a BÍBLIA para todos Edição Católica (BPTct)
16

Moab pede ajuda a Jerusalém

161Enviem ao senhor do país

um cordeiro como presente,

desde Petra, no deserto, ao monte Sião16,1 O v. 1 refere-se ao envio de um presente ao rei de Judá pelo rei de Moab. Petra. A palavra hebraica sela significa “rocha” ou “pedra”, e tanto pode referir o território montanhoso de Moab como a uma localidade a sudeste do mar Morto..

2As mulheres de Moab,

como aves espantadas, arremessadas dos seus ninhos,

caminham pelos desfiladeiros do rio Arnon e pedem:

3«Dá-nos um conselho, toma uma decisão,

em pleno meio-dia protege-nos com a tua sombra,

como se fosse meia-noite;

esconde os refugiados, não descubras os fugitivos.

4Dá asilo aos refugiados de Moab,

oferece-lhes um esconderijo contra o devastador.

Quando acabar a opressão, terminar a devastação

e desaparecer o opressor do país,

5então, pela tua bondade, estabelecer-se-á um trono

para o descendente de David.

Sentar-se-á nele com lealdade

e será um juiz preocupado com a retidão,

e sempre pronto a fazer o que é justo16,5 A estabilidade do trono do descendente de David tem a ver com a promessa feita a David. Ver 2 Sm 7,5–16; Is 11,1.

Jerusalém não pode ajudar Moab

6Nós ouvimos falar da soberba de Moab,

uma soberba desmedida;

da sua arrogância, do seu orgulho, dos seus excessos

e da sua vaidade insensata.

7Mas os moabitas hão de lamentar-se por Moab,

todos lamentarão a sua desgraça.

Hão de suspirar desesperados

pelos doces de uvas de Quir-Haresset.

8Os campos de trigo de Hesbon são devastados,

as vinhas de Sibma esmagadas.

Os senhores das nações calcam aos pés os seus rebentos.

E elas estendiam-se até Jazer,

espalhavam-se pelo deserto

e os seus sarmentos estendiam-se

para além do mar Morto.

9Por isso, eu choro com o povo de Jazer

sobre as vinhas de Sibma.

Espalharei torrentes de lágrimas

sobre vós, Hesbon e Elalé.

As canções de alegria desapareceram

das tuas vindimas e ceifas.

10A alegria jubilosa desapareceu das vossas hortas

e nas vossas vinhas já não se ouvem

os gritos de contentamento.

Já não se pisam as uvas nos lagares

e acabaram as canções de alegria.

11Por isso, o meu coração se comove por Moab

e, como se fora uma guitarra,

o meu peito estremece por Quir-Haresset.

12Veremos Moab afadigar-se

por subir ao lugar alto,

por ir ao santuário orar,

mas tudo será em vão.

13Isto é o que o Senhor disse outrora contra Moab.

14Mas agora o Senhor volta a dizer:

«Daqui a três anos, sem um dia a mais,

será humilhada a nobreza de Moab

com todo o seu povo numeroso.

Os que ficarem serão muito poucos e insignificantes.»

17

Contra Damasco e Israel

171Mensagem contra Damasco.

Prestem atenção! Damasco vai deixar de ser cidade;

não será mais que um montão de ruínas.

2As suas cidades abandonadas para sempre

serão lugar de repouso dos rebanhos,

onde ninguém os vai incomodar.

3O reino de Efraim ficará sem fortalezas,

e Damasco sem a sua realeza;

e ao resto dos arameus sucederá o mesmo

que aconteceu à nobreza de Israel.

É isto o que declara o Senhor do Universo.

4Naquele dia, a riqueza de Jacob ficará pobre,

a sua corpulência passará a magreza.

5Será como no tempo da ceifa

quando se recolhe o trigo,

quando as espigas são apanhadas às braçadas

no vale de Refaim.

6Não ficarão senão alguns rabiscos,

tal como acontece quando se vareja a oliveira:

ficam apenas duas ou três azeitonas no cimo da árvore

e quatro ou cinco nos seus ramos.

É isto o que afirma o Senhor, Deus de Israel.

7Naquele dia, o homem olhará para o seu criador, levantará o seu olhar para o Deus santo de Israel. 8E deixará de olhar para os altares que fabricou e para os ídolos que as suas mãos modelaram, tais como os símbolos da deusa Achera e as imagens dedicadas ao Sol.

9Naquele dia, as suas cidades fortificadas serão abandonadas como o foram as florestas e o cimo dos montes diante dos filhos de Israel17,9 Ou: como foram antigamente as cidades dos heveus e dos amorreus diante dos filhos de Israel.. Ficará tudo como um deserto.

10Porque tu, Israel, esqueceste o Deus que te salvou

e não te lembraste da tua rocha de refúgio.

Por isso, plantavas jardins de Adónis17,10 Jardins de Adónis. Práticas relacionadas com o culto pagão da fecundidade através de plantas aromáticas. Ver 1,29.

e fazias sementeiras em honra dos deuses estrangeiros.

11No dia em que os plantavas eles germinavam;

pela manhã as sementes floresciam;

mas a colheita dissipar-se-á no dia da desgraça

e então o mal já não terá remédio.

O bramar dos povos

12Ai esta gritaria dos povos inumeráveis!

Até parece a gritaria dos mares revoltosos!

Este rugir das nações

mais parece o rugir das vagas caudalosas!

13O rugir das nações é como o rugir de mares furiosos.

Mas o Senhor ameaça-as e logo fogem para longe.

O Senhor dispersa-os como palha levada pelo vento,

como a flor seca dos cardos levada pelo vendaval.

14Ao entardecer é o terror,

e ainda antes do amanhecer, já não existem.

É este o destino dos que nos roubam,

a sorte dos que nos vêm saquear.

18

181Ai do país onde se ouve o bater de asas,

que fica para além dos rios de Cuche,

2que envia embaixadores pelo Nilo,

em canoas de junco sobre as águas.

Corram mensageiros com rapidez18,2 Os egípcios enviaram mensageiros a Jerusalém pelo ano 705 a.C. com a finalidade de instigar o povo de Judá a revoltar-se contra a Assíria. Neste tempo reinava no Egito uma dinastia de origem etíope. O v. 1 fala de um bater de asas. Alguns pensam tratar-se de asas de insetos, outros de velas de barcos muito velozes, até porque fala de canoas de junco (Is 18,2). O ataque da Assíria em 701 a.C. é descrito de modo imagético em Is 17,13. Sobre Cuche, a Etiópia, ver Sf 2,12.,

para este povo forte e bronzeado,

de quem todos têm medo em toda a parte,

para esta nação poderosa,

que espezinha os inimigos

e é sulcada por canais.

3Habitantes do mundo, moradores da terra,

olhem bem quando a bandeira for levantada nos montes,

escutem quando soar a trombeta.

4Foi o Senhor quem mo disse:

«Desde a minha morada eu contemplo sereno,

como o calor radiante do meio-dia,

como a nuvem de orvalho no tempo quente da ceifa.»

5Acontecerá como antes da vindima,

quando a vinha já tem flor,

quando a flor se tornou uva

e a uva já amadureceu.

É então que se cortam os rebentos inúteis

e se lançam fora os ramos que não prestam.

6Serão abandonados aos abutres das montanhas

e aos animais selvagens da terra:

os abutres dominam no verão

e os animais selvagens no inverno.

7Então, esse povo forte e bronzeado,

de quem todos têm medo em toda a parte,

essa nação poderosa que espezinha os inimigos,

e é sulcada por canais,

há de trazer os seus dons ao Senhor do Universo,

no santuário do monte Sião.