a BÍBLIA para todos Edição Católica (BPTct)
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Restauração do culto

31Quando chegou o sétimo mês e os israelitas já se encontravam instalados nas suas terras, reuniu-se todo o povo em Jerusalém3,1 Era no sétimo mês, Setembro-Outubro, que se celebravam várias festas judaicas, conforme Lv 23,23–43.. 2Então Josué, filho de Joçadac, com os seus companheiros sacerdotes, assim como Zorobabel, filho de Salatiel, juntamente com os seus parentes começaram a reconstruir o altar de Deus de Israel, a fim de lá oferecerem sacrifícios, como manda a Lei de Moisés, o servo de Deus. 3Levantaram o altar sobre os antigos alicerces, apesar de recearem a gente da região, e ofereceram sacrifícios ao Senhor, de manhã e de tarde. 4Celebraram também a festa das Tendas, conforme manda a lei, e ofereceram sacrifícios durante sete dias, de acordo com o que está determinado para cada dia.

5Ofereceram diariamente sacrifícios de animais queimados e sacrifícios próprios para a festa da Lua Nova e para todas as festas do Senhor, bem como outros sacrifícios espontâneos individuais. 6Começaram a oferecer ao Senhor holocaustos de animais, a partir do primeiro dia do sétimo mês, apesar de não se ter ainda começado a reconstrução do templo.

Início da reconstrução do templo

7Pagou-se em dinheiro aos pedreiros e carpinteiros e fez-se o pagamento em víveres, bebidas e azeite aos sidónios e aos tírios, que fizeram chegar as madeiras de cedro do Líbano até ao mar de Jafa, de acordo com a autorização de Ciro, rei da Pérsia. 8E assim, no segundo ano da sua chegada ao lugar do templo, em Jerusalém, precisamente no segundo mês, deu-se início às obras da reconstrução do templo. Zorobabel, filho de Salatiel e Josué, filho de Joçadac, com os seus companheiros, os sacerdotes, os levitas, e com todos os outros que tinham regressado do cativeiro, deitaram mãos à obra, ficando os levitas com mais de vinte anos a dirigir os trabalhos.

9Josué, com os seus filhos e irmãos, juntamente com Cademiel e seus filhos, que eram descendentes de Judá, e com os companheiros, puseram-se a dirigir os que trabalhavam no templo de Deus. Juntamente com eles dirigiam também os trabalhos os levitas descendentes de Henadad.

10Quando os operários assentaram os alicerces do templo do Senhor, apresentaram-se os sacerdotes, com as suas vestes de cerimónia e com trombetas. Também os levitas descendentes de Assaf louvavam o Senhor com os seus címbalos, segundo as normas que tinha dado David, rei de Israel. 11Cantaram louvores ao Senhor, repetindo o refrão: «Ele é bom e é eterno o seu amor por Israel3,11 Esta exclamação litúrgica lê-se noutras passagens bíblicas. Ver Jr 33,11; 1 Cr 16,34; 2 Cr 5,13; Sl 136.!» E todo o povo gritava com alegria e louvava o Senhor, por se ter começado a reconstruir o templo. 12Muitos dos sacerdotes, levitas e chefes de família, eram pessoas já idosas, que tinham conhecido o primeiro templo. Ao verem agora serem lançados os fundamentos do novo templo, começaram a chorar em voz alta. Mas havia muita gente que gritava de alegria. 13E ninguém podia distinguir quais os gritos de alegria e os de choro, pois a gritaria era tanta que se ouvia muito longe.

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Contrariedades e interrupção das obras

41A gente daquela região que era inimiga de Judá e de Benjamim soube que os retornados da Babilónia estavam a reconstruir o templo do Senhor, Deus de Israel. 2Por isso, foram ter com Zorobabel e com os chefes de família e disseram-lhes: «Deixem-nos trabalhar convosco na reconstrução do templo, pois nós também adoramos o vosso Deus e oferecemos-lhe sacrifícios, desde o tempo de Assaradon, rei da Assíria, que nos fez vir para aqui.» 3Mas Zorobabel, Josué e os chefes de família de Israel responderam-lhes: «Não convém que trabalhem connosco na reconstrução do templo do nosso Deus. Seremos nós sozinhos a reconstruí-lo, como nos mandou Ciro, rei da Pérsia.»

4A partir daí, a gente da região tentava desanimar o povo de Judá para deixar de construir. 5Até subornavam alguns funcionários do governo, para acabarem com os planos dos judeus. Isto durante o reinado de Ciro e até ao reinado de Dario, reis da Pérsia.

6Logo no princípio do reinado de Artaxerxes, apresentaram uma acusação contra os habitantes de Judá e de Jerusalém. 7Mais tarde, no tempo de Artaxerxes, rei da Pérsia, Bislam, Mitrídates, Tabiel e os outros companheiros enviaram também uma carta ao rei Artaxerxes. Era escrita em carateres aramaicos e na língua aramaica.

8Também Reum, o governador da província e o seu secretário Chimechai escreveram a Artaxerxes uma carta de Jerusalém em que se lia: 9«De Reum, o governador, e o secretário Chimechai com os seus conselheiros, os juízes e oficiais, cônsules e funcionários persas, homens de Uruc, de Babilónia, de Susa na terra de Elam, 10em nome de outros povos que o grande e poderoso rei Asnapar4,10 Talvez Assurbanípal, sucessor de Assaradon como rei da Assíria de 668–630 a.C. deportou das suas terras e instalou nas cidades de Samaria e nas outras localidades a oeste do Eufrates.»

É este o texto da carta:

11«Ao rei Artaxerxes, dos súbditos que vivem a oeste do rio Eufrates. 12Saiba Vossa Majestade que os judeus aqui chegados, vindos da vossa região, se estabeleceram em Jerusalém e estão a reconstruir esta cidade rebelde e má. Já começaram a levantar as muralhas e a restaurar os alicerces. 13Se esta cidade for reconstruída e de novo erguidas as suas muralhas, eles não pagarão mais contribuições, taxas ou impostos, prejudicando assim o tesouro real. 14Ora, nós que estamos ao serviço de Vossa Majestade4,14 A expressão idiomática traduzida literalmente seria: nós que comemos o sal do palácio. não podemos consentir nisto e achámos por bem dar esta informação.

15Que se faça uma investigação nos arquivos da corte e aí se poderá comprovar que esta cidade foi sempre rebelde e perigosa para os reis e para as províncias. Desde tempos antigos que o povo da cidade desencadeou rebeliões e, por isso, foi destruída4,15 Alusão à tomada e destruição de Jerusalém em 587 a.C.. 16Fazemos saber que, no caso de ser reconstruída esta cidade e restauradas as suas muralhas, Vossa Majestade perderá o domínio sobre as regiões a oeste do Eufrates.»

17O rei mandou esta resposta:

«A Reum, o governador, e a Chimechai, o secretário, e aos seus companheiros que vivem na Samaria e no resto da província a oeste do rio Eufrates: saudações!

18A carta que nos escreveram foi lida e traduzida na minha presença. 19Por ordem minha, fizeram-se as investigações e verificou-se que realmente, nessa cidade, desde tempos antigos, tem havido revoltas contra os reis e que aí se têm organizado tumultos e conjuras. 20Verificou-se igualmente que, em Jerusalém, houve reis poderosos que foram senhores de toda a província a oeste do Eufrates aos quais se pagavam tributos, contribuições e impostos. 21Perante isto, deem ordens a essa gente para que cessem os trabalhos e que a cidade não seja reconstruída até que eu dê autorização. 22Estejam atentos, para que tudo isto se cumpra fielmente a fim de que o mal não aumente, em prejuízo do rei.»

23Logo que a carta de Artaxerxes foi lida na presença de Reum, de Chimechai e dos seus conselheiros, eles partiram a toda a pressa para Jerusalém, a fim de obrigarem, à força, os judeus a pararem os trabalhos. 24Desta forma, foram interrompidas as obras de reconstrução do templo de Deus, em Jerusalém, até ao segundo ano do reinado de Dario, rei da Pérsia.

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Recomeço das obras

51Nessa altura, apareceram os profetas Zacarias, filho de Ido, e Ageu que encorajaram os judeus de Judá e de Jerusalém, pregando-lhes em nome do Deus de Israel. 2Zorobabel, filho de Salatiel e Josué, filho de Joçadac retomaram então a reconstrução do templo de Deus em Jerusalém. Contavam para isso com a ajuda dos dois profetas.

3Entretanto Tatenai, que era governador de província a oeste do Eufrates, juntamente com Chetar-Bozenai e com os seus companheiros, foram ter com os judeus e perguntaram-lhes: «Quem é que vos deu autorização para reconstruírem este templo e estes muros? 4Como se chamam os que estão a reconstruir este edifício?» 5Mas Deus ajudava os dirigentes judeus e ninguém os impediu de continuarem, enquanto não se consultasse o rei Dario e ele não desse uma resposta sobre o assunto.

Acusações na corte

6Foi esta a carta que Tatenai, o governador, juntamente com Chetar-Bozenai, com os seus conselheiros, os funcionários reais, que habitavam a oeste do Eufrates, enviaram a Dario:

7«Ao rei Dario, saudações. 8Saiba Vossa Majestade que fomos à província da Judeia visitar o templo do grande Deus que se está a reconstruir com pedras trabalhadas e que já tem os vigamentos nos muros. O trabalho é muito bem feito e a obra está a avançar rapidamente. 9Perguntámos aos dirigentes judeus quem lhes tinha dado licença para reconstruírem o templo e os muros. 10Perguntámos-lhes também os seus nomes para te enviarmos por escrito a lista dos dirigentes das obras. 11Mas eles apenas nos responderam: “Nós somos os servidores do Deus que fez o céu e a terra e estamos a reconstruir o templo que há muitos anos tinha sido edificado por um grande rei de Israel5,11 Refere-se ao rei Salomão. Ver 1 Rs 6.. 12Aconteceu porém que os nossos antepassados provocaram a ira do Deus do céu, que os entregou ao poder de Nabucodonosor, rei da Babilónia, o caldeu, o qual destruiu o templo e levou o povo para o cativeiro da Babilónia.

13Entretanto Ciro, rei da Babilónia, logo no primeiro ano do seu reinado, deu autorização para se reconstruir o templo de Deus. 14O próprio rei retirou do templo da Babilónia os objetos de ouro e de prata, que Nabucodonosor tinha levado do templo de Deus em Jerusalém para a Babilónia, e entregou-os a um tal Sesbaçar a quem nomeou governador. 15Ciro ordenou-lhe que levasse esses objetos para o templo de Jerusalém e que reconstruísse esse templo de Deus no seu antigo lugar. 16Foi assim que Sesbaçar foi para Jerusalém e lançou os fundamentos do templo que, desde então está a ser reconstruído, sem estar ainda terminado.”

17Por isso, vimos nós agora pedir, se parecer bem a Vossa Majestade, que se vá investigar nos arquivos reais da Babilónia, para se verificar se houve de facto autorização de Ciro para a reconstrução deste templo de Deus em Jerusalém. Pedimos também que nos seja dado a conhecer a decisão de Vossa Majestade sobre este assunto.»