a BÍBLIA para todos Edição Católica (BPTct)
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Lei sobre os primeiros filhos

131O Senhor disse a Moisés: 2«Deves consagrar-me o primeiro filho de todas as famílias do povo de Israel, porque o primeiro filho pertence-me sempre, seja dos humanos seja dos animais.»

3Então Moisés disse ao povo: «Lembrem-se sempre deste dia em que saíram do Egito, terra da escravidão. Este é o dia em que o Senhor vos fez sair pelo seu grande poder. Por isso, neste dia não devem comer pão fermentado. 4Saem hoje do Egito, neste mês de Abib13,4 O mês de Abib corresponde, no nosso calendário, a meados de março ou de abril.. 5Portanto, quando o Senhor vos fizer entrar na terra dos cananeus, dos hititas, dos amorreus, dos heveus e dos jebuseus, terra que ele prometeu aos vossos antepassados que vos daria, terra onde o leite e o mel correm como água, aí devem celebrar esta festa, neste mesmo mês. 6Durante sete dias comerão pão sem fermento e no sétimo dia farão festa em honra do Senhor. 7Durante os sete dias comerão pão sem fermento e em parte nenhuma do território deverá haver fermento ou pão fermentado. 8Nesse dia, cada um dirá aos seus filhos que faz tudo isto por causa do que o Senhor vos fez, quando deixaram o Egito. 9Isto será para vós como um sinal marcado no braço ou na testa, para se lembrarem de que devem sempre falar da lei do Senhor, porque ele vos tirou do Egito com mão forte. 10Por isso, devem celebrar esta festa todos os anos, na data fixada. 11Quando o Senhor vos tiver feito entrar na terra dos cananeus, isto é, quando vos entregar a terra segundo a promessa que vos fez e aos vossos antepassados, 12todos devem consagrar-lhe o primeiro filho do sexo masculino e todos os primeiros machos que nascerem dos vossos animais, porque os primeiros filhos pertencem ao Senhor. 13No caso da primeira cria dum jumento, deverão dar um cordeiro ou um cabrito como resgate pelo jumento. Se não derem um cordeiro ou um cabrito em resgate pelo jumento, terão de lhe partir o pescoço. Todos os primeiros filhos, duma mulher da vossa descendência, serão resgatados por meio duma oferta.

14E quando os vossos filhos vos perguntarem, um dia, o que significa tudo isso, respondam: “O Senhor, com mão forte, fez-nos sair do Egito, terra da escravidão. 15É que, quando o faraó teimava em não nos deixar sair, o Senhor feriu de morte o primeiro filho de todas as famílias egípcias e todas as primeiras crias dos seus animais. Por isso, oferecemos ao Senhor todos os primeiros filhos do sexo masculino e apresentamos uma oferta como resgate pelo nosso primeiro filho. 16Isto será como um sinal marcado na tua mão ou entre os teus olhos de que o Senhor nos tirou do Egito com mão forte.”»

Marcha para o deserto

17Quando o faraó deixou sair o povo israelita, Deus não os levou pelo caminho que atravessa a terra dos filisteus, apesar de ser o mais curto, porque Deus pensou que os israelitas não iriam lutar, quando tivessem de o fazer, e que prefeririam voltar para o Egito. 18Por isso, fez com que eles se dirigissem para o deserto, em direção ao Mar Vermelho. Os israelitas saíram do Egito organizados como um exército. 19Moisés levou consigo os restos mortais de José, porque José tinha pedido aos israelitas que assim fizessem. José tinha dito: «Quando Deus vos vier tirar daqui, levem convosco os meus ossos.»

20Os israelitas saíram de Sucot e acamparam em Etam, onde começa o deserto. 21De dia, o Senhor ia à frente deles como uma coluna formada de nuvens, para lhes mostrar o caminho; e de noite, como uma coluna de fogo, de modo a poderem caminhar de dia e de noite. 22A coluna de nuvens nunca saiu da frente do povo, durante o dia, nem a coluna de fogo, durante a noite.

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Passagem do Mar Vermelho

141O Senhor disse a Moisés: 2«Diz aos filhos de Israel que mudem de direção e acampem em frente de Pi-Hairot, entre Migdol e o mar; ali devem acampar diante de Baal-Safon, junto ao mar. 3O faraó vai dizer que os filhos de Israel andam perdidos pela terra e que o deserto lhes fechou todos os caminhos. 4Eu farei com que o faraó seja teimoso e ele irá persegui-los, mas eu mostrarei o meu poder contra ele e contra todo o seu exército: os egípcios ficarão a saber que eu sou o Senhor.» E os israelitas assim fizeram.

5Entretanto o rei do Egito foi avisado de que o povo de Israel ia fugir. Então o rei e os seus servidores mudaram de ideias a respeito deles e disseram: «Mas como pudemos permitir que os israelitas se fossem embora e deixassem de ser nossos escravos?» 6O faraó mandou atrelar o seu carro de combate e pôs-se em marcha com o seu exército. 7Levou todos os carros do Egito, incluindo os seiscentos carros especiais, cada um com um oficial. 8O Senhor fez com que o faraó, rei do Egito, teimasse em perseguir os israelitas, embora estes continuassem a marchar triunfalmente. 9Os egípcios perseguiam-nos, com todos os seus cavalos e carros, e alcançaram-nos quando eles estavam acampados junto do mar, em frente de Pi-Hairot, diante de Baal-Safon. 10Quando os israelitas se aperceberam de que o faraó e os egípcios se aproximavam e os perseguiam, ficaram cheios de medo e pediram auxílio ao Senhor. 11E diziam a Moisés: «Foi por não haver sepulcros no Egito que nos tiraste de lá, para virmos morrer neste deserto? Por que nos fizeste isto? Por que nos tiraste do Egito? 12Não te dizíamos nós no Egito que nos deixasses para continuarmos a ser escravos dos egípcios? Era melhor sermos escravos deles do que morrermos no deserto.»

13Moisés respondeu ao povo: «Não tenham medo! Estejam calmos e verão o que o Senhor vai fazer hoje para vos salvar. Os egípcios que agora estão a ver nunca mais voltarão a vê-los. 14O Senhor combaterá a vosso favor. Não se preocupem!»

15Então o Senhor disse a Moisés: «Por que me pedes ajuda? Ordena aos israelitas que sigam para diante. 16Tu, levanta a tua vara, estende-a sobre o mar e faz com que ele se abra, para que os filhos de Israel o possam atravessar a pé enxuto. 17Eu farei com que os egípcios teimem em vos perseguir. Ao perseguirem os israelitas, mostrarei o meu poder contra o faraó e contra todo o seu exército, os seus carros e os seus cavalos. 18Os egípcios ficarão a saber que eu sou o Senhor, quando o faraó vir o meu poder contra ele e contra os seus carros e cavaleiros.»

19Nesse momento, o anjo de Deus e a coluna de nuvens, que seguia à frente dos israelitas, mudaram de lugar e puseram-se atrás deles. 20Assim a coluna de nuvens ficou entre o exército egípcio e os israelitas; para os egípcios, era uma nuvem de escuridão, mas aos israelitas alumiava-os. Por isso, os egípcios não conseguiram alcançar os israelitas durante toda a noite.

21Moisés estendeu o seu braço sobre o mar e o Senhor enviou um forte vento de leste, que soprou durante toda a noite, dividindo o mar em dois. Assim o Senhor transformou o mar em terra seca. 22Por ali atravessaram os israelitas, entre duas muralhas de água, uma à direita e outra à esquerda.

23Os egípcios perseguiram-nos e todos os carros e cavalos do faraó, com os seus cavaleiros, entraram atrás deles pelo mar dentro; 24porém, de madrugada, o Senhor olhou da coluna de fogo e da nuvem para o lado dos egípcios e lançou sobre eles o pânico. 25Travou-lhes as rodas dos carros, de modo que dificilmente conseguiam avançar. Os egípcios disseram então: «Fujamos dos israelitas, porque o Senhor combate a favor deles contra nós.»

26O Senhor disse a Moisés: «Estende o teu braço sobre o mar e as águas voltarão a unir-se, cobrindo os egípcios, os seus carros e cavaleiros.» 27Moisés assim fez e, antes do romper do dia, as águas retomaram o seu nível habitual; os egípcios em fuga só encontravam pela frente o mar; e assim o Senhor os afogou no meio das águas. 28Quando a água retomou o seu nível normal cobriu os carros e os cavaleiros e todo o exército do faraó que tinha entrado no mar em perseguição do povo de Israel. Nem um só soldado egípcio ficou vivo. 29Porém os israelitas atravessaram o mar a pé enxuto com uma muralha de água à sua direita e à sua esquerda.

30Foi assim que, nesse dia, o Senhor livrou Israel do poder dos egípcios. E os israelitas viram os egípcios mortos na praia. 31Quando os filhos de Israel viram o grande castigo que o Senhor tinha infligido aos egípcios, encheram-se de temor e ganharam confiança no Senhor e no seu servo Moisés.

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Cântico de Moisés

151Naquela altura, Moisés e os israelitas entoaram este cântico em honra do Senhor e proclamavam:

«Cantarei em honra do Senhor,

que obteve um triunfo maravilhoso:

lançou no mar o cavalo e o cavaleiro.

2O Senhor é a minha força e defensor,

foi ele quem me salvou.

Ele é o meu Deus, por isso o louvarei;

é o Deus de meu pai, cantarei as suas glórias.

3O Senhor é um valente guerreiro,

o seu nome é Senhor.

4Precipitou no mar

os carros e o exército do faraó;

os seus melhores oficiais

afogaram-se no Mar Vermelho.

5O abismo engoliu-os,

desceram como pedras ao fundo do mar.

6A tua mão direita, Senhor, é forte e poderosa,

a tua direita faz o inimigo em pedaços.

7Com a tua grandeza e majestade

derrubaste os teus adversários.

Soltaste o teu furor

e ele consumiu-os.

8Ao sopro da tua ira

amontoaram-se as águas do mar;

as ondas ergueram-se como muralhas;

as profundezas tornaram-se sólidas.

9O inimigo dizia: “Vou persegui-los e apanhá-los!

Vou dividir os seus despojos

e com eles vou satisfazer os meus desejos.

Desembainharei a espada para os exterminar!”

10Sopraste sobre o mar e o mar engoliu-os;

afundaram-se como chumbo nas profundezas do mar.

11Ó Senhor, qual dos deuses é como tu?

Quem é grande e santo como tu?

Fazes coisas maravilhosas e terríveis!

12Estendeste a tua mão direita

e a terra engoliu os inimigos.

13Pela tua bondade, libertaste e guiaste o teu povo;

pela tua força, o conduziste à tua santa terra.

14As nações tremeram ao saberem disto,

os filisteus ficaram cheios de medo.

15Os chefes de Edom estão aterrados;

tremem de medo os heróis de Moab;

e o povo cananeu está sem coragem.

16Que se assustem e se apavorem,

petrificados diante do teu poder,

até que tenha passado o teu povo, ó Senhor,

o povo que tu mesmo resgataste.

17Tu o conduziste e o colocaste na tua montanha,

onde tu, Senhor, estabeleceste o teu trono,

o templo de Deus que tu próprio construíste.

18O Senhor é rei

para toda a eternidade!»

Cântico de Míriam

19Quando os cavalos do faraó, os seus carros e cavaleiros entraram no mar, o Senhor fez com que a água do mar caísse por cima deles, enquanto os filhos de Israel passavam a pé enxuto pelo meio do mar. 20Então Míriam, irmã de Aarão que era profetisa, pegou numa pandeireta e todas as mulheres saíram atrás dela, dançando e tocando pandeiretas, 21enquanto Míriam retomava o cântico deles:

«Cantem ao Senhor que obteve um triunfo maravilhoso,

lançou no mar o cavalo e o cavaleiro.»

Água amarga

22Então Moisés fez sair os israelitas do Mar Vermelho. Entraram no deserto de Chur e caminharam durante três dias sem encontrar água. 23Quando chegaram a Mara não puderam beber da água que lá havia, porque era amarga. Por isso, aquele lugar se chamava Mara15,23 Em hebraico, Mara significa “amarga”.. 24O povo começou então a murmurar contra Moisés e a perguntar: «Que havemos de beber?» 25Moisés invocou então o Senhor e o Senhor indicou-lhe um pedaço de madeira. Ele atirou-o para a água e a água ficou boa para beber.

Ali mesmo o Senhor deu ao povo leis e preceitos e ali mesmo o pôs à prova, 26e lhes disse: «Se escutarem com atenção aquilo que eu, o Senhor, vosso Deus, vos ordeno; se fizerem o que me agrada, obedecendo aos meus mandamentos e cumprindo as minhas leis, não vos enviarei nenhuma das pragas com que castiguei os egípcios, porque eu sou o Senhor, aquele que cura os vossos males.»

27Chegaram depois a Elim, onde havia doze nascentes de água e setenta palmeiras. Ali acamparam junto da água.

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