a BÍBLIA para todos Edição Católica (BPTct)
1

Queixa do profeta

11Mensagem revelada por Deus ao profeta Habacuc:

2Quanto tempo mais Senhor, tenho de clamar por ti sem que me escutes,

até quando denunciarei diante de ti a violência,

sem me vires libertar?

3Por que me fazes ver tanta maldade

e encontrar tanta injustiça?

De facto só vejo diante de mim

opressão e violência, lutas e desordens.

4Não se cumpre a lei, nem se respeita o direito.

O mau persegue o bom e a justiça é falsificada.

Resposta divina

5Olhem para as nações vizinhas

e ficarão espantados com o que veem.

Vou mostrar-vos coisas que nem acreditariam,

se alguém vo-las contasse.

6Irei pôr em pé de guerra os caldeus,

que são um povo cruel e pronto para percorrer o vasto mundo,

conquistando terras que lhes não pertencem.

7Eles espalham o medo e o terror.

Eles mesmos é que decidem

o que é a justiça e a honra.

8Os seus cavalos são mais ligeiros que os leopardos,

são mais esfomeados que os lobos do deserto.

Os seus cavaleiros vêm de longe como águias

que se lançam, de asas abertas, sobre a vítima.

9Todos se entregam à rapina

cobiçando tudo o que aparece à sua frente.

Os prisioneiros que apanham são tantos como a areia.

10Desprezam os reis, fazem troça dos governadores

e riem-se das fortalezas,

pois levantam rampas de acesso e conquistam-nas.

11Como o vento, eles mudam de rumo,

cometem o erro de apenas reconhecer como deus a sua própria força.

Nova queixa de Habacuc

12Porém tu existes desde sempre, ó Senhor!

És o meu Deus santo; não morreremos1,12 Ou: não morrerás..

Ó Senhor, meu rochedo,

que escolheste os caldeus para exercerem justiça

e como aviso os estabeleceste.

13Os teus olhos são tão puros

que não podem consentir o mal

nem ter gosto em observar a iniquidade.

Por que ficas então em silêncio ao veres os maus

a destruírem aqueles que são inocentes?

14Por que tratas os homens como os peixes do mar

ou como os bichos que não têm dono?

15Os caldeus apoderam-se das outras nações

como o pescador se apodera do peixe

que apanha com o anzol e com a rede.

E sentem nisso enorme alegria.

16Por isso, adoram as suas próprias redes

e queimam perfumes em sua honra,

pois é com elas que recolhem comida saborosa e abundante.

17Continuarão eles a pescar com as suas redes

e a massacrar sem compaixão as outras nações?

2

Resposta divina: o justo vive pela fé

21Vou estar atento e vigilante

como sentinela no seu posto,

para ouvir o que o Senhor irá dizer

e que resposta irá dar às minhas queixas.

2O Senhor falou-me então deste modo:

«Escreve sobre tabuinhas de barro

aquilo que te vou revelar,

de modo que se leia claramente.

3Ainda não chegou o tempo de se realizar esta visão,

mas não deixará de se cumprir.

Espera com confiança, mesmo que pareça demorar,

pois chegará o seu momento próprio.

4Eis que o homem de más intenções não sobreviverá,

e arrogante não tem a vida certa nele;

mas o justo pela sua fé viverá2,4 A segunda parte do versículo é citada em Rm 1,17; Gl 3,11; Hb 10,38. Outra leitura possível: mas o justo pela sua fidelidade viverá.

5A riqueza é perigosa2,5 Ou: Mas o vinho é traiçoeiro..

Os orgulhosos nunca têm repouso;

são insaciáveis como a morte; querem sempre mais e mais,

conquistam nação após nação

e juntam à sua volta povos e mais povos.

6Contra ele todas as nações conquistadas

pronunciam palavras de escárnio e maldição.»

Maldição dos opressores

«Ai de quem enriquece à custa de roubos,

apoderando-se dos bens dos outros!

Até quando continuará a amontoar riqueza,

forçando os devedores a pagar?

7Quando menos o esperares, virão os credores

que te farão tremer e se hão de apoderar de ti.

8Tu roubaste os bens de muitos povos.

Mas os que sobreviverem hão de saquear-te

por causa dos teus crimes e das violências que usaste

contra países e cidades e contra os seus habitantes.

9Ai de quem amontoa em sua casa riquezas desonestas

e se coloca numa posição elevada

para escapar a todos os perigos.

10Porém fizeste planos de vergonha para a tua casa

pensando destruir muitos povos

e provocaste a tua própria destruição.

11Até as pedras das muralhas gritarão contra ti;

e hão de fazer-lhe eco as próprias vigas de madeira.

12Ai de quem constrói uma cidade com sangue

e a edifica através da injustiça.

13Não é verdade que o Senhor todo-poderoso

faz com que o esforço dos povos acabe no fogo

e que o cansaço das nações resulte em nada?

14De facto, toda a terra ficará a conhecer a glória do Senhor,

tão completamente como as águas enchem o mar.

15Ai de quem dá a beber aos vizinhos

vinho misturado com veneno, para os embriagar,

com o fim de os ver nus e os humilhar.

16Experimenta também tu, já que é honra essa vergonha.

Bebe também tu e mostra a tua nudez.

O Senhor obriga-te a beber a taça do seu castigo

e a tua honra transforma-se em desonra.

17A violência que usaste contra o Líbano

vai voltar-se contra ti.

Mataste os seus animais,

e agora são eles que se voltam contra ti,

por causa dos teus crimes e violências que usaste

contra países e cidades e contra os seus habitantes.

18Para que servem os ídolos que o homem fabrica?

São objetos de metal que só levam ao engano.

Como pode o homem confiar em divindades que não falam

e que ele próprio fez com as suas mãos?

19Ai de quem pede a um ídolo de madeira que desperte

ou a uma pedra muda que se levante.

Será que os ídolos ensinam? Na verdade, nada podem dizer.

Não têm vida, mesmo cobertos de ouro ou prata.

20O Senhor, porém, está no seu santo templo.

Que a terra inteira guarde silêncio diante dele.»