a BÍBLIA para todos Edição Católica (BPTct)
4

41Naquele dia, sete mulheres

hão de agarrar-se a um só homem e dizer-lhe:

«Nós mesmas arranjaremos

a nossa alimentação e vestidos.

Mas deixa-nos usar o teu nome como esposas,

para não vivermos envergonhadas.»

A restauração

2Naquele dia,

aquilo que o Senhor fará germinar4,2 Ver Is 6,13; 53,2; 61,11; Am 9,13; Sl 72,16. O Messias é comparado ao gérmen vital da natureza em Jr 23,5; 33,15; Zc 3,8; 6,12; Sl 132,17.

será a honra e a glória

dos que ficaram com vida em Israel.

O que a terra produzir será o seu orgulho e honra.

3Os que ficarem4,3 A ideia de um “resto” ou “remanescente” santo é comum em Isaías. Ver Is 1,8–9; 6,13; 10,20–22; 37,4.31.32; Jr 23,3; 31,7; 50,20; Ez 6,8–9; 11,13; Am 5,3.15; Mq 2,12; 4,7; 5,2.6; Sf 2,7.9; 3,12–13; Zc 13,8–9; 14,2; Ne 1,2. com vida no monte de Sião,

todos os sobreviventes de Jerusalém,

serão chamados «povo santo de Deus».

Os seus nomes figuram na lista,

para viver em Jerusalém.

4O Senhor vai lavar as imundícies de Sião4,4 Literalmente: filhas de Sião, que no hebraico funciona como uma metáfora para povo.

e os crimes de sangue em Jerusalém

com o seu vento justiceiro, como furacão devorador.

5Sobre todos os lugares do monte Sião

e sobre todos quantos lá se reúnem,

o Senhor manifestará os sinais da sua presença:

uma nuvem durante o dia,

fumo denso e clarão de fogo durante a noite4,5 Ver Ex 19,9.16.18 e sobretudo 13,21; 24,16–17..

É que a glória do Senhor a todos há de proteger

6como uma tenda que dá sombra nos dias de calor,

como um abrigo contra a tempestade e a chuva.

5

Cântico da vinha

51Quero cantar para o meu melhor amigo

o canto que ele dedicou à sua vinha.

Sobre uma colina verdejante,

tinha o meu amigo uma vinha5,1 Vinha. Símbolo de Israel. Ver Is 3,14; 27,2–5; Jr 2,21; 5,10; 6,9; 12,10; Ez 15,1–8; 17,3–10; 19,10–14; Os 10,1; Sl 80,9–19; cf. Mt 21,33–43; Jo 15,1–7..

2Remexeu a terra, limpou-a das pedras,

e depois plantou-a do melhor bacelo.

No meio construiu uma torre de guarda

e fez lá também um lagar de pedra.

Esperava que ela lhe desse boas uvas,

mas só deu uvas amargas.

3E agora, habitantes de Jerusalém e gente de Judá,

digam lá quem é que tem a culpa:

sou eu ou é a minha vinha?

4Poderia eu fazer mais pela minha vinha,

depois de tudo o que eu fiz?

Por que é que então só deu uvas amargas,

quando eu esperava que desse uvas boas?

5Pois bem, vou dizer-vos

o que penso fazer à minha vinha:

vou desfazer-lhe a sebe, para que seja destruída,

e fazer uma brecha no muro, para que seja calcada.

6Vai ficar completamente abandonada,

pois nem será podada nem cavada.

Então os espinhos e a erva daninha hão de crescer,

e proibirei as nuvens

que derramem chuva sobre ela.

7A vinha do Senhor, o Todo-Poderoso,

sois vós, israelitas;

e a sua terra preferida

sois vós, gente de Judá.

O Senhor esperava de vós honestidade,

mas só há crueldade;

esperava justiça,

mas só há gritos de injustiça5,7 A última frase do v. 7 é um jogo de assonâncias de quatro palavras hebraicas com som semelhante e sentidos opostos..

Ameaças contra os ambiciosos

8Ai de vós, que arranjais casas e mais casas,

e que comprais campos e mais campos,

até se tornarem senhores absolutos

de todos os lugares do país.

9Mas eu ouvi o Senhor todo-poderoso a dizer:

«Muitas casas serão destruídas,

e embora sejam grandes e belas

ninguém as habitará.

10Três hectares de vinha

não darão mais que um pequeno barril de vinho,

e dez medidas de semente

só produzirão uma.»

11Ai daqueles que se levantam cedinho,

para logo se embriagarem,

e até altas horas da noite

se aquecem com o vinho.

12Embebedam-se ao som das harpas e da lira,

dos tamborins e das flautas.

Por isso, não reparam nas obras do Senhor,

nem veem o que as suas mãos realizam.

13Por isso, o meu povo será deportado,

porque não compreende nada.

Os seus nobres vão morrer de fome

e a gente simples vai morrer de sede.

14Eis que o abismo da morte alargou as suas goelas

e abriu a sua boca enorme.

Os nobres e o povo simples para lá resvalam

entre tumultos e festejos.

15Toda a gente terá de se dobrar e humilhar,

e os arrogantes terão de inclinar-se.

16O Senhor do Universo será vitorioso,

o Deus santo mostrará a sua santidade

por este julgamento e por esta justiça.

17Os cordeiros pastarão nas ruínas da cidade

como se fosse nos seus prados,

e os cabritos de engorda

procurarão aí a sua comida.

18Ai dos que puxam a culpa com as cordas da maldade,

e o pecado com sogas de carro de bois.

19Eles dizem: «Que o Senhor se despache, sem demora,

para podermos ver a sua obra:

que o plano do Santo de Israel aconteça rapidamente,

para o podermos comprovar.»

20Ai dos que chamam ao mal, bem e ao bem, mal,

que tratam as trevas como luz e a luz como trevas,

que têm o amargo por doce e o doce por amargo5,20 Sobre a inversão de valores, ver Am 5,7; Mq 3,2; Pv 17,15..

21Ai dos que se tomam por sábios

e pensam ser inteligentes!

22Ai dos valentes a beber vinho

e dos espertos em preparar bebidas fortes.

23Eles subornam o culpado em troca dum presente,

e recusam ao inocente a sua justiça.

24Por isso, como a língua de fogo consome o restolho

e a palha é devorada pela chama,

as suas raízes ficarão podres

e os seus rebentos voarão como o pó fino.

É que eles rejeitaram o ensino do Senhor do Universo,

e desprezaram a palavra do Santo de Israel.

O Senhor, contra o seu povo

25Por isso, o Senhor se volta, irado, contra o seu povo

e estende a mão para o ferir.

Tremem os montes;

os cadáveres das vítimas

jazem nas ruas, como se fosse estrume.

Mas ainda assim, a cólera do Senhor não se aplaca,

e a sua mão continua ameaçadora.

26Ele levantará um estandarte

para chamar uma nação distante5,26 No hebraico: as nações distantes. Trata-se com certeza da Assíria, que já começara a ameaçar a Palestina.;

vai assobiar-lhe para os confins da terra.

E eis que ela se apressa e chega rapidamente.

27Nenhum se sente cansado nem coxo;

nenhum cabeceia de sono, nem dorme;

nenhum desaperta o seu cinto,

nem desata a correia das sandálias.

28As suas flechas estão aguçadas

e todos os arcos bem puxados;

os cascos dos seus cavalos são duros como pedra,

e as rodas dos carros parecem um turbilhão.

29Mais parece o rugido duma leoa

junto com o rugido das suas crias.

Aos gritos, eles agarram a presa e seguram-na bem

e ninguém lha consegue tirar.

30Naquele dia,

o rugido do inimigo contra este país

será como o rugir do mar.

Olharão para a terra,

mas só haverá trevas espessas;

as nuvens sombrias obscurecem a luz do dia.

6

Vocação de Isaías

61No ano em que morreu o rei Uzias6,1 A morte do rei Uzias deu-se provavelmente no ano 740 a.C. Ver 2 Rs 15,7; 2 Cr 26,23. tive uma visão em que vi o Senhor sentado num trono muito alto. A cauda do seu manto enchia o templo. 2Havia serafins6,2 Serafins. Etimologicamente significa “seres semelhantes ao fogo”. junto dele, para o servirem. Cada um tinha seis asas: com duas cobriam a cara, com duas cobriam o corpo e com duas voavam. 3E clamavam uns para os outros:

«Santo, Santo, Santo

é o Senhor do Universo!

Toda a terra está cheia da sua glória6,3 Isaías é por excelência o profeta da santidade de Deus. Ver 1,4; 10,17; 40,25; 57,15.

4A voz deles fazia tremer as portas nos gonzos e o templo encheu-se de fumo. 5Então eu disse:

«Ai de mim, estou perdido6,5 Ou: estou reduzido ao silêncio. Segundo a mentalidade bíblica de então, quem visse a Deus morria. Ver Ex 3,6; 33,20; Jz 6,22; 13,22; 1 Rs 19,13.!

Sou um homem de lábios impuros,

que vive no meio dum povo de lábios impuros,

e vi com os meus olhos o rei, o Senhor do Universo.»

6Voou então para mim um dos serafins com uma brasa na mão que tinha tirado do altar com uma tenaz. 7Com ela, tocou-me na boca e disse:

«Olha bem! Isto tocou os teus lábios.

A tua culpa desapareceu,

o teu pecado fica perdoado.»

8Então ouvi a voz do Senhor a perguntar:

«Quem vou enviar?

Quem irá por nós?»

Eu respondi: «Aqui estou eu! Envia-me a mim.»

9Ele retomou a palavra:

«Vai dizer a este povo:

Ouçam com os vossos ouvidos, que não entendereis;

vejam com os vossos olhos, que não compreendereis.

10Torna o coração deste povo insensível,

endurece-lhe os ouvidos e cega-lhe os olhos:

que os seus olhos não vejam,

que os seus ouvidos não ouçam,

que o seu coração não entenda,

para que não se voltem para mim e fiquem curados6,10 Ver Mt 13,14–15; Mc 4,12; Lc 8,10; Jo 12,40; At 28,26–27.

11Então eu perguntei:

«Até quando, Senhor?»

Ele respondeu-me:

«Até que as cidades fiquem devastadas e desabitadas,

as casas sem gente e os campos como desertos.

12O Senhor mandará para longe os homens,

e muitas terras do país ficarão abandonadas.

13Se ainda ficar uma décima parte da população,

também esses serão arrasados.

Serão como o carvalho ou o terebinto

que apenas deitam um rebento quando são cortados.

Mas desse rebento crescerá de novo o povo de Deus.»