a BÍBLIA para todos Edição Católica (BPTct)
23

As duas irmãs prostitutas

231O Senhor dirigiu-me a palavra, dizendo: 2«Homem23,2 Ver nota a 2,1., era uma vez duas irmãs, filhas da mesma mãe23,2 Ver 16,3.44–46.. 3Quando eram novas e viviam no Egito, perderam a virgindade e tornaram-se prostitutas. Foi lá que lhes acariciaram os seios pela primeira vez. 4A mais velha chamava-se Ola e representa Samaria; a mais nova chamava-se Oliba23,4 Desconhece-se o significado simbólico destes nomes. e representa Jerusalém. Casei com ambas e de ambas tive filhos. 5Embora fosse minha mulher, Ola continuava a prostituir-se e não deixava de seduzir os seus amantes e vizinhos, da Assíria. 6Eles eram soldados em uniforme de púrpura; havia-os também nobres e oficiais de altas patentes; todos eram bem parecidos e montados em belos cavalos. 7Ela era a prostituta dos oficiais assírios e a sua leviandade levou-a a contaminar-se, adorando os ídolos dos assírios. 8Continuou assim o que começara, quando se fez prostituta no Egito e perdeu a virgindade. Desde jovem, os homens dormiram com ela, tirando-lhe a virgindade e tratando-a como prostituta. 9Por isso, a abandonei nas mãos dos seus amantes assírios, de quem ela tanto gostava. 10Eles deixaram-na nua, arrancaram-lhe os filhos e as filhas e mataram-na à espada. O castigo que lhe deram foi exemplar e ficou como aviso para as outras mulheres.

11Embora a sua irmã Oliba tivesse sido testemunha de tudo isto, deixou-se arrastar pelos seus desejos e ainda se tornou pior prostituta do que Ola. 12Também ela seduziu os soldados e oficiais assírios, todos eles jovens bem parecidos, vestidos de uniformes coloridos, e montados em belos cavalos. 13Vi que ela se afundou na lama; o seu comportamento era tão mau como o da sua irmã; 14e enterrou-se cada vez mais na sua imoralidade. Quando viu homens caldeus esculpidos a vermelho nas paredes, 15com cintos à volta da cintura e turbantes garridos na cabeça, 16ela encheu-se de sensualidade e mandou emissários à Babilónia, para os seduzir23,16 Ver 2 Rs 20,12–19; Is 39.. 17Os babilónios vieram para ter relações com ela. Abusaram dela de tal modo que finalmente ela se fartou deles. 18Expôs-se publicamente nua e toda a gente ficou a saber que ela era uma prostituta. Fiquei horrorizado com ela, tal como acontecera com a sua irmã. 19Então ela tornou-se ainda mais leviana, comportando-se como quando era uma jovem prostituta no Egito. 20Encheu-se de desejos por aqueles amantes sensuais, de membros desmesurados e desenfreados como touros. 21Assim tu, Oliba, quiseste repetir a imoralidade de que foste culpada quando eras jovem no Egito, onde os homens se deleitavam com os teus seios e perdeste a tua virgindade.»

Castigo de Jerusalém

22«Eu, o Senhor Deus, tenho a comunicar-te agora o seguinte: Estás farta dos teus amantes, Oliba; mas eu vou voltá-los contra ti, de maneira que te cerquem por todos os lados. 23Trarei os babilónios e os caldeus, homens de Pecod, Choa e Coa23,23 Pecod. Tribo aramaica a leste da Babilónia (ver Jr 50,21). Cho e Coa. Podem ser duas outras tribos da mesma região., e ainda os assírios. Reunirei todos esses homens bem parecidos, nobres e oficiais, todos montados em belos cavalos e valorosos guerreiros. 24Vão atacar-te com um grande exército, com carros e carroças de abastecimento; virão com escudos e couraças, para te cercar. A eles concederei o poder de te julgarem e eles te julgarão segundo as suas próprias leis. 25Porque estou irado contigo, deixarei que te tratem com furor; hão de cortar-te o nariz e as orelhas e matarão os teus filhos. Sim, tirar-te-ão os teus filhos e filhas e queimarão vivos os teus descendentes. 26Arrancar-te-ão os teus vestidos e tirar-te-ão as joias. 27Acabarei com a indecência e a imoralidade com que te comportaste, desde que estiveste no Egito. Nunca mais desejarás nada disso nem pensarás mais nos egípcios. 28E quero ainda comunicar-te uma coisa. Vou entregar-te ao povo que tu odeias e de quem estás farta. 29E como eles também te odeiam, hão de tirar-te tudo o que ganhaste e deixar-te, para que todos vejam que és uma prostituta. A tua sensualidade e prostituição 30são a causa do teu estado. Foste uma prostituta das nações e contaminaste-te com os seus ídolos. 31Seguiste as pisadas da tua irmã; por isso, te darei a beber o mesmo cálice de castigo23,31 Ver Is 51,17.22; Jr 25,15–17.28; 49,12. que dei a ela.

32Eu, o Senhor Deus, declaro o seguinte:

“Terás de beber do cálice da tua irmã,

que é grande e fundo.

Toda a gente fará troça de ti;

porque o cálice está bem cheio.

33Esse cálice de medo e ruína,

o cálice da tua irmã Samaria,

far-te-á sentir bêbeda de angústia.

34Beberás dele até à última gota

até chupares os seus cacos

e estes vão rasgar-te os peitos.

Palavra do Senhor!

35Eis o que eu, o Senhor Deus, tenho agora para te comunicar. Já que me esqueceste e me voltaste as costas, sofrerás as consequências da tua imoralidade e prostituição.”»

Deus condena Samaria e Jerusalém

36O Senhor dirigiu-me a palavra e disse-me: «E tu, homem, estás pronto para julgar Ola e Oliba? Acusa-as das coisas degradantes que fizeram. 37Cometeram adultério e assassinatos; cometeram adultério com os ídolos23,37 O adultério e a prostituição são imagens frequentes de idolatria. Ver v. 2–10; Ez 16,17; Os 3,1–5. e mataram os filhos que tiveram de mim, sacrificando-os aos seus ídolos. 38E não é tudo. Num mesmo dia, profanaram o meu templo e transgrediram os sábados, que me são consagrados. 39No dia em que mataram os meus filhos em sacrifícios aos ídolos, vieram ao meu templo, que é a minha casa, e profanaram-no! 40Vezes sem conta, mandaram emissários convidando homens a virem ter com elas de grande distância e eles vieram. As duas irmãs, após o banho, pintavam os olhos e cobriam-se de joias. 41Sentavam-se num belo sofá e diante delas havia uma mesa com o incenso e o azeite, que eu lhes dei. 42Podia ouvir-se o ruído duma multidão descontraída, de um grupo de homens trazidos do deserto embriagados. Puseram braceletes nos braços das mulheres e colocaram belas coroas nas suas cabeças. 43E disse comigo mesmo que estavam a usar como prostituta uma mulher gasta pelo adultério. 44Vezes sem conta, tiveram encontros com essas prostitutas; encontraram-se de novo com Ola e Oliba, essas mulheres indecentes. 45Homens honestos hão de condená-las por adultério e assassinato, porque cometeram adultério e as suas mãos estão cheias de sangue.

46Pois eu, o Senhor, declaro que vou incitar a multidão para as aterrorizar e vou deixar que roubem tudo o que elas têm. 47Que a multidão as apedreje e ataque com espadas! Hão de matar-lhes os filhos e pôr fogo às suas casas. 48Farei com que a imoralidade acabe em todo o país, como aviso para que mais nenhuma mulher cometa semelhantes indecências. 49Quanto a vocês, as duas irmãs, vou castigar-vos pela vossa imoralidade, pela vossa criminosa idolatria. Ficareis então a saber que eu sou o Senhor Deus.»

24

O cerco de Jerusalém

241No dia dez do décimo mês do nono ano24,1 dezembro de 589 a janeiro de 588 a.C. Ver 2 Rs 25,1. do nosso exílio, o Senhor dirigiu-me a palavra e disse-me: 2«Homem24,2 Ver nota a 2,1., anota a data de hoje, porque hoje o rei da Babilónia começa o cerco de Jerusalém. 3Conta a este povo rebelde a parábola que eu, o Senhor Deus, tenho para lhes propor.

“Enche uma panela de água24,3 Ver 11,3–7 e nota de 11,3.

e põe-a ao lume.

4Deita-lhe dos melhores bocados de carne,

a coxa e o peito dos animais,

e mistura-lhe os ossos de melhor qualidade.

5Usa a carne do mais tenro carneiro;

põe lenha debaixo da panela.

Deixa ferver a água

e coze os ossos juntamente com a carne.

6Pois eu, o Senhor, declaro que esta cidade de assassinos está condenada. É como uma panela ferrugenta que nunca foi limpa. Vai-se-lhe tirando a carne, bocado a bocado, até não ficar nada. 7Houve crime de morte na cidade, mas o sangue não foi derramado no chão24,7 Cria-se que o sangue derramado clamava por Deus e pedia vingança, enquanto não era absorvido pela terra ou coberto com pó. Ver Gn 4,10; Jb 16,18., onde se podia misturar com o pó. Foi derramado sobre a pedra lisa. 8Deixei que o sangue ali ficasse, para que não se pudesse encobrir e para que com indignação reclame vingança.

9Sim! A cidade de assassinos está condenada! Sou eu, o Senhor, quem o declara! Eu próprio farei a pilha de lenha. 10Tragam mais lenha! Aticem o fogo! Ponham mais carne! Fervam o molho até evaporar e queimem os ossos. 11Ponham a panela de bronze vazia sobre os carvões, para que fique em brasa. A panela ficará ritualmente purificada, quando a ferrugem ficar em brasa. 12Mas todos os esforços são inúteis. Tanta ferrugem já não sai com o fogo. 13Jerusalém, o teu procedimento imoral contaminou-te; eu quis purificar-te e não quiseste. Pois não vais ficar pura, até teres sentido os efeitos da minha indignação. 14Sou eu, o Senhor, quem o afirma e vai acontecer. Vou intervir e não passarei por alto os vossos pecados, nem me compadecerei, nem mostrarei misericórdia. Serás castigada pelos crimes que fizeste. Palavra do Senhor!”»

Morte da mulher do profeta

15O Senhor dirigiu-me a palavra e disse-me: 16«Homem, vou arrebatar de ti repentinamente a pessoa que é o encanto dos teus olhos. Porém não deves pôr luto nem lamentar-te, nem derramar lágrimas. 17Não deixes que ninguém oiça o teu soluçar. Não saias de cabeça descoberta, nem descalço em sinal de luto. Não cubras o teu rosto, nem comas a comida dos que estão de luto24,17 Em caso de luto, lamentavam ruidosamente e andavam de cabeça descoberta e pés descalços. Ver 2 Sm 15,30. A cara era parcialmente coberta. Ver 2 Sm 19,5.

18De manhã cedo, eu falei ao povo; à noite, a minha mulher faleceu e no dia seguinte fiz como me fora dito. 19Então as pessoas perguntaram-me: «Por que é que procedes assim?»

20Eu respondi-lhes: «O Senhor falou-me e disse-me que 21vos transmitisse, a vocês israelitas, a seguinte mensagem: “Vocês têm orgulho na imponência do templo; é o encanto dos vossos olhos e a esperança dos vossos corações. Mas o Senhor vai deixá-lo profanar. Os vossos filhos mais novos que ficarem em Jerusalém24,21 Após a primeira deportação em 597 a.C., apenas uma parte da população tinha podido deixar a Judeia. serão mortos na guerra. 22Vocês terão de fazer então como eu fiz: não cobrirão o rosto nem comerão a comida das pessoas que estão de luto; 23não andarão de cabeça descoberta, nem de pés descalços; não farão luto nem chorarão. Vocês hão de consumir-se por causa dos vossos pecados e hão de todos gemer uns pelos outros. 24Ezequiel será então um sinal para vós; hão de fazer o que ele fez. E quando isso acontecer, saberão que eu sou o Senhor Deus.”

25Homem, vou tirar-lhes o seu imponente templo, que é o seu orgulho e maravilhosa alegria, o encanto dos seus olhos; vou arrebatar-lhes o apoio das suas vidas, os filhos e filhas. 26Nesse dia, alguém que tenha escapado à destruição virá para te dar a notícia. 27Nesse mesmo dia, vais recuperar de novo a fala que perdeste24,27 Sobre este mutismo de Ezequiel, ver 3,26. e falarás com o sobrevivente. Dessa maneira, serás um sinal para o povo e eles ficarão a saber que eu sou o Senhor

25

Mensagem contra os amonitas

251O Senhor dirigiu-me a palavra e disse-me: 2«Homem25,2 Ver nota a 2,1., anuncia a minha mensagem contra o país de Amon25,2 Ver 21,33–37 e nota.. 3Mostra aos seus habitantes o que eu, o Senhor Deus, tenho para lhes dizer: “Vocês ficaram contentes, quando viram o meu templo ser profanado, a terra de Israel ser invadida e o povo de Judá ser arrastado para o exílio. 4Por terem ficado contentes, farei com que as tribos nómadas do oriente25,4 Tribos de beduínos que se instalaram a oriente do Jordão, nos territórios amonita e moabita. Ver v. 10. se apoderem da vossa terra. Armarão as suas tendas no vosso país e aí ficarão a morar; comerão a fruta e beberão o leite que deviam ser vossos. 5Transformarei a cidade de Rabá numa pastagem de camelos e farei de todo o país de Amon um curral de ovelhas, para que saibam que eu sou o Senhor. 6Bateram as palmas e saltaram de alegria; desprezaram a terra de Israel. 7Por isso, eu, o Senhor Deus, vos declaro que vou entregar-vos às outras nações que vos roubarão e espoliarão. Vou destruir-vos de maneira que não sereis mais uma nação, nem tereis terra vossa. Então ficareis a saber que eu sou o Senhor.”»

Mensagem contra os moabitas

8O Senhor dirigiu-me a palavra e disse-me: «Já que os habitantes de Moab25,8 Sobre os v. 8–11, ver a nota de Is 15,1. disseram que Judá é como as outras nações, 9farei com que as cidades fronteiriças de Moab sejam atacadas, incluindo as suas melhores cidades: Bet-Jechimot, Baal-Meon e Quiriataim25,9 Bet-Jechimot, Baal-Meon e Quiriataim tinham pertencido à tribo de Rúben. Ver Js 13,17–20. Depois tornaram-se moabitas.. 10Deixarei que as tribos nómadas do oriente conquistem Moab, juntamente com Amon, para que Moab não seja mais uma nação. 11Assim castigarei os habitantes de Moab, para que saibam que eu sou o Senhor

Mensagem contra Edom

12«Eu, o Senhor tenho a declarar o seguinte: “O povo de Edom25,12 Sobre os v. 12–14, ver Ez 35,1–15 e nota de Is 34,5. vingou-se terrivelmente de Judá e a culpa de Edom é precisamente essa vingança. 13Mas eu garanto que castigarei Edom e matarei os seus habitantes e animais; farei do país um deserto, desde a cidade de Teman até à cidade de Dedan, e os seus habitantes cairão mortos na guerra. 14O meu povo de Israel vingar-se-á de Edom por mim e fará com que Edom sinta a minha terrível indignação. Edom ficará a saber como é a minha vingança. Palavra do Senhor!”»

Mensagem contra os filisteus

15«Eu, o Senhor Deus, declaro: “Já que os filisteus se vingaram cruelmente dos seus inimigos de longa data e com ódio os destruíram, 16eu declaro que levantarei o meu braço contra os filisteus e darei cabo deles. Destruirei o resto dos habitantes que vivem na planície costeira. 17Vou castigá-los severamente e vingar-me-ei com todo o furor. Assim sentirão a minha dura vingança e saberão que eu sou o Senhor.”»