a BÍBLIA para todos Edição Católica (BPTct)
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Descanso para o povo de Deus

41Ora a promessa de entrarmos no lugar de descanso de Deus ainda está de pé. Portanto, irmãos, tenham cuidado, para que ninguém perca a oportunidade de entrar nesse descanso! 2Na realidade, ouvimos o evangelho exatamente como eles. Porém a mensagem que eles ouviram não lhes serviu de nada, porque a ouviram mas não a receberam com fé4,2 Alguns manuscritos têm: pois se juntaram pela fé àqueles que sabem ouvir.. 3Portanto, nós que temos fé havemos de entrar no descanso a que Deus se referiu, quando disse:

Fiquei tão indignado que jurei:

«Esta gente não há de entrar

no lugar de descanso que eu preparei4,3 Ver Sl 95,11.

No entanto as obras dele estavam completas desde a criação do mundo. 4Pois numa passagem da Sagrada Escritura lê-se a respeito do sétimo dia: Deus descansou no sétimo dia depois de ter feito toda a sua obra4,4 Ver Gn 2,2.. 5E noutro lugar vem a passagem já citada: Esta gente não há de entrar no lugar de descanso que eu preparei4,5 Ver Sl 95,11..

6Ora, visto que aqueles que primeiramente ouviram o evangelho não entraram no descanso de Deus, por causa da sua desobediência, é evidente que outros devem entrar nele. 7É por isso que Deus marca outro dia, o dia de «hoje», de que fala a Sagrada Escritura. Muitos anos mais tarde, falando por meio de David, Deus disse, como já foi citado:

Se ouvirem hoje a voz de Deus,

não se mostrem duros de coração4,7 Ver Sl 95,7–8..

8Se Josué tivesse levado realmente o povo para esse lugar de descanso4,8 Ver Dt 31,7; Js 22,4., Deus não teria falado mais tarde de um outro dia. 9Portanto, o povo de Deus ainda há de entrar num descanso semelhante ao que Deus teve no sétimo dia. 10Porque aquele que entrar no descanso de Deus, descansará das suas obras exatamente como Deus descansou das dele. 11Esforcemo-nos, pois, por entrar nesse lugar de descanso de Deus. Que ninguém siga o mau exemplo daqueles que desobedeceram.

12A palavra de Deus é viva e mais poderosa e cortante do que qualquer espada de dois gumes. Penetra até ao íntimo da pessoa, até à união da alma e do espírito, e até onde os ossos e a medula se juntam. Por isso Deus é capaz de julgar os desejos e os pensamentos do coração humano. 13Não há absolutamente nada que se possa esconder de Deus. Tudo no mundo está nu e a descoberto aos olhos daquele a quem temos de prestar contas.

Jesus, sumo sacerdote

14Uma vez que temos um sumo sacerdote tão importante, Jesus, o Filho de Deus, que chegou até à presença do próprio Deus, estejamos firmes na confissão da nossa fé. 15Sabemos que o nosso sumo sacerdote se compadece das nossas fraquezas, pois foi tentado em tudo como nós, sem cair no pecado.

16Aproximemo-nos, pois, com toda a confiança, do trono da graça e assim conseguiremos alcançar misericórdia e graça e encontrar ajuda no momento próprio.

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51Todo o sumo sacerdote é escolhido de entre os homens e nomeado para servir a Deus em favor deles. A sua missão é apresentar-lhe ofertas e sacrifícios pelos pecados. 2Como ele próprio tem muitas fraquezas, está em condições de ter paciência com os ignorantes e os transviados. 3Por isso ele deve oferecer sacrifícios, não só pelos pecados do povo mas também pelos seus próprios5,3 Ver Lv 9,7; 16,6.. 4Ninguém toma por si mesmo este honroso cargo de sumo sacerdote. O chamamento para isso tem de vir de Deus, precisamente como aconteceu com Aarão.

5Também não foi Cristo que tomou por si mesmo a honra de ser sumo sacerdote. Foi Deus que o chamou para isso, ao dizer-lhe:

Tu és meu filho,

desde hoje sou teu pai.

6E noutro lugar diz também:

Serás sacerdote para sempre,

à maneira de Melquisedec5,6 Para os v. 5–6, ver Sl 2,7; 110,4; e ainda At 13,33; Hb 1,5; 6,20; 7,17..

7Durante a sua vida na Terra, Jesus dirigiu a Deus, que o podia livrar da morte, pedidos e súplicas com voz forte e lágrimas5,7 Ver Mt 26,36–46; Mc 14,32–42; Lc 22,39–46.. E Deus ouviu o seu pedido, por causa da sua submissão. 8Todavia, apesar de ser Filho de Deus, aprendeu a ser obediente por tudo o que sofreu. 9Foi assim que ele realmente se tornou fonte de salvação eterna para todos os que lhe obedecem. 10E Deus nomeou-o sumo sacerdote, à maneira de Melquisedec.

O perigo de perder a fé

11A este respeito temos muito que vos dizer; mas é difícil explicar-vos, porque não o querem compreender. 12Já era tempo de serem mestres. Mas a verdade é que ainda precisam que alguém vos ensine outra vez as coisas fundamentais da palavra de Deus. Ainda precisam de se alimentar de leite, quando já deviam estar a comer alimentos mais fortes. 13E quem se alimenta de leite não passa de uma criancinha, sem saber distinguir o que está certo do que está errado5,13 Sobre os v. 12–13, ver 1 Co 3,1–3; 1 Pe 2,2.. 14Os adultos, pelo contrário, alimentam-se de comidas fortes, visto que, por experiência, já chegaram ao ponto de saber distinguir o bem do mal.

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61Portanto, procuremos ser adultos e deixemos esses ensinamentos mais simples. Não vamos agora começar outra vez com os primeiros fundamentos da doutrina, tais como: necessidade de arrependimento, abandono das obras inúteis, fé em Deus, 2doutrinas acerca do batismo6,2 O texto grego usa batismos no plural, podendo significar os vários ritos que integram e acompanham o batismo ou também a diferença entre o batismo cristão e o de João Batista. Ver At 18,25; 19,3–6., imposição das mãos, fé na ressurreição dos mortos e julgamento eterno. 3E é isso que havemos de fazer, se Deus assim o permitir.

4Ora é impossível que aqueles que uma vez receberam a luz de Deus, participaram do Espírito Santo, 5experimentaram o gosto da palavra de Deus e sentiram as maravilhas do mundo do futuro, 6sim, é impossível que esses que abandonaram a fé sejam novamente trazidos ao arrependimento. É que eles crucificam de novo o Filho de Deus com as suas próprias mãos e expõem-no publicamente à injúria6,6 Ver Hb 10,26–27; Mt 12,31; 1 Jo 5,16..

7São como a terra que absorve a chuva sempre que chove. Se essa terra produz plantas úteis aos que a trabalham, é abençoada por Deus. 8Mas se a terra apenas produz espinhos e cardos, então não presta para nada. Será amaldiçoada por Deus e por fim será queimada6,8 Comparar com Gn 3,17–18..

9Mas, embora falemos assim, queridos amigos, estamos certos de que as melhores coisas vos esperam, que têm a ver com a salvação. 10Ora Deus não é injusto. Não se esquece do vosso trabalho nem do amor que mostraram por ele, ao atenderem, como ainda atendem, às necessidades dos outros irmãos na fé. 11Fazemos ardentes votos para que cada um de vós mantenha a sua dedicação até ao fim, de modo que todos possam alcançar tudo aquilo que esperam. 12Não queremos que se tornem preguiçosos, mas antes que sigam o exemplo daqueles que, pela sua fé e perseverança, alcançam a herança que Deus prometeu.

Deus cumpre o que promete

13Quando Deus fez a sua promessa a Abraão, como não havia ninguém mais importante do que ele por quem jurar, jurou por si mesmo 14e disse: Prometo que te hei de abençoar muito e te hei de dar uma descendência numerosa6,14 Ver Gn 22,16–17..

15Ora Abraão esperou com paciência e, deste modo, alcançou o que Deus lhe tinha prometido. 16Quando uma pessoa faz um juramento, jura por alguém que é mais importante. É assim que resolvem de vez todas as questões. 17Ora Deus quis demonstrar com absoluta certeza àqueles que haviam de receber a herança prometida que a sua decisão nunca mudaria. Foi por isso que garantiu a promessa com um juramento. 18Estas são, portanto, duas coisas que não podem ser modificadas. E a respeito destas coisas é impossível que Deus nos engane6,18 Ver Nm 23,19; 1 Sm 15,29.. Deste modo, nós que encontrámos segurança nele devemos agarrar-nos com firmeza à esperança colocada diante de nós. 19Essa esperança está dentro de nós como uma âncora da vida, uma âncora segura e firme que através do véu do templo penetra no santuário de Deus6,19 Comparar com Lv 16,12. No templo de Jerusalém, um grande véu separava a zona mais sagrada, chamada o lugar santíssimo ou santo dos santos. Ver 9,3. Aqui fala-se como se no céu existisse um templo semelhante. Ver 8,5; 9,9; 9,23–24.. 20Jesus já entrou antes de nós e em nosso favor. Deus o fez sumo sacerdote para sempre, à maneira de Melquisedec.