a BÍBLIA para todos Edição Católica (BPTct)
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Jacob prepara o encontro com Esaú

321No dia seguinte, de manhã, Labão levantou-se deu um beijo às suas filhas e netos, abençoou-os e voltou para a sua terra. 2Entretanto Jacob continuava a sua viagem, e foram ao seu encontro uns mensageiros de Deus. 3Ao vê-los, Jacob exclamou: «São do exército de Deus!» Por isso, deu àquele lugar o nome de Manaim32,3 Manaim significa “dois acampamentos”..

4Jacob enviou mensageiros a Esaú, que estava em Seir, na região de Edom32,4 Seir e Edom. Termos sinónimos para designar a região a sul e sudeste do mar Morto.. 5E mandou-os levar a Esaú a seguinte mensagem: «Eu sou Jacob, teu servo obediente. Vivi em casa de Labão todos estes anos. 6Consegui adquirir bois, burros e ovelhas, escravos e escravas. Quero avisar o meu senhor da minha chegada, esperando que me receba com benevolência.»

7Os mensageiros voltaram de novo para junto de Jacob e disseram-lhe: «Fomos ter com o teu irmão, Esaú. Ele vai aí ao teu encontro, acompanhado por quatrocentos dos seus homens.»

8Jacob ficou cheio de medo e muito preocupado. Depois dividiu as pessoas que estavam com ele, bem como as ovelhas, bois e camelos em dois grupos, 9pois tinha pensado assim: «Se Esaú atacar um dos grupos, o outro pode escapar.» 10Jacob dirigiu a Deus esta oração: «Ó Senhor, Deus do meu antepassado Abraão e do meu pai Isaac, tu disseste-me: “Volta para a tua terra, onde nasceste, que eu farei com que tudo te corra bem.” 11Eu sei que não mereço toda a bondade e lealdade com que tens tratado este teu servo. Quando atravessei o rio Jordão não trazia comigo senão um pau e agora já possuo dois acampamentos. 12Por favor, livra-me das mãos do meu irmão, Esaú. Tenho muito medo que ele venha e nos mate a todos, incluindo mulheres e crianças. 13Ora tu disseste32,13 Jacob lembra a Deus a promessa feita em 28,13–14. que havias de fazer com que tudo me corresse bem e que os meus descendentes fossem tão numerosos como as areias da praia, que ninguém pode contar.»

14Jacob dormiu ali naquela noite e, daquilo que tinha à mão, preparou ofertas para mandar ao seu irmão, Esaú. 15Escolheu duzentas cabras, vinte bodes, duzentas ovelhas e vinte carneiros, 16trinta camelas, que andavam a amamentar, com as suas crias, quarenta vacas e dez bois, vinte burras e dez burros. 17Entregou cada um destes rebanhos a um dos seus servos e disse-lhes: «Vão à minha frente e conservem sempre um espaço entre cada um dos rebanhos.» 18Ao que ia à frente recomendou o seguinte: «Quando o meu irmão Esaú chegar ao pé de ti e te perguntar quem é o teu amo, para onde é que vais e para quem são os animais que levas contigo, 19diz-lhe: “São de Jacob, teu servo. E são um presente que ele envia para Esaú, seu senhor. Ele próprio vem aí mais atrás.” 20Ao segundo e ao terceiro e a todos os que iam a conduzir cada um dos rebanhos ordenou também: “Digam também a mesma coisa a Esaú, quando o encontrarem. 21E insistam em que Jacob, seu servo, vem um pouco mais atrás.”» Jacob pensava assim: «Se eu mandar à minha frente os presentes para acalmar a sua irritação, quando eu próprio me encontrar com ele talvez ele me faça bom acolhimento.» 22Os animais mandados de presente foram avançando à sua frente, enquanto Jacob passou mais uma noite no acampamento.

A luta de Jacob em Penuel

23Durante essa noite, Jacob levantou-se para atravessar a ribeira de Jaboc32,23 Jaboc. Ribeira afluente do Jordão, na margem oriental., levando consigo as suas duas mulheres, as duas escravas e os seus onze filhos. 24E mandou-lhes que atravessassem para o outro lado da ribeira com tudo o que lhe pertencia. 25Jacob ficou para trás sozinho e um desconhecido32,25 Segundo Os 12,5 trata-se de um anjo. Este texto parece dar a entender que se trata do próprio Deus. Ver 32,31 e ainda Gn 16,7 e nota. pôs-se a lutar com ele até de madrugada. 26Ao ver que não conseguia levar a melhor sobre Jacob, o tal desconhecido feriu-o na coxa e Jacob teve de continuar a lutar com a coxa deslocada.

27Já de manhã o homem disse a Jacob: «Deixa-me ir embora, que já é de manhã.» E Jacob respondeu: «Não te deixo ir embora sem primeiro me abençoares.» 28O outro perguntou-lhe: «Como te chamas?» Jacob respondeu: «Chamo-me Jacob.» 29E o homem continuou: «Desde agora em diante, o teu nome não será Jacob, mas sim Israel, porque lutaste contra Deus e contra os homens e saíste vencedor32,29 Israel pode significar “lutar com Deus” ou “Deus luta”. Ver 35,10.

30Jacob perguntou-lhe: «E tu, por favor, como é que te chamas?» Ele respondeu: «Que interesse tens tu em saber qual é o meu nome32,30 Comparar com Jz 13,17–18.?» E abençoou-o.

31Jacob deu àquele lugar o nome de Penuel e exclamou: «De facto, vi a Deus face a face e consegui escapar vivo32,31 Penuel ou Peniel tem semelhanças com a expressão hebraica que significa “rosto de Deus”.

32Quando estava a sair de Penuel, nasceu o Sol. E Jacob ia a coxear daquela perna. 33Por isso, até hoje os israelitas não costumam comer o nervo que faz a ligação da coxa, porque foi exatamente nesse nervo que Jacob foi ferido.

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Encontro de Jacob e Esaú

331Quando Jacob levantou os olhos e viu que Esaú estava a aproximar-se com outros quatrocentos homens, repartiu os seus filhos por Lia, Raquel e pelas duas escravas. 2Pôs à frente as escravas com os respetivos filhos, depois Lia com os filhos e finalmente Raquel com José. 3Jacob avançou à frente deles e, antes de chegar junto do seu irmão, inclinou-se até ao chão sete vezes.

4Esaú correu ao seu encontro e, atirando-se-lhe ao pescoço, abraçou-o e beijou-o e ambos choravam de alegria. 5Depois reparou nas mulheres e nas crianças e perguntou: «Quem são estes?» Jacob respondeu: «São os filhos que Deus concedeu a este teu servo.» 6Então as escravas de Jacob aproximaram-se com os filhos e inclinaram-se. 7Lia e os seus filhos inclinaram-se também e por fim aproximou-se José com Raquel e ambos se inclinaram.

8Esaú perguntou ainda: «Que é que pretendes com as manadas de gado que encontrei pelo caminho?» Jacob respondeu: «Era para ver se era bem recebido por ti, meu senhor.» 9Esaú retorquiu: «Eu tenho bastante para mim, meu irmão; fica com aquilo que é teu.» 10Mas Jacob replicou: «Não! Se me queres fazer um favor, aceita esta oferta que faço, pois voltar a ver o teu rosto foi como poder contemplar o rosto de Deus, ainda mais tendo-me tu feito tão bom acolhimento. 11Aceita, portanto, essa oferta que te foi apresentada, pois Deus dignou-se abençoar-me com muitas riquezas e nada me falta.» Jacob insistiu bastante e Esaú aceitou.

12Esaú disse: «Agora podemos pôr-nos os dois a caminho. Eu quero ir contigo.» 13Jacob respondeu: «O meu senhor sabe muito bem que as crianças são fracas e que tenho de pensar nas ovelhas e vacas que têm as suas crias. Se as vamos fazer andar muito depressa, ainda que seja um só dia, morre-me o gado todo. 14É preferível que o meu senhor vá à frente deste seu servo. Eu irei mais devagar, ao passo da caravana que tenho na frente e ao passo das crianças. Mas irei ter com o meu senhor em Seir.»

15Esaú respondeu: «Deixa-me ao menos pôr à tua disposição alguns dos meus homens.» E Jacob replicou: «Mas para quê, meu senhor! Basta-me ter sido bem recebido.» 16E então Esaú pôs-se a caminho, de regresso a Seir. 17E Jacob foi para Sucot, onde arranjou para si uma habitação e onde preparou abrigos para os animais. Por isso, aquele lugar ficou com o nome de Sucot33,17 Sucot significa “abrigos”, “cabanas”. Indica uma localidade a leste do Jordão, na margem norte da ribeira de Jaboc..

18Já no fim da viagem de regresso da Mesopotâmia, Jacob chegou são e salvo à cidade de Siquém, na terra de Canaã, e acampou em frente da cidade. 19Comprou o terreno onde tinha colocado a sua tenda aos descendentes de Hamor, pai de Siquém33,19 Pai de Siquém. Entendendo Siquém como a personagem que aparece no cap. 34 ou o pai daquele que deu o seu nome à cidade. Tomando aqui Siquém como nome da cidade, tal como no v. anterior, outros traduzem: fundador de Siquém., por cem moedas, 20e ali construiu um altar, dedicando-o ao Deus de Israel33,20 Ou: com esta dedicatória: A El, o Deus de Israel. El era o deus supremo dos habitantes de Canaã. Por isso, se encontra também no nome de alguns lugares santos frequentados pelos patriarcas..

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Conflito com os habitantes de Siquém

341Dina, filha de Jacob e Lia, saiu um dia do acampamento para ir visitar as mulheres daquela terra. 2Siquém, descendente de Hamor, o heveu, chefe daquela terra, viu-a e levou-a consigo para dormir com ela, violentando-a. 3Mas depois, ficou verdadeiramente apaixonado por ela e procurava conquistar o seu coração. 4Siquém foi pedir ao seu pai, Hamor: «Vê se consegues que eu me case com aquela rapariga!»

5Jacob entretanto tinha ouvido dizer que Siquém tinha desonrado a sua filha Dina, mas como os seus filhos estavam longe a cuidarem dos seus rebanhos, não disse nada até eles regressarem. 6Hamor, pai de Siquém, foi ter com Jacob para lhe falar.

7Quando os filhos de Jacob voltaram do campo e ouviram o que tinha acontecido, ficaram profundamente desgostosos e irritados, porque aquilo que Siquém tinha feito a Dina era uma ofensa para Israel, uma coisa que não se podia consentir. 8Hamor falou com eles e disse-lhes: «O meu filho Siquém está verdadeiramente apaixonado por esta rapariga. Por favor, deixem que ele case com ela! 9Podemos até ligar as nossas famílias: nós casávamo-nos com as vossas filhas e vocês casavam com as nossas. 10Vocês podiam habitar connosco. A nossa terra está à vossa disposição, para se instalarem para fazerem comércio e adquirirem propriedades.»

11Siquém pediu ao pai e aos irmãos de Dina: «Aceitem por favor! Estou disposto a dar-vos tudo o que me pedirem. 12Podem pedir até uma quantia mais elevada do que é costume dar-se e presentes especiais que eu estou disposto a dá-los, desde que consintam que eu case com ela.»

13Os filhos de Jacob quiseram preparar uma armadilha a Hamor e a Siquém por este ter desonrado a sua irmã, Dina, e responderam: 14«Casar a nossa irmã com um homem que ainda não fez a circuncisão é coisa que não podemos fazer. Para nós, um homem que não fez a circuncisão34,14 Ver 17,10 e nota. é uma vergonha. 15Por isso, só aceitamos a vossa proposta com uma condição: que aceitem fazer a circuncisão de todos os vossos homens, tal como nós a fizemos. 16Assim já podemos deixar que as nossas filhas casem convosco e podemos também casar com as vossas filhas. Então habitaremos convosco e ficaremos a ser um só povo. 17Mas se não quiserem aceitar a nossa proposta de se circuncidarem, nesse caso, vamo-nos embora, levando connosco a nossa filha.»

18Esta proposta agradou a Hamor e ao seu filho, Siquém. 19E sem perder tempo, Siquém fez a circuncisão, pois gostava muito da filha de Jacob. Siquém era muito considerado na família de seu pai. 20Por isso, Hamor e o seu filho Siquém foram falar com os homens da cidade, reunidos em conselho34,20 Literalmente: às portas da cidade. Ver 23,10 e nota., e disseram-lhes: 21«Esta gente veio até nós com intenções pacíficas. Deixem que eles habitem na nossa terra e façam aqui o seu comércio, pois há suficiente espaço para eles. Poderemos casar com as suas filhas e eles casarão com as nossas. 22Mas eles só aceitam habitar aqui connosco e formar connosco um só povo com uma condição: que façamos a circuncisão a todos os nossos homens, do mesmo modo que eles são circuncidados. 23Os seus gados, os seus animais e todos os seus bens podem de certeza ser para nós. Aceitemos as suas condições para que eles fiquem connosco.»

24E todos os homens que faziam parte do conselho da cidade concordaram com a proposta de Hamor e Siquém e todos foram circuncidados.

25Três dias depois, quando os homens de Siquém estavam ainda enfraquecidos pelas dores, Simeão e Levi, irmãos de Dina, agarraram cada um uma espada, entraram tranquilamente na cidade e mataram todos os homens. 26Mataram à espada também Hamor e o seu filho Siquém e retiraram-se, levando consigo Dina dali para fora. 27Os outros filhos de Jacob entraram na cidade e, passando por cima dos cadáveres, saquearam a cidade onde tinha sido violada a sua irmã. 28Levaram consigo ovelhas, bois, burros e tudo o que encontraram de valor, tanto na cidade como no campo. 29Saquearam todas as suas riquezas e tudo o que tinham em casa e levaram crianças e mulheres como prisioneiras.

30Jacob disse a Simeão e Levi: «Vocês arruinaram-me. Fizeram com que os habitantes deste país, os cananeus e os perizeus passem a odiar-me. Ora eu disponho de muito poucos homens. Se eles se juntam contra mim e me atacam, destroem-me com toda a minha família.» 31Eles responderam: «Mas há direito em tratarem a nossa irmã como uma prostituta?»

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