a BÍBLIA para todos Edição Católica (BPTct)
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A parábola das águias e da videira

171O Senhor dirigiu-me a palavra dizendo: 2«Homem17,2 Ver nota a 2,1., apresenta ao povo de Israel uma parábola, 3que lhes mostre o que eu, o Senhor Deus, lhes quero comunicar: uma águia gigante17,3 A águia gigante representa Nabucodonosor, rei da Babilónia, conquistador de Jerusalém. Ver 17,12., com belas penas coloridas, e asas enormes, abertas em toda a sua extensão, voou até a montanha do Líbano e arrancou a ponta mais alta dum cedro. 4Em seguida, levou o ramo de cedro para uma área de comércio e depô-lo numa cidade de negociantes17,4 Este versículo faz alusão à deportação de Jeconias, rei de Judá, e dos seus grandes. Ver v. 12.. 5Depois levou um rebento da terra de Israel17,5 O rebento designa Sedecias, tio de Jeconias, rei de Judá e dos seu grandes. Ver v. 12. e plantou-o num campo de cultivo, com muita água, para que se desenvolvesse bem. 6A planta cresceu e transformou-se numa videira cheia de varas, de cepa baixa; enquanto as varas cresciam em direção à águia, as raízes desenvolveram-se em profundidade; a videira ia-se cobrindo de ramos e de folhas.

7Havia ainda uma outra águia17,7 Esta águia designa o faraó do Egito, de quem Sedecias se tinha querido aproximar. Ver v. 15. com asas enormes e penugem espessa; e eis que a videira dirigia as suas raízes e ramos, em sua direção, à espera de obter mais água do que recebia do terreno em que estava plantada. 8Esse terreno era fértil, com muita água, ideal para fazer brotar muitos ramos e dar muito fruto, para ser, enfim, uma videira magnífica.

9E agora pergunto eu, o Senhor: será que esta vinha vai crescer? A primeira águia não irá arrancá-la pela raiz, tirar-lhe as uvas e despedaçar os ramos, para que sequem17,9 Ver 17,16; 2 Rs 24,20–25; 2 Cr 36,13.17–20.? Não é preciso muita força nem uma nação poderosa para o fazer. 10É verdade que está plantada, mas será que vai crescer? Não irá antes secar, quando o vento oriental a fustigar? Na terra boa em que devia crescer, secará.»

Interpretação da parábola

11O Senhor disse-me ainda: 12«Pergunta a esses rebeldes se sabem o que esta parábola quer dizer. Diz-lhes que o rei da Babilónia foi a Jerusalém e levou consigo o rei e a sua corte para o seu país. 13Fez aliança com um dos descendentes da família real e fê-lo jurar fidelidade. Levou consigo os mais influentes como reféns, 14para impedir que a nação se levantasse e para ter a certeza que o tratado seria respeitado. 15Porém o rei de Judá revoltou-se contra ele e enviou emissários ao Egito, para pedir cavalos e um grande exército. Conseguirá o que pretende? Ficará impune? Irá quebrar a aliança e escapar sem castigo?

16Tão certo como ser eu o Senhor da vida esse rei perecerá na Babilónia, porque faltou ao juramento e quebrou a aliança que fez com o rei da Babilónia, que o colocou no poder. 17Nem mesmo o poderoso exército do rei do Egito conseguirá ajudá-lo na guerra, quando os babilónios fizerem rampas e edificarem baluartes, afim de matarem muita gente. 18Ele faltou ao juramento e quebrou a aliança que fez. Por causa de tudo isso, não escapará sem castigo.

19Por isso, eu, o Senhor Deus vos declaro: tão certo como eu ser o Deus da vida, castigá-lo-ei por quebrar a aliança que pelo meu nome jurou cumprir. 20Vou lançar-lhe uma rede e apanhá-lo. Depois vou mandá-lo para a Babilónia e dar-lhe o castigo que merece, porque me foi infiel. 21Os seus melhores soldados perecerão na batalha e os sobreviventes serão espalhados por toda a parte. Sabereis então que fui eu, o Senhor, que vos falei.»

Promessa de restauração

22Assim diz o Senhor Deus: «Arrancarei a ponta mais alta dum alto cedro e quebrarei o tenro rebento17,22 Tenro rebento. Designa o futuro rei de Israel, esperança da Dinastia de David. Ver Ez 34,23; 2 Sm 7,12–16.; plantá-lo-ei no cimo de um alto monte17,22 Ver Ez 20,40; 40,2., 23no monte mais alto de Israel. Farei crescer os seus ramos, de modo que dê semente e se desenvolva num cedro imponente. Nele se abrigarão aves de toda a espécie e sob a sua sombra se acolherão. 24Todas as árvores dos campos saberão que eu sou o Senhor. Eu corto as árvores altas e faço com que as pequenas se tornem grandes, faço secar as árvores verdes e reverdecer as árvores secas. Palavra do Senhor

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181Perguntou-me o Senhor: 2«Que quer o povo de Israel dizer com o provérbio “os pais comeram uvas azedas, mas foram os filhos que ficaram com o mau gosto na boca”? 3Tão certo como eu ser o Deus da vida, vos declaro eu, o Senhor, que ninguém há de repetir mais esse provérbio em Israel. 4A vida de cada pessoa, tanto pais como filhos, pertence-me. Aquele que pecar é que deve morrer18,4 Para os v. 1–20, ver Ez 14,12–20; Dt 7,10; 24,16; Jr 31,29–30.. 5Suponhamos que se trata dum homem bom, justo e honesto. 6Ele não adorou os ídolos dos israelitas nem tomou parte nos banquetes dos sacrifícios pagãos sobre os montes. Não seduz a mulher de outro homem nem tem relações sexuais com uma mulher durante a menstruação18,6 Durante a menstruação uma mulher era considerada impura. Ver Lv 18,19.. 7Não engana nem rouba ninguém, antes restitui o depósito recebido por algo que emprestou; dá comida ao que tem fome e roupa ao que não a tem. 8Não empresta dinheiro para ter juros nem acumula interesses18,8 Ver Lv 25,36–37.. Recusa fazer o mal e é imparcial nas disputas entre duas pessoas. 9Tal pessoa obedece aos meus mandamentos e é escrupuloso em seguir as minhas leis. É um homem de bem, pelo que certamente viverá. Palavra do Senhor!

10Porém suponhamos que tal homem tem um filho que rouba e mata, que comete todos esses crimes, 11que o seu pai nunca cometeu. Toma parte nos banquetes de sacrifício pagãos sobre os montes e seduz a mulher de outros. 12Engana e rouba o pobre, e não restitui o penhor recebido por algo que emprestou; presta culto aos falsos deuses e pratica ações abomináveis, 13e empresta dinheiro para receber juros e acumular interesses. Esse certamente que não viverá. Cometeu todas essas coisas abomináveis e por isso merece morrer. É responsável pela sua própria morte.

14Suponhamos ainda que este homem tem um segundo filho, que testemunha os pecados de seu pai, mas não lhe segue as pisadas. 15Não presta culto aos ídolos dos israelitas, nem toma parte nos banquetes de sacrifício sobre os montes. Não seduz a mulher dos outros, 16nem faz mal a ninguém; restitui o depósito a quem lhe pediu emprestado e não rouba os outros. Dá de comer a quem tem fome e roupa ao que não a tem. 17Não oprime o pobre e não empresta dinheiro a juros nem acumula interesses. Guarda as minhas leis e obedece aos meus mandamentos. Tal pessoa não morrerá por causa dos pecados do seu pai, antes viverá. 18Porém o seu pai, que oprimiu e roubou e que fez mal aos outros, esse tem de morrer por causa dos seus próprios pecados.

19Porém vocês perguntam por que razão o filho não há de pagar pelos pecados do pai. A razão é porque o filho fez o bem e agiu legalmente, obedeceu às minhas leis e pô-las em prática. Por isso, viverá. 20Todavia, aquele que pecar, morrerá. Um filho não deve pagar pelos pecados do pai, nem um pai pelos pecados dos filhos. O homem justo será recompensado por praticar o bem, e o homem mau pagará pelo mal que fizer18,20 Ver nota a 18,4..

21Se um homem mau deixar de praticar o mal e obedecer às minhas leis, se agir com justiça e fizer o bem, esse não morrerá, antes viverá. 22As suas transgressões serão perdoadas, e viverá, porque fez o que era reto. 23Pensam que me alegro ao ver um homem mau morrer? Pelo contrário, preferia vê-lo arrepender-se e viver. Palavra do Senhor!

24Mas se um homem que pratica o bem começar a agir mal e a fazer o que os homens maus fazem, poderá viver? Não! O bem que antes fez não será lembrado. Ele terá de morrer por causa da sua infidelidade e das suas transgressões. 25Porém vocês dizem que aquilo que o Senhor faz não está bem. Ouçam-me, ó israelitas! Pensam que não tenho razão em fazer o que faço? Vocês é que não têm razão no vosso procedimento. 26Quando um homem justo deixa de fazer o bem e começa a praticar o mal, e depois morre, ele morre por causa do mal que cometeu. 27Quando um homem mau deixa de praticar o mal e começa a agir bem, salva a sua vida. 28Ele compreende que está a agir mal e deixa de o fazer. Por isso, não morrerá, antes viverá. 29E ainda dizem, israelitas, que o Senhor não tem razão? Pois pensam que eu estou errado, mas são vocês que a não têm.

30Sou eu que hei de julgar a cada um de vós, pelo que fizeram, ó israelitas. Palavra do Senhor! Deixem de praticar o mal e não deixem que o pecado vos destrua. 31Abandonem as vossas transgressões e procurem ter uma nova mentalidade e um coração novo. Por que haveis de morrer, se sois israelitas? 32Não quero que ninguém morra. Palavra do Senhor! Deixem as vossas transgressões e viverão.»

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Lamentação pelos reis de Judá

191O Senhor disse-me: «Entoa um cântico, para lamentar os príncipes de Israel.

2“Que bela leoa19,2 A leoa representa aqui quer a cidade de Jerusalém, quer a tribo de Judá. Ver Gn 49,9. era a tua mãe!

Ela alimentava os seus filhotes,

deitada entre os leões!

3Educou um dos leõezinhos e ensinou-o a caçar;

ele tornou-se um leão devorador de homens.

4As nações ouviram falar dele,

e atraíram-no a uma armadilha.

Amarraram-no e arrastaram-no para o Egito.

5A mãe aguardou até perder as esperanças;

em seguida criou outro dos seus filhotes,

que por sua vez se fez um forte leão.

6Quando atingiu a idade adulta,

e se misturou com os outros leões,

também ele aprendeu a caçar

e a devorar homens.

7Invadiu as suas fortalezas

e devastou as suas cidades;

os habitantes do país ficavam aterrorizados

sempre que ele rugia.

8As nações uniram-se contra ele;

vieram de toda a parte.

Puseram-lhe laços e armadilhas

e ele foi apanhado.

9Meteram-no numa gaiola

e levaram-no preso ao rei da Babilónia19,9 Ver 2 Rs 24,15..

Puseram-no na cadeia,

para que nunca mais fosse rugir

nos montes de Israel.

10A tua mãe era como uma videira19,10 Sobre o simbolismo da vinha, ver 15,2 e nota.,

plantada à beira de um regato.

Em virtude de ali haver muita água,

a vinha cobriu-se de folhas e de fruto.

11Os seus ramos tornaram-se fortes como cetros reais.

A videira cresceu tanto que chegou até às nuvens;

toda a gente podia ver como era alta,

e como estava cheia de folhas.

12Mas foi arrancada violentamente,

e atirada ao chão.

O vento leste secou-lhe o fruto;

os seus fortes ramos ficaram secos,

como se o fogo os tivesse devorado.

13Agora está plantada num deserto,

em terra árida e sem água.

14A cepa da videira pegou fogo,

que lhe queimou os ramos e os frutos.

Os ramos nunca mais serão fortes,

nem poderão tornar-se cetros reais.”

Isto é uma lamentação e como tal será entoada.»