a BÍBLIA para todos Edição Católica (BPTct)
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Abrão separa-se de Lot

131Abrão saiu do Egito com a sua mulher e com tudo o que lhe pertencia, acompanhado ainda por Lot, e encaminharam-se para o Negueve. 2Abrão possuía grandes rebanhos, prata e ouro. 3Depois foi viajando do Negueve para Betel, para o lugar onde tinha colocado anteriormente a sua tenda, entre Betel e Ai. 4Tinha lá construído um altar e ali prestou culto ao Senhor.

5Também Lot, que acompanhava Abrão, possuía rebanhos de ovelhas e de vacas e muitas tendas. 6Por isso, não podiam habitar juntos, porque não havia espaço suficiente para a riqueza que cada um deles já tinha. 7Surgiram pois conflitos entre os pastores de Abrão e os de Lot. Além disso, naquela altura os cananeus e os perizeus habitavam também no país.

8Então Abrão disse a Lot: «Não devem existir desentendimentos entre nós nem entre os nossos pastores, porque somos da mesma família. 9Tens o país inteiro à tua disposição para poderes escolher. Peço-te que te separes de mim. Se fores para a esquerda, eu vou para a direita e se fores para a direita, eu vou para a esquerda.»

10Lot olhou para o vale do Jordão: tinha bastante água e era como um jardim maravilhoso, semelhante ao Egito, estendendo-se até à região de Soar. Isto foi antes de Deus ter destruído Sodoma e Gomorra13,10 Sodoma e Gomorra são apresentadas aqui como um paraíso semelhante ao Éden (2,8–10). Sobre a sua destruição, ver Gn 18–19.. 11Lot escolheu, por isso, o vale do Jordão e encaminhou-se para oriente. E assim se separaram um do outro. 12Abrão vivia na terra de Canaã e Lot vivia nas cidades do vale do Jordão e foi montar a sua tenda junto de Sodoma. 13Mas os habitantes de Sodoma eram maus e cometiam ações contrárias à vontade do Senhor.

14Depois de Lot se ter separado, o Senhor disse a Abrão: «Deste lugar em que te encontras olha para norte e para sul, para oriente e para ocidente! 15Todo este país que estás a ver eu to dou a ti e aos teus descendentes, para sempre13,15 Ver 12,2 e nota. Comparar com At 7,5.. 16Farei com que os teus descendentes sejam tão numerosos como o pó da terra. Ninguém consegue contar os grãos de pó da terra. Do mesmo modo, ninguém conseguirá contar os teus descendentes. 17Agora podes percorrer esta terra em todas as direções, pois é a ti que eu a dou.»

18Abrão levantou o acampamento e foi viver para os carvalhos de Mambré, em Hebron, e construiu lá um altar em honra do Senhor.

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Abrão opõe-se a uma grande invasão

141Amerafel, rei de Sinar, Arioc, rei de Elasar, Cadorlaomer, rei de Elam, e Tidal14,1 Nem todos os reis e localidades aqui mencionados se conseguem hoje identificar. Sinar parece indicar a Mesopotâmia; Elasar, uma cidade na Mesopotâmia, talvez Larsa; Elam, um reino a oriente da Babilónia; Tidal talvez um rei hitita., rei de Goim, 2fizeram guerra a Bera, rei de Sodoma, a Birchá14,2 Bera pode significar no “mal”. Birchá pode querer dizer “no crime”. Se assim for, são dois nomes simbólicos da imagem tradicional de maldade projetada sobre a região de Sodoma., rei de Gomorra, a Sinab, rei de Admá, e a Cheméber, rei de Seboim14,2 Admá e Seboim. Cidades hoje desconhecidas são em Dt 29,23 associadas com Sodoma e Gomorra., e ao rei da cidade de Bela, a qual se chama também Soar. 3Estes últimos juntaram os seus exércitos no vale de Sidim, onde fica o Mar de Sal.

4Durante doze anos, aceitaram estar sujeitos a Cadorlaomer, mas no décimo terceiro ano revoltaram-se. 5No décimo quarto ano, chegou Cadorlaomer juntamente com os reis aliados e derrotaram os refaítas em Astarot-Carnaim e os zuzitas em Ham, os emitas em Chavé-Quiriataim 6e os horritas nas montanhas de Seir, perseguindo-os até El-Paran, que está à entrada do deserto. 7Depois voltaram para En-Mispat, isto é, Cadés, e submeteram toda a região dos amalecitas e a dos amorreus que habitam em Haçon-Tamar.

8Mas os reis de Sodoma, Gomorra, Admá, Seboim e Bela, que é hoje Soar, saíram para a guerra. Foram combater no vale de Sidim, 9Cadorlaomer, rei de Elam, Tidal, rei de Goim, Amerafel, rei de Sinar e Arioc, rei de Elasar. Num total eram quatro reis contra cinco.

10O vale de Sidim estava cheio de poços de betume e, ao fugirem, os reis de Sodoma e de Gomorra caíram dentro deles. Os restantes fugiram para as montanhas. 11Os atacantes saquearam as riquezas de Sodoma e de Gomorra com todos os seus alimentos e foram-se embora. 12Levaram também o sobrinho de Abrão, Lot, com todos os seus bens, pois Lot vivia em Sodoma.

13Entretanto um fugitivo foi anunciar o facto a Abrão, o hebreu, que estava a viver nos carvalhos do amorreu Mambré. Este era parente de Escol e de Aner, com os quais Abrão tinha feito aliança. 14Ao ouvir que o seu sobrinho tinha sido feito prisioneiro, Abrão armou os seus servos mais experimentados, nascidos em sua casa, em número de trezentos e dezoito, e foi em perseguição dos inimigos até Dan. 15Para os atacar, dividiu os seus homens em grupos e venceu-os durante a noite, continuando em perseguição deles até Hoba, que fica para o norte de Damasco. 16Recuperou todos os bens e libertou Lot, seu sobrinho, com os seus bens, juntamente com as mulheres e restantes prisioneiros.

Abrão e Melquisedec

17Quando Abrão regressava, depois de ter atacado Cadorlaomer e os reis seus aliados, o rei de Sodoma saiu para o receber no vale de Chavé, que é o vale do Rei.

18Também Melquisedec, rei de Salém14,18 Melquisedec. Significa “o meu rei é justiça”. É, como muitos outros reis no Médio Oriente Antigo, rei e sacerdote. Ver Sl 110,4; Hb 7,1–10. Salém. Forma abreviada de Jerusalém ou uma outra localidade perto de Siquém., que era sacerdote do Deus altíssimo, se apresentou levando consigo pão e vinho 19e abençoou-o com estas palavras:

«Que o Deus altíssimo, criador do céu e da terra,

abençoe Abrão!

20Louvado seja o Deus altíssimo,

que te deu a vitória sobre os teus inimigos!»

Abrão deu-lhe a décima parte14,20 A décima parte das colheitas, e depois também de gado, era oferta obrigatória a apresentar a Deus, por meio dos sacerdotes e levitas. Ver Lv 27,30–33; Nm 18,21–32; Dt 14,22–29; Ml 3,8; Hb 7,4–10. de tudo o que tinha sido recuperado. 21Mas o rei de Sodoma replicou: «Dá-me só as pessoas; quanto aos bens, fica com eles.» 22Abrão respondeu ao rei de Sodoma: «Juro, com a mão erguida para o Senhor, Deus altíssimo, criador do céu e da terra, 23que daquilo que é teu não quero nada para mim, nem um fio, nem um cordão para apertar os sapatos. Não quero que digas que foste tu que enriqueceste a Abrão. 24Para mim, só quero aquilo que os meus servos já comeram e a parte a que têm direito aqueles que se juntaram a mim, Aner, Escol e Mambré. Eles, de facto, têm direito a retirar a sua parte.»

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Promessa e aliança de Deus com Abrão

151Depois disto, o Senhor apareceu a Abrão numa visão e disse-lhe:

«Não temas Abrão; eu sou o teu protetor;

e vais ter uma grande recompensa.»

2Abrão respondeu: «Ó Senhor, meu Deus, que podes tu dar-me, se eu vou partir deste mundo sem filhos e Eliézer, de Damasco, é que vai ser dono da minha casa?» 3Abrão insistiu: «Sabes bem que não me deste filhos e que um criado meu é que vai ser o meu herdeiro.»

4Mas o Senhor respondeu-lhe: «Não será esse o teu herdeiro; aquele que sair das tuas entranhas é que será o teu herdeiro.» 5Deus mandou sair Abrão para fora de casa e disse-lhe: «Olha para o céu e vê se podes contar as estrelas. Pois assim será o número dos teus descendentes15,5 Comparar com 12,2 e nota. Ver ainda Rm 4,18; Hb 11,12.

6Abrão confiou no Senhor e por isso o Senhor o aceitou como justo15,6 Ver Rm 4,3; Gl 3,6; Tg 2,23..

7Deus disse-lhe mais: «Eu sou o Senhor, que te fiz sair de Ur, na terra dos caldeus, para te dar esta terra como propriedade tua.»

8Abrão perguntou: «Ó Senhor, meu Deus, como é que eu posso estar seguro que ela será minha propriedade?»

9O Senhor respondeu: «Traz-me uma vitela, um cabrito e um carneiro, todos com três anos, e ainda uma rola e um pombo.»

10Abrão trouxe aqueles animais e cortou-os em duas metades, colocando cada uma delas frente a frente15,10 Cerimónia tradicional para celebração de alianças. Ver Jr 34,18.. Só não dividiu as aves. 11Os abutres lançavam-se sobre os corpos dos animais mortos, mas Abrão afastava-os. 12Ao entardecer, uma enorme sonolência caiu sobre Abrão e sentiu um medo enorme e terrível15,12 Comparar com Jb 4,13–14..

13Então Deus disse-lhe: «Fica a saber que os teus descendentes hão de viver como estrangeiros numa terra que não é a sua e hão de escravizá-los e humilhá-los durante quatrocentos anos15,13 Alusão à escravidão no Egito. Ver Ex 1,1–14; At 7,6. Em Ex 12,40 fala-se em quatrocentos e trinta anos.. 14Mas eu mesmo hei de castigar o povo que os vai escravizar e, no fim, poderão sair com muitas riquezas15,14 Ver Ex 12,40–41; At 7,7.. 15Quanto a ti, morrerás feliz em idade avançada e irás descansar em paz junto dos teus antepassados.

16Na quarta geração, os teus descendentes hão de voltar para aqui, pois agora as culpas dos amorreus ainda não chegaram até ao limite para receberem o castigo merecido.»

17Nisto pôs-se o Sol e veio a escuridão. Viu-se então um fogareiro fumegante e uma tocha acesa a passar entre os animais divididos. 18Naquele mesmo dia o Senhor estabeleceu uma aliança com Abrão e disse:

«Vou dar esta terra aos teus descendentes15,18 Ver 12,2 e nota.,

desde a ribeira do Egito

até ao grande rio Eufrates.

19Isto é, vou dar-lhes o território dos quenitas, dos quenizeus, dos cadmoneus, 20dos hititas, dos perizeus, dos refaítas, 21dos amorreus, dos cananeus; dos guirgaseus e dos jebuseus

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