a quantidade que cada um pode comer. 5O cordeiro não deverá ter defeitos, deve ser um macho de um ano; em vez de cordeiro, pode ser um cabrito. 6Deverão guardá-lo até ao dia catorze deste mês e, nesse dia, todos os israelitas o matarão, ao entardecer. 7Com o sangue do animal marquem as duas ombreiras e a verga da porta da casa onde o estiverem a comer. 8Nessa noite comerão a carne assada ao lume, com pão sem fermento e com plantas amargas. 9Não comam nem um só pedaço da sua carne crua ou cozida em água; apenas assada ao lume, mesmo a cabeça, as patas e as miudezas. 10Não devem deixar ficar nada para o dia seguinte; o que dele sobrar para o dia seguinte deve ser queimado. 11Quando comerem o cordeiro ou cabrito, deverão estar vestidos como se fossem viajar, ter os pés calçados e o cajado na mão e comer depressa, pois é a Páscoa do Senhor12,11 A Páscoa era a mais importante das festas judaicas.. 12Nessa noite, passarei por todo o Egito e farei morrer o primeiro filho de todas as famílias egípcias e a primeira cria de todos os seus animais e exercerei a minha justiça contra todos os deuses do Egito, porque eu sou o Senhor. 13O sangue há de servir-vos para assinalar as casas onde se encontram. Assim, quando eu vir o sangue, passarei adiante e nenhum de vós morrerá, quando eu ferir de morte os egípcios.

14Esse dia deverá ser entre vós recordado e celebrado com grande festa em honra do Senhor. Ficam obrigados a celebrá-lo para sempre, bem como os vossos descendentes. 15Durante sete dias, comerão pão sem fermento; portanto, não deverá haver fermento nas vossas casas, desde o primeiro dia. Todo aquele que comer pão com fermento, durante esses sete dias, será excluído do povo de Israel. 16Tanto no primeiro dia como no sétimo, deverão reunir-se para uma assembleia solene de oração. Nesses dias não se trabalhará, a não ser o que é preciso fazer para cada um preparar a sua comida. 17A festa dos Pães sem Fermento é uma festa que deverão celebrar, porque naquele dia fiz sair o povo de Israel do Egito como um exército. É uma obrigação que também os vossos descendentes têm de celebrar para sempre. 18Comerão pão sem fermento, desde a tarde do dia catorze, até à tarde do dia vinte e um do primeiro mês. 19Durante sete dias não deverá haver fermento nas vossas casas, e todo aquele que comer pão com fermento será excluído da comunidade de Israel, quer seja estrangeiro, quer seja israelita. 20Portanto, não comam nada que tenha fermento; onde quer que vivam, deverão comer pão sem fermento.»

21Moisés mandou chamar todos os anciãos de Israel e disse-lhes: «Vão escolher um cordeiro ou um cabrito, por cada uma das vossas famílias, e matem-no para celebrar a Páscoa. 22Em seguida, peguem num ramo de hissopo e embebam-no no sangue, que estará numa bacia; depois marquem com esse sangue a verga e as duas ombreiras da porta. Nenhum de vós deverá transpor o limiar da porta até de manhã. 23Quando o Senhor passar para ferir de morte os egípcios, ao ver o sangue na verga e nas duas ombreiras da porta, passará adiante e não deixará que a destruição entre nas vossas casas. 24Respeitem, portanto, esta lei, como lei eterna para vós e para os vossos descendentes. 25E quando entrarem na terra que o Senhor vos dará, como prometeu, deverão continuar a celebrar esta festa. 26E quando os vossos descendentes perguntarem o que é que ela significa, 27devem responder-lhes: “Isto é o sacrifício da Páscoa, em honra do Senhor, porque quando ele feriu de morte os egípcios, livrou as casas dos filhos de Israel no Egito e poupou as nossas famílias.”»

Então os israelitas inclinaram-se em adoração 28e foram cumprir o que o Senhor tinha ordenado a Moisés e a Aarão.

A morte dos primeiros filhos dos egípcios

29A meio da noite, o Senhor feriu de morte o primeiro filho de todas as famílias egípcias, desde o filho do faraó, o herdeiro do trono, até ao filho do que estava na prisão, e ainda a primeira cria dos animais. 30O faraó e os seus servidores e todos os egípcios levantaram-se durante a noite e houve grandes gritos de dor em todo o Egito. Não havia uma única casa em que não houvesse um morto. 31Nessa mesma noite, o faraó mandou chamar Moisés e Aarão e disse-lhes: «Vão-se embora! Saiam do meio do meu povo, vocês e os filhos de Israel. Vão adorar o Senhor, como disseram. 32Podem levar também as vossas ovelhas e vacas, como pediram, e partam. Roguem também por mim.» 33Os egípcios insistiam com os israelitas para que deixassem rapidamente o país, dizendo que iam morrer todos. 34Os israelitas pegaram na massa de pão, antes que fermentasse, envolveram as masseiras com roupa e levaram-nas aos ombros. 35Além disso, seguindo as ordens de Moisés, pediram aos egípcios objetos de ouro e de prata e vestuário. 36O Senhor fez com que os egípcios dessem de boa-vontade tudo o que os israelitas lhes pediam, e assim os israelitas despojaram os egípcios.

Os israelitas saem do Egito

37Os israelitas saíram da cidade de Ramessés e foram a pé até Sucot. Eram cerca de seiscentos mil homens, sem contar as crianças. 38Além disso, com eles ia muita outra gente e levaram grandes rebanhos e manadas de gado. 39Como não tiveram tempo de preparar comida para a viagem, porque os egípcios os obrigavam a sair do país, cozeram a massa sem fermento, que tinham levado do Egito, e fizeram pães.

40Os filhos de Israel estiveram no Egito quatrocentos e trinta anos; 41e no mesmo dia em que completaram os quatrocentos e trinta anos, todas as tribos do povo do Senhor saíram do Egito. 42Essa noite, em que o Senhor vigiou a sua saída do Egito, será a noite em que os israelitas farão vigília, de geração em geração, em honra do Senhor.

Leis sobre a Páscoa

43O Senhor disse a Moisés e a Aarão: «Esta é a lei sobre a Páscoa: Nenhum estrangeiro comerá da refeição da Páscoa, 44mas o escravo comprado poderá comer dela, depois de lhe ser feita a circuncisão. 45Nenhum estrangeiro, seja residente ou assalariado, poderá comer dela. 46O cordeiro ou cabrito da Páscoa deverá ser comido dentro de casa. Não levarão para fora de casa nem um só pedaço de carne do animal sacrificado, nem lhe quebrarão os ossos. 47Toda a comunidade de Israel celebrará a Páscoa. 48Se um estrangeiro que viver convosco quiser celebrar a Páscoa, em honra do Senhor, primeiro deverá fazer circuncidar todos os indivíduos do sexo masculino da sua família e só depois poderá celebrar a Páscoa, porque, nesse caso, será considerado como um cidadão israelita. Mas ninguém, que não esteja circuncidado, poderá comer da refeição da Páscoa. 49A mesma lei será aplicada quer para os israelitas quer para os estrangeiros que vivam convosco.»

50Os israelitas cumpriram tudo como o Senhor tinha ordenado a Moisés e a Aarão. 51E, naquele mesmo dia, o Senhor fez sair do Egito os israelitas como se fosse um exército.

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