a BÍBLIA para todos Edição Católica (BPTct)
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Uma nova aliança

81Ora, o ponto principal do que estamos a dizer consiste nisto: temos um sumo sacerdote sentado ao lado de Deus8,1 Esta expressão indica que a pessoa assim distinguida recebe o mais alto poder, a seguir a Deus. Ver 1,3; 10,12; 12,2; Sl 110,1; Mt 22,44; Mc 16,19; At 2,33–34; Ef 1,20. que reina no Céu. 2É assim que ele exerce a função de sacerdote, no santuário verdadeiro, que foi feito pelo Senhor e não pelos homens.

3Como todo o sumo sacerdote é nomeado para apresentar ofertas e sacrifícios a Deus, é preciso que o nosso sumo sacerdote também tenha alguma coisa para oferecer. 4Se ele estivesse aqui na Terra, nem sequer seria sumo sacerdote, porque há cá os sacerdotes que apresentam as ofertas segundo a Lei de Moisés. 5Mas o serviço que estes sacerdotes desempenham não passa de uma cópia e uma sombra do que existe nos Céus. Por isso é que Moisés, quando estava para construir o tabernáculo, recebeu do Senhor este aviso: «Faz com que tudo se realize conforme o modelo que te foi mostrado no monte8,5 Já no Antigo Testamento se pensava que o templo terrestre era uma cópia do celeste. Ver Ex 25,40.6O facto, porém, é que Jesus recebeu uma função sacerdotal muito superior à deles, porque é mediador de uma aliança melhor, baseada em promessas melhores8,6 Ver 7,22..

7Realmente, se aquela primeira aliança8,7 Trata-se da aliança concluída no Sinai. Ver Ex 24,3–8. fosse perfeita, não era preciso substituí-la por uma segunda aliança. 8Mas Deus repreendeu o seu povo, como se vê por esta passagem da Sagrada Escritura:

hão de vir dias, diz o Senhor,

em que farei uma nova aliança

com o povo de Israel e de Judá

9Esta aliança não será como a que eu fiz

com os seus antepassados,

no dia em que os tomei pela mão

e os conduzi para fora do Egito.

É que eles não cumpriram as condições dessa aliança,

e eu então deixei de fazer caso deles8,9 Esta frase aparece acrescentada na antiga tradução grega. Ver 10,17., diz o Senhor.

10Esta é a aliança que eu farei com o povo de Israel,

quando vierem esses dias, diz o Senhor.

Vou colocar as minhas leis nos seus pensamentos,

vou escrevê-las nos seus corações.

Eu serei o seu Deus

e eles serão o meu povo.

11Nenhum precisará de ensinar os seus companheiros,

nem sequer será preciso dizerem uns aos outros:

«Conhece a Deus!»

Porque todos me conhecerão,

desde o mais pequeno ao maior.

12Perdoarei as suas faltas com misericórdia

e não me lembrarei dos seus pecados8,12 Sobre os v. 8–12, ver Jr 31,31–34; Hb 10,17..

13Ora, ao falar de uma nova aliança, Deus tornou caduca a primeira. E o que caducou e ficou velho desaparecerá depressa.

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Um novo templo

91A primeira aliança tinha as suas regras de culto divino e um santuário terrestre. 2Efetivamente, construiu-se um tabernáculo com duas partes. A primeira chamava-se o lugar santo. Era lá que estavam o candelabro e a mesa com os pães consagrados a Deus9,2 Ver Ex 26,1–30; 25,31–40; 25, 23–30.. 3Atrás da segunda cortina estava a segunda parte do tabernáculo chamada o lugar santíssimo9,3 Lugar santíssimo. Lugar do templo onde ficava a arca da aliança e onde só o sumo sacerdote entrava uma vez por ano. Era a parte mais sagrada do templo. Ver Ex 26,31–33.. 4Era ali que se encontravam o altar de ouro para queimar o incenso e uma arca de madeira, toda coberta de ouro, chamada arca da aliança. Nessa arca estavam o vaso de ouro com o maná, a vara de Aarão que Deus tinha feito florir e as duas placas de pedra em que estavam escritas as palavras da aliança9,4 Ver Ex 30,1–6; 25,10–16; Nm 17,8–10.16–26; Dt 10,3–5.. 5Por cima da arca estavam querubins que representavam a glória de Deus e cobriam com a sua sombra o lugar onde se ofereciam sacrifícios pelo perdão dos pecados. Mas não é agora a altura para falarmos de tudo isto em pormenor9,5 Ver Ex 25,17–22..

6Uma vez feitos estes preparativos, os sacerdotes entram normalmente na primeira parte do tabernáculo para celebrarem o culto9,6 Ver Nm 18,2–6.. 7Mas, na segunda, só entra o sumo sacerdote, e isto apenas uma vez por ano. E não pode lá entrar sem levar sangue de animais para oferecer a Deus, por si mesmo e pelas faltas que o povo tenha cometido por ignorância9,7 Ver Lv 16,2–34.. 8O Espírito Santo mostra-nos assim que, enquanto permanecer a primeira parte do tabernáculo, o caminho que leva ao verdadeiro santuário, o lugar santíssimo, ainda não está aberto. 9Comunica-nos, assim, um símbolo para o tempo de hoje. Significa que as ofertas e os sacrifícios de animais oferecidos a Deus não são capazes de tornar verdadeiramente perfeitos aqueles que os oferecem. 10Trata-se apenas de comidas e bebidas e várias cerimónias de purificação. São regulamentos externos, válidos apenas até ao tempo em que Deus havia de remodelar todas as coisas9,10 Referência ao tempo da nova aliança..

11Mas agora veio Cristo, como sumo sacerdote dos bens definitivos9,11 Alguns manuscritos têm: presentes. Outros: futuros. O sentido parece ser, em qualquer dos casos, o caráter definitivo desses bens.. O santuário em que ele serve é maior e mais perfeito. Não é obra de mãos humanas; quer dizer, não pertence a este mundo. 12Cristo entrou uma vez por todas no lugar santíssimo, no verdadeiro santuário, não com o sangue de bodes e bezerros, mas com o seu próprio sangue. Foi deste modo que ele nos libertou para sempre dos nossos pecados. 13Ora, o sangue de bodes e touros e a cinza de uma bezerra queimada9,13 Ver Lv 16,14–16; Nm 19,9.17–19., derramados segundo o ritual sobre as pessoas que se tornam ritualmente impuras, fazem com que essas pessoas estejam purificadas exteriormente. 14Quanto maior poder não há de ter então o sangue de Cristo! É que ele, conduzido pelo Espírito de Deus, ofereceu-se a si mesmo como vítima sem defeito. O seu sangue purifica-nos a consciência do pecado que leva à morte, a fim de podermos servir o Deus vivo.

15Portanto, Cristo é mediador de uma nova aliança. Por ela, os que foram chamados recebem os bens eternos que Deus lhes prometeu como herança. Isto é possível porque já se deu a morte de Cristo, que perdoou as faltas cometidas no tempo da primeira aliança.

16É evidente que onde há um testamento9,16 O autor está a jogar com o duplo sentido da mesma palavra grega que significa simultaneamente aliança e testamento. Ver 2 Co 3,14. é preciso apresentar provas da morte de quem o fez. 17Sim, porque um testamento só tem valor depois da morte do que o fez. Enquanto este vive, o testamento não tem valor nenhum. 18Por isso, até mesmo para estabelecer a primeira aliança foi preciso derramamento de sangue.

19Primeiramente, Moisés recitou diante da assembleia do povo todos os preceitos, conforme se encontram na lei. Depois tomou o sangue dos bezerros e dos bodes que tinha matado, juntou-lhe água e aspergiu o próprio livro da lei e todo o povo, servindo-se para isso de um pouco de lã vermelha e de um ramo de hissopo. 20E Moisés disse: «Este é o sangue da aliança que Deus vos mandou cumprir9,20 As palavras de Ex 24,8 levemente modificadas, estão próximas daquelas que Jesus pronunciou na última ceia. Ver Mat 26,28; Mc 14,24.21De igual modo, Moisés aspergiu com sangue o santuário e todos os utensílios do culto9,21 Ver Lv 8,15.19.. 22Na realidade, segundo a lei, quase tudo tem de ser purificado com sangue; e sem derramamento de sangue não há perdão dos pecados9,22 Ver Lv 17,11..

O sacrifício de Cristo perdoa os pecados

23Era, pois, necessário que as cópias das realidades do Céu fossem purificadas desta maneira. Mas as próprias realidades do Céu exigem sacrifícios de maior valor. 24Cristo não entrou no santuário feito por mãos humanas, que não passava de uma cópia do verdadeiro. Entrou no próprio Céu, onde agora se apresenta diante de Deus como o nosso advogado. 25O sumo sacerdote entra todos os anos no santuário com uma oferta de sangue que não é dele. Cristo, porém, não entrou para se oferecer a si mesmo várias vezes. 26Nesse caso, tinha de morrer muitas vezes desde a criação do mundo. Mas agora, ao chegar o fim dos tempos, ele manifestou-se uma vez por todas para perdoar os pecados pelo sacrifício de si mesmo. 27Está determinado que os homens morram uma só vez e que depois sejam julgados por Deus. 28Assim também Cristo foi uma só vez oferecido em sacrifício para tirar os pecados da Humanidade9,28 Comparar com Is 53,12.. Depois há de aparecer outra vez, não já para tirar o pecado mas para salvar aqueles que esperam por ele.

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101A Lei de Moisés é apenas uma sombra dos bens futuros e não a imagem exata dessas realidades. Nunca será capaz de tornar perfeitos aqueles que se aproximam de Deus por meio dos mesmos sacrifícios que se fazem continuamente, ano após ano. 2Se a lei o conseguisse, os que oferecem esses sacrifícios ficariam purificados de uma vez para sempre e já não se sentiam culpados de nenhum pecado. Nesse caso, os sacrifícios já não seriam oferecidos. Quem sentiria necessidade deles? 3Mas a verdade é que esses sacrifícios, ao serem feitos ano após ano, levam as pessoas a lembrar-se sempre dos pecados. 4Sim, porque o sangue de touros e de bodes nunca poderá perdoar os pecados.

5Por isso é que ao vir a este mundo Cristo disse a Deus:

Não quiseste sacrifícios nem ofertas,

mas formaste-me um corpo.

6Não gostaste dos animais queimados sobre o altar

nem dos sacrifícios oferecidos

para alcançar o perdão dos pecados.

7Eu então disse:

Aqui estou, ó Deus!

Vim para fazer a tua vontade,

conforme está escrito a meu respeito

na Sagrada Escritura10,7 Nos v. 5–7 cita-se o Sl 40,7–9, segundo a antiga tradução grega..

8Quando Cristo disse: «Não quiseste sacrifícios nem ofertas; não te agradam as ofertas de animais queimados sobre o altar, nem sacrifícios para perdoar pecados», ele referia-se a ofertas exigidas pela lei.

9Depois acrescentou: «Aqui estou, para fazer a tua vontade.» Ele anula a primeira aliança para estabelecer a segunda. 10Jesus Cristo fez a vontade de Deus quando nos purificou do pecado por meio da oferta que ele fez de si próprio, uma vez por todas.

11Os sacerdotes judeus vão todos os dias ao templo para prestar culto e oferecer muitas vezes os mesmos sacrifícios, que nunca poderão tirar os pecados10,11 Ver Ex 29,38.. 12Mas o nosso sumo sacerdote, Cristo, sentou-se ao lado de Deus10,12 Ver 8,1 e nota. somente depois de ter oferecido um único sacrifício que tira os pecados uma vez para sempre. 13A partir daí ele espera até que Deus ponha os seus inimigos debaixo dos seus pés10,13 Ver Sl 110,1.. 14É que, com uma só oferta, ele tornou perfeitos para sempre aqueles que purifica do pecado.

15E o Espírito Santo também nos confirma isto com o seu testemunho, ao dizer:

16Esta é a aliança que eu hei de fazer com eles

naquele tempo, diz o Senhor:

hei de colocar as minhas leis nos seus corações

hei de escrevê-las no seu pensamento.

17E disse ainda:

Nunca mais me lembrarei

dos seus pecados e maldades10,17 Sobre os v. 16–17, ver Jr 31,33–34..

18Ora, quando os pecados já estão perdoados, não se oferecem sacrifícios para os tirar.

Confiança e firmeza na fé

19Portanto, irmãos, agora podemos entrar com toda a confiança no santuário, porque Jesus morreu como sacrifício por nós. 20Ele abriu-nos um novo caminho para o santuário, um caminho que nos dá vida ao entrarmos pela cortina, ao entrarmos pelo sacrifício do seu corpo. 21Agora temos o autêntico sumo sacerdote, responsável pela casa de Deus. 22Aproximemo-nos pois de Deus com coração sincero e cheios de fé, purificados de toda a consciência de pecado e o corpo lavado com água pura10,22 Comparar com Ez 36,25.. 23Sejamos firmes em proclamar a nossa esperança, certos de que Deus não deixará de cumprir as suas promessas.

24Façamos também por nos animarmos uns aos outros no amor e na prática das boas obras. 25E não faltemos às nossas reuniões. Alguns têm por hábito faltar. Pelo contrário, animem-se uns aos outros cada vez mais, pois sabem que se vai aproximando o dia da vinda do Senhor.

26Se continuarmos deliberadamente a pecar depois de termos recebido o conhecimento da verdade, então já não há sacrifícios que possam perdoar os pecados. 27Só nos resta esperar o terrível julgamento de Deus e um fogo violento que há de destruir os seus inimigos10,27 Ver Is 26,11.. 28Quem transgride a Lei de Moisés é condenado à morte sem piedade, desde que a sua culpa seja provada por duas ou três testemunhas10,28 Comparar com Dt 32,35–36.. 29Pensem bem quanto maior não deve ser o castigo que merecem aqueles que desprezam o Filho de Deus! E que será daqueles que desprezam o sangue da aliança que os purificou e que insultam o Espírito de Deus que lhes comunicou a sua misericórdia? 30Nós sabemos quem é aquele que disse na Sagrada Escritura:

A vingança pertence-me: Sou eu quem dá o castigo.

O Senhor é quem julga o seu povo10,30 Ver Dt 32,35–36..

31E é terrível cair nas mãos do Deus vivo!

32Lembrem-se dos dias passados quando acabaram de receber a luz de Deus10,32 A luz de Deus. Maneira de designar o dom da fé., e como se mantiveram firmes na luta, apesar dos grandes sofrimentos que tiveram de enfrentar. 33Umas vezes foram publicamente insultados e atormentados, outras vezes sofreram com os que assim eram maltratados. 34Compartilharam dos sofrimentos dos que eram presos e aceitaram com alegria que vos tirassem os vossos bens, porque sabiam que possuíam melhores riquezas, que duram para sempre.

35Portanto, não percam a coragem, pois ela vos assegura uma grande recompensa. 36Têm de perseverar. Assim cumprirão a vontade de Deus e alcançarão o que ele promete. 37Lá diz a Escritura:

Já falta muito pouco

para chegar aquele que há de vir.

Não se demorará.

38O que for justo diante de mim

viverá pela fé.

Mas aquele que voltar atrás

não será do meu agrado10,38 Nos v. 37–38 cita-se Hc 2,3–4 segundo a antiga tradução grega..

39Mas nós não somos dos que voltam atrás e se perdem. Pelo contrário, somos dos que continuam firmes na fé que nos levará à salvação.