a BÍBLIA para todos Edição Católica (BPTct)
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Inquérito sobre a vontade de Deus

201Era o dia dez do quinto mês20,1 Entre julho e agosto do sétimo ano do reinado de Sedecias, em 591–590 a.C., do sétimo ano do nosso exílio. Alguns dos anciãos da comunidade israelita vieram consultar-me acerca da vontade do Senhor. 2Então o Senhor dirigiu-me a seguinte mensagem: 3«Homem20,3 Ver nota a 2,1., dirige-te a estes anciãos e diz-lhes que eu, o Senhor Deus, lhes declaro o seguinte: “Vocês vieram para saber a minha vontade, não é verdade? Pois, tão certo como eu ser o Deus da vida não vos deixarei perguntar coisa nenhuma. Palavra do Senhor!”

4E tu, homem, estás pronto a julgá-los? Então lembra-lhes as abominações que os seus pais cometeram. 5Conta-lhes o que te digo. Quando escolhi a Israel, e abençoei a família de Jacob, revelei-me a eles no Egito, e disse-lhes solenemente: “Eu sou o Senhor, vosso Deus!” 6Jurei solenemente, nesse dia, que havia de fazê-los sair do Egito e de os conduzir a uma terra que escolhi para eles20,6 Para os v. 5–6, ver Ex 6,2–8., uma terra onde o leite e o mel correm como água; na realidade, a melhor de todas as terras. 7Pedi-lhes que se desfizessem dos ídolos abomináveis que adoravam e que não se tornassem impuros com os falsos deuses do Egito, porque eu sou o Senhor, seu Deus. 8Porém eles revoltaram-se contra mim e recusaram-se a ouvir-me. Não se desfizeram dos ídolos abomináveis nem dos deuses egípcios. Cheguei a ponto de querer fazer-lhes sentir o peso da minha indignação, mesmo ali, no Egito. 9Mas não o fiz, pois isso teria trazido desonra ao meu nome, porque tinha já comunicado a Israel, na presença do povo entre o qual viviam, que os faria sair do Egito.

10Por isso, trouxe-os para fora do Egito, para o deserto. 11Dei-lhes os meus mandamentos e ensinei-lhes as minhas leis, que dão vida a quem as cumpre. 12Fiz da guarda do sábado um sinal da aliança entre mim e eles, para lhes lembrar que eu, o Senhor, faço deles um povo santo. 13Todavia, mesmo no deserto, os israelitas se revoltaram contra mim. Transgrediram as minhas leis e rejeitaram os meus mandamentos, que dão vida a quem os cumpre. Também profanaram os meus sábados. Cheguei a querer fazer-lhes sentir o peso da minha indignação, ali mesmo no deserto, e a destruí-los. 14Mas não o fiz, pois isso teria desonrado o meu nome na opinião dos povos que me viram tirar Israel para fora do Egito. 15Jurei então, ali no deserto, que não os levaria para a terra que lhes dera, uma terra onde corre leite e mel, na realidade, a melhor de todas. 16Procedi assim porque rejeitaram os meus mandamentos, transgrediram as minhas leis e profanaram os meus sábados, porque o seu coração pende para os seus ídolos. 17Tive, porém, pena deles. Decidi que não os mataria; não acabaria com eles ali no deserto20,17 Para os v. 13–17, ver Nm 14,1–4.20–30..

18Pelo contrário, admoestei os seus descendentes: “Não sigam as leis que os vossos antepassados fizeram; não imitem os seus costumes, nem se contaminem com os seus ídolos. 19Eu sou o Senhor, vosso Deus. Obedeçam às minhas leis e cumpram fielmente os meus mandamentos. 20Façam dos meus sábados dias santificados, para que sejam um sinal de aliança entre mim e vós, para que se saiba que eu sou o Senhor, vosso Deus.”

21Porém os seus filhos revoltaram-se contra mim e transgrediram as minhas leis. Não cumpriram os meus mandamentos, que dão vida a quem os cumpre; profanaram os meus sábados, a tal ponto que eu estava para descarregar sobre eles a minha indignação, ali no deserto, acabando com eles. 22Mas não o fiz, porque isso teria desonrado o meu nome diante dos povos que me viram tirar os israelitas do Egito. 23Jurei-lhes então, ali no deserto, que os espalharia por todo o mundo, exilando-os em terras estrangeiras. 24Isto, por terem rejeitado os meus mandamentos, transgredido as minhas leis, profanado os meus sábados e se terem voltado para os mesmos ídolos que os seus antepassados tinham servido. 25Dei-lhes então leis bastante duras e mandamentos que lhes tornavam a vida difícil20,25 Ezequiel faz alusão à lei que regulamentava as ofertas em favor dos primogénitos. Ver v. 26 e Ex 13,1. Ver também Ex 13,12–13.. 26Permiti que se profanassem a si mesmos com as suas ofertas, deixando-os sacrificar os seus filhos primogénitos. Procedi assim, para que se sentissem culpados e reconhecessem que eu sou o Senhor.

27Agora pois, Ezequiel, comunica aos israelitas que eu, o Senhor Deus, lhes quero dizer o seguinte: “Os vossos antepassados insultaram-me ainda doutra maneira e foram-me infiéis. 28Eu trouxe-os para a terra que lhes tinha prometido e eles, quando viram os altos montes e as árvores frondosas, ofereceram sacrifícios em todos esses lugares. Fizeram com que me zangasse por causa dos sacrifícios que queimaram, para agradar aos falsos deuses e pelas ofertas de vinho que aí apresentaram. 29Perguntei-lhes então que lugares altos eram aqueles para onde eles iam. Por isso, se chamam, desde então, lugares altos aos santuários pagãos.”

30Mostra agora aos israelitas o que eu, o Senhor Deus, tenho para lhes comunicar: “Por que haveis de cometer os mesmos crimes que os vossos pais cometeram, entregando-vos a esses ídolos imundos? 31Continuam ainda a oferecer as mesmas ofertas, e a contaminar-vos com os mesmos ídolos, sacrificando os vossos filhos e queimando-os no fogo. E ainda me vêm perguntar qual é a minha vontade, ó israelitas! Tão certo como eu ser o Senhor Deus da vida vos garanto que não vos deixarei perguntar mais nada. 32Tomaram a decisão de ser como as outras nações, como pagãos vivem nos outros países e adoram deuses de madeira e de pedra. Porém não vai ser como vocês querem.”»

Deus castiga e perdoa

33«Tão certo como eu ser o Senhor, Deus da vida vos garanto que, na minha indignação, vos hei de dominar com mão forte e com o meu imenso poder. 34Vou mostrar-vos o meu poder e a minha ira, quando vos reunir de novo e vos fizer voltar dos países, por onde vocês foram espalhados. 35Vou separar-vos dos outros povos e levar-vos para o deserto20,35 Ver Os 2,16.; ali sereis julgados frente a frente. 36Vou condenar-vos como condenei os vossos antepassados no deserto do Sinai. Palavra do Senhor!

37Vou guardar-vos com o meu cajado20,37 Ver 36,11–16. e obrigar-vos a cumprir as obrigações da minha aliança. 38Afastarei dentre vós aqueles que são rebeldes e maus. Retirá-los-ei da terra onde agora vivem, mas não permitirei que voltem à terra de Israel. Reconhecereis então que eu sou o Senhor.

39Ouçam agora o que vos digo, ó israelitas! Façam o que quiserem; continuem a adorar os vossos ídolos! Mas previno-vos que depois disto terão de me obedecer e deixar de desonrar o meu santo nome com as ofertas aos vossos ídolos. 40Na terra de Israel, no meu santo monte, no grande monte20,40 O grande monte. Conjunto de colinas sobre as quais está edificada Jerusalém. de Israel, todos os israelitas me hão de adorar. Aí vos acolherei com agrado e esperarei que me tragam os vossos presentes, as vossas melhores ofertas e tudo o que me consagrarem. 41Depois de vos trazer de volta dos países para onde vocês foram espalhados e de vos reunir de novo hei de aceitar com agrado os vossos sacrifícios, e as outras nações verão por isso que eu sou um Deus santo. 42Quando vos trouxer de volta a Israel, à terra que jurei dar aos vossos antepassados, vocês hão de ver então que eu sou o Senhor. 43Hão de lembrar-se de todo o mal que fizeram, profanando-se a si mesmos. Ficareis desgostosos convosco mesmos, por causa de todo o mal praticado. 44Quando eu vos tratar desta maneira, a fim de proteger o meu nome, vereis que eu sou o Senhor, porque não vos trato como merecem os vossos atos maus e corruptos. Palavra do Senhor Deus!»

21

Más notícias para Israel

211O Senhor dirigiu-me ainda a palavra e disse-me: 2«Homem21,2 Ver nota a 2,1., olha em direção ao sul. Dirige em meu nome uma mensagem contra o bosque do sul21,2 Provavelmente todo o país de Judá.. 3Diz a esse bosque que fica ao sul, que eu, o Senhor, lhe comunico o seguinte: “Ouve, ó bosque do sul! Vou deitar-te o fogo, que consumirá todas as tuas árvores, tanto as verdes como as secas. Nada o poderá apagar. Toda a gente, do sul ao norte, há de sofrer o calor das labaredas. 4Assim verão que eu, o Senhor, lhes pus fogo e que ninguém o pode apagar.”» 5Porém eu protestei e disse: «Ó Senhor Deus, não me mandes fazer tal coisa! Toda a gente diz já que só falo por parábolas

Interpretação da parábola

6Então o Senhor dirigiu-me a palavra e disse-me: 7«Homem, denuncia a Jerusalém, denuncia os lugares onde o povo presta culto. Previne a terra de Israel 8que eu, o Senhor, lhes declaro o seguinte: “Sou vosso inimigo. Puxarei da minha espada e vou matar-vos a todos, justos e maus. 9Farei uso da minha espada contra todos, desde o sul até ao norte.” 10Então toda a gente saberá que, se eu, o Senhor, puxei da minha espada não é para a pôr outra vez na bainha.

11E tu, homem, geme como se o teu coração estivesse despedaçado pelo desespero. Chora de tristeza num lugar onde todos te vejam. 12Quando te perguntarem por que choras, diz que é por causa das notícias sobre o futuro. Então os seus corações se encherão de temor, as suas mãos ficarão sem força, o seu ânimo vacilará e os seus joelhos tremerão. O que está para vir já está a chegar. Palavra do Senhor

13O Senhor dirigiu-me ainda esta mensagem: 14«Homem, fala ao povo em meu nome; anuncia que eu, o Senhor, tenho para lhe dizer o seguinte:

“Existe uma espada,

uma espada afiada e polida.

15Está afiada para matar,

e polida a brilhar como um relâmpago.

Haverá motivo para alegria?

É que o meu povo desprezou

o pau que o castigava21,15 Ou: O cetro do meu filho desprezou qualquer árvore.!

16A espada está a ser polida

pronta para ser usada.

Está afiada e polida,

para ser entregue nas mãos de quem vai matar.

17Chora e lamenta-te, homem,

que esta espada é para ferir o meu povo

e todos os chefes de Israel.

Vão ser todos mortos

com o resto do meu povo.

Batam com as mãos no peito, em desespero!

18Eu estou a pôr à prova o meu povo

e se recusarem arrepender-se,

todas estas coisas cairão sobre eles.

Palavra do Senhor!”»

19«Anuncia agora, Homem.

Bate palmas e a espada ferirá

à direita e à esquerda por três vezes.

É uma espada que mata, que semeia o terror

e não deixa ninguém escapar.

20Eis que ela ferirá em todas as casas do meu povo.

Fará com que ele perca o ânimo e tropece.

É uma espada que brilha como o relâmpago,

pronta para matar.

21Fere à direita e à esquerda, ó espada bem afiada!

Fere para onde te voltares!

22Também eu baterei as palmas,

e a minha indignação ficará satisfeita.

Palavra do Senhor

A espada do rei da Babilónia

23O Senhor dirigiu-me a palavra e disse-me: 24«Ezequiel, traça duas estradas por onde o rei da Babilónia há de passar com a sua espada. Ambas devem partir do mesmo país. Coloca sinais com a direção de cada uma delas; 25uma deve levar o rei à cidade amonita de Rabá21,25 Rabá. Cidade capital dos amonitas, situada a leste do Jordão, a atual cidade de Amã.; a outra levá-lo-á até Judá, à cidade fortificada de Jerusalém. 26O rei da Babilónia encontra-se diante dos sinais, no lugar onde as estradas se separam. Para se decidir sobre qual estrada deve tomar, ele agita as flechas, consulta os seus ídolos familiares e examina o fígado dum animal21,26 Ezequiel enumera aqui as três maneiras de se praticar a adivinhação. Agitavam-se duas flechas num recipiente. Cada uma tinha uma determinada indicação; a que saía em primeiro lugar dava a resposta à pergunta feita. Podia-se também consultar os ídolos, ou examinar, segundo regras bem precisas, o fígado dos animais sacrificados.. 27A sua mão direita segura a flecha que diz “Jerusalém”. Isso mostra que deve seguir nessa direção e deve montar aríetes, soltar o grito de guerra, colocar os aríetes contra as portas e fazer rampas e baluartes. 28O povo de Israel não acreditará no que os seus olhos virem, porque se sentem protegidos por um acordo. Mas o rei lembra-lhes as suas más ações e avisa-os de que vão ser feitos prisioneiros. 29Pois eu, o Senhor Deus, vos declaro que as vossas más ações estão descobertas. Toda a gente sabe quão culpados sois. As vossas más ações são evidentes e o pecado está em cada procedimento vosso. Já que se fazem assim tanto notar, sereis feitos prisioneiros pelos vossos inimigos.

30E quanto a ti, infame e criminoso chefe de Israel21,30 Trata-se de Sedecias. Ver 2 Rs 25,4–7., chegou o dia do teu castigo. 31É o Senhor Deus quem o declara! Tira a tua coroa e o teu turbante. Nada voltará a ser como antes. O que era humilde fica engrandecido e o que era grande fica humilhado. 32Ruína, ruína! Sim, eis que faço a cidade em ruínas. Mas tal não acontecerá até que chegue aquele a quem eu concedi o poder de castigar a cidade. Então entregar-lha-ei21,32 O cumprimento deste castigo foi levado a efeito por Nabucodonosor. Ver 23,23–24.

Uma espada e os amonitas

33«Homem, anuncia o que eu, o Senhor Deus, tenho para declarar aos amonitas21,33 Os amonitas eram aliados dos edomeus, dos moabitas, dos fenícios de Tiro e Sídon, bem como de Judá, na revolta contra a Babilónia, com a ajuda do Egito. Ver Jr 27,2–6., que insultam a Israel. Diz-lhes:

“Existe uma espada, pronta para destruir;

está afiada para matar,

e polida como um relâmpago a brilhar!

34As visões que tu tens são falsas e as adivinhações que fazes são mentiras. Tu és má e iníqua e o teu dia está a chegar, o dia do teu castigo final. A espada vai cair sobre o teu pescoço.

35Mete a espada na bainha! Vou castigar-te no lugar onde foste criada, na terra onde nasceste. 36Sentirás a minha indignação, quando fizer cair sobre ti o fogo da minha ira: entregar-te-ei nas mãos de homens violentos, peritos na destruição. 37Serás consumida pelo fogo; o teu sangue será derramado no teu país e nunca mais ninguém se lembrará de ti. Palavra do Senhor21,37 Para os v. 33–37, ver nota a Jr 49,1.!”»

22

Os crimes de Jerusalém

221Disse-me o Senhor: 2«Homem22,2 Ver nota a 2,1., estás pronto para julgar e condenar aquela cidade cheia de assassinos? Mostra-lhe claramente todas as coisas abomináveis que praticou. 3Mostra à cidade que eu, o Senhor Deus, lhe comunico o seguinte: “O teu fim chegou, porque mataste tanta gente dentre o teu povo e te contaminaste na adoração de ídolos. 4És culpada dessas mortes, e estás contaminada pelos ídolos que fizeste; por essa razão, o teu fim está para breve; por isso, permiti que as outras nações façam troça de ti e te desprezem. 5Países de perto e de longe fazem troça de ti, pelo teu nome desprezível, por viveres sem lei. 6Os governantes de Israel confiaram na sua própria força e cometeram assassinatos22,6 Ver exemplos em 1 Rs 21,8–10; 2 Rs 21,16; 24,4.. 7Dentro de ti, ninguém honra os seus pais. Vocês abusam dos estrangeiros e oprimem as viúvas22,7 Comparar com as exigências da lei em Ex 20,12; 22,20–23. e os órfãos. 8Não têm respeito pelas coisas sagradas nem guardam os meus sábados. 9Alguns de vocês levantam calúnias acerca de outros, a fim de os entregarem à morte; outros tomam parte nos banquetes de sacrifício oferecidos aos ídolos nas montanhas22,9 Ver 18,6.11.15.; outros ainda entregam-se ao vício. 10Alguns dormem com a mulher do seu pai; outros forçam as mulheres a terem relações com eles, durante a menstruação22,10 Ver Ez 18,6 e nota. Para este versículo e o seguinte, ver também Lv 18,7–20.. 11Uns cometem adultério com a mulher dos vizinhos, outros desonram a sua própria nora ou violentam a sua irmã, filha do mesmo pai. 12Há em ti gente capaz de matar a troco de dinheiro. Cobram juros por empréstimos que fazem a outros israelitas e enriquecem assim à custa deles. Esqueceram-se por completo de mim. Palavra do Senhor!

13Eis que a minha mão vai castigar os vossos roubos e os assassinatos que em ti se cometem. 14Pensam que vão ter ânimo ou força para resistirem contra mim, quando eu acabar por vos castigar? Palavra do Senhor! 15Espalharei o teu povo por todos os países e nações e porei cobro às tuas práticas indecentes. 16As outras nações vão desprezar-te e tu verás então que eu sou o Senhor.”»

O forno purificador

17O Senhor dirigiu-me a palavra, dizendo: 18«Homem, os israelitas não me servem para nada. São como metal de desperdício: cobre, estanho, ferro e chumbo, metais que ficaram depois de a prata ter sido purificada no forno22,18 A mesma comparação é utilizada noutros textos proféticos. Ver Jr 6,28–29; Ml 3,2–3.. 19Assim eu, o Senhor Deus, vos declaro que os israelitas são tão inúteis como esses desperdícios. Vou juntar-vos todos em Jerusalém 20da mesma maneira que a prata, o cobre, o ferro, o chumbo e o estanho se amontoam num forno para serem purificados. A minha ira e o meu furor hão de derretê-los como o fogo derrete o metal. 21Sim, juntá-los-ei em Jerusalém, porei fogo debaixo deles e derretê-los-ei ali mesmo com a minha indignação. 22Serão derretidos em Jerusalém, tal como a prata é derretida no forno. E assim vocês sentirão o Senhor descarregar sobre vós a sua indignação.»

Pecados dos dirigentes de Israel

23O Senhor falou-me de novo: 24«Homem, mostra ao povo de Israel que a sua terra está contaminada e por isso vou deixá-la como uma terra sem chuva. 25O bando dos seus profetas são como leões que rugem, caindo sobre a presa; matam o povo, tiram-lhes o dinheiro e os bens que podem e dessa maneira assassinam, deixando muitas viúvas. 26Os sacerdotes transgridem as minhas leis e não têm respeito pelo que é santo. Não ensinam a diferença entre o que é ritualmente puro e o que não é, e não guardam os meus sábados. Numa palavra, não têm respeito por mim. 27Os seus governantes portam-se como lobos que despedaçam os animais que matam. Assassinam pessoas, só para enriquecerem. 28Os profetas encobrem essas más ações, tal como se cobre uma parede com cal22,28 Comparar com 13,10–16.; têm falsas visões e fazem adivinhações falsas; pretendem transmitir palavras do Senhor Deus, porém eu, o Senhor, não lhas transmiti. 29Os ricos oprimem e roubam, maltratam e humilham os pobres e necessitados e aproveitam-se dos estrangeiros22,29 Sobre os direitos do estrangeiro, ver Lv 19,33–34; Dt 14,29; 24,14–15.. 30Busquei quem pudesse reconstruir o muro ou fosse capaz de defender a cidade no lugar onde os muros caíram, agora que a minha ira está prestes a destruí-la, mas não encontrei ninguém. 31Por isso, deixarei que a minha indignação caia sobre eles; vou consumi-los como o fogo, por causa das suas más ações. Palavra do Senhor