a BÍBLIA para todos Edição Católica (BPTct)
16

Jerusalém, menina abandonada

161O Senhor falou-me novamente e disse: 2«Homem16,2 Ver nota a 2,1., faz ver a Jerusalém as suas práticas abomináveis 3e comunica-lhe o que eu, o Senhor Deus, lhe mando dizer: “Ó Jerusalém, tu nasceste na terra de Canaã16,3 Jerusalém. Antes de David a conquistar e fazer dela a capital, era uma cidade cananita, habitada pelos jebuseus. Ver Js 15,63.; o teu pai era amorreu e a tua mãe hitita16,3 Amorreu e Hitita. Ver Gn 10,15–17.. 4Quando nasceste, ninguém te cortou o cordão umbilical nem te lavou. Ninguém te esfregou com sal16,4 Era costume esfregar os recém-nascidos com sal, para os fortificar. nem te pôs fraldas. 5Ninguém se compadeceu suficientemente nem teve pena, para tratar de ti, quando nasceste. Com desprezo, foste atirada fora para o campo. 6Então eu passei e vi-te estrebuchando no teu sangue. Embora estivesses coberta de sangue, não te deixei morrer, porque queria que vivesses. 7Fiz-te crescer como uma planta sadia. Ficaste forte e alta e fizeste-te mulher. Os teus peitos desenvolveram-se e o teu cabelo cresceu. Porém estavas completamente nua. 8Quando passei de novo, vi que chegara a idade de te apaixonares. Cobri o teu corpo nu com a minha capa16,8 Na cultura bíblica, este gesto exprimia não só uma proteção, mas também um compromisso de casamento. Ver Rt 3,9. A partir do profeta Oseias, a imagem do casamento é muitas vezes empregue para descrever as relações entre Deus e Israel. Ver Is 54,4–8; Jr 2,2. e prometi amar-te. Sim, jurei que havia de casar contigo e tu ficaste a pertencer-me. Palavra do Senhor!

9Lavei-te com água e esfreguei a tua pele com azeite. 10Vesti-te com roupa fina e dei-te sapatos do melhor cabedal; dei-te um turbante de linho e uma capa de seda. 11Adornei-te com joias, braceletes e colares. 12Dei-te um brinco para o nariz, brincos para as orelhas e uma esplêndida coroa para pores na cabeça. 13Estavas ornamentada de ouro e de prata e a tua roupa brocada era só de linho e de seda. Comeste pão feito com a melhor farinha e alimentaste-te de mel e de azeite. A tua beleza era impressionante; eras uma autêntica rainha16,13 Jerusalém era uma cidade real por excelência. Ver 1 Rs 11,36; 15,4.. 14Tornaste-te famosa entre os povos pela tua enorme formosura, porque eu te fiz mui atraente. 15Mas tu abusaste da tua beleza e fama e prostituíste-te com todos os que apareciam. 16Usaste as tuas roupas preciosas para decorar os teus lugares de culto pagão e neles te entregaste a qualquer pessoa, como se fosses uma prostituta16,16 O Antigo Testamento emprega frequentemente a imagem da prostituição para designar a adoração de ídolos. Ver Ex 34,15; Os 2,4.. 17Com as joias de prata e de ouro que te dei fizeste ídolos e com eles te prostituíste. 18Com a roupa de brocados que te dei, vestiste essas imagens16,18 As imagens eram geralmente de madeira e revestidas de ouro ou prata. Ver Is 40,19–20. Por vezes eram vestidas. Ver Jr 10,9. e ofereceste-lhes o azeite e o incenso que te tinha dado. 19Dei-te também comida, farinha de primeira qualidade, azeite e mel; mas entregaste tudo isso aos ídolos em sacrifício, para lhes agradares. 20Seguidamente, tomaste os teus filhos e filhas, que me tinhas dado, e ofereceste-os em sacrifício aos ídolos16,20 Israel chegou a sacrificar crianças queimando-as segundo o rito cananeu (ver Ez 20,31), apesar de tal prática ser proibida pela lei. Ver Lv 18,21.. Não era já um grande pecado que me fosses infiel? 21Para que foste ainda sacrificar os meus filhos como oferta aos ídolos? 22Durante a tua vida depravada como prostituta, nunca te lembraste da tua meninice, quando estavas nua, estrebuchando no teu sangue.”»

Jerusalém como uma prostituta

23«Palavra do Senhor! Ai de ti! Ai de ti, Jerusalém que, depois de todos estes crimes, 24ainda foste edificar, junto às estradas, lugares para prestares culto aos ídolos e te dedicares à prostituição. 25Atolaste a tua beleza na lama, entregaste-te a quem passava e a tua prostituição foi cada vez maior. 26Deixaste que os teus vizinhos sensuais, os egípcios, fossem para a cama contigo16,26 A aliança política com o Egito é aqui comparada à prostituição. Os profetas sempre se opuseram a tais alianças. Ver Is 30,1; Os 7,11; 12,2., e com a tua prostituição fizeste com que eu ficasse muito zangado contigo. 27Eis que levanto agora a minha mão, para te castigar, e retiro de ti a minha bênção. Entreguei-te aos filisteus16,27 A política de certos reis de Judá teve como consequência a anexação de uma parte do território pelos filisteus. Ver Ez 25,15–17; 2 Cr 28,18., que te odeiam e têm horror à tua vida imoral. 28E porque não te satisfizeste com esses, ainda foste atrás dos assírios16,28 Alguns reis de Judá e de Israel tinham procurado fazer aliança com a Assíria. Ver 2 Rs 15,19; 16,7–9; Os 5,13; 8,9.. Prostituíste-te com eles mas também não ficaste satisfeita. 29Prostituíste-te depois com os babilónios, essa nação de comerciantes; porém, eles também não te satisfizeram.

30Fizeste tudo isto como uma prostituta desavergonhada. Palavra do Senhor! 31Edificaste lugares de culto aos ídolos à beira das estradas e dedicaste-te à prostituição. Mas o teu motivo não foi o dinheiro, como as outras prostitutas. 32És como uma mulher que comete adultério com estranhos em vez de amar o marido. 33As prostitutas são pagas16,33 Para fazer uma aliança era, por vezes, necessário pagar um imposto muito pesado. Ver 2 Rs 15,19; 16,8., mas tu ainda deste presentes aos teus amantes, para os atrair de toda a parte a irem dormir contigo. 34Tu pertences a uma casta diferente de prostitutas. Ninguém te forçou a teres a vida que levas; não te pagaram, tu é que lhes pagaste! Sim, és realmente diferente!»

Jerusalém castigada por Deus

35«Escuta agora, Jerusalém prostituta, o que o Senhor tem para te comunicar. 36Sou eu, o Senhor quem te fala! Tu despiste-te e como uma prostituta, entregaste-te aos teus amantes e aos teus ídolos abomináveis e mataste os teus filhos para os sacrificar aos ídolos. 37Por causa disso, vou reunir todos esses amantes a quem quiseste agradar, tanto os que tu amaste como aqueles dos quais te aborreceste. Vou pô-los à tua volta e em seguida vou despir-te para que te vejam nua16,37 A nudez é aqui símbolo de vergonha e de fraqueza. Os aliados de Jerusalém (os seus amantes) virão cercá-la ou ouvirão falar da sua ruína. em público. 38Vou condenar-te por adultério e por assassinato, e na minha grande indignação vou dar-te a morte. 39Vou entregar-te nas suas mãos e eles destruirão esses lugares onde prestaste culto aos ídolos e onde te prostituíste. Tirar-te-ão a roupa e as joias e abandonar-te-ão ali completamente nua. 40Incitarão a multidão contra ti, para te apedrejar e te cortar em bocados com as suas espadas. 41Deitarão fogo às tuas casas e as outras mulheres verão o teu castigo. Assim deixarás de ser prostituta e não darás mais presentes aos teus amantes. 42Só então se apagará o furor da minha indignação. Depois ficarei sossegado e não sentirei mais ciúmes. 43Nunca mais te lembraste como te tratei quando eras pequena e indignaste-me com o que fizeste. Por isso, te fiz pagar por tudo. Porque, além das coisas degradantes que fizeste, ainda te foste prostituir. Palavra do Senhor

Jerusalém, pior que as outras cidades

44Disse-me o Senhor: «O povo dirá este provérbio de ti, Jerusalém: Tal mãe, tal filha. 45Na verdade, tu és bem a filha de tua mãe. Ela detestava o marido e os filhos. Tu és como as tuas irmãs, que detestavam igualmente os maridos e os filhos. Tu e as cidades tuas irmãs tiveram uma mãe hitita e um pai amorreu.

46A tua irmã mais velha é a Samaria, ao norte, com as aldeias à sua volta. A tua irmã mais nova, ao sul, é Sodoma, com as aldeias em volta. 47Não só lhes seguiste as pisadas e imitaste todo o mal que fizeram, mas, pouco depois, estavas a fazer ainda pior do que elas. 48Tão certo como eu ser o Senhor da vida, te garanto que a tua irmã Sodoma e as aldeias em volta nunca praticaram tanto mal como tu e as tuas aldeias. 49Ela e as suas aldeias orgulhavam-se por ter muito que comer, e por viverem em paz e sossego; porém não ajudaram os pobres e desprotegidos. 50Eram orgulhosas e teimosas e fizeram coisas que eu detesto; por causa disso, como sabes, eu as destruí. 51A Samaria não fez metade do mal que tu fizeste. Procedeste de maneira mais abominável do que ela. A tua enorme corrupção fez com que as tuas irmãs pareçam inocentes. 52Agora tens de sofrer também a humilhação. Os teus pecados são mais horríveis que os das tuas irmãs e elas parecem inocentes ao pé de ti. Cora agora e envergonha-te, porque fazes com que as tuas irmãs pareçam puras e virtuosas.

53Vou fazer com que Sodoma, Samaria e as aldeias que as rodeiam, sejam de novo prósperas. Mas também a ti hei de dar prosperidade como a elas. 54Sentirás vergonha e humilhação e a tua desgraça dará ânimo às tuas irmãs. 55Elas voltarão de novo à sua antiga prosperidade e tu, com as aldeias à tua volta, serás igualmente reconstruída como antes. 56Não fizeste tu troça de Sodoma, naqueles tempos em que te sentias orgulhosa 57e antes de o mal que fizeste ser revelado? Agora tornaste-te como ela, motivo de troça para os edomeus16,57 Edomeus. Segundo certos manuscritos hebraicos e a antiga versão siríaca. No texto hebraico tradicional diz: arameus., para os filisteus16,57 Filisteus. Viviam na costa e eram tradicionais inimigos de Israel. Ver Jz 15—16. e para todos os outros vizinhos que escarnecem de ti. 58Tens de sofrer por causa das práticas sujas e degradantes que fizeste. Palavra do Senhor

Aliança eterna para Jerusalém

59O Senhor Deus diz: «Vou tratar-te como mereces, porque quebraste os teus compromissos e a minha aliança. 60Porém eu respeitarei a aliança que fiz contigo, quando eras pequena, e farei uma aliança contigo, que durará para sempre. 61Lembrar-te-ás do teu procedimento e, ao acolheres as tuas irmãs mais velhas e mais novas, ficarás envergonhada do que fizeste. Farei com que sejam como tuas filhas, embora isso não fizesse parte da minha aliança contigo. 62Renovarei a minha aliança contigo e ficarás a saber que eu sou o Senhor. 63Perdoarei todo o mal que fizeste, porém tu hás de lembrar-te dele e terás vergonha de abrir a tua boca. Palavra do Senhor

17

A parábola das águias e da videira

171O Senhor dirigiu-me a palavra dizendo: 2«Homem17,2 Ver nota a 2,1., apresenta ao povo de Israel uma parábola, 3que lhes mostre o que eu, o Senhor Deus, lhes quero comunicar: uma águia gigante17,3 A águia gigante representa Nabucodonosor, rei da Babilónia, conquistador de Jerusalém. Ver 17,12., com belas penas coloridas, e asas enormes, abertas em toda a sua extensão, voou até a montanha do Líbano e arrancou a ponta mais alta dum cedro. 4Em seguida, levou o ramo de cedro para uma área de comércio e depô-lo numa cidade de negociantes17,4 Este versículo faz alusão à deportação de Jeconias, rei de Judá, e dos seus grandes. Ver v. 12.. 5Depois levou um rebento da terra de Israel17,5 O rebento designa Sedecias, tio de Jeconias, rei de Judá e dos seu grandes. Ver v. 12. e plantou-o num campo de cultivo, com muita água, para que se desenvolvesse bem. 6A planta cresceu e transformou-se numa videira cheia de varas, de cepa baixa; enquanto as varas cresciam em direção à águia, as raízes desenvolveram-se em profundidade; a videira ia-se cobrindo de ramos e de folhas.

7Havia ainda uma outra águia17,7 Esta águia designa o faraó do Egito, de quem Sedecias se tinha querido aproximar. Ver v. 15. com asas enormes e penugem espessa; e eis que a videira dirigia as suas raízes e ramos, em sua direção, à espera de obter mais água do que recebia do terreno em que estava plantada. 8Esse terreno era fértil, com muita água, ideal para fazer brotar muitos ramos e dar muito fruto, para ser, enfim, uma videira magnífica.

9E agora pergunto eu, o Senhor: será que esta vinha vai crescer? A primeira águia não irá arrancá-la pela raiz, tirar-lhe as uvas e despedaçar os ramos, para que sequem17,9 Ver 17,16; 2 Rs 24,20–25; 2 Cr 36,13.17–20.? Não é preciso muita força nem uma nação poderosa para o fazer. 10É verdade que está plantada, mas será que vai crescer? Não irá antes secar, quando o vento oriental a fustigar? Na terra boa em que devia crescer, secará.»

Interpretação da parábola

11O Senhor disse-me ainda: 12«Pergunta a esses rebeldes se sabem o que esta parábola quer dizer. Diz-lhes que o rei da Babilónia foi a Jerusalém e levou consigo o rei e a sua corte para o seu país. 13Fez aliança com um dos descendentes da família real e fê-lo jurar fidelidade. Levou consigo os mais influentes como reféns, 14para impedir que a nação se levantasse e para ter a certeza que o tratado seria respeitado. 15Porém o rei de Judá revoltou-se contra ele e enviou emissários ao Egito, para pedir cavalos e um grande exército. Conseguirá o que pretende? Ficará impune? Irá quebrar a aliança e escapar sem castigo?

16Tão certo como ser eu o Senhor da vida esse rei perecerá na Babilónia, porque faltou ao juramento e quebrou a aliança que fez com o rei da Babilónia, que o colocou no poder. 17Nem mesmo o poderoso exército do rei do Egito conseguirá ajudá-lo na guerra, quando os babilónios fizerem rampas e edificarem baluartes, afim de matarem muita gente. 18Ele faltou ao juramento e quebrou a aliança que fez. Por causa de tudo isso, não escapará sem castigo.

19Por isso, eu, o Senhor Deus vos declaro: tão certo como eu ser o Deus da vida, castigá-lo-ei por quebrar a aliança que pelo meu nome jurou cumprir. 20Vou lançar-lhe uma rede e apanhá-lo. Depois vou mandá-lo para a Babilónia e dar-lhe o castigo que merece, porque me foi infiel. 21Os seus melhores soldados perecerão na batalha e os sobreviventes serão espalhados por toda a parte. Sabereis então que fui eu, o Senhor, que vos falei.»

Promessa de restauração

22Assim diz o Senhor Deus: «Arrancarei a ponta mais alta dum alto cedro e quebrarei o tenro rebento17,22 Tenro rebento. Designa o futuro rei de Israel, esperança da Dinastia de David. Ver Ez 34,23; 2 Sm 7,12–16.; plantá-lo-ei no cimo de um alto monte17,22 Ver Ez 20,40; 40,2., 23no monte mais alto de Israel. Farei crescer os seus ramos, de modo que dê semente e se desenvolva num cedro imponente. Nele se abrigarão aves de toda a espécie e sob a sua sombra se acolherão. 24Todas as árvores dos campos saberão que eu sou o Senhor. Eu corto as árvores altas e faço com que as pequenas se tornem grandes, faço secar as árvores verdes e reverdecer as árvores secas. Palavra do Senhor

18

181Perguntou-me o Senhor: 2«Que quer o povo de Israel dizer com o provérbio “os pais comeram uvas azedas, mas foram os filhos que ficaram com o mau gosto na boca”? 3Tão certo como eu ser o Deus da vida, vos declaro eu, o Senhor, que ninguém há de repetir mais esse provérbio em Israel. 4A vida de cada pessoa, tanto pais como filhos, pertence-me. Aquele que pecar é que deve morrer18,4 Para os v. 1–20, ver Ez 14,12–20; Dt 7,10; 24,16; Jr 31,29–30.. 5Suponhamos que se trata dum homem bom, justo e honesto. 6Ele não adorou os ídolos dos israelitas nem tomou parte nos banquetes dos sacrifícios pagãos sobre os montes. Não seduz a mulher de outro homem nem tem relações sexuais com uma mulher durante a menstruação18,6 Durante a menstruação uma mulher era considerada impura. Ver Lv 18,19.. 7Não engana nem rouba ninguém, antes restitui o depósito recebido por algo que emprestou; dá comida ao que tem fome e roupa ao que não a tem. 8Não empresta dinheiro para ter juros nem acumula interesses18,8 Ver Lv 25,36–37.. Recusa fazer o mal e é imparcial nas disputas entre duas pessoas. 9Tal pessoa obedece aos meus mandamentos e é escrupuloso em seguir as minhas leis. É um homem de bem, pelo que certamente viverá. Palavra do Senhor!

10Porém suponhamos que tal homem tem um filho que rouba e mata, que comete todos esses crimes, 11que o seu pai nunca cometeu. Toma parte nos banquetes de sacrifício pagãos sobre os montes e seduz a mulher de outros. 12Engana e rouba o pobre, e não restitui o penhor recebido por algo que emprestou; presta culto aos falsos deuses e pratica ações abomináveis, 13e empresta dinheiro para receber juros e acumular interesses. Esse certamente que não viverá. Cometeu todas essas coisas abomináveis e por isso merece morrer. É responsável pela sua própria morte.

14Suponhamos ainda que este homem tem um segundo filho, que testemunha os pecados de seu pai, mas não lhe segue as pisadas. 15Não presta culto aos ídolos dos israelitas, nem toma parte nos banquetes de sacrifício sobre os montes. Não seduz a mulher dos outros, 16nem faz mal a ninguém; restitui o depósito a quem lhe pediu emprestado e não rouba os outros. Dá de comer a quem tem fome e roupa ao que não a tem. 17Não oprime o pobre e não empresta dinheiro a juros nem acumula interesses. Guarda as minhas leis e obedece aos meus mandamentos. Tal pessoa não morrerá por causa dos pecados do seu pai, antes viverá. 18Porém o seu pai, que oprimiu e roubou e que fez mal aos outros, esse tem de morrer por causa dos seus próprios pecados.

19Porém vocês perguntam por que razão o filho não há de pagar pelos pecados do pai. A razão é porque o filho fez o bem e agiu legalmente, obedeceu às minhas leis e pô-las em prática. Por isso, viverá. 20Todavia, aquele que pecar, morrerá. Um filho não deve pagar pelos pecados do pai, nem um pai pelos pecados dos filhos. O homem justo será recompensado por praticar o bem, e o homem mau pagará pelo mal que fizer18,20 Ver nota a 18,4..

21Se um homem mau deixar de praticar o mal e obedecer às minhas leis, se agir com justiça e fizer o bem, esse não morrerá, antes viverá. 22As suas transgressões serão perdoadas, e viverá, porque fez o que era reto. 23Pensam que me alegro ao ver um homem mau morrer? Pelo contrário, preferia vê-lo arrepender-se e viver. Palavra do Senhor!

24Mas se um homem que pratica o bem começar a agir mal e a fazer o que os homens maus fazem, poderá viver? Não! O bem que antes fez não será lembrado. Ele terá de morrer por causa da sua infidelidade e das suas transgressões. 25Porém vocês dizem que aquilo que o Senhor faz não está bem. Ouçam-me, ó israelitas! Pensam que não tenho razão em fazer o que faço? Vocês é que não têm razão no vosso procedimento. 26Quando um homem justo deixa de fazer o bem e começa a praticar o mal, e depois morre, ele morre por causa do mal que cometeu. 27Quando um homem mau deixa de praticar o mal e começa a agir bem, salva a sua vida. 28Ele compreende que está a agir mal e deixa de o fazer. Por isso, não morrerá, antes viverá. 29E ainda dizem, israelitas, que o Senhor não tem razão? Pois pensam que eu estou errado, mas são vocês que a não têm.

30Sou eu que hei de julgar a cada um de vós, pelo que fizeram, ó israelitas. Palavra do Senhor! Deixem de praticar o mal e não deixem que o pecado vos destrua. 31Abandonem as vossas transgressões e procurem ter uma nova mentalidade e um coração novo. Por que haveis de morrer, se sois israelitas? 32Não quero que ninguém morra. Palavra do Senhor! Deixem as vossas transgressões e viverão.»