a BÍBLIA para todos Edição Católica (BPTct)
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O anjo do Senhor em Boquim

21O anjo do Senhor foi de Guilgal2,1 Ver Js 4,19. a Boquim2,1 Boquim. Em hebraico: eles choram. e disse aos israelitas: «Tirei-vos do Egito e trouxe-vos à terra que prometi aos vossos antepassados. Disse-vos que, da minha parte, jamais quebrarei a minha aliança convosco. 2O que vos peço é que, da vossa parte, não façam aliança alguma com os habitantes desta terra. Peço ainda que deitem abaixo os seus altares. Mas não fizeram o que vos disse. Pelo contrário! 3Por isso, vos declaro que não expulsarei estes povos do vosso meio. Eles e os seus deuses serão para vós uma armadilha.» 4Quando o anjo do Senhor acabou de falar, o povo de Israel pôs-se a chorar em alta voz. 5Por isso, chamaram àquele lugar Boquim. E ali ofereceram sacrifícios ao Senhor.

Morte de Josué

(Josué 24,29–31)

6Quando Josué despediu a assembleia de Israel, cada um dirigiu-se ao seu respetivo território para dele tomar posse. 7Durante toda a vida de Josué e dos anciãos que tinham presenciado todas as grandes coisas realizadas por Deus em favor de Israel, o povo serviu o Senhor.

8Josué, filho de Nun e servo do Senhor, morreu com a idade de cento e dez anos. 9Foi sepultado dentro dos limites do território que lhe coubera, em Timnat-Heres2,9 Localidade também conhecida por Timna-Sera. Ver Js 19,50; 24,30., nos montes de Efraim, ao norte do monte Gaás. 10Mas quando toda aquela geração morreu, a geração seguinte esqueceu-se do Senhor e do que ele fizera por Israel.

Os israelitas abandonam o Senhor

11Então o povo de Israel desagradou ao Senhor: começou a prestar culto aos ídolos de Baal. 12Afastaram-se do Senhor, do Deus dos seus antepassados, que os tinha tirado do Egito, e entregaram-se ao culto de outros deuses, os deuses dos povos circunvizinhos. E, adorando-os, provocaram a indignação de Deus. 13Deixaram de prestar culto ao Senhor, trocando-o pelos ídolos de Baal e Astarté. 14O Senhor ficou muito irado contra Israel e permitiu que os ladrões o despojassem do que possuía. Entregou-os aos inimigos vizinhos, pelo que o povo já não podia mais resistir-lhes. 15Para onde quer que fossem, o Senhor estava contra eles, tal como lhes tinha prometido em juramento2,15 Ver Lv 26,14–26; Dt 28,15–46. pelo que se viram em grandes dificuldades.

16Então o Senhor deu-lhes juízes2,16 Juízes. Homens de Deus encarregados de comandar, governar ou libertar uma ou mais tribos., que os libertaram dos salteadores. 17Porém eles desobedeceram também aos juízes e foram infiéis, prestando culto a outros deuses. Os antepassados tinham obedecido aos mandamentos do Senhor, mas eles depressa se afastaram e não seguiram o seu exemplo. 18Quando lhes dava um juiz, o Senhor ajudava-o a libertar o povo dos seus inimigos. Enquanto esse juiz vivia, o Senhor compadecia-se dos seus gemidos, por causa da opressão que sofriam. 19Mas quando o juiz morria o povo deixava-se de novo corromper, ainda mais que os seus pais, servindo e prestando culto a outros deuses. Mostravam-se piores do que os seus antepassados. 20Então o Senhor ficou muito irado contra Israel e disse: «Este povo quebrou a aliança que fiz com os seus antepassados. Já que não me obedeceu, 21também eu não expulsarei nenhum dos povos que Josué não desalojou antes de morrer. 22Por meio deles vou pôr à prova os israelitas e verificar se eles seguem ou não os meus caminhos, como os seus antepassados seguiram.» 23Desta maneira, o Senhor não expulsou os povos que não tinha entregado nas mãos de Josué, antes permitiu que lá permanecessem.

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Os povos que permaneceram em Canaã

31Estes são os povos que o Senhor deixou ficar, para pôr à prova os israelitas que ainda não tinham entrado na guerra para conquistar Canaã. 2Ele assim fez, para ensinar às gerações que não tinham feito essa experiência, quanto custa estar em guerra. 3Ficaram por tomar as cinco cidades dos filisteus, os cananeus, os sidónios e os heveus, que habitavam nos montes do Líbano, desde o monte Baal-Hermon até ao desvio para Hamat3,3 Ver Js 13,2–6.. 4Eles serviam, pois, para pôr à prova Israel, para ver se obedecia aos mandamentos que o Senhor dera aos seus antepassados, por intermédio de Moisés. 5Assim o povo de Israel estabeleceu-se entre os cananeus, os hititas, os amorreus, os perizeus, os heveus e os jebuseus. 6Casaram-se com mulheres desses povos e deram-lhes as suas filhas em casamento e prestaram culto aos seus deuses.

Oteniel

7O povo de Israel esqueceu-se do Senhor e desagradou ao seu Deus, prestando culto aos ídolos de Baal e Astarté. 8Por isso, o Senhor se irritou e submeteu o povo de Israel ao rei Cuchan-Richataim, da Mesopotâmia, durante oito anos.

9Então os israelitas clamaram ao Senhor e ele enviou-lhes um libertador. Chamava-se Oteniel3,9 Ver 1,12–13. e era filho do irmão mais novo de Caleb. 10O Espírito do Senhor estava com ele e estabeleceu-o como juiz. Oteniel entrou em guerra e o Senhor deu-lhe a vitória sobre o rei da Mesopotâmia. 11Depois houve paz durante quarenta anos até à morte de Oteniel.

Eúde

12O povo de Israel desagradou novamente ao Senhor. Por isso, o Senhor permitiu que o rei Eglon, de Moab3,12 Ver Gn 19,37., se tornasse mais forte que Israel. 13Eglon aliou-se aos amonitas e amalecitas e derrotaram Israel, conquistando Jericó, a cidade das palmeiras. 14Os israelitas ficaram sujeitos a Eglon, durante dezoito anos. 15Então clamaram ao Senhor, que lhes enviou um libertador. Chamava-se Eúde, filho de Guera, da tribo de Benjamim, e era canhoto. O povo de Israel enviou Eúde com presentes ao rei Eglon de Moab. 16Eúde fez uma espada de dois gumes com meio metro de comprimento, e pô-la por dentro do cinto, debaixo da roupa, do lado direito. 17Então levou consigo os presentes destinados a Eglon, que era muito gordo. 18Após a entrega do tributo, saiu com os carregadores. 19Mas ao chegar junto dos ídolos que estão em Guilgal3,19 A expressão hebraica designa imagens de escultura, que marcariam também a fronteira. Ver Js 4,19., Eúde voltou novamente junto de Eglon e disse: «Tenho uma mensagem secreta para Vossa Majestade.» O rei ordenou aos que o rodeavam que saíssem. 20Então quando Eúde se viu a sós com Eglon, sentado na sala de verão, no terraço, aproximou-se dele e repetiu: «Tenho uma mensagem de Deus para Vossa Majestade.» O rei levantou-se do trono. 21E, de repente, Eúde puxou da espada com a mão esquerda e cravou-a na barriga do rei. 22A espada penetrou totalmente na barriga, inclusive o próprio punho, ficando toda coberta de gordura. Eúde não a retirou.

23Então escapou, pelas traseiras3,23 Ou: pela janela., fechando à chave as portas atrás de si. 24Quando os servos regressaram, verificaram que as portas estavam fechadas e pensaram que o rei se encontrava a fazer as necessidades no quarto de banho3,24 Literalmente: cobrindo os pés.. 25Depois de esperarem bastante tempo, vendo que ele não abria a porta, pegaram na chave e abriram-na. O seu senhor estava morto, no chão. 26Eúde escapara, enquanto os servos estavam à espera. Passou os ídolos de Guilgal e chegou salvo a Seira3,26 Região possivelmente a norte de Jericó.. 27Ali, na região montanhosa de Efraim3,27 Segundo a antiga versão grega: no território israelita., tocou a trombeta, convocando para a batalha os homens de Israel e ele ia à frente deles pela encosta abaixo, 28dizendo: «Sigam-me! O Senhor concedeu-vos a vitória sobre os vossos inimigos, os moabitas.» Eles seguiram Eúde e apoderaram-se do local por onde os moabitas passavam o Jordão a vau, não permitindo que um único homem atravessasse. 29Naquele dia mataram cerca de dez mil dos melhores soldados moabitas, todos fortes e robustos; nenhum deles escapou. 30Assim os israelitas derrotaram Moab e houve paz no país durante oitenta anos.

31Chamegar3,31 Ver 5,6., filho de Anat, foi o juiz seguinte. Derrotou seiscentos filisteus com um aguilhão dos bois, libertando, por sua vez, Israel.

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Débora e Barac

41Após a morte de Eúde, o povo de Israel desagradou novamente ao Senhor. 2E o Senhor entregou-os a Jabin, rei de Haçor, cidade cananeia. O comandante das suas tropas chamava-se Sísera, que morava em Harochet-Goim. 3Jabin tinha novecentos carros de ferro4,3 Ver Js 17,16.. Ele oprimiu o povo de Israel com crueldade e violência, durante vinte anos. Então clamaram ao Senhor, pedindo auxílio.

4Débora, mulher de Lapidot, era profetisa e era, naquela altura, juiz dos israelitas. 5Costumava sentar-se debaixo de uma certa palmeira, entre Ramá e Betel, nas colinas de Efraim, e o povo de Israel deslocava-se ali, para lhe apresentar as suas questões a julgamento. 6Certo dia Débora mandou chamar Barac4,6 Ver Hb 11,32., filho de Abinoam, de Quedes em Neftali, e disse-lhe: «O Senhor, Deus de Israel, ordena-te o seguinte: “Leva três mil soldados das tribos de Neftali e Zabulão e vai ao monte Tabor. 7Eu farei com que Sísera, comandante do exército de Jabin, venha combater contra ti, junto à torrente de Quichon4,7 Rio que nasce no monte Carmelo e dasagua no mar Mediterrâneo. Ver Sl 83,10.. Embora ele possua carros e soldados, hei de dar-te a vitória.”» 8Então Barac respondeu: «Se vieres comigo, eu vou; mas se não vieres, não vou.» 9Débora replicou: «Está bem, irei contigo, mas a glória da vitória, na jornada que vais empreender, não será para ti, porque o Senhor entregará Sísera nas mãos de uma mulher.» E assim Débora partiu com Barac em direção a Quedes.

10Barac convocou as tribos de Zabulão e Neftali para irem a Quedes e reuniu dez mil homens. Débora ia com ele. 11Entretanto Héber, o quenita, armara as suas tendas próximo de Quedes, junto ao carvalhal de Sanaim4,11 Sanaim. Localidade do território de Neftali. Ver Js 19,33.. Separara-se dos outros quenitas, descendentes de Hobab4,11 Hobab. Sogro de Moisés. Também aparece como o nome de Jetro e de Reuel. Ver Ex 2,18; 3,1..

12Quando Sísera soube que Barac, filho de Abinoam, tinha subido ao monte Tabor, 13reuniu os seus novecentos carros de ferro e os seus homens e enviou-os de Harochet-Goim para a torrente de Quichon. 14Então Débora ordenou a Barac: «Coragem! O Senhor vai à tua frente e vai dar-te hoje a vitória contra Sísera.» Barac desceu do monte Tabor com os seus dez mil homens. 15Quando Barac atacou com o seu exército, o Senhor semeou a confusão entre os homens e carros de Sísera. Este desceu do seu carro e pôs-se em fuga a pé.

16Barac perseguiu os carros e o exército até Harochet-Goim e os homens de Sísera foram mortos à espada. Nem um escapou. 17Sísera fugiu a pé para a tenda de Jael, mulher de Héber, o quenita, porque o rei Jabin, de Haçor, fizera a paz com a família de Héber. 18Jael saiu ao encontro de Sísera e disse-lhe: «Entre, senhor; entre na minha tenda. Não tenha medo.» Sísera entrou e ela escondeu-o debaixo duma manta. 19Então ele pediu-lhe: «Por favor, dá-me água para beber. Tenho sede!» Ela abriu um odre de leite, deu-lhe de beber e escondeu-o novamente. 20Ele pediu-lhe ainda: «Fica à porta da tenda, e se te vierem perguntar se há alguém aqui, responde que não.» 21Sísera estava tão cansado, que adormeceu profundamente. Então Jael, mulher de Héber, pegou num martelo e num prego de tenda aproximou-se dele sem ruído e matou-o, espetando-lhe o prego na testa, atravessando-lha até ao chão. 22Quando Barac chegou, em busca de Sísera, Jael veio ao seu encontro e disse-lhe: «Venha cá! Vou mostrar-lhe o homem que procura.» Ao entrar na sua tenda, ele deparou com Sísera por terra, morto, com um prego espetado na cabeça. 23Naquele dia, Deus deu aos israelitas a vitória sobre Jabin, o rei cananeu. 24Os israelitas redobraram os ataques contra Jabin, rei de Canaã, até que acabaram por destruí-lo.

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