a BÍBLIA para todos Edição Católica (BPTct)
9

91O povo que caminhava nas trevas

viu uma grande luz;

habitavam numa terra de sombras

e uma luz brilhou para eles.

2Acrescentaste a alegria, ó Senhor,

aumentaste o júbilo.

Rejubilam diante de ti

como se alegram no tempo das ceifas,

como rejubilam ao repartirem os despojos.

3Tal como outrora com o jugo dos madianitas9,3 Madianitas. Alusão a Juízes 7. Ver Is 10,26.,

também agora quebras o jugo da opressão

que pesa sobre o teu povo,

a vara que lhes rasga os ombros

e o bastão do capataz de trabalhos forçados.

4A bota inimiga que pisa o solo com arrogância

e a capa enrolada9,4 A bota e a capa enrolada faziam parte do equipamento dos soldados assírios., tingida de sangue,

serão queimadas e pasto do fogo.

5É que um menino9,5 Ver Is 7,14; Lc 2,11. nos nasceu,

um filho nos foi dado.

Deus colocou a soberania sobre os seus ombros.

Os seus títulos são:

Conselheiro maravilhoso,

Deus forte, Pai para sempre,

Príncipe da paz.

6Ele vai alargar o seu domínio

e governar em paz total,

sobre o trono de David e sobre o seu reino.

Vai estabelecê-lo e consolidá-lo

com a justiça e o direito,

desde agora e para sempre.

É isto mesmo o que vai realizar

o Senhor do Universo, com todo o zelo.

A ira do Senhor

7O Senhor lançou a sua sentença

contra os descendentes de Jacob,

ela caiu sobre o reino de Israel9,7 Reino de Israel. O reino do Norte estava separado do de Judá havia uns 200 anos (ver 1 Rs 12). Samaria era a capital do reino do Norte..

8Todo o povo a há de ouvir,

o reino de Efraim e os habitantes da Samaria.

Eles dizem com soberba e presunção:

9«Se caíram os tijolos,

reconstruiremos com pedras lavradas;

se deitaram abaixo as vigas de sicómoro,

substituí-las-emos por vigas de cedro.»

10O Senhor fez que surgisse contra eles

o seu inimigo Recin9,10 Sobre a pessoa de Recin, ver Is 7,1..

Atiçou os seus adversários,

11os arameus pela frente

e os filisteus por detrás.

Eles devoraram Israel à boca cheia.

E apesar disto, a ira do Senhor não se acalma,

a sua mão continua ameaçadora.

12Mas o povo não se converteu a Deus, que o castigava,

não procurou o Senhor do Universo.

13Então num só dia,

o Senhor cortou em Israel a cabeça e a cauda

a palma e o junco.

14O ancião e o nobre são a cabeça,

os falsos profetas são a cauda.

15Os dirigentes do povo enganam-no,

e os dirigidos são totalmente esmagados.

16Por isso, o Senhor não se alegra9,16 Segundo o texto massorético. O texto de Isaías encontrado em Qumran diz: o Senhor não poupa. com os jovens,

e não tem compaixão dos órfãos e viúvas.

São todos ímpios e maus;

tudo quanto dizem é infame.

E apesar disto, a ira do Senhor9,16 Ver 5,25; 9,11. não se acalma,

a sua mão continua ameaçadora.

17A maldade está a arder como um fogo,

que consome silvas e cardos;

o fogo toma conta das árvores da floresta

e levanta para o céu colunas de fumo.

18O país está em chamas

devido à cólera do Senhor do Universo:

o povo é pasto das chamas.

Ninguém tem compaixão do seu próximo.

19Cortam um pedaço à direita

e continuam com fome,

devoram um outro pedaço à esquerda

e não ficam saciados.

Cada um devora os seus próprios parentes.

20A tribo de Manassés está contra a de Efraim

e esta contra a de Manassés,

e as duas juntas contra a de Judá.

E, apesar disto, a ira do Senhor não se acalma,

a sua mão continua ameaçadora.

10

Os culpados

101Ai dos que decretam leis injustas,

dos que escrevem leis que geram a miséria!

2Retiram do tribunal as reivindicações dos fracos,

e privam dos seus direitos os pobres do meu povo.

As viúvas servem-lhes de presa

e exploram os órfãos10,2 Sobre a situação dos pobres, ver Is 1,17.23; 3,14–15; Am 2,6–8; 5,7.10–15; 6,12; 8,4–6..

3Quando o Senhor intervier,

quando a tempestade chegar de longe,

que podereis fazer?

A quem ireis pedir auxílio?

E onde ireis esconder as vossas riquezas?

4Sereis humilhados como prisioneiros,

caindo por terra com os que morrem.

E, apesar disto, a ira do Senhor não se acalma,

a sua mão continua ameaçadora.

A Assíria ultrapassou as medidas

5O Senhor diz: «Ai da Assíria10,5 Assíria. Ver Is 10,24–27; 14,25; 30,27–33; 37,22–35., vara da minha ira

e bastão do meu furor10,5 Instrumento de castigo de Deus. Ver Is 5,26–30; 7,18.20; 8,7; cf. Jr 51,23.!

6Enviei-a contra uma nação infiel,

mandei-a contra o povo que me irritou,

para recolher os despojos e fazer a pilhagem,

para o calcar aos pés como barro da rua.

7Mas não foi assim que os assírios pensaram;

o seu coração tinha outros propósitos.

A sua ideia era aniquilar e exterminar

todas as nações que pudessem.

8Diziam: “Porventura os chefes dos meus exércitos

não valem tanto como os reis dos outros?

9Não aconteceu à cidade de Calno

o mesmo que à de Carquémis?

E não acabei com Hamat como com Arpad,

com a Samaria como com Damasco10,9 Calno, Carquémis, Hamat, Arpad. Cidades do reino arameu que tinha como capital Damasco. Entre 738 e 717 a.C caíram no poder da Assíria. Samaria. Capital do reino de Israel, tomada em 722–721 a.C. A disposição dos nomes das cidades sugere a ideia de marcha irresistível contra Jerusalém.?”

10A minha mão conquistou aqueles reinos de ídolos,

cujas imagens são mais ricas

que as de Jerusalém e Samaria.

11O que fiz com a Samaria e seus deuses,

hei de fazer também com Jerusalém e seus ídolos?»

12Quando o Senhor acabar a sua tarefa no monte Sião e em Jerusalém, castigará o orgulho do rei da Assíria e a arrogância do seu olhar insolente. 13Ele dizia:

«Tudo quanto fiz é devido à minha força

e ao meu saber, pois sou inteligente.

Acabei com as fronteiras entre as nações,

saqueei os seus tesouros

e destronei, como um herói, os seus reis.

14Como se mete a mão num ninho,

assim arrecadei as riquezas dos povos;

como quem apanha ovos abandonados,

assim apanhei eu toda a terra.

E não houve ninguém que batesse as asas

ou abrisse a boca para protestar.»

15Será que o machado se envaidece contra quem o usa?

E a serra vangloria-se contra quem a maneja?

É como se o pau manejasse a quem o segura,

e a vara levantasse quem é mais do que ela.

16Por isso, o Senhor Deus, todo-poderoso,

fará com que definhem os fortes guerreiros da Assíria.

E que em vez de glória, a febre os consuma como fogo ardente.

17A luz de Israel converter-se-á num fogo,

o seu Santo será uma chama,

que destruirá e queimará

os cardos e as silvas, num só dia.

18A beleza das suas florestas e pomares

será totalmente consumida,

como um homem minado pela doença.

19Apenas algumas árvores ficarão

na floresta da Assíria10,19 Ou: na sua floresta. Segundo esta leitura os v. 16–19 diriam respeito a Israel e não à Assíria., mas tão poucas

que até uma criança as poderá contar.

Os sobreviventes de Israel

20Naquele dia, o resto de Israel10,20 O tema o resto de Israel é um refrão muito presente em Isaías. Ver 4,3; 11,11.16; 28,5; cf. 16,14; 17,3; 21,17.,

os sobreviventes do povo de Jacob,

não voltarão mais a apoiar-se em quem os castigava;

vão apoiar-se, sim, no Senhor, o Santo de Israel10,20 Santidade. Este atributo de Deus é muito comum neste livro. Ver 1,4; 6,3; 10,17..

21Um resto voltará;

um resto do povo de Jacob

voltará para o Deus forte.

22Mesmo que a tua população, ó Israel,

fosse numerosa como as areias da praia,

apenas um resto voltaria para o Senhor.

A destruição está decretada,

a sentença está ditada.

23O Senhor, o Deus do Universo, cumprirá em toda a terra a destruição que decidiu10,23 Versículos citados em Rm 9,27–28..

Libertação da Assíria

24Por isso, assim fala o Senhor, Deus do Universo:

«Meu povo, que habitas em Sião, não temas a Assíria, embora te castigue com a vara e levante o seu pau contra ti, como fizeram outrora os egípcios. 25Dentro de muito pouco tempo a minha ira vai destruí-los, o meu furor acabará com eles.»

26O Senhor do Universo levantará contra a Assíria o seu chicote, como fez contra os madianitas no rochedo de Oreb10,26 Oreb. Ver Jz 7,23–25; não confundir com o rochedo de Ex 17,6. Comparar com Is 9,3.; erguerá o seu bastão contra o mar, como fez contra os egípcios.

27Naquele dia,

ele tirará dos teus ombros a carga pesada

e do teu pescoço o jugo torcido.

Em vez do jugo haverá abundância.

Uma invasão

28O inimigo avança sobre Aiat10,28 Aiat. Localidade poucos quilómetros a sul de Betel. O itinerário descrito nos v. 28–32 parte desta localidade, a 15 km a norte de Jerusalém, e dirige-se para sul através duma região acidentada.,

atravessa Migron e revista as armas em Micmás.

29Atravessa o desfiladeiro;

Guebo serve-lhe de acampamento.

A cidade de Ramá treme de medo

e Guibeá, a cidade de Saul, põe-se em fuga.

30Gritem forte, gente de Galim,

escutem, habitantes de Laís; respondam, povo de Anatot.

31Mademena pôs-se a salvo

e os habitantes de Guebim puseram-se em fuga.

32Mais um dia e o inimigo estará em Nob10,32 Nob. Aldeia situada no monte Scopus, no cimo do monte das Oliveiras. A invasão aqui descrita é provavelmente a de 734 a.C., cuja alusão aparece várias vezes em Isaías. Ver 7,1–9.,

e já estende a mão para o monte Sião,

a colina de Jerusalém.

33Vejam como o Senhor, Deus do Universo,

lança por terra a ramagem à machadada;

os troncos mais fortes serão abatidos,

os ramos mais altos derribados.

34Cortará as árvores da floresta com o machado

e o Líbano10,34 Líbano. Cadeia montanhosa a norte da Palestina, famosa pelas suas florestas de cedros. Umas vezes aparece como símbolo de orgulho (ver 2,13; 37,24), outras como símbolo de prosperidade (29,17; 33,9; 35,2). com o seu esplendor cairá por terra.

11

Um novo David

111Um novo ramo sairá do tronco de Jessé11,1 Jessé. Pai de David (1 Sm 16,1), considerado a cabeça da dinastia davídica. Aqui é comparado ao tronco de uma árvore abatida, do qual brotará um novo rebento. Modo de anunciar que Deus continuará fiel à promessa feita a David (Is 7,13; 2 Sm 5,7–16).,

e da sua raiz brotará um rebento.

2Sobre ele repousará o Espírito do Senhor:

espírito de sabedoria e entendimento

espírito de conselho e valentia,

espírito de conhecimento e de respeito pelo Senhor.

3Viverá inteiramente para honrar o Senhor.

Não julgará segundo as aparências,

nem dará sentenças pelo que ouve dizer.

4Defenderá com justiça os fracos

e com retidão, os pobres do país.

A sua palavra, como uma vara, castigará o país,

condenando à morte os malvados.

5A justiça e a verdade serão a cintura

com que ele se aperta continuamente.

6Então o lobo habitará com o cordeiro,

o leopardo deitar-se-á junto do cabrito,

o vitelo e o leão pastarão juntos;

até uma criança pequena os conduzirá.

7A vaca pastará com o urso,

as suas crias deitar-se-ão juntas,

e o leão comerá erva com o boi.

8O bebé brincará na toca da cobra,

e a criança meterá a mão no buraco da víbora.

9Não haverá mais mal nem destruição

em todo o meu Monte Santo,

porque o conhecimento do Senhor encherá o país,

tal como as águas enchem o mar11,9 Ver Is 65,25. Sobre o v. 9, ver Hc 2,14..

O regresso dos exilados

10Naquele dia,

um descendente de Jessé

será como uma bandeira levantada para os povos:

as nações virão procurá-lo

e será gloriosa a sua morada11,10 Ver Rm 15,12..

11Naquele dia,

o Senhor estenderá outra vez a sua mão

para resgatar o resto do seu povo:

os que sobreviveram da Assíria e do Egito,

de Patros, de Cuche, do Elam, da Mesopotâmia, de Hamat

e das ilhas.

12Levantará uma bandeira para que as nações saibam

que ele vai reunir os exilados de Israel

e reagrupar os judeus dispersos

dos quatro cantos da terra.

13Então acabará a inveja de Efraim

e os inimigos de Judá serão destroçados.

Efraim não terá inveja de Judá,

nem Judá se voltará contra Efraim11,13 Sobre o fim da divisão dos dois reinos, ver Jr 3,18; 23,5–6; 31,6; Ez 34,23; 37,15–28; Os 2,2; 3,5..

14Correrão lado a lado contra os filisteus, a Ocidente,

bem unidos, pilharão as tribos do Oriente.

Edom e Moab cairão nas suas mãos,

e os amonitas tornar-se-ão seus súbditos.

15O Senhor secará o golfo do mar do Egito,

e ameaçará o Eufrates com a sua mão levantada.

Com o seu sopro poderoso,

atacará os seus sete canais,

de modo a poderem ser atravessados a pé.

16E haverá um caminho plano para o resto do seu povo11,16 Alusão ao retorno dos exilados. Ver 40,3–4; 42,16; 43,19; 49,19; 57,14; 62,10.

que sobreviver da Assíria,

tal como aconteceu com os israelitas,

quando saíram do Egito.