a BÍBLIA para todos Edição Católica (BPTct)
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O maná e as codornizes

161Toda a comunidade do povo de Israel partiu de Elim e chegou ao deserto de Sin, entre Elim e o Sinai, no dia quinze do segundo mês, depois da saída do Egito. 2Ali no deserto começaram todos a murmurar contra Moisés e Aarão 3e diziam-lhes: «Quem nos dera que o Senhor nos tivesse matado no Egito, quando estávamos sentados junto das panelas de carne e comíamos pão até nos fartarmos! Foi para matarem à fome todo este povo que nos trouxeram para o deserto.»

4Então o Senhor disse a Moisés: «Vou fazer chover do céu comida para todos. O povo deve ir todos os dias apanhar a quantidade necessária para cada dia. Quero ver se todos obedecem às minhas ordens ou não. 5No sexto dia da semana deverão apanhar o dobro do que apanham nos outros dias.»

6Moisés e Aarão disseram ao povo de Israel: «Esta tarde irão compreender que foi o Senhor que vos tirou do Egito 7e amanhã de manhã verão o poder do Senhor, pois ele ouviu a vossa murmuração contra Deus. Pois quem somos nós para murmurarem contra nós?» 8Moisés acrescentou: «À tarde o Senhor vai dar-vos carne para comer e de manhã pão com abundância, pois o Senhor ouviu que murmuravam contra ele. Pois quem somos nós? Não foi contra nós que murmuravam, mas sim contra o Senhor

9Moisés disse depois a Aarão: «Diz a toda a comunidade de Israel que se apresente diante do Senhor, pois ele ouviu as suas murmurações.» 10No momento em que Aarão falava a toda a comunidade dos israelitas, todos eles se viraram para o deserto e viram o poder do Senhor, que apareceu numa nuvem. 11E o Senhor disse a Moisés: 12«Eu ouvi as murmurações dos israelitas. Fala com eles e diz-lhes que à tarde comerão carne e de manhã comerão pão até ficarem satisfeitos. Assim ficarão a saber que eu sou o Senhor, vosso Deus.»

13Naquela mesma tarde apareceram tantas codornizes que cobriram o acampamento; e de manhã havia uma camada de orvalho em volta do acampamento. 14Depois de se ter evaporado o orvalho, apareceram à superfície do deserto uns grãozinhos miúdos, como quando cai granizo. 15Os israelitas não sabiam o que era e, ao verem aquilo, perguntavam uns aos outros: «Que é isto16,15 Que é isto diz-se em hebraico “man-hu”, donde se supõe ter saído a palavra maná.?» E Moisés respondeu-lhes: «Isto é o pão que o Senhor vos dá para comerem. 16O Senhor ordenou que cada um apanhe o que precisa para comer, de acordo com o número de pessoas que vivem na mesma tenda, à razão de cerca de dois litros por pessoa.»

17Os israelitas assim fizeram. Uns apanhavam mais e outros menos, 18segundo as quantidades fixadas. Nem ao que apanhou muito sobrou, nem ao que apanhou pouco faltou. Cada um apanhou apenas aquilo de que necessitava para comer. 19Moisés disse-lhes então: «Que ninguém deixe nada para o dia seguinte.»

20No entanto, houve alguns que não fizeram caso do que Moisés tinha recomendado e deixaram uma porção para o outro dia. Mas a comida que guardaram encheu-se de vermes e cheirava mal. Então Moisés irritou-se com eles.

21Todas as manhãs cada um apanhava aquilo de que necessitava para comer, pois logo que o Sol começava a aquecer derretia-se. 22Mas ao sexto dia da semana, apanharam o dobro da comida, isto é, cerca de quatro litros por pessoa. Então os chefes da comunidade foram comunicar isso a Moisés 23e ele respondeu-lhes: «Foi isso que o Senhor ordenou. Amanhã é o dia de descanso, o sábado, consagrado ao Senhor. Por isso, preparem no forno o que quiserem, cozam em água o que quiserem e guardem para amanhã tudo o que sobrar.»

24Seguindo as ordens de Moisés, eles guardaram para o dia seguinte o que tinha sobrado e não ficou a cheirar mal, nem tinha um único verme. 25Moisés disse então: «Comam-no hoje, que é o dia de descanso, o sábado consagrado ao Senhor, pois hoje não encontrarão nada no campo. 26Durante seis dias poderão apanhá-lo, mas no sétimo dia, que é o dia de descanso, não haverá.»

27Alguns deles saíram no sétimo dia para apanharem alguma coisa, mas não encontraram nada. 28Então o Senhor disse a Moisés: «Até quando se manterá a vossa recusa em obedecer aos meus mandamentos e às minhas leis? 29Vejam bem que o Senhor vos deu um dia de descanso; por isso, no sexto dia, vos manda alimento para dois dias. No sétimo dia fique cada qual na sua tenda e não saia dela.» 30Então o povo descansou no sétimo dia.

31Os israelitas chamaram maná àquele alimento que apanhavam. Parecia-se com a semente de coentro, era branco e tinha o sabor de bolo de mel. 32Moisés disse: «O Senhor ordena o seguinte: “Encham de maná uma medida de dois litros e guardem-na, para que os vossos descendentes vejam a comida com que eu vos alimentei no deserto, quando vos tirei do Egito.”» 33Moisés disse depois a Aarão: «Pega num recipiente, mete nele dois litros de maná e coloca-o diante do Senhor, a fim de se conservar como lembrança para todos os descendentes.» 34Cumprindo a ordem que o Senhor tinha dado a Moisés, Aarão colocou o vaso diante da arca da aliança para que fosse guardado.

35Os israelitas comeram maná durante quarenta anos, até chegarem a uma terra habitada; isto é, comeram-no até chegarem às fronteiras da terra de Canaã. 36A quantidade que recolhiam era a décima parte do efá16,36 Quanto ao valor do efá, ver no Glossário Pesos e Medidas..

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Água do rochedo

171Toda a comunidade israelita partiu do deserto de Sin e deslocava-se de lugar para lugar, conforme as ordens do Senhor. Acamparam em Refidim, mas não havia ali água para o povo beber. 2Então o povo reclamava contra Moisés e dizia: «Deem-nos água para beber!» Moisés respondeu-lhes: «Por que reclamam contra mim? Por que provocam o Senhor3Mas o povo tinha sede e dizia contra Moisés: «Por que nos fizeste sair do Egito? Foi para nos matares à sede, a nós, aos nossos filhos e ao nosso gado?»

4Moisés invocou então o Senhor e disse: «Que hei de fazer a este povo? Daqui a pouco vão apedrejar-me!» 5O Senhor respondeu-lhe: «Coloca-te à frente do povo e faz-te acompanhar de alguns anciãos de Israel. Leva também a vara com que bateste no rio e segue em frente. 6Eu estarei à tua espera junto do monte Horeb, em cima do rochedo. Bate com a vara no rochedo e dele sairá água para o povo beber.» Moisés assim fez, na presença dos anciãos de Israel. 7E deu a esse lugar o nome de Massá e Meriba17,7 Massá e Meriba significam respetivamente “tentação” e “prova”, em hebraico., porque os israelitas provocaram e puseram à prova o Senhor ao dizerem: «Será que o Senhor está connosco ou não?»

Guerra com os amalecitas

8Os amalecitas dirigiram-se a Refidim para atacar os israelitas. 9Então Moisés disse a Josué: «Escolhe alguns homens e vai combater por nós os amalecitas. Eu estarei amanhã no alto do monte com a vara de Deus na mão.» 10Josué fez como Moisés lhe ordenou e foi fazer guerra contra os amalecitas. Entretanto Moisés, Aarão e Hur subiram ao cimo do monte. 11Quando Moisés levantava o braço, os israelitas dominavam a batalha; mas quando o baixava, eram os amalecitas que dominavam. 12Como os braços de Moisés já estavam cansados, pegaram numa pedra e colocaram-na debaixo dele, para que se sentasse, enquanto Aarão e Hur lhe seguravam os braços, um de cada lado. Deste modo, os braços de Moisés mantiveram-se firmes até que o Sol se pôs, 13e Josué derrotou o exército e o povo dos amalecitas com a sua espada. 14O Senhor disse a Moisés: «Escreve isto num livro, para que seja recordado, e diz a Josué que destruirei e farei desaparecer completamente os amalecitas.» 15Moisés fez um altar, pôs-lhe o nome de «O Senhor é a minha bandeira», 16e disse:

«Jurem pelo trono do Senhor17,16 Ou: Por terem levantado a mão contra o seu trono.!

O Senhor está em guerra com o povo de Amalec

de geração em geração.»

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Jetro visita Moisés

181Jetro, sacerdote de Madiã, sogro de Moisés, soube de tudo quanto Deus tinha feito por Moisés e por Israel, seu povo, e soube também que o Senhor tinha libertado Israel do Egito. 2Então Jetro, sogro de Moisés, levou consigo Séfora, mulher de Moisés, que ele tinha enviado para sua casa, 3juntamente com os seus dois filhos. Um dos filhos chamava-se Gerson, porque Moisés tinha dito: «Tenho sido um estrangeiro em terra estranha.» 4O outro filho chamava-se Eliézer, porque Moisés tinha dito: «O Deus do meu pai veio ajudar-me18,4 O nome Eliézer, em hebraico, significa “o meu Deus é ajuda”. e livrou-me de ser morto pelo faraó5Jetro, levando consigo a sua filha, mulher de Moisés, e os dois filhos de Moisés, foi ter com ele ao deserto onde estava acampado, junto do monte de Deus. 6Ele mandou dizer a Moisés: «Eu, teu sogro Jetro, venho visitar-te acompanhado da tua mulher e dos teus dois filhos.» 7Moisés foi ao encontro do sogro, inclinou-se diante dele e beijou-o. Depois de se terem informado da saúde um do outro, entraram para a tenda de Moisés. 8Moisés contou ao sogro tudo o que o Senhor tinha feito ao faraó e aos egípcios por amor de Israel, todas as dificuldades por que passaram durante o caminho e a forma como o Senhor os tinha libertado.

9Jetro ficou contente com a grande bondade que o Senhor tinha mostrado para com os filhos de Israel e por os ter libertado do poder dos egípcios. 10Jetro exclamou então: «Bendito seja o Senhor que vos livrou do poder do faraó e dos egípcios; que livrou este povo do poder opressor do Egito. 11Reconheço agora que o Senhor está acima de todos os deuses, porque ele fez isso, quando os egípcios tratavam os israelitas com tanta insolência.»

12Jetro ofereceu depois um animal em sacrifício, em honra de Deus, e fez ainda outras ofertas. Aarão e todos os anciãos de Israel tomaram parte na refeição sagrada com o sogro de Moisés, na presença de Deus.

Moisés nomeia outros juízes

13No dia seguinte, Moisés pôs-se a julgar os casos apresentados pelos israelitas. E eles estiveram todo o dia de pé diante dele. 14Ao ver ao que Moisés sujeitava o povo, o sogro disse-lhe: «Que estás tu a fazer a esta gente? Por que te sentas sozinho para julgar e deixas esta multidão de pé, diante de ti, durante todo o dia?» 15Moisés respondeu: «É que o povo vem procurar-me para obter de Deus uma resposta. 16Quando têm alguma questão, vêm ter comigo para que eu julgue entre as duas partes em litígio. Eu dou-lhes assim a conhecer os mandamentos e as leis de Deus.»

17Mas Jetro disse-lhe: «Não estás a proceder bem. 18Acabas por te cansar a ti e a todo este povo que está contigo. A tarefa é demasiadamente pesada para ti e não podes suportá-la sozinho. 19Escuta o conselho que te vou dar e que Deus te ajude. Deves manter-te diante do Senhor, como representante do povo, e apresentar-lhe os seus problemas. 20Ensina-lhes os preceitos e as leis de Deus, indica-lhes o caminho que devem seguir e o que devem fazer. 21Escolhe porém, dentre o povo, homens capazes, que respeitem a Deus, que sejam honestos e não interesseiros. Nomeia esses homens como chefes de grupos de mil, de cem, de cinquenta e de dez homens. 22Que eles sejam juízes para o povo, em qualquer momento, e te apresentem só as questões de maior importância, encarregando-se eles das causas menores. Assim te aliviarão desta responsabilidade e te ajudarão a cumpri-la. 23Se fizeres isso, e se Deus te transmitir as suas ordens, poderás continuar com a tua missão e todo este povo irá em paz para suas casas.»

24Moisés ouviu o conselho do seu sogro e fez tudo como ele disse. 25Escolheu homens capazes em todo o Israel e colocou-os à frente do povo como chefes de mil, de cem, de cinquenta e de dez homens. 26Eles resolviam as questões do povo em qualquer momento e apresentavam a Moisés os casos mais graves, decidindo eles os de menor importância. 27Moisés despediu-se do sogro e Jetro regressou à sua terra.

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