a BÍBLIA para todos Edição Católica (BPTct)
51

Salvação sem fim

511Ouçam, todos os que procuram a justiça,

e que buscam o Senhor.

Contemplem o rochedo do qual foram talhados,

a pedreira de onde foram tirados:

2olhem para Abraão, vosso pai,

e para Sara que vos deu à luz.

Quando o chamei, não tinha filhos,

mas abençoei-o e dei-lhe descendência numerosa.

3O Senhor vai reconfortar Sião por todas as suas ruínas.

Converterá este deserto num jardim de maravilhas,

este lugar árido em paraíso do Senhor;

ali haverá alegria e regozijo,

cânticos de louvor e muita música.

4Presta-me atenção, ó meu povo,

escuta-me atentamente, minha nação.

Sou eu, o Senhor, que estabeleço a lei,

e o direito que eu determino será a luz dos povos.

5A minha vitória está muito próxima,

a minha salvação está mesmo a chegar.

Com a força dos meus braços governarei os povos;

as nações longínquas põem a sua esperança em mim,

e depositam a sua confiança no meu poder.

6Levantem os olhos para o céu,

observem em baixo a terra;

o céu dissipar-se-á como fumo,

e a terra gastar-se-á como a roupa.

Os seus habitantes cairão como mosquitos,

mas a minha libertação será para sempre,

a vitória que vou conseguir não terá fim.

7Ouve-me, ó povo que sabes o que é justo,

tu que tens a minha lei no coração!

Não tenham medo dos insultos dos homens,

não se deixem abater pelos seus ultrajes,

8porque eles hão de ser destruídos

como a traça faz à roupa,

como os vermes fazem à lã.

Mas a minha vitória será para sempre

e a minha libertação nunca mais terá fim.

Desperta, Senhor!

9Desperta! Desperta, Senhor,

e mostra novamente o teu poder!

Levanta-te como dantes, nas gerações passadas!

Não foste tu que esmagaste o monstro Raab,

que trespassaste o dragão dos mares51,9 Dragão dos mares. Nas narrativas babilónicas da criação, o monstro Raab personifica o oceano destruidor, que é posteriormente vencido pelo deus criador. O profeta aplica a Javé este mesmo poder. Sobre Raab, ver Sl 89,11; Jb 9,13.?

10Não foste tu que secaste o mar,

as águas do grande oceano?

Não traçaste um caminho nas profundezas do mar,

para dar passagem aos que tu libertaste?

11Aqueles que o Senhor libertou voltarão,

e entrarão em Sião com cânticos.

Uma alegria eterna iluminará o seu rosto,

um regozijo transbordante os inundará;

as penas e aflições desaparecerão.

12Sou eu, e só eu aquele que vos reconforta.

Quem és tu para teres medo dum simples mortal,

dum homem que acabará como a erva?

13Esqueces o Senhor, que te criou,

que estendeu os céus e alicerçou a terra.

Todos os dias tremes de medo,

diante da fúria do opressor51,13 Sobre a teologia da criação, ver 44,24 e nota.,

como se ele tivesse capacidade para te destruir.

Mas onde é que está a fúria do opressor?

14Em breve o prisioneiro será libertado;

não morrerá no cárcere, nem lhe faltará o pão.

15Eu, o Senhor, é que sou o teu Deus;

agito o mar e as suas ondas rugem.

O meu nome é Senhor do Universo.

16Confiei-te a minha mensagem,

guardei-te na palma da minha mão;

estendo novamente os céus e alicerço a terra,

e digo a Sião: «Tu és o meu povo!»

Desperta, Jerusalém!

17Desperta! Desperta, Jerusalém e levanta-te!

Já bebeste da mão do Senhor a taça da sua ira;

bebeste dela até à última gota,

a ponto de ficares atordoada.

18De todos os filhos que deste à luz,

não há nenhum que te guie,

de todos os filhos que criaste,

nenhum que te segure pela mão.

19Desses dois males que caíram sobre ti,

quem é que se compadece de ti?

Da ruína e destruição, fome e guerra,

quem é que te consolará?

20Os teus filhos jazem desfalecidos,

em todos os cantos das ruas,

como antílopes caídos na rede,

apanhados pela cólera do Senhor,

pela ameaça do teu Deus.

21Por isso, escuta-me com atenção,

ó Jerusalém desgraçada,

tu que estás bêbada, sem ser de vinho!

22Eis o que o Senhor teu Deus,

que toma a defesa do seu povo, te diz:

«Vou retirar da tua mão a taça que atordoa,

a taça da minha cólera;

nunca mais tornarás a beber dela.

23Vou pô-la na mão dos teus verdugos,

daqueles que te diziam:

“Inclina-te, para passarmos por cima de ti!”

E tiveste de baixar os teus ombros

como se fosses terra e calçada da rua,

para passarem por cima de ti.»

52

Desperta, Sião!

521Desperta! Desperta, Sião! Enche-te de força!

Jerusalém, cidade santa, veste os teus trajes de gala,

porque os pagãos52,1 Os pagãos. Literalmente: os incircuncisos. Só os israelitas (circuncidados) poderão entrar em Jerusalém. Esta posição teológica opõe-se ao ecletismo religioso proporcionado pela colonização de Judá, durante o tempo do exílio pelos babilónios. Por outro lado, facilita o racismo religioso. Ver Ap 21,2.27., os impuros,

não voltarão a entrar dentro de ti.

2Sacode o pó e põe-te de pé, Jerusalém cativa;

desata as cadeias do teu pescoço, Sião prisioneira.

3O Senhor vai declarar o seguinte: «Fostes vendidos como escravos, sem qualquer indemnização. Também sereis libertos sem nada pagar.» 4E o Senhor Deus acrescenta: «No princípio, o meu povo foi refugiar-se no Egito. Mais tarde, os assírios oprimiram-no. 5Perante esta situação o que é que eu devo fazer? O meu povo foi feito prisioneiro, sem qualquer indemnização. Os seus opressores lançam gritos de triunfo e todos os dias ultrajam o meu nome52,5 Versículo citado em Rm 2,24, segundo a antiga tradução grega..

6Por isso, muito brevemente, o meu povo vai ficar a saber quem é que eu sou. Vai compreender que digo a verdade quando afirmo: Aqui estou!»

O mensageiro da paz

7Como são formosos sobre os montes

os pés do mensageiro

que anuncia a paz,

que traz a boa nova,

que anuncia a salvação,

que diz a Sião: «O teu Deus reina52,7 Comparar com Na 2,1; Rm 10,15; Ef 6,15.

8Ouve! Todas as tuas sentinelas gritam de alegria

porque veem com os seus próprios olhos

o regresso do Senhor a Sião.

9Ruínas de Jerusalém, rompam em gritos de alegria,

porque o Senhor consola o seu povo

com a libertação de Jerusalém.

10Aos olhos de todas as nações, o Senhor

mostra a força do seu braço poderoso,

e até aos confins da terra há de ver-se a vitória

que o nosso Deus nos dá.

Deixem a Babilónia!

11Fora! Fora! Saiam daí!

Não toqueis em nada de impuro.

Saiam dela, purifiquem-se,

todos os que transportam os objetos do Senhor52,11 Versículo citado em 2 Co 6,17, segundo a antiga tradução grega.!

12Desta vez, não devem partir com precipitação,

nem retirar-se como fugitivos,

porque à vossa frente caminha o Senhor,

e à vossa retaguarda, o Deus de Israel.

O servo do Senhor: quarto poema

13Eis que o meu servo prosperará,

será engrandecido e receberá as maiores honras.

14Assim como muitos se espantaram diante dele,

de tal modo estava desfigurado

que nem tinha aspeto humano.

15Da mesma forma fará com que muitos estrangeiros

fiquem agora admirados.

Os reis ficarão de boca aberta,

pois verão coisas que jamais lhes foram contadas

e observarão coisas que não conseguem compreender52,15 A segunda parte do v. 15 é citada em Rm 15,21, segundo a antiga tradução grega..

53

531Quem acreditou naquilo que ouvimos?

A quem foi revelada a intervenção do Senhor53,1 Versículo citado em Jo 12,38 e Rm 10,16.?

2O servo cresceu diante do Senhor

como um simples rebento,

ou raiz em terra árida sem aparências nem beleza

para poder dar nas vistas.

O seu aspeto não tinha qualquer atrativo.

3Era desprezado e abandonado pelos homens,

como alguém cheio de dores e habituado ao sofrimento,

e para o qual se evita olhar.

Era desprezado e tratado sem nenhuma consideração.

4Na verdade ele suportava os nossos sofrimentos

e carregava as dores, que nos eram devidas.

E nós pensávamos que Deus

é que assim o castigava e humilhava duramente53,4 Ver Mt 8,17..

5Mas ele foi trespassado por causa das nossas faltas,

aniquilado por causa das nossas culpas.

O castigo que nos devia redimir caiu sobre ele;

ele recebeu os golpes e nós fomos poupados.

6Todos nós vagueávamos como rebanho perdido53,6 Como rebanho perdido. Ver Nm 27,17; 1 Rs 22,17; Jr 10,21; 50,6; Ez 34,5–6; Zc 13,7; Mt 9,36 e textos paralelos; 1 Pe 2,25.,

cada qual seguindo o seu caminho;

mas o Senhor carregou sobre ele

as consequências de todas as nossas faltas.

7Foi vexado e humilhado,

mas a sua boca não se abriu para protestar;

como um cordeiro que é levado ao matadouro

ou como uma ovelha emudecida nas mãos do tosquiador,

a sua boca não se abriu para protestar.

8Levaram-no à força e sem resistência nem defesa;

quem é que se preocupou com a sua sorte?

De facto, foi suprimido da terra dos vivos,

mas por causa dos pecados do meu povo

é que ele foi maltratado53,8 Os v. 7–8 citados são em At 8,32–33. Cf. Mt 27,12–13; Mc 14,61; 15,4–5; Lc 23,9; Jo 19,9..

9Foi-lhe dada sepultura entre os ímpios

e um túmulo entre os malfeitores,

embora não tenha cometido qualquer crime,

nem praticado qualquer fraude.

10Mas o Senhor quis esmagá-lo com o sofrimento,

para que a sua vida fosse uma oferta de expiação.

Mas o servo verá a sua descendência

e viverá por muito tempo,

e o desígnio do Senhor realizar-se-á por meio dele.

11Por causa do sofrimento da sua vida verá a recompensa,

e ficará satisfeito com a experiência que teve.

«O meu servo, que é justo,

fará com que muitos se tornem justos diante de mim,

pois ele mesmo carregou com os crimes deles.

12Por isso, receberá a sua parte entre os grandes

e repartirá os despojos com os mais poderosos,

já que expôs a sua vida à morte

e foi contado entre os malfeitores,

ele que carregou com o pecado de muitos

e intercedeu pelos pecadores.»