a BÍBLIA para todos Edição Católica (BPTct)
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Uma mulher luta pelos seus direitos

381Por aquela altura, Judá separou-se dos seus irmãos e foi viver em casa de um dos descendentes de Adulam, chamado Hira. 2Ali Judá conheceu a filha de um cananeu, chamado Chua, e casou-se e dormiu com ela. 3Ela ficou grávida e deu à luz um filho, ao qual Judá deu o nome de Er. 4Depois ficou novamente grávida e deu à luz outro filho a quem pôs o nome de Onan. 5Algum tempo depois, deu à luz mais outro filho, ao qual pôs o nome de Chela, que nasceu quando Judá se encontrava em Quezib.

6Judá casou o filho mais velho, Er, com uma mulher chamada Tamar38,6 Ver Mt 1,3.. 7Mas o Senhor não gostava do mau comportamento de Er e fez com que ele morresse. 8Então Judá disse a Onan: «Casa com a viúva do teu irmão, para que o teu irmão possa ter descendentes, pois essa é a tua obrigação como cunhado38,8 Segundo o que está ordenado na lei do levirato, formulada em Dt 25,5–6; cf com Mt 22,24.

9Mas Onan sabia que o filho que nascesse não seria considerado seu. Por isso, cada vez que tinha relações com a viúva do seu irmão, ele derramava no chão o sémen, e assim evitava dar descendentes ao seu irmão. 10Aquele procedimento desagradou muito ao Senhor, e o Senhor fez com que também ele morresse.

11Judá disse à sua nora Tamar: «Volta para casa do teu pai como viúva38,11 Era esta a regra a seguir pelas viúvas., até que o meu filho Chela cresça.» O que Judá na realidade pensava era evitar que ele morresse também como os irmãos. E assim Tamar foi-se embora e foi viver para casa do seu pai.

12Passado bastante tempo, morreu a mulher de Judá, a filha de Chua. Terminado o período de luto, Judá foi a Timna com o seu amigo Hira, de Adulam, para ir ver os que faziam a tosquia do seu gado. 13Alguém foi comunicar a Tamar: «O teu sogro vai a caminho de Timna para assistir à tosquia do gado.» 14Ela tirou os seus vestidos de viúva, cobriu o rosto com um véu e sentou-se à entrada de Enaim, que está no caminho para Timna; porque ela sabia que Chela já era crescido e ainda a não tinham casado com ele.

15Judá viu-a e pensou que se tratava de uma prostituta, pois ela tinha o rosto coberto. 16Desviou-se um pouco do seu caminho, para passar junto dela, e disse-lhe: «Deixa-me dormir contigo.» Ele não sabia que era a sua nora. Então ela perguntou: «Que é que me dás para dormires comigo?» 17Ele respondeu: «Mando-te depois um dos cabritos do meu rebanho.» Ela replicou: «Mas tens que me dar alguma coisa como garantia de que mo vais mandar.» 18Ele perguntou-lhe: «Que é que queres que eu te dê como garantia?» Ela respondeu: «O teu anel de selar mais o cordão38,18 O anel de selar era um instrumento pessoal que andava frequentemente preso por um cordão ao pescoço do dono. e o cajado que trazes na mão.» Ele deu-lhe o que ela pediu, foi dormir com ela e ela ficou grávida.

19Depois disso, ela foi-se embora, retirou o véu com que se cobria e voltou a vestir as roupas de viúva. 20Judá mandou o cabrito pelo seu amigo, de Adulam, para que aquela mulher lhe restituísse a garantia, mas não a encontraram. 21Então perguntaram à gente daquele lugar: «Onde está a prostituta de Enaim que costuma estar à beira do caminho?» Mas eles reponderam: «Aqui não há nenhuma prostituta.»

22Ele foi de novo ter com Judá e disse-lhe: «Não consegui encontrá-la e a gente daquela localidade respondeu-me que não havia nenhuma prostituta naquele sítio.» 23Judá respondeu: «Deixa-a lá ficar com as coisas para não cairmos em ridículo. Tu bem sabes que eu procurei enviar-lhe o cabrito, mas tu não a conseguiste encontrar.»

24Uns três meses depois, foram dizer a Judá: «A tua nora Tamar está grávida; deve ter andado na prostituição.» Judá respondeu: «Condenem-na à morte na fogueira!»

25Mas quando a levaram para ser condenada, ela mandou dizer ao seu sogro: «Eu estou grávida do homem a quem pertencem estas coisas. Procura saber, por favor, a quem pertencem este anel de selar com os cordões e este cajado.» 26Judá reconheceu que eram seus e disse: «Ela é que tem razão e não eu, pois eu devia ter-lhe dado o meu filho Chela em casamento e não o fiz.» E não voltou a dormir com ela.

27Chegou o tempo e ela deu à luz dois gémeos! 28Ao nascerem, um deles estendeu primeiro a mão e a parteira agarrou-lha e atou nela uma fita vermelha e disse: «Este será o primeiro a nascer.» 29Mas ele voltou a recolher a mão e quem nasceu primeiro foi o outro e a parteira disse: «Anda! Conseguiste abrir passagem para ti!» E deu-lhe o nome de Peres38,29 Peres é semelhante à palavra hebraica que significa brecha, passagem..

30Depois saiu o irmão que trazia na mão a fita vermelha e deram-lhe o nome de Zera38,30 Zera pode significar, em hebraico, brilho, alusão à cor da fita..

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José em casa de Potifar

391Entretanto José tinha sido levado para o Egito. Potifar, alto funcionário e chefe da guarda do faraó, tinha-o comprado aos ismaelitas, que o tinham levado para lá. 2Contudo, o Senhor estava com José e fazia com que tudo lhe corresse pelo melhor, enquanto esteve ao serviço daquele egípcio.

3O seu amo começou a dar-se conta de que o Senhor estava com José e que, por isso, tudo o que ele fazia era bem sucedido. 4Potifar estava muito satisfeito com José; pô-lo ao seu serviço pessoal e entregou toda a sua casa e todos os bens ao seu cuidado. 5Desde que José ficou encarregado da casa de Potifar e de todos os seus bens, o Senhor abençoou a casa daquele egípcio, em atenção a José. Em tudo se notava que o Senhor o abençoava, tanto em casa como nos campos. 6Por isso, Potifar deixou tranquilamente tudo o que lhe pertencia aos cuidados de José, de modo que não precisava de se preocupar com nada, a não ser com aquilo que tinha de comer39,6 No que respeita à comida, os egípcios e hebreus tinham usos e rituais muito diferentes e, por vezes, até incompatíveis..

José era um homem bem parecido e de boas maneiras. 7Por isso, depois de algum tempo, atraiu os olhares da mulher de Potifar e esta pediu-lhe para dormir com ela. 8José recusou e replicou à mulher do seu amo: «Repare que, comigo aqui, o meu amo nem sequer se preocupa com os assuntos de casa; colocou tudo ao meu cuidado. 9Não há ninguém aqui em casa que esteja acima de mim; está tudo sob o meu poder, exceto a senhora, que é a mulher dele. Como é que eu posso agora fazer uma coisa dessas, cometendo um pecado contra Deus?»

10Todos os dias ela repetia a José o mesmo convite, para deitar-se com ela. 11Certo dia José entrou em casa para fazer o seu trabalho e nenhuma das outras pessoas da casa se encontravam lá. 12Ela agarrou-o pela roupa e disse-lhe: «Dorme comigo!» Mas ele fugiu para fora de casa, deixando-lhe nas mãos a peça de roupa que ela tinha agarrado. 13Quando ela se deu conta que ele tinha deixado uma peça de roupa nas suas mãos e tinha fugido para a rua, 14chamou pelos outros criados da casa e disse-lhes: «Vejam bem! Trouxeram-me cá para casa este hebreu e agora ele faz pouco de nós. Dirigiu-se a mim com intenção de dormir comigo, mas eu gritei bem alto; 15e quando ele me ouviu gritar, deixou junto de mim esta peça de roupa e fugiu a correr para a rua.»

16Ela guardou consigo aquela peça de roupa, até que o amo de José chegasse a casa, 17e contou-lhe desta maneira o que acontecera: «Aquele escravo hebreu que trouxeste cá para casa veio ter comigo para abusar de mim. 18E, como eu gritei com voz forte, deixou ao pé de mim esta peça de roupa e fugiu para a rua.»

19Quando o amo de José ouviu aquilo da boca da mulher, ficou furioso, especialmente quando ela lhe disse: «Foi assim que o teu próprio escravo me tratou!» 20O amo de José mandou-o prender e meter numa prisão, onde costumavam ficar os que eram presos por ordem do rei. Mas mesmo lá na prisão, 21o Senhor estava com José e continuava a manifestar para com ele a sua bondade, fazendo com que ele ganhasse a simpatia do chefe da prisão. 22O chefe da prisão colocou todos os presos sob a vigilância de José e tudo aquilo que lá se fazia era José quem decidia como havia de ser feito. 23O chefe da prisão não precisava de passar revista a nada do que estivesse ao cuidado de José, pois o Senhor estava com José e tudo o que ele fazia era bem sucedido.

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José consegue interpretar os sonhos

401Depois destas coisas, aconteceu que o encarregado das bebidas para o rei do Egito e o padeiro cometeram qualquer ofensa contra o seu senhor, o faraó do Egito. 2O faraó ficou muito irritado contra estes dois funcionários, o chefe dos encarregados das bebidas e o chefe dos padeiros, 3e meteu-os na cadeia, na casa do chefe dos guardas, onde estava a prisão e onde também José se encontrava preso. 4O chefe da guarda encarregou José de olhar por eles e de os servir naquilo que precisassem e assim passaram muito tempo naquela cadeia.

5Certa noite o encarregado das bebidas e o padeiro do rei do Egito, presos naquela cadeia, tiveram um sonho cada um e cada sonho com significado diferente. 6Na manhã seguinte, José foi ter com eles e achou-os muito preocupados. 7E perguntou aos eunucos do faraó que com ele estavam na prisão do seu senhor: «Por que é que estão hoje com o ar tão carregado?» 8Eles responderam: «É que cada um de nós teve um sonho e não há ninguém capaz de nos dar a devida interpretação.» Então José disse-lhes: «Só Deus é que pode dar-nos a interpretação dos sonhos! Contem-me lá aquilo com que sonharam!»

9O chefe dos encarregados das bebidas contou então o seu sonho a José. Era o seguinte: «Sonhei que via diante de mim uma videira. 10Essa videira tinha três varas e depois rebentava, floria e nasciam os cachos, que se transformavam em uvas maduras. 11Na minha mão eu tinha o copo do faraó. Então agarrava nas uvas, espremia-as para dentro do copo do faraó e colocava-o nas suas mãos.»

12José respondeu-lhe: «Aqui tens a interpretação desse sonho. As três varas significam três dias. 13Dentro de três dias, o faraó vai fazer com que possas de novo erguer a cabeça e vai colocar-te de novo no posto que ocupavas. Assim poderás colocar nas mãos do faraó o copo em que ele bebe, tal como era de regra antes, quando eras o encarregado das bebidas. 14Peço-te que te lembres de mim quando as coisas te estiverem a correr bem, e faz o favor de lembrar o meu caso ao faraó para que eu possa sair desta prisão. 15Pois vim da terra dos hebreus para aqui, arrastado à força, e aqui não fiz nada de mal para me meterem nesta masmorra.»

16O chefe dos padeiros viu que José tinha dado uma interpretação favorável ao sonho e disse então a José: «Eu também sonhei que tinha três cestos de pão à cabeça. 17No cesto que estava por cima tinha muitas variedades de bolos de pasteleiro para o faraó. Vinham as aves e comiam do cesto que eu tinha à cabeça.»

18José respondeu: «A interpretação desse sonho é esta. Os três cestos significam três dias. 19Dentro de três dias, o faraó vai mandar-te cortar a cabeça e pendurar numa forca, de modo que as aves hão de vir debicar a tua carne.»

20Três dias depois celebravam-se os anos do faraó e ele ofereceu um banquete aos seus funcionários. Diante de todos, tratou especialmente do caso do chefe dos encarregados das bebidas e do chefe dos padeiros. 21Colocou novamente o chefe dos encarregados das bebidas no seu posto de trabalho, de modo que pudesse ser ele de novo a colocar o copo nas mãos do faraó, 22mas mandou pendurar numa forca o chefe dos padeiros, tal como José tinha interpretado. 23No entanto, o chefe dos encarregados de bebidas esqueceu-se de José e não fez nada em favor dele.