a BÍBLIA para todos Edição Católica (BPTct)
32

Protestos contra o Egito e contra o seu rei

321No décimo segundo ano do nosso exílio, no primeiro dia do décimo segundo mês32,1 fevereiro/março 585 a.C., o Senhor dirigiu-me a palavra e disse-me: 2«Homem32,2 Ver nota a 2,1., entoa uma lamentação sobre o rei do Egito. Dá-lhe a seguinte mensagem da minha parte: “Tu assemelhavas-te a um leão entre as nações, porém mais pareces um crocodilo32,2 Ver 29,3–4. a agitar a água no rio. Remexes a água com as patas deixando o rio cheio de lodo. 3Mas eu, o Senhor, te declaro que quando se reunirem à tua volta muitas nações, vou apanhar-te na minha rede, para a puxar em seguida para a margem. 4Vou atirar-te ao chão e abandonar-te em lugar ermo; vou atrair as aves e os animais de todo o mundo para te comerem. 5Espalharei por montes e vales os restos do teu cadáver. 6Derramarei o teu sangue até que ele corra pelas montanhas e encha os rios. 7Quando eu te destruir, cobrirei os céus e escurecerei as estrelas. O Sol esconder-se-á atrás das nuvens e a Lua não dará a sua luz. 8Por tua causa, apagarei todas as luzes do céu e mergulharei o teu país na escuridão. Palavra do Senhor! 9Muitas nações e países de que nunca ouviste falar ficarão perturbados, quando eu espalhar a notícia da tua destruição. 10Sim, o que te vou fazer, levará muitas nações a ficarem estupefactas. Quando brandir a minha espada na sua frente, os reis encolher-se-ão cheios de medo. No dia em que caíres, todas elas tremerão de medo pelas suas próprias vidas.

11Pois eu, o Senhor, te declaro que vais ser atingido pela espada do rei da Babilónia. 12Farei com que soldados de nações cruéis puxem das suas espadas e matem os teus súbditos. O teu povo, e tudo o mais de que tanto te orgulhas no Egito, será destruído. 13Matarei o teu gado nas margens do Nilo, nem povo nem gado ficarão para enlodar mais a água. 14Farei com que as tuas águas se acalmem, e os teus rios correrão tranquilos como azeite. Palavra do Senhor!

15Quando eu fizer do Egito um país deserto e destruir todos os seus habitantes, tudo o que ali existe, então todos hão de saber que eu sou o Senhor.”

16Esta é a lamentação que devem cantar; será cantada pelas mulheres de todas as nações, lamentando a sorte do Egito e do seu povo. Palavra do Senhor

Lamentação acerca dos povos vencidos

17No décimo32,17 Ver v. 1. segundo ano do nosso exílio, no décimo quinto dia do mesmo mês, o Senhor dirigiu-me a palavra e disse-me: 18«Homem, faz uma lamentação pelo povo do Egito. Manda-o juntamente com as outras nações poderosas para o mundo dos mortos, para as profundezas da terra, com os que descem à sepultura. 19Diz-lhes: “Pensam que são melhores do que os outros? Porém vão descer ao mundo dos mortos e ali ficarão entre os que não conhecem a Deus. 20Os habitantes do Egito cairão juntamente com os que forem mortos na guerra. Uma espada está preparada para os matar a todos. 21Os maiores heróis e aqueles que lutaram pelo Egito aclamarão os egípcios à sua chegada ao mundo dos mortos. Eles gritarão: Estes pagãos foram mortos na guerra e desceram até cá. Ei-los que aqui jazem. 22Ali se encontra também a Assíria32,22 A Assíria foi o primeiro reino a ser conquistado pela Babilónia. Ver 2 Rs 23,29. com as sepulturas dos seus soldados. Foram todos mortos na guerra, 23e as suas sepulturas estão situadas nos lugares mais recônditos do mundo dos mortos. Todos os seus soldados caíram em batalha e as suas sepulturas rodeiam o túmulo do rei. Quem diria que, antes, eram eles que aterrorizavam o mundo inteiro?

24O rei de Elam32,24 Elam. País situado a leste da Babilónia. Para os v. 22–23, ver a nota de Is 10,5. ali está com as sepulturas dos seus soldados. Foram todos mortos em batalha e desceram à cova, ao mundo dos mortos, como pagãos. Em vida espalharam o terror, mas agora estão ali, mortos na sepultura. 25O rei de Elam, jaz ao lado daqueles que foram mortos na guerra. Em vida, aqueles pagãos espalharam o terror; mas agora jazem ali, mortos e esquecidos, partilhando o destino dos que morreram na guerra.

26Mechec e Tubal32,26 Ver 27,13 e nota. também ali estão, rodeados pelas sepulturas dos seus soldados. Todos eles são pagãos e foram mortos na guerra. Porém quando estavam em vida, aterrorizavam o mundo inteiro. 27Não receberam uma sepultura honrosa, como outrora os heróis receberam, quando eram sepultados com toda a sua armadura: as espadas debaixo da cabeça e os escudos sobre o corpo. Estes heróis eram poderosos quando estavam vivos, e semeavam o terror entre os vivos. 28É assim que vocês morrerão, ó egípcios! E ficarão sepultados entre todos estes pagãos que foram mortos na guerra.

29Edom ali se encontra com os seus reis e governantes. Antes eram soldados poderosos, mas agora jazem no mundo dos mortos, com os pagãos, que foram mortos na guerra.

30Os príncipes do norte ali se encontram, bem como os de Sídon32,30 Sídon. Cidade fenícia situada a norte de Tiro.. Antes o seu poder semeava o terror, porém agora desceram à terra do esquecimento, com aqueles pagãos que foram mortos na guerra e desceram à sepultura envergonhados. Recebem o mesmo descrédito que os outros que desceram para debaixo da terra.

31O espetáculo daqueles que foram mortos na guerra servirá de algum conforto para o rei do Egito e para o seu exército. Palavra do Senhor! 32Eu fiz com que o rei do Egito aterrorizasse os vivos, porém ele e o seu exército serão mortos e postos a descansar ao lado dos pagãos que morreram na guerra. Palavra do Senhor!”»

33

Ezequiel, sentinela do povo

331O Senhor dirigiu-me a palavra e disse-me: 2«Homem33,2 Ver 2,1 e nota., mostra ao teu povo o que vai acontecer, quando eu trouxer a guerra a um país. Os seus habitantes têm de escolher dentre eles um para sentinela. 3Quando a sentinela vê que o inimigo se aproxima, dá o alarme para prevenir toda a gente. 4Se alguém o ouvir, mas não quiser fazer caso, e o inimigo vier e o matar, essa pessoa é culpada da sua própria morte. 5Deve a morte a si mesma, porque não deu atenção ao alarme. Pois se tivesse prestado atenção, poderia ter escapado.

6Porém se a sentinela vê chegar o inimigo e não der o alarme, o inimigo virá e matará aqueles transgressores. Porém eu considero a sentinela responsável pela morte deles.

7E agora, homem, eu te nomeio sentinela para o povo de Israel. Deves transmitir-lhes o alarme que eu te comunicar. 8Se eu te avisar que um homem mau vai morrer e tu não o prevenires, para que mude o seu procedimento e possa salvar a vida, ele morrerá, como transgressor que é; mas eu considero-te responsável pela sua morte. 9Mas se tu avisares esse homem mau e ele não deixar de fazer o mal, então ele morrerá, como transgressor, mas a tua vida será poupada.»

Responsabilidade individual

10O Senhor dirigiu-me a palavra e disse-me: «Lembra aos israelitas o que eles andam a dizer: “Sentimos o peso das nossas transgressões e do mal que temos feito. Sentimo-nos esmagados. Como poderemos sobreviver?” 11Diz-lhes que, tão certo como eu ser o Deus da vida, lhes garanto que não tenho prazer em ver um transgressor morrer. O que eu gostaria era de o ver deixar de pecar e viver. Ó Israel, deixa o mal que estás a fazer. Por que hás de querer morrer?

12Agora, homem, mostra aos teus compatriotas que, quando um homem bom peca, o bem que ele fez não o salvará. Se um homem mau deixa de praticar o mal, não será castigado: mas se um homem justo começar a pecar, a sua vida não será poupada. 13Eu posso prometer a vida a um homem justo, mas se ele começar a pensar que o bem que praticou no passado chega, e começar a fazer o mal, eu não terei em consideração o bem que ele fez. Tal pessoa morrerá, por causa dos seus pecados. 14Eu posso avisar um homem mau que ele vai morrer, mas se ele deixar de fazer o mal e fizer o que é bem; 15por exemplo, se restituir aquilo que recebeu em depósito por um empréstimo ou devolver o que roubou; se ele deixar de pecar e seguir as leis que são fonte de vida, ele não morrerá, mas viverá. 16Perdoarei os pecados que ele cometeu e essa pessoa viverá, porque passou a fazer o que era bem.

17O teu povo diz que o que eu faço não está bem! Mas não! Pelo contrário, são eles que não procedem bem. 18Quando um homem justo deixa de praticar o bem e começa a fazer o mal, morrerá por causa do pecado que cometeu. 19Quando um injusto deixa de fazer o mal e começa a praticar o bem, essa pessoa salva a sua vida. 20Ó povo de Israel, dizem que sou eu que não procedo bem, mas o que eu faço é julgar-vos a cada um pelas suas obras.»

Israel será devastado

21No décimo segundo ano do nosso exílio, no dia cinco do décimo mês33,21 dezembro de 587 a janeiro de 586 a.C., um homem que conseguiu escapar de Jerusalém chegou junto de mim e contou-me que a cidade caiu na mão do inimigo. 22Na noite que precedeu a sua chegada, senti sobre mim a mão poderosa do Senhor e restituiu-me a fala. Quando aquele homem chegou, na manhã seguinte, o Senhor tinha-me restituído a fala e, dali em diante, não voltei a ficar mudo33,22 Ver Ez 3,26; 24,27..

23O Senhor dirigiu-me a palavra e disse-me: 24«Ezequiel, o povo que habita nas cidades de Israel, em ruínas, diz: “Abraão era um só homem e recebeu o país inteiro em propriedade. E agora, nós somos muitos; é evidente que esta terra nos pertence!”

25Mostra-lhes, por isso, o que eu, o Senhor Deus, tenho para lhes comunicar: “Comem carne com sangue33,25 Ver Ez 4,14; Lv 17,12., adoram os ídolos e cometem assassinatos e ainda acham que a terra vos pertence? 26Põem a vossa confiança nas espadas, praticam ações abomináveis e cometem adultério com a mulher dos vossos compatriotas e ainda acham que a terra vos pertence?

27Diz-lhes que tão certo como eu vivo, eu, o Senhor Deus, lhes garanto que o povo que habita nas cidades em ruínas será morto; os que vivem no país serão comidos por animais selvagens; e os que se escondem nas montanhas e nas grutas, morrerão de doença. 28Farei com que o país fique deserto e desolado e a grandeza de que se orgulhavam chegará ao fim. As montanhas de Israel ficarão tão desoladas que ninguém se atreverá a passar por elas. 29Quando eu castigar o povo, por causa das suas práticas abomináveis, e fizer do país um deserto, então ficarão a saber que eu sou o Senhor.”»

30O Senhor dirigiu-me a palavra e disse-me: «Homem, o teu povo anda a falar de ti. Quando se encontram junto aos muros da cidade ou à porta das casas, dizem entre si: “Vamos ouvir o que o Senhor tem para nos dizer!” 31O meu povo aglomera-se à tua volta em grande número, para ouvir a tua mensagem, mas não fazem o que tu lhes dizes. Dizem palavras muito bonitas, mas o seu coração é profundamente interesseiro. 32Para eles, não és mais do que um cantor de cantigas agradáveis, que tem uma bela voz e toca muito bem. Ouvem as tuas palavras mas não obedecem a nada do que dizes. 33Porém quando as tuas palavras se cumprirem, e elas vão cumprir-se, então reconhecerão que havia um profeta no meio deles.»

34

Contra os pastores de Israel

341O Senhor dirigiu-me a palavra e disse-me: 2«Ezequiel, denuncia os chefes da nação de Israel, apresenta-lhes a minha mensagem e faz-lhes saber que eu, o Senhor Deus, tenho para lhes comunicar o seguinte: “Vocês estão condenados, ó pastores de Israel34,2 Na linguagem do Próximo Oriente antigo, os reis eram chamados pastores do seu povo. Ver 34,23.. Sabem cuidar bem dos vossos interesses. Mas os pastores devem cuidar das suas ovelhas. 3Vocês bebem o leite, usam roupas de lã e matam as melhores ovelhas para comer, mas não cuidam das ovelhas. 4Não protegeram as mais fracas, nem trataram das doentes; não ligaram as que estavam feridas; não trouxeram de volta as que se encontravam extraviadas; não procuraram as que se encontravam perdidas. Em vez disso, trataram-nas com dureza e crueldade. 5Como as ovelhas não tinham pastor, perderam-se; e os animais selvagens mataram-nas e comeram-nas. 6Por isso, as minhas ovelhas andam perdidas pelos montes. Espalharam-se pela terra inteira e ninguém quis saber delas, nem foi à sua procura.

7Por isso, oiçam agora, ó pastores, o que eu, o Senhor, vos declaro! 8Tão certo como eu vivo, eu, o Senhor Deus, vos garanto que só têm a ganhar se me derem ouvidos. As minhas ovelhas foram atacadas por animais selvagens que as mataram e comeram, porque não havia pastor. Os meus pastores não fizeram nenhum esforço para as encontrar. Só cuidavam de si próprios, e não das ovelhas. 9Por isso, deem-me atenção, ó pastores! 10Eu, o Senhor Deus, declaro que vou voltar-me contra vós. Vou tirar-vos as minhas ovelhas, e nunca mais permitirei que sejam os seus pastores; nunca mais vos deixarei andar a cuidar apenas dos vossos interesses. Arrancarei as minhas ovelhas da vossa boca, para não continuarem a ser devoradas por vocês.

11Eis o que tenho para vos declarar, eu, o Senhor Deus: a partir de agora, eu próprio cuidarei das minhas ovelhas. 12Da mesma maneira que um pastor segue o rasto do seu rebanho, que se extraviou, também eu seguirei o rasto das minhas ovelhas. Hei de libertá-las de todos os lugares por onde se espalharam, naquele dia negro e terrível34,12 Alusão à destruição de Jerusalém e à deportação dos seus habitantes.. 13Vou tirá-las dos países estrangeiros, juntá-las e trazê-las para a sua terra. Conduzi-las-ei de volta aos montes e vales de Israel e apascentá-las-ei em verdes pastagens. 14Deixarei que pastem em segurança, nos prados, nos montes e nos vales, bem como nas pastagens verdes da terra de Israel. 15Eu próprio serei o pastor do meu rebanho, e encontrarei para ele um lugar tranquilo. Palavra do Senhor!

16Irei em busca das que se perderam e vou trazer de volta as que se extraviaram; ligarei as que estão feridas e tratarei das doentes. Quanto às que estão gordas e fortes, a essas destruirei34,16 As antigas versões traduzem: guardarei., porque eu sou um pastor que as trata com justiça.

17Por isso, eis o que eu, o Senhor Deus vos declaro, ó meu rebanho! Vou julgar a cada um de vós e separar os bons dos maus, as ovelhas das cabras. 18Alguns dentre vós não se contentam em comer nas melhores pastagens, mas ainda espezinham o que não comem! Bebem da água limpa e deixam suja a que não bebem. 19As minhas outras ovelhas têm de comer a erva que vocês pisaram e beber a água que sujaram.

20Por isso, eu, o Senhor Deus, vos declaro, que vou fazer distinção entre vocês, as ovelhas fortes e as fracas. 21Empurram para o lado as doentes e às cabeçadas escorraçam-nas para fora do rebanho. 22Porém eu virei em socorro das minhas ovelhas; não permitirei que continuem a ser maltratadas e restabelecerei a justiça entre elas. 23Vou dar-lhes um rei como único pastor, semelhante ao meu servo David; e ele cuidará delas. 24Eu, o Senhor, serei o seu Deus, e um rei semelhante ao meu servo David será o seu chefe. Palavra do Senhor!

25Farei uma aliança com as minhas ovelhas, que garanta a sua paz e segurança. Libertarei o país dos animais ferozes, para que as minhas ovelhas vivam em segurança nos campos e possam dormir nos bosques. 26Deixarei que vivam à volta do meu monte santo34,26 Ver 20,40 e nota. e vou abençoá-las, mandando-lhes a chuva abundante, sempre que dela tenham falta. 27As árvores darão muito fruto, os campos produzirão com abundância, e cada qual viverá em segurança na sua própria terra. Quando eu despedaçar as correntes que prendem o meu povo e os libertar dos que os fizeram escravos, ficarão a saber que eu sou o Senhor. 28As nações pagãs nunca mais as assaltarão e os animais selvagens não mais as matarão nem comerão. Viverão em segurança e ninguém as há de incomodar. 29Hei de dar-lhes campos férteis e porei fim à fome existente no país. As outras nações não as voltarão a humilhar. 30Todos ficarão a saber que eu sou o Senhor que cuida de Israel e que Israel é o meu povo. Palavra do Senhor!

31Vocês são as ovelhas do meu rebanho, aqueles a quem eu guardo, e eu sou o vosso Deus. Palavra do Senhor!”»