a BÍBLIA para todos Edição Católica (BPTct)
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O casamento de Sansão

141Um dia Sansão desceu a Timna14,1 Timna. Cidade danita situada perto de Sora, então ocupada pelos filisteus. Ver Js 19,43., onde reparou numa certa jovem filisteia. 2Quando voltou a casa declarou a seus pais: «Há uma jovem filisteia, em Timna, que me agradou. Peço-vos que lhe falem e a vão buscar para ser minha mulher.» 3Porém o pai e a mãe objetaram: «Porque tens tu de ir aos filisteus pagãos procurar uma mulher? Não és capaz de encontrar uma jovem na nossa família, entre o nosso povo?» Mas Sansão foi categórico com o pai: «É dela que eu gosto e é a ela que deves ir buscar para mim.»

4Os pais de Sansão não sabiam que era o Senhor que encaminhava Sansão nesta direção, porque procurava pretexto para combater os filisteus que oprimiam os israelitas.

5Assim Sansão desceu mais uma vez a Timna, desta vez acompanhado do pai e da mãe. Ao atravessarem as vinhas, ele ouviu o rugido de um leão que se aproximava. 6Naquele momento, o Senhor apoderou-se de Sansão e ele despedaçou o leão com as mãos, como se fosse um cabrito. Mas não contou aos pais o que tinha acontecido. 7Foi falar à jovem que ele amava. 8Alguns dias depois, Sansão voltou, desta vez já para casar com ela. A caminho, deixou a estrada, para ver o leão que matara, e ficou admirado ao encontrar um enxame de abelhas e mel dentro da carcaça do leão. 9Apanhou um pouco de mel e comeu-o pelo caminho, oferecendo dele também ao pai e à mãe. Porém não lhes disse que o mel vinha do corpo morto do leão.

10Seu pai chegou a casa da jovem, e Sansão deu ali um banquete, pois assim era costume entre os jovens de então. 11Quando os filisteus o viram, enviaram trinta rapazes para lhe fazer companhia. 12Então Sansão propôs-lhes um enigma e disse: «Se puderem decifrar e explicar-me o seu significado durante os sete dias da festa, eu dar-vos-ei trinta túnicas e trinta mudas de roupa. 13Mas se o não puderem explicar, então terão de me dar a mim as trinta túnicas e as trinta mudas de roupa.» Ao que eles replicaram: «Propõem-nos lá o enigma, queremos ouvi-lo!» 14Então Sansão disse:

«Do comedor saiu a comida;

do forte saiu o doce.»

Decorridos três dias, ainda não tinham encontrado a solução do enigma. 15Ao quarto dia14,15 Ao quarto dia. Segundo a antiga versão grega. Em hebraico: ao sétimo dia., dirigiram-se à mulher de Sansão: «Convence o teu marido a dar-te o significado do enigma. Se não, deitamos fogo à casa do teu pai contigo lá dentro. Convidaram-nos para nos roubar, não foi?»

16Então a mulher de Sansão chorou diante dele e disse: «Tu não me amas! Não gostas de mim! Propuseste um enigma aos meus amigos e não me revelaste a mim o significado!» Mas ele replicou: «Olha, também não o revelei ao meu pai, nem à minha mãe. Por que te hei de revelar a ti?» 17Ela passou o resto do tempo, até ao fim dos sete dias da festa de casamento a chorar. Porém, no sétimo dia, acabou por lhe revelar o enigma, por ela tanto insistir. E ela foi imediatamente contá-lo aos filisteus. 18Assim no sétimo dia, pouco antes de expirar o prazo, os amigos dela foram ter com Sansão e disseram-lhe:

«Qual é a coisa mais doce do que o mel?

E quem é mais forte do que o leão?»

E Sansão exclamou:

«Se não lavrassem com a minha bezerra

não descobririam a resposta.»

19Naquele momento, apoderou-se dele o Senhor e desceu a Ascalon, onde matou trinta homens e os despiu, pagando com essa roupa aos homens que decifraram o enigma.

Em seguida, voltou para casa de seus pais, furioso do que acontecera. 20Entretanto a sua mulher foi dada em casamento a um amigo seu que fora convidado para a boda.

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151Algum tempo depois, Sansão foi visitar a mulher, durante a colheita do trigo, e levou-lhe de presente um cabrito15,1 Sansão casou com uma mulher e continuou a viver em casa do pai. O noivo não pagava dote, porém quando ia visitar a mulher, levava-lhe presentes.. Ia com a intenção de estar um pouco a sós com a mulher, no quarto dela. Porém o pai não o deixou entrar 2e disse a Sansão: «Pensei que não gostavas dela; por isso a dei ao teu amigo. Mas a irmã mais nova é mais bonita e podes ficar com ela, em troca.»

3Mas Sansão respondeu: «Desta vez não serei responsável pelo prejuízo que vai acontecer aos filisteus4Foi apanhar trezentas raposas e ligou-as duas a duas pela cauda, atando em cada par uma tocha acesa. 5Depois soltou as raposas nas searas dos filisteus. Deitou assim fogo não só ao trigo que já tinha sido ceifado, como ao que ainda estava por apanhar. E os olivais arderam juntamente.

6Quando os filisteus investigaram quem tinha feito aquilo, souberam que tinha sido Sansão, porque diziam eles: «O sogro, homem de Timna, deu a mulher de Sansão a um amigo.» Por isso, os filisteus foram e deitaram fogo à casa dele, e toda a família morreu. 7Então Sansão disse-lhes: «É assim que procedem? Juro que não descansarei enquanto não me pagarem!» 8Então atacou-os ferozmente e matou a muitos. Depois disto, desceu e habitou junto do rochedo de Etam15,8 Lugar escarpado no território de Judá..

Sansão derrota os filisteus

9Os filisteus vieram acampar em Judá, atacando a povoação de Laí15,9 Laí. Localidade próxima do território filisteu, e que significa “queixada”.. Os de Judá perguntaram: 10«Por que nos atacais?» E eles responderam: «Viemos prender Sansão e tratá-lo como ele nos tratou a nós.» 11Então três mil homens de Judá foram à gruta do rochedo de Etam e falaram com Sansão: «Não sabes que os filisteus nos estão a oprimir? Que nos fizeste?» Ele respondeu: «Fiz-lhes o que eles me fizeram a mim.» 12Eles acrescentaram: «Vimos prender-te, para te entregarmos nas mãos deles.» Sansão pediu: «Deem-me a vossa palavra de que não me matarão.» 13Eles concordaram: «Está bem! Vamos apenas amarrar-te e entregar-te aos filisteus. Não te mataremos.» E assim foi. Amarraram-no com duas cordas novas e tiraram-no para fora da gruta.

14Quando chegou a Laí, os filisteus correram em direção a ele com grande gritaria. Nesse momento, o Senhor apoderou-se de Sansão e ele partiu as cordas com os braços e as mãos, como se fossem estopa queimada. 15Então deparou com a queixada dum burro, que tinha morrido pouco antes, agarrou nela e com ela matou mil homens.

16Depois disto, Sansão exclamava:

«Com a queixada dum burro,

matei mil homens;

com a queixada dum burro

deixei-os em montões.»

17Depois disto, deitou fora a queixada. E aquele lugar passou a chamar-se Ramat-Laí15,17 Em hebraico: Colina da Queixada..

18Depois Sansão teve muita sede e clamou ao Senhor, dizendo: «Deste-me esta grande vitória. E agora? Vou morrer de sede e ser capturado por estes filisteus pagãos19Então Deus abriu a rocha que está em Laí e dela jorrou água. Sansão matou a sede e sentiu-se melhor. Por isso, a nascente passou a chamar-se En-Hacoré15,19 Em hebraico: Fonte daquele que grita.. Esta nascente ainda existe em Laí.

20Sansão chefiou Israel durante vinte anos, sempre sob o domínio filisteu.

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Sansão em Gaza

161Certo dia Sansão deslocou-se a Gaza, cidade dos filisteus. Ali encontrou-se com uma prostituta e passou a noite com ela. 2A população de Gaza descobriu que Sansão lá estava e esperou-o fora, pondo guardas à porta da cidade. Mas durante a noite, foram descansar dizendo consigo mesmos: «Vamos esperar até ao romper do dia, e então matamo-lo.»

3Porém Sansão ficou na cama só até à meia-noite. Quando se levantou, forçou a porta da cidade e arrancou-a inteira — porta, batentes, postes e ferrolhos. Pô-los às costas e levou-os até ao cimo da colina que está em frente de Hebron16,3 Hebron ficava a 70 km de Gaza..

Sansão e Dalila

4Depois disto, Sansão apaixonou-se por uma mulher chamada Dalila, que morava no vale de Sorec. 5Então os cinco reis filisteus foram ter com ela e disseram: «Convence Sansão a revelar-te a razão da sua força e como podemos dominá-lo e amarrá-lo. Se o conseguires, cada um de nós te dará mil e cem moedas de prata.»

6Então Dalila falou com Sansão: «Diz-me, por favor, o que é que te faz forte? Se alguém quisesse amarrar-te e tirar-te a força, como faria?» 7Sansão respondeu: «Se me amarrarem com sete cordas de arco humedecidas ficarei fraco e serei como qualquer outra pessoa.» 8Então os reis filisteus trouxeram a Dalila sete cordas de arco humedecidas, e esta amarrou Sansão com elas. 9No quarto ao lado, havia alguns homens que estavam à espreita. Então ela gritou: «Sansão! Vêm aí os filisteus!» Mas ele rompeu as cordas como se fossem estopa a que se deita o fogo. E ficaram sem saber o segredo da sua força.

10Dalila voltou a perguntar: «Então? Andas a fazer troça de mim, e não me dizes verdade. Por favor, diz-me como é possível prender-te!» 11Sansão sugeriu: «Se me atarem com cordas novas, sem terem sido usadas, serei como qualquer outra pessoa.» 12E assim fez Dalila. Amarrou-o com cordas novas e gritou: «Sansão! Vêm aí os filisteus!» Os homens, entretanto, estavam à espreita no quarto ao lado. Mas ele partiu as cordas como se fossem linhas de coser.

13Dalila queixou-se a Sansão: «Continuas a brincar comigo e não dizes a verdade. Mostra-me como te poderei prender.» Sansão respondeu: «Basta tecer as minhas sete tranças num tear e fixá-las com a cavilha.» 14Dalila apertou as tranças de Sansão com a estaca do tear e depois gritou: «Sansão, vêm aí os filisteus!» Ele despertou e soltou o cabelo do tear.

15Mas ela não desistiu: «Como podes tu dizer que me amas, se não me falas com franqueza? Já três vezes fizeste troça de mim, e ainda não me revelaste o segredo da tua força.» 16Todos os dias voltava com a mesma pergunta, até que ele, cansado de ser importunado sobre o assunto, 17lhe disse finalmente a verdade: «É que nunca me cortaram o cabelo. Fui consagrado a Deus como nazireu, desde o meu nascimento. Se o meu cabelo for cortado, perderei a minha força, ficarei fraco e serei como qualquer outra pessoa.»

18Então Dalila apercebeu-se que desta vez ele lhe falava com toda a franqueza. Enviou a seguinte mensagem aos reis filisteus: «Venham, porque desta vez ele falou a verdade.» Os reis filisteus foram ter com ela e levaram dinheiro consigo. 19Dalila adormeceu Sansão sobre os joelhos e chamou um homem, para cortar as sete tranças do cabelo de Sansão. E assim conseguiu dominá-lo, porque tinha perdido a força. 20E gritou: «Sansão, vêm aí os filisteus!» Quando ele despertou, pensou que ia conseguir libertar-se como de costume. Não sabia que o Senhor se tinha apartado dele. 21Os filisteus agarraram-no e tiraram-lhe os olhos. Levaram-no para Gaza, prenderam-no com correntes de bronze e puseram-no a puxar uma mó na prisão.

22Entretanto o cabelo de Sansão começou a crescer de novo.

Morte de Sansão

23Os reis filisteus reuniram-se para celebrar a vitória e oferecer um grande sacrifício ao deus Dagon. Eles cantavam: «O nosso deus concedeu-nos a vitória sobre o nosso inimigo Sansão!» 24O povo viu-o e pôs-se a entoar louvores ao seu deus: «O nosso deus deu-nos a vitória sobre o nosso inimigo, que devastava a terra e matou tantos dos nossos!» 25E na sua euforia diziam uns para os outros: «Mandemos chamar Sansão, para vir entreter-nos!» Quando tiraram Sansão da prisão, para os ir entreter, ele ficou de pé, entre as colunas do templo.

26Sansão disse ao moço que o conduzia pela mão: «Deixa-me tocar nas colunas que sustentam a casa, para me encostar a elas.» 27O edifício estava cheio de homens e mulheres. Os cinco reis filisteus também ali se encontravam. E havia ainda cerca de três mil homens e mulheres em cima do terraço, para verem Sansão fazer de bobo.

28Então Sansão orou: «Senhor, todo-poderoso, por favor lembra-te de mim; ó Deus, dá-me a minha força, só mais uma vez, para eu me vingar dos filisteus, que me arrancaram os olhos!» 29E agarrando-se duma só vez às duas colunas principais que sustentavam o edifício, 30gritou: «Morra eu com os filisteus!» Com toda a sua força fez ruir o edifício sobre os cinco reis e todos os demais ali presentes.

E assim, no momento em que morria, Sansão matou mais pessoas do que as que tinha matado durante a vida. 31Os irmãos e demais família foram buscar o corpo. Levaram-no e sepultaram-no entre Sora e Estaol, no túmulo de seu pai Manoé. Sansão foi chefe em Israel durante vinte anos.