61O Senhor falou-me assim6,1 Sobre Ezequiel 6,1–10, ver Lv 26,23–32.: 2«Homem6,2 Ver nota a 2,1., volta-te para os montes de Israel6,2 Montes. Os santuários dos cultos pagãos encontravam-se geralmente no cimo dos. e proclama a minha mensagem para os que lá estão. 3Diz aos montes de Israel que ouçam a palavra do Senhor, que ouçam o que eu, o Senhor Deus, tenho para dizer aos montes, colinas, ribeiras e vales. Vou enviar a espada para destruir os seus santuários pagãos. 4Os altares serão deitados abaixo e os braseiros de incenso6,4 Braseiros de incenso. Vasos de forma especial, destinados a queimar incenso e perfumes, utilizados nos cultos pagãos. serão partidos e muitos cairão mortos, diante dos seus ídolos. 5Eu espalharei os cadáveres do povo de Israel com os seus ídolos; espalharei os seus ossos à volta dos altares6,5 Ver 2 Rs 23,14–16; Jr 36,30.. 6As cidades de todo o país de Israel serão destruídas e os altares pagãos com os seus ídolos serão feitos em bocados; os braseiros de incenso serão desfeitos e tudo o que o povo fez, desaparecerá. 7Os habitantes cairão mortos por toda a parte e os sobreviventes reconhecerão que eu sou o Senhor.
8Deixarei que alguns escapem à mortandade e sejam espalhados pelas outras nações 9e por lá viverão exilados. Ali se lembrarão de mim e reconhecerão que os castiguei e os despedacei6,9 De acordo com antigas versões. Literalmente: e os despedacei., porque os seus corações infiéis me abandonaram e preferiram voltar-se para os seus ídolos. Ficarão envergonhados do mal e das coisas degradantes que fizeram. 10Saberão que eu sou o Senhor e que os meus avisos não eram ameaças falsas. Se os ameacei é sinal que estava disposto a castigar.»
11O Senhor Deus disse: «Torce as mãos de dor! Bate com os pés! E chora por causa de todo o mal e de todas as coisas abomináveis que os israelitas fizeram. Uns vão morrer na guerra, outros de fome e de peste. 12Os que estão longe cairão doentes e morrerão; os que estão perto serão mortos na guerra e os que sobreviverem morrerão de fome. Farei cair sobre eles toda a minha indignação. 13Cadáveres serão espalhados, tal como os seus ídolos, à volta dos seus altares; serão espalhados pelas colinas e pelo cimo dos montes, debaixo das árvores frondosas e dos grandes carvalhos, por toda a parte onde queimaram sacrifícios aos seus ídolos6,13 Ver Dt 12,2; Jr 3,6; Os 4,13.. Então todos reconhecerão que eu sou o Senhor. 14Sim, estenderei a minha mão contra eles e destruirei o seu país. Farei deles uma terra desolada, desde o deserto, ao sul, até à cidade de Ribla6,14 Ribla. Ficava a sul de Camate., ao norte, sem poupar nenhum lugar onde vivem os israelitas. Então todos reconhecerão que eu sou o Senhor.»
71O Senhor disse-me: 2«Homem7,2 Ver nota a 2,1., eis o que eu, o Senhor Deus, tenho para comunicar à terra de Israel: o seu fim está próximo! O desastre chegará aos quatro cantos do país!
3Israel, o teu fim chegou. Vou fazer cair sobre ti a minha indignação; vou julgar-te pelo que fizeste. Retribuir-te-ei por todo o teu abominável comportamento. 4Não te pouparei nem terei pena de ti. Vou pedir-te contas pelo mal que fizeste e revelar publicamente as tuas práticas abomináveis, para que saibas que eu sou o Senhor.
5Eu, o Senhor, vos declaro que uma grande desgraça está a chegar. Ela aí vem! 6O fim está próximo, mesmo a chegar! Aí está ele a cair sobre ti! 7Chegou a vossa vez, ó gente deste país! Chegou o momento, o dia do castigo7,7 Em hebraico: o dia. Ver Is 2,12; Am 5,18. aproxima-se. Sobre as montanhas haverá terror, em vez dos gritos de alegria! 8Vou dar livre curso à minha indignação contra ti e, com toda a minha ira, vou condenar-te pelo que fizeste e atirar-te à cara todas as tuas abominações. 9Não te pouparei nem terei pena de ti. Vou pedir-te contas pelo mal que fizeste e revelar publicamente as tuas práticas abomináveis, para que saibas que eu, o Senhor, sou capaz de dar o castigo.
10Aí está o dia! É a vossa vez! Cada vez há mais violência e a arrogância atingiu o seu máximo. 11A violência produziu mais maldade. Mas deles nada ficará, nem da sua riqueza, nem do esplendor da sua glória.
12Está a chegar o dia em que o comprar ou o vender não voltarão mais a dar alegria ou tristeza a ninguém, porque o castigo de Deus cairá sobre todos por igual. 13Ninguém viverá o tempo suficiente para recuperar o que vendeu, porque a ira de Deus cairá sobre todos. Os que são maus não sobreviverão. 14Soam as trombetas e cada um se prepara para o combate; mas ninguém vai para a guerra, porque a ira de Deus cairá sobre todos por igual.»
15«Nas ruas, é a morte pela espada e dentro de casa, a enfermidade e a fome! Quem estiver fora morrerá na guerra e os que ficarem na cidade serão vítimas de doença e fome. 16Alguns escaparão para os montes. Como pombas a arrulhar todos eles gemerão pelos seus pecados. 17As suas mãos enfraquecerão e os seus joelhos tremerão, batendo um contra o outro. 18Vestir-se-ão de roupas grosseiras e ficarão cheios de medo. As suas cabeças serão rapadas e todos ficarão cobertos de vergonha7,18 Estes eram sinais de luto. Ver Is 15,2–3; Am 8,10.. 19Atirarão com o ouro e a prata para a rua, como se fosse lixo, porque nem o ouro nem a prata os poderão socorrer da ira do Senhor. Não o poderão gastar para satisfazer os seus desejos nem para encher o estômago. Pois o ouro e a prata é que os fizeram tropeçar. 20Antes orgulhavam-se das belas joias e usaram-nas para fazer ídolos abomináveis. Por isso, o Senhor fez com que a sua riqueza se tornasse como lixo.
21Deixarei que os estrangeiros saqueiem as suas riquezas e que os transgressores da lei lhes levem tudo, profanando a sua cidade. 22Não intervirei, quando o templo, o meu tesouro, for invadido e profanado pelos ladrões.
23Prepara as correntes7,23 Esta ordem pode referir-se ao exílio futuro, pois os prisioneiros eram habitualmente postos em correntes., pois o país está cheio de assassinos e a cidade repleta de violência. 24Farei com que as nações mais bárbaras ataquem e se apoderem das vossas casas. Os vossos mais fortes heróis perderão a confiança e os seus lugares de culto7,24 Os seus lugares de culto. Segundo a antiga tradução grega. Em hebraico: e os que os santificam. serão profanados. 25Sim, vem aí o desespero. Haveis de querer paz, mas não a conseguireis. 26Virá desastre sobre desastre e as más notícias nunca mais acabarão. Haveis de pedir aos profetas que vos revelem o futuro, mas será em vão. Os sacerdotes não terão nada a ensinar ao povo e os anciãos não terão conselhos a dar. 27O rei ficará de luto, os chefes desesperados e o povo tremerá de medo. Vou castigá-los a todos por tudo o que fizeram e condená-los da mesma maneira que eles condenaram os outros. Assim reconhecerão que eu sou o Senhor.»
81No sexto ano do exílio8,1 Corresponde ao ano 592–591 a.C., no dia cinco do sexto mês, estavam sentados comigo, em minha casa, os anciãos dos exilados de Judá. Subitamente, o poder do Senhor Deus veio sobre mim. 2Olhei para cima e vi então uma figura que parecia um homem8,2 Que parecia um homem. Segundo a antiga tradução grega. Em hebraico: com a aparência de um fogo.. Da cintura para baixo parecia de fogo e da cintura para cima resplandecia como se fosse de um metal brilhante; 3estendeu uma espécie de braço e apanhou-me pelo cabelo. Então o Espírito de Deus ergueu-me bem alto e, naquela visão, levou-me a Jerusalém. Levou-me para o lado de dentro da porta norte do templo. Havia lá um ídolo8,3 A identificação desta divindade é incerta. Pode tratar-se de Tamuz. Ver v. 14.; era um insulto insuportável para Deus.
4Ali se manifestava a presença gloriosa do Deus de Israel, tal como a tinha visto na planície8,4 Ver 3,22–23. do canal Quebar. 5Deus disse-me: «Homem8,5 Ver nota a 2,1., olha para o norte!» Olhei e junto ao altar, à entrada da porta, vi um ídolo, que era um insulto insuportável para Deus.
6Deus disse-me: «Estás a ver o que se passa? Olha para as coisas vergonhosas que o povo de Israel está ali a fazer, expulsando-me cada vez para mais longe do meu santuário. Mas vais ver coisas ainda mais horrorosas do que estas!»
7Levou-me em seguida à entrada do átrio exterior, mostrou-me uma fenda no muro 8e disse-me: «Abre um buraco nesse muro!» Abri um buraco e descobri uma porta. 9O Senhor disse-me: «Entra e vê as coisas horrorosas e terríveis que ali se fazem!» 10Entrei e olhei. As paredes estavam cobertas de pinturas de cobras e outros animais repugnantes8,10 Animais impuros que não podiam ser comidos, segundo Lv 11., além de muitos ídolos que os israelitas adoravam. 11Encontravam-se ali de pé setenta anciãos de Israel, incluindo Jazanias, filho de Chafan. Cada um tinha na mão um incensário e o fumo do incenso espalhava-se pelo ar8,11 Os anciãos cometiam uma infidelidade dupla: adoravam imagens (ver Dt 4,16–18) e fazendo uso de um incensário, desempenhavam uma função reservada apenas aos sacerdotes (ver Nm 16).. 12Deus perguntou-me: «Vês agora, Ezequiel, o que estes anciãos dos israelitas estão a fazer em segredo? Estão todos a prestar culto na sala do seu ídolo e desculpam-se dizendo: “O Senhor não nos vê! Ele abandonou este país!”»
13Então o Senhor disse-me: «Vais vê-los fazer coisas ainda mais abomináveis do que essas!» 14Em seguida levou-me à porta norte do templo e ali estavam mulheres a lamentar-se pela morte do deus Tamuz8,14 Tamuz. Pensava-se que este deus morria quando a vegetação secava, para renascer no ano seguinte.. 15O Senhor perguntou-me: «Estás a ver tudo isso Ezequiel? Pois verás coisas ainda mais abomináveis.»
16Levou-me depois à parte interior do templo. Ali, perto da entrada do santuário do Senhor, entre o altar e o pórtico, havia cerca de vinte e cinco homens. Estavam de costas para o santuário e inclinavam-se até ao chão, voltados para o oriente, em adoração ao sol nascente.
17O Senhor disse-me: «Estás a ver aquilo? Os habitantes de Judá não se contentam em fazer todas as coisas degradantes que viste, enchem de violência o país inteiro, irritando-me mais e mais. E ainda se põem a tocar com um ramo no nariz8,17 Alusão a um rito idolátra, hoje desconhecido. Ou: E ainda me insultam e provocam.. 18Não os pouparei nem terei misericórdia deles. Farão orações a mim, em alta voz, mas não os ouvirei.»