a BÍBLIA para todos Edição Católica (BPTct)
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Artífices para o santuário

311O Senhor disse a Moisés: 2«Eu escolhi Beçalel, filho de Uri e neto de Hur, da tribo de Judá, 3e enchi-o do Espírito de Deus e de sabedoria, entendimento, conhecimento e habilidade para todos os trabalhos, 4para fazer desenhos e trabalhos de ouro, prata e cobre, 5para gravar pedras e engastá-las, trabalhar a madeira e executar toda a espécie de obras. 6Escolhi, para seu auxiliar, Oliab, filho de Aisamac, da tribo de Dan. E a todos os homens hábeis dei maior sabedoria, para que executem tudo como te ordenei: 7a tenda do encontro, a arca da aliança, a sua cobertura e todas as peças da tenda, 8a mesa com os seus acessórios, o candelabro de ouro puro com todos os seus acessórios, o altar do incenso, 9o altar dos holocaustos com os seus utensílios, a bacia com a sua base, 10as vestes litúrgicas, as vestes sagradas do sacerdote Aarão e dos seus filhos, para quando exercerem as suas funções de sacerdotes, 11o óleo de consagração e o incenso aromático, para o santuário. Eles saberão executar tudo, tal como te ordenei.»

Dia de descanso

12O Senhor disse ainda a Moisés: 13«Fala aos filhos de Israel e diz-lhes: “Devem respeitar os meus dias de descanso, porque esse é para sempre o sinal entre mim e vós, para que saibam que eu, o Senhor, fiz de vocês um povo santo. 14O dia de descanso será sagrado e deverão respeitá-lo. Quem não o respeitar será condenado à morte; quem nesse dia fizer algum trabalho será eliminado do seu povo. 15Podem trabalhar durante os seis dias da semana, mas o sétimo dia será de descanso consagrado ao Senhor. Quem trabalhar no dia de descanso será condenado à morte. 16Os filhos de Israel devem respeitar, por isso, o dia de descanso, como um compromisso eterno, através dos séculos. 17Será um sinal permanente entre mim e os israelitas. Porque o Senhor fez o céu e a terra em seis dias e no sétimo dia parou e descansou.”»

Bezerro de ouro

18Quando o Senhor acabou de falar com Moisés no monte Sinai, entregou-lhe duas placas de pedra com a lei escrita pelo próprio Deus.

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321Vendo que Moisés demorava a descer do monte, o povo reuniu-se em volta de Aarão e disse: «Anda, faz-nos deuses que nos guiem, porque não sabemos o que aconteceu a Moisés, o homem que nos tirou do Egito.» 2E Aarão respondeu: «Tirem as argolas de ouro das orelhas das vossas mulheres e dos vossos filhos e filhas e tragam-mas.» 3Todos tiraram as argolas das orelhas e levaram-nas a Aarão. 4Ele recebeu tudo aquilo, deitou o ouro num molde e fundiu um bezerro de metal. E todos exclamaram: «Povo de Israel, aqui tens os teus deuses, que te fizeram sair do Egito!» 5Quando Aarão viu isto, construiu um altar em frente do bezerro e disse em voz alta: «Amanhã haverá festa em honra do Senhor6No dia seguinte, de manhã, ofereceram holocaustos e sacrifícios de ação de graças. O povo sentou-se a comer e a beber e depois começaram a divertir-se.

7Então o Senhor disse a Moisés: «Vai, desce, porque o teu povo que tiraste do Egito está a corromper-se. 8Bem depressa se desviaram do caminho que lhes tracei. Fizeram um bezerro de ouro fundido e estão a adorá-lo e a fazer-lhe ofertas, exclamando: “Povo de Israel, aqui tens os teus deuses que te fizeram sair do Egito!”»

9O Senhor disse ainda a Moisés: «Vejo bem que este povo é teimoso e rebelde. 10Agora, deixa-me, porque a minha ira vai-se levantar contra ele e vou destruí-los a todos. Mas de ti vou fazer uma grande nação.» 11Moisés implorou ao Senhor, seu Deus, e disse-lhe: «Senhor, por que estás tão irritado contra o teu povo, aquele que fizeste sair do Egito com grande força e poder? 12Não permitas que os egípcios digam de nós que foi por maldade que Deus nos tirou do Egito para nos matar nas montanhas e nos fazer desaparecer da terra! Não te deixes dominar pela ira, Senhor, e renuncia à ideia de fazeres mal ao teu povo. 13Lembra-te dos teus servos Abraão, Isaac e Jacob, aos quais juraste e prometeste, por tua honra, que havias de tornar a sua descendência tão numerosa como as estrelas do céu e conceder aos seus descendentes esta terra como herança eterna.»

14O Senhor renunciou à ideia que tinha manifestado de castigar o seu povo. 15Então Moisés resolveu descer do monte, levando consigo as placas da lei, que estavam escritas dos dois lados. 16Eram obra de Deus e o que estava gravado nelas tinha sido escrito por Deus.

17Quando Josué ouviu os gritos que o povo dava, disse a Moisés: «Há gritos de guerra no acampamento.» 18Moisés respondeu: «O que se ouve não são cânticos alegres de vitória, nem cânticos tristes de derrota: são apenas vozes de gente a cantar.»

19Ao chegar junto do acampamento, Moisés viu o bezerro e as danças. Ficou cheio de ira, atirou com as placas da lei ao chão junto do monte e fê-las em pedaços. 20Em seguida, agarrou no bezerro que eles fizeram, atirou-o ao fogo, reduziu-o a pó fino e espalhou-o na água. Depois deu a beber aquela água aos filhos de Israel. 21Moisés disse a Aarão: «Que te fez este povo, para o deixares cometer um pecado tão grande?» 22Aarão respondeu: «Ó meu senhor, não te irrites comigo. Bem sabes que este povo é inclinado ao mal. 23Disseram-me: “Faz-nos deuses que nos guiem, porque não sabemos o que aconteceu a Moisés, o homem que nos tirou do Egito.” 24E eu respondi-lhes: “Quem tiver ouro que se desfaça dele e mo entregue.” Eu deitei esse ouro no fogo e saiu este bezerro!»

25Moisés, vendo que o povo estava desenfreado e exposto à troça dos seus inimigos, porque Aarão não tinha sabido controlá-lo, 26colocou-se à entrada do acampamento e gritou: «Quem é pelo Senhor junte-se a mim!» Todos os da tribo de Levi se juntaram a ele 27e Moisés disse-lhes: «O Senhor, Deus de Israel, diz o seguinte: “Pegue cada um numa espada, regressem ao acampamento e vão de porta em porta, matando cada um o irmão, o amigo, o vizinho!”»

28Os levitas cumpriram as ordens de Moisés e, nesse dia, morreram cerca de três mil homens dentre o povo. 29Então Moisés disse: «Este foi o verdadeiro sacrifício da vossa consagração ao Senhor: sacrificando o vosso filho e o vosso irmão, conseguiram hoje de Deus uma grande bênção.»

30No dia seguinte, Moisés disse ao povo: «É grande o pecado que cometeram. Subirei agora junto do Senhor, para ver se consigo que ele vos perdoe.»

31Moisés voltou junto do Senhor e disse-lhe: «Realmente este povo cometeu um grande pecado, ao fazer um deus de ouro. 32Rogo-te, no entanto, que lhe perdoes, ou então apaga o meu nome do livro que escreveste.» 33O Senhor respondeu a Moisés: «Só apagarei do meu livro aquele que pecar contra mim. 34Agora vai lá e conduz o povo onde eu disser. O meu anjo caminhará à tua frente. Quando chegar o dia do castigo, castigarei o povo pelo seu pecado.» 35E o Senhor castigou o povo, por ter instigado Aarão a fazer o bezerro.

33

O Senhor ordena a Israel que parta

331O Senhor disse a Moisés: «Anda, sai daqui com o povo que tiraste do Egito. Vão para a terra que prometi a Abraão, Isaac e Jacob que daria aos seus descendentes. 2Enviarei o meu anjo para te guiar e expulsarei dessa terra os cananeus, os amorreus, os hititas, os perizeus, os heveus e os jebuseus. 3Vão para o país onde o leite e o mel correm como água. Mas eu não irei junto convosco, porque são gente teimosa e rebelde e eu poderia destruir-vos pelo caminho.»

4Ao ouvir estas palavras duras, o povo ficou muito triste e ninguém se atrevia a usar as suas joias, 5porque o Senhor tinha dito a Moisés: «Diz aos israelitas que são gente teimosa e rebelde. Se eu fosse junto convosco, nem que fosse um instante, acabaria por destruir-vos. Tirem portanto, todas as vossas joias, que eu depois verei o que devo fazer convosco.» 6Assim, a partir do monte Horeb, os israelitas deixaram de usar as suas joias.

Tenda do encontro

7Moisés levantou a tenda e foi colocá-la a certa distância do acampamento e deu-lhe o nome de «tenda do encontro». Quando alguém queria consultar o Senhor, ia à tenda do encontro, fora do acampamento. 8E quando Moisés ia à tenda, toda a gente se levantava e ficava de pé, cada qual à entrada da sua própria tenda, para o seguir com os olhos, até Moisés entrar na tenda. 9Logo que ele entrava na tenda, a coluna de nuvem descia e mantinha-se à entrada e o Senhor falava com Moisés. 10E ao ver a coluna de nuvem que permanecia à entrada da tenda, todo o povo, que estava de pé, se prostrava, cada um à entrada da sua tenda em atitude de adoração. 11O Senhor falava com Moisés, frente a frente, como quem fala com um amigo, e depois Moisés voltava ao acampamento. Mas o jovem Josué, seu ajudante, filho de Nun, nunca se afastava do interior da tenda.

O Senhor mostra a Moisés a sua glória

12Moisés disse ao Senhor: «Dizes-me que conduza este povo para a sua terra, mas não me dizes quem deverá acompanhar-me. Também me disseste que tens muita confiança em mim e que sou do teu agrado. 13Se é verdade que sou do teu agrado, revela-me os teus caminhos, e que eu mereça continuar a ter a tua confiança. Lembra-te que este povo é o teu povo.» 14Deus respondeu: «Eu mesmo te acompanharei, para te dar tranquilidade.» 15Moisés respondeu-lhe: «Se tu não nos queres acompanhar, não nos obrigues a sair daqui. 16De que outra maneira podemos saber que o teu povo e eu somos do teu agrado, se tu não nos acompanhares? Só assim o teu povo e eu podemos distinguir-nos de todos os outros povos da terra.» 17O Senhor retorquiu: «Farei o que me pedes, porque tenho confiança em ti e és do meu agrado.» 18Moisés disse: «Rogo-te que me mostres o teu poder!» 19E Deus respondeu: «Passarei diante de ti com toda a minha majestade e hei de apresentar-me diante de ti com o nome de Senhor. Concederei a minha misericórdia a quem eu quiser e terei compaixão de quem eu entender.» 20Disse ainda o Senhor: «Porém não poderás ver o meu rosto, porque nenhum homem poderá ver-me e continuar vivo.»

21O Senhor disse ainda: «Há aqui um lugar junto de mim. Põe-te em pé sobre o rochedo. 22Quando eu passar, mostrando o meu poder, hei de colocar-te numa cavidade do rochedo e cobrir-te com a minha mão até que eu tenha passado. 23Depois retirarei a minha mão e poderás então ver-me de costas; mas o meu rosto ninguém o pode ver.»