a BÍBLIA para todos Edição Católica (BPTct)
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Deus põe à prova a fé de Abraão

221Alguns anos mais tarde, Deus quis pôr à prova Abraão e chamou por ele: «Abraão!» Este respondeu: «Aqui estou!» 2Deus continuou: «Leva contigo o teu único filho, Isaac, a quem tanto queres, vai à região do monte Moriá22,2 Ver 2 Cr 3,1. e oferece-o lá em sacrifício22,2 Ver Lv 18,21; 2 Rs 16,3; Mq 6,7; Jo 3,16; Rm 8,32; Hb 11,17–19., sobre um dos montes que eu te indicar.»

3Na manhã seguinte, Abraão levantou-se cedo para pôr os arreios no seu burro, preparou lenha para o fogo do sacrifício e pôs-se a caminho para o lugar que o Senhor lhe indicara, levando consigo dois criados e o seu filho Isaac. 4No terceiro dia da viagem, Abraão viu de longe o lugar referido. 5Disse então aos seus criados: «Fiquem aqui com o burro que eu vou até lá adiante com o menino, para adorarmos o Senhor, e depois voltamos para junto de vós.»

6Abraão colocou aos ombros de Isaac a lenha para a fogueira do sacrifício e ele próprio levava o fogo e a faca. Ambos foram caminhando juntos. 7Isaac chamou Abraão: «Ó pai!» E ele respondeu: «Diz, meu filho.» Isaac perguntou: «Levamos aqui o fogo e a lenha, mas onde é que está a vítima para o sacrifício?» 8Abraão respondeu-lhe: «Deus há de encontrar a vítima para o sacrifício, meu filho.» E foram continuando a caminhar juntos.

9Chegaram ao lugar de que Deus lhe tinha falado. Abraão construiu ali um altar e acomodou a lenha por cima dele. Depois atou o seu filho, Isaac, e colocou-o em cima do altar, por cima da lenha.

10Abraão estendeu a mão e agarrou a faca para sacrificar o seu filho. 11Mas do céu, o mensageiro do Senhor chamou por ele: «Abraão! Abraão!» Este respondeu: «Aqui estou!» 12E Deus disse-lhe: «Não levantes a mão contra o menino; não lhe faças nenhum mal. Agora já vejo que és obediente a Deus, pois estavas disposto a não poupar nem sequer o teu filho único por amor de mim.»

13Abraão voltou-se e viu atrás de si um carneiro, que estava preso pelos chifres num arbusto. Foi lá buscá-lo e ofereceu-o em sacrifício em lugar do seu filho.

14Abraão deu àquele lugar o nome de «O Senhor providencia» e ainda hoje se diz «na montanha do Senhor se providenciará22,14 Ver o v. 8.

15O mensageiro do Senhor chamou Abraão mais uma vez do céu 16e disse-lhe: «Eis o que diz o Senhor: “Já que foste capaz de fazer isto e não poupaste o teu único filho, juro pelo meu bom nome 17que te hei de abençoar e hei de dar-te uma descendência tão numerosa22,17 Sobre os v. 17–18, ver 12,2 e nota. como as estrelas do céu ou como as areias da praia, e eles hão de tomar posse das cidades dos seus inimigos. 18Através dos teus descendentes se hão de sentir abençoados todos os povos do mundo, porque tu obedeceste à minha ordem.”»

19Abraão voltou para junto dos seus criados. E dali partiu com eles para Bercheba, onde ficou a viver.

Descendentes de Naor

20Algum tempo depois, foram anunciar a Abraão que Milca tinha dado filhos a Naor, irmão de Abraão. 21O primeiro foi Uce, o segundo, Buz e depois ainda Quemuel, pai de Aram, 22Quéssed, Hazô, Pildás, Jidlaf e Betuel. 23Por seu lado, Betuel foi pai de Rebeca. Estes são os oito filhos que Milca deu a Naor, irmão de Abraão.

24Naor tinha também uma concubina chamada Reúma e esta deu à luz Teba, Gaam, Taás e Macá.

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Abraão compra um sepulcro em Canaã

231Sara viveu cento e vinte e sete anos 2e morreu em Quiriat-Arbá, isto é, Hebron, que fica na terra de Canaã. Abraão ficou em casa para chorar a morte de Sara e em sinal de luto por ela. 3Mas depois saiu de junto do cadáver e foi dizer aos hititas: 4«Eu tenho vivido no vosso meio como um estrangeiro23,4 Ver Hb 11,9.13.. Mas deixem-me adquirir um sepulcro, como propriedade minha, na vossa terra, para nele poder sepultar a minha mulher.» 5Os hititas responderam a Abraão: 6«Escute o que temos a dizer-lhe, senhor! Nós consideramo-lo no meio de nós como um escolhido de Deus. Pode sepultar a sua mulher no melhor dos nossos sepulcros. Nenhum de nós lhe recusará um sepulcro.»

7Abraão levantou-se e fez uma inclinação de respeito aos hititas, que eram donos da terra, 8e disse-lhes: «Se é realmente da vossa vontade que eu sepulte a minha mulher, peçam a Efron, filho de Soar, 9para me ceder a gruta de Macpela, que é dele e que está na extrema do terreno que lhe pertence. Que ele ma entregue pelo preço devido e ficarei a ser dono de um sepulcro aqui na vossa terra.»

10Ora, Efron encontrava-se ali entre os hititas e respondeu a Abraão, de maneira a ser ouvido por todos e por quem passava à porta da cidade23,10 À porta da cidade encontrava-se a praça pública onde se faziam a administração e os negócios.: 11«Meu caro senhor, peço-lhe que fique com esse campo e com a gruta que nele existe. Dou-lhe tudo isso, diante do meu povo. Já pode sepultar a sua mulher.»

12Abraão inclinou-se diante do povo daquela terra 13e respondeu a Efron, de modo a que todos pudessem igualmente ouvir: «Peço-lhe, por favor, que aceite o dinheiro que lhe dou como preço da gruta. É assim que eu quero sepultar a minha mulher.»

14Efron respondeu então: 15«Olhe, meu amigo, aquela terra vale quatrocentas moedas de prata. Que é isso para mim ou para si? De modo que pode lá sepultar a sua mulher.» 16Abraão concordou com o preço e entregou-lhe o montante que ele tinha dito, na presença de todo o povo: quatrocentas peças de prata, com o peso corrente.

17E assim o campo de Efron, em Macpela, em frente de Mambré, incluindo o próprio campo, a gruta e todas as árvores que havia dentro do terreno, passaram 18para a posse de Abraão, na presença de todos os hititas, que tinham tomado parte naquela assembleia.

19Depois disto, Abraão pôde sepultar a sua mulher, Sara, na gruta da propriedade de Macpela, em frente de Mambré, que é Hebron, na terra de Canaã. 20Desta maneira, o campo e a gruta que nele havia passaram da posse dos hititas para a posse de Abraão, para aí poder sepultar os seus mortos.

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Casamento de Isaac

241Abraão era já de idade muito avançada e o Senhor tinha-o abençoado de muitas maneiras. 2Um dia disse ao mais velho dos seus criados, que era quem olhava por tudo o que pertencia a Abraão: «Quero que ponhas a tua mão debaixo da minha coxa24,2 Ver Gn 18,10; Hb 11,11., 3para me fazeres um solene juramento, em nome do Senhor, Deus do céu e da terra, prometendo-me que não deixarás que o meu filho case com uma mulher da terra de Canaã, onde me encontro agora a viver. 4Deves ir à minha terra procurar entre os meus parentes uma mulher para o meu filho Isaac.»

5O servo respondeu-lhe: «E se essa mulher não quiser vir comigo para esta terra, devo fazer com que o teu filho volte para a terra donde saíste?»

6Abraão replicou: «De maneira nenhuma deves fazer voltar o meu filho para essa terra! 7O Senhor, Deus dos céus, fez-me sair da casa do meu pai e da terra dos meus parentes e prometeu-me sob juramento que havia de dar esta terra aos meus descendentes. Ele próprio há de enviar o seu mensageiro à tua frente e hás de trazer de lá uma mulher para o meu filho. 8Se essa mulher não quiser vir contigo, ficas livre do juramento que me fizeste. Mas não quero que leves para lá o meu filho.»

9O criado colocou a mão debaixo da coxa de Abraão e jurou que cumpriria aquelas recomendações. 10Levou consigo dez dos camelos do seu senhor e ricos presentes da parte de Abraão, e partiu para a Mesopotâmia, para a cidade onde vivia Naor24,10 A cidade de Haran. Ver 11,27.31. Poderia traduzir-se também por cidade de Naor como consta de alguns textos assírios..

11Chegou junto dessa cidade já ao entardecer, à hora em que as mulheres costumam ir buscar água, e fez descansar os camelos junto de um poço que ali havia. 12Depois fez a seguinte oração: «Ó Senhor, tu que és o Deus do meu amo Abraão, peço-te que tudo me corra bem, hoje, e que te mostres generoso para com o meu senhor, Abraão. 13Vou ficar de pé junto do poço, enquanto as jovens desta cidade vêm buscar água. 14Vou pedir a uma delas que incline um pouco o seu cântaro para eu poder beber. Se ela me responder: “Bebe que eu vou dar de beber também aos teus camelos”, será essa que tu destinaste para o teu servo Isaac. E assim ficarei certo de que foste generoso para com o meu senhor.»

15Mal ele tinha acabado de pronunciar estas palavras, viu que Rebeca, filha de Betuel, vinha a sair da cidade com o seu cântaro ao ombro. Betuel era filho de Milca e de Naor, irmão de Abraão. 16Ela era realmente muito bonita e, além disso, era jovem e solteira. Rebeca desceu até ao poço, encheu o cântaro e voltou a subir. 17O criado de Abraão correu ao seu encontro e pediu-lhe: «Deixa-me beber um pouco de água do teu cântaro, por favor.» 18Ela respondeu: «Beba, meu senhor.» E rapidamente desceu o cântaro do ombro e ela mesma o segurou nas mãos para lhe dar de beber. 19Depois de lhe ter dado de beber a ele, disse ainda: «Vou também dar de beber aos teus camelos quanto eles quiserem.» 20Imediatamente esvaziou o seu cântaro no bebedouro e várias vezes voltou ao poço buscar água para todos os seus camelos. 21Entretanto o criado de Abraão olhava para ela em silêncio, para ver se o Senhor fazia com que a sua viagem tivesse o resultado desejado.

22Depois de os camelos terem bebido, ele ofereceu a Rebeca um brinco com seis gramas de peso e colocou nos pulsos duas pulseiras de ouro de mais de cem gramas. 23E perguntou-lhe: «Diz-me, por favor, quem é o teu pai. Será que ele tem em casa lugar que chegue para eu lá poder ficar com os que me acompanham?» 24Ela respondeu: «Sou filha de Betuel, filho de Milca e de Naor. 25E em nossa casa há espaço suficiente para vocês lá ficarem e também temos palha e comida bastante para os animais.»

26Então o criado de Abraão inclinou-se profundamente em adoração ao Senhor 27e orou assim: «Bendito seja o Senhor, Deus de Abraão, meu amo, pois não deixou de se mostrar bondoso e fiel para com Abraão e me conduziu pelo caminho certo até à casa dos seus parentes.»

28A jovem foi a correr a casa da sua mãe anunciar o que acabara de acontecer. 29Rebeca tinha um irmão chamado Labão. Este correu imediatamente para junto do poço, fora da cidade, ao encontro daquele homem. 30Mal viu o brinco e as pulseiras nos pulsos da irmã e ouviu da boca de Rebeca as coisas que aquele homem lhe tinha dito, foi logo ter com ele. O criado de Abraão estava ainda com os seus camelos junto do poço 31e Labão disse-lhe: «Vem para nossa casa. Tu és abençoado pelo Senhor. Por que é que hás de ficar na rua? Já tenho tudo preparado em casa, bem como o lugar para os camelos.»

32Uma vez em sua casa, Labão mandou descarregar os camelos e deu-lhes palha e feno e trouxe água para que o visitante e os seus homens pudessem lavar os pés. 33Quando lhes serviram de comer o servo de Abraão disse: «Não posso comer enquanto não disser aquilo que trago para dizer.» Labão respondeu: «Podes falar.» 34E o outro continuou: «Eu sou criado de Abraão. 35O Senhor cobriu-o de bênçãos e tornou-o rico: deu-lhe ovelhas e bois, camelos e burros, prata e ouro, escravos e escravas. 36A sua mulher, Sara, deu à luz um filho, já na velhice, e Abraão fez dele o herdeiro de tudo o que lhe pertence. 37O meu amo obrigou-me a jurar e disse-me: “Não deixes que o meu filho se case com uma mulher da terra de Canaã, onde me encontro agora a viver. 38Deves ir à casa dos meus pais escolher entre os meus parentes uma mulher para casar com o meu filho.” 39Eu respondi ao meu senhor: “Mas pode ser que essa mulher não queira vir comigo.” 40Ele replicou: “Eu sempre tenho cumprido a vontade do Senhor e ele há de mandar um mensageiro seu à tua frente para fazer com que a tua viagem tenha êxito e possas trazer para o meu filho uma mulher minha parente, da família do meu pai. 41Só ficarás livre desta obrigação se chegares junto dos meus parentes e eles não quiserem dar-te uma mulher. Então é que ficarias livre desta obrigação.”

42Por isso, quando hoje cheguei junto do poço dirigi-me a Deus nestes termos: “Ó Senhor, Deus do meu amo Abraão, se é da tua vontade que esta viagem que estou a fazer seja bem sucedida, concede-me o que te peço. 43Eu vou-me colocar junto do poço. Quando uma jovem vier buscar água e eu lhe disser: Deixa-me beber um pouco de água do teu cântaro, 44e ela me responder: Bebe que eu vou também dar de beber aos teus camelos, faz com que seja essa a mulher que o Senhor tem destinada para o filho do meu amo.”

45Mal eu tinha acabado de pronunciar estas palavras, no meu íntimo, apareceu Rebeca com o cântaro ao ombro. Desceu até ao poço, para tirar a água e eu disse-lhe: “Dá-me água, por favor.” 46Ela tirou imediatamente o cântaro do ombro e disse-me: “Bebe, que eu vou também dar de beber aos teus camelos.” Eu bebi e ela deu de beber também aos meus camelos.

47Então perguntei-lhe: “Quem é o teu pai?” E ela respondeu-me que era filha de Betuel, filho de Naor e de Milca. Foi então que eu lhe ofereci o brinco24,47 Literalmente: lhe coloquei o brinco no nariz. e lhe pus as pulseiras nas mãos. 48Inclinei-me profundamente em adoração ao Senhor e agradeci ao Senhor, Deus de Abraão, meu amo, por me ter conduzido pelo caminho certo, para vir buscar a filha de um parente do meu amo para mulher do seu filho.

49E agora digam-me se estão dispostos ou não a ser generosos e leais para com o meu amo, Abraão, de modo que eu saiba se tenho de procurar por outro lado.»

50Labão e Betuel responderam: «Tudo isto foi conduzido pelo Senhor. Nem sequer temos de dizer se estamos de acordo ou não. 51Aí tens Rebeca diante de ti. Podes levá-la contigo, para casar com o filho do teu amo, tal como o Senhor destinou.» 52Quando o criado de Abraão ouviu aquela resposta, inclinou-se profundamente em adoração ao Senhor. 53E depois foi buscar objetos de prata e ouro e vestidos, ofereceu-os a Rebeca e deu também presentes ao irmão e à mãe.

54Em seguida, comeram e beberam, ele e os homens que o tinham acompanhado, e ali passaram a noite. No dia seguinte, o criado de Abraão disse: «Permitam-me que volte para o meu amo.» 55Mas o irmão e a mãe de Rebeca responderam: «Deixa que ela fique alguns dias connosco, uns dez dias; depois já podes ir.» 56Mas ele replicou: «Não atrasem o meu regresso, porque o Senhor fez com que a minha viagem fosse bem sucedida. Deixem-me partir, que tenho de ir ter com o meu amo.»

57Eles responderam: «Vamos chamar a rapariga para sabermos qual é a vontade dela.» 58Chamaram então Rebeca e perguntaram-lhe se estava disposta a ir com aquele homem e ela respondeu: «Vou, sim!»

59A família despediu-se dela, da sua ama e do criado de Abraão, com os seus homens. 60Então saudaram Rebeca, desejando-lhe felicidades:

«Tu és nossa irmã;

oxalá possas dar vida a milhares de descendentes:

e que eles possam conquistar

as cidades dos seus inimigos.»

61Depois disso, Rebeca e as suas criadas montaram em camelos e prepararam-se para acompanhar o criado de Abraão. Este tomou Rebeca a seu cuidado e pôs-se a caminho.

62Entretanto Isaac tinha voltado de junto do poço de Lahai-Roi24,62 Ver 16,13–14 e notas. e estava a viver na região do Negueve. 63Um dia ao entardecer, quando tinha ido ao campo, olhou ao longe e viu camelos a chegar. 64Quando Rebeca viu Isaac desceu do camelo 65e perguntou ao servo de Abraão: «Quem é aquele homem que vem pelo campo ao nosso encontro?» Ele respondeu: «É o meu amo.» Então ela agarrou no véu e cobriu o rosto com ele.

66O criado contou a Isaac tudo o que tinha feito. 67Isaac instalou Rebeca na tenda da sua mãe, Sara. Depois casou com Rebeca e amou-a, e assim foi consolado da perda da sua mãe.

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