a BÍBLIA para todos Edição Católica (BPTct)
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Os povos que permaneceram em Canaã

31Estes são os povos que o Senhor deixou ficar, para pôr à prova os israelitas que ainda não tinham entrado na guerra para conquistar Canaã. 2Ele assim fez, para ensinar às gerações que não tinham feito essa experiência, quanto custa estar em guerra. 3Ficaram por tomar as cinco cidades dos filisteus, os cananeus, os sidónios e os heveus, que habitavam nos montes do Líbano, desde o monte Baal-Hermon até ao desvio para Hamat3,3 Ver Js 13,2–6.. 4Eles serviam, pois, para pôr à prova Israel, para ver se obedecia aos mandamentos que o Senhor dera aos seus antepassados, por intermédio de Moisés. 5Assim o povo de Israel estabeleceu-se entre os cananeus, os hititas, os amorreus, os perizeus, os heveus e os jebuseus. 6Casaram-se com mulheres desses povos e deram-lhes as suas filhas em casamento e prestaram culto aos seus deuses.

Oteniel

7O povo de Israel esqueceu-se do Senhor e desagradou ao seu Deus, prestando culto aos ídolos de Baal e Astarté. 8Por isso, o Senhor se irritou e submeteu o povo de Israel ao rei Cuchan-Richataim, da Mesopotâmia, durante oito anos.

9Então os israelitas clamaram ao Senhor e ele enviou-lhes um libertador. Chamava-se Oteniel3,9 Ver 1,12–13. e era filho do irmão mais novo de Caleb. 10O Espírito do Senhor estava com ele e estabeleceu-o como juiz. Oteniel entrou em guerra e o Senhor deu-lhe a vitória sobre o rei da Mesopotâmia. 11Depois houve paz durante quarenta anos até à morte de Oteniel.

Eúde

12O povo de Israel desagradou novamente ao Senhor. Por isso, o Senhor permitiu que o rei Eglon, de Moab3,12 Ver Gn 19,37., se tornasse mais forte que Israel. 13Eglon aliou-se aos amonitas e amalecitas e derrotaram Israel, conquistando Jericó, a cidade das palmeiras. 14Os israelitas ficaram sujeitos a Eglon, durante dezoito anos. 15Então clamaram ao Senhor, que lhes enviou um libertador. Chamava-se Eúde, filho de Guera, da tribo de Benjamim, e era canhoto. O povo de Israel enviou Eúde com presentes ao rei Eglon de Moab. 16Eúde fez uma espada de dois gumes com meio metro de comprimento, e pô-la por dentro do cinto, debaixo da roupa, do lado direito. 17Então levou consigo os presentes destinados a Eglon, que era muito gordo. 18Após a entrega do tributo, saiu com os carregadores. 19Mas ao chegar junto dos ídolos que estão em Guilgal3,19 A expressão hebraica designa imagens de escultura, que marcariam também a fronteira. Ver Js 4,19., Eúde voltou novamente junto de Eglon e disse: «Tenho uma mensagem secreta para Vossa Majestade.» O rei ordenou aos que o rodeavam que saíssem. 20Então quando Eúde se viu a sós com Eglon, sentado na sala de verão, no terraço, aproximou-se dele e repetiu: «Tenho uma mensagem de Deus para Vossa Majestade.» O rei levantou-se do trono. 21E, de repente, Eúde puxou da espada com a mão esquerda e cravou-a na barriga do rei. 22A espada penetrou totalmente na barriga, inclusive o próprio punho, ficando toda coberta de gordura. Eúde não a retirou.

23Então escapou, pelas traseiras3,23 Ou: pela janela., fechando à chave as portas atrás de si. 24Quando os servos regressaram, verificaram que as portas estavam fechadas e pensaram que o rei se encontrava a fazer as necessidades no quarto de banho3,24 Literalmente: cobrindo os pés.. 25Depois de esperarem bastante tempo, vendo que ele não abria a porta, pegaram na chave e abriram-na. O seu senhor estava morto, no chão. 26Eúde escapara, enquanto os servos estavam à espera. Passou os ídolos de Guilgal e chegou salvo a Seira3,26 Região possivelmente a norte de Jericó.. 27Ali, na região montanhosa de Efraim3,27 Segundo a antiga versão grega: no território israelita., tocou a trombeta, convocando para a batalha os homens de Israel e ele ia à frente deles pela encosta abaixo, 28dizendo: «Sigam-me! O Senhor concedeu-vos a vitória sobre os vossos inimigos, os moabitas.» Eles seguiram Eúde e apoderaram-se do local por onde os moabitas passavam o Jordão a vau, não permitindo que um único homem atravessasse. 29Naquele dia mataram cerca de dez mil dos melhores soldados moabitas, todos fortes e robustos; nenhum deles escapou. 30Assim os israelitas derrotaram Moab e houve paz no país durante oitenta anos.

31Chamegar3,31 Ver 5,6., filho de Anat, foi o juiz seguinte. Derrotou seiscentos filisteus com um aguilhão dos bois, libertando, por sua vez, Israel.

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Débora e Barac

41Após a morte de Eúde, o povo de Israel desagradou novamente ao Senhor. 2E o Senhor entregou-os a Jabin, rei de Haçor, cidade cananeia. O comandante das suas tropas chamava-se Sísera, que morava em Harochet-Goim. 3Jabin tinha novecentos carros de ferro4,3 Ver Js 17,16.. Ele oprimiu o povo de Israel com crueldade e violência, durante vinte anos. Então clamaram ao Senhor, pedindo auxílio.

4Débora, mulher de Lapidot, era profetisa e era, naquela altura, juiz dos israelitas. 5Costumava sentar-se debaixo de uma certa palmeira, entre Ramá e Betel, nas colinas de Efraim, e o povo de Israel deslocava-se ali, para lhe apresentar as suas questões a julgamento. 6Certo dia Débora mandou chamar Barac4,6 Ver Hb 11,32., filho de Abinoam, de Quedes em Neftali, e disse-lhe: «O Senhor, Deus de Israel, ordena-te o seguinte: “Leva três mil soldados das tribos de Neftali e Zabulão e vai ao monte Tabor. 7Eu farei com que Sísera, comandante do exército de Jabin, venha combater contra ti, junto à torrente de Quichon4,7 Rio que nasce no monte Carmelo e dasagua no mar Mediterrâneo. Ver Sl 83,10.. Embora ele possua carros e soldados, hei de dar-te a vitória.”» 8Então Barac respondeu: «Se vieres comigo, eu vou; mas se não vieres, não vou.» 9Débora replicou: «Está bem, irei contigo, mas a glória da vitória, na jornada que vais empreender, não será para ti, porque o Senhor entregará Sísera nas mãos de uma mulher.» E assim Débora partiu com Barac em direção a Quedes.

10Barac convocou as tribos de Zabulão e Neftali para irem a Quedes e reuniu dez mil homens. Débora ia com ele. 11Entretanto Héber, o quenita, armara as suas tendas próximo de Quedes, junto ao carvalhal de Sanaim4,11 Sanaim. Localidade do território de Neftali. Ver Js 19,33.. Separara-se dos outros quenitas, descendentes de Hobab4,11 Hobab. Sogro de Moisés. Também aparece como o nome de Jetro e de Reuel. Ver Ex 2,18; 3,1..

12Quando Sísera soube que Barac, filho de Abinoam, tinha subido ao monte Tabor, 13reuniu os seus novecentos carros de ferro e os seus homens e enviou-os de Harochet-Goim para a torrente de Quichon. 14Então Débora ordenou a Barac: «Coragem! O Senhor vai à tua frente e vai dar-te hoje a vitória contra Sísera.» Barac desceu do monte Tabor com os seus dez mil homens. 15Quando Barac atacou com o seu exército, o Senhor semeou a confusão entre os homens e carros de Sísera. Este desceu do seu carro e pôs-se em fuga a pé.

16Barac perseguiu os carros e o exército até Harochet-Goim e os homens de Sísera foram mortos à espada. Nem um escapou. 17Sísera fugiu a pé para a tenda de Jael, mulher de Héber, o quenita, porque o rei Jabin, de Haçor, fizera a paz com a família de Héber. 18Jael saiu ao encontro de Sísera e disse-lhe: «Entre, senhor; entre na minha tenda. Não tenha medo.» Sísera entrou e ela escondeu-o debaixo duma manta. 19Então ele pediu-lhe: «Por favor, dá-me água para beber. Tenho sede!» Ela abriu um odre de leite, deu-lhe de beber e escondeu-o novamente. 20Ele pediu-lhe ainda: «Fica à porta da tenda, e se te vierem perguntar se há alguém aqui, responde que não.» 21Sísera estava tão cansado, que adormeceu profundamente. Então Jael, mulher de Héber, pegou num martelo e num prego de tenda aproximou-se dele sem ruído e matou-o, espetando-lhe o prego na testa, atravessando-lha até ao chão. 22Quando Barac chegou, em busca de Sísera, Jael veio ao seu encontro e disse-lhe: «Venha cá! Vou mostrar-lhe o homem que procura.» Ao entrar na sua tenda, ele deparou com Sísera por terra, morto, com um prego espetado na cabeça. 23Naquele dia, Deus deu aos israelitas a vitória sobre Jabin, o rei cananeu. 24Os israelitas redobraram os ataques contra Jabin, rei de Canaã, até que acabaram por destruí-lo.

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Cântico de Débora e Barac

51Naquele dia, Débora e Barac, filho de Abinoam, entoaram este cântico:

2«Os israelitas decidiram lutar5,2 Literalmente: Quando em Israel se soltam as cabeleiras.;

o povo ofereceu-se voluntariamente.

Louvado seja o Senhor!

3Escutem, ó reis!

Ó príncipes, ouçam com atenção.

Quero cantar ao Senhor,

entoar hinos de louvor ao Deus de Israel.

4Ó Senhor, quando deixaste os montes de Seir5,4 Ver Gn 32,4.,

quando saíste dos campos de Edom,

a terra estremeceu, o céu desfez-se em chuva;

sim, as nuvens desfizeram-se em água.

5Diante de ti, Senhor, tremeram os montes;

diante de ti, Deus do Sinai5,5 Ver Ex 19,18., Senhor de Israel.

6No tempo de Chamegar5,6 Ver 3,31., filho de Anat,

no tempo de Jael,

as caravanas deixaram de percorrer o país;

os viajantes utilizavam estradas secundárias.

7Não havia chefes em Israel, não havia;

até que tu apareceste, Débora,

até que surgiste em Israel, como mãe do povo.

8Eles escolheram novos deuses

a guerra chegou às suas portas.

Mas dos quarenta mil homens em Israel,

nenhum tinha escudo ou lança!

9O meu coração segue os príncipes de Israel,

que se ofereceram voluntariamente pelo povo!

Louvado seja o Senhor!

10Cantem todos os que montam em brancas jumentas5,10 Nesta época, era próprio de chefes e de personagens destacadas, montar uma jumenta branca. Ver Jz 10,4; Nm 22,21.

e se sentam em tapeçarias!

Cantem todos os que andam pelos caminhos.

11Escutem o ruído dos que dividem o espólio5,11 Ou: o ruído dos arqueiros.

junto às fontes de água;

como proclamam as vitórias do Senhor,

a favor do povo de Israel!

Então o povo do Senhor

veio às portas da cidade.

12Desperta, desperta, ó Débora!

Desperta e entoa um cântico;

levanta-te, Barac, filho de Abinoam

e conduz os teus cativos.

13Então o sobrevivente dominou os nobres

o povo do Senhor deu-me domínio sobre os poderosos.

14De Efraim desceram os habitantes de Amalec5,14 A antiga versão grega diz: ao vale.,

atrás de ti, Benjamim, e do teu povo.

De Maquir descem os príncipes

e de Zabulão, os capitães.

15Os príncipes de Issacar estavam com Débora.

Sim, Issacar seguia a Barac;

seguiram-no até ao vale.

Mas a tribo de Rúben estava dividida,

sem se decidir para onde ir.

16Por que ficaste para trás com as ovelhas,

a ouvir os pastores a chamarem pelos rebanhos?

Porque a tribo de Rúben estava dividida,

sem se decidir para onde ir.

17Guilead ficou do outro lado do Jordão.

E Dan, por que permaneceu junto dos navios?

Asser sentou-se à beira do mar,

descansando nos seus portos.

18Porém Zabulão e Neftali

no campo de batalha arriscaram a vida!

19E então os reis vieram a Tanac,

junto às águas de Meguido5,19 Tanac e Meguido. Cidades cananeias no vale de Jezrael.;

contra os reis de Canaã fizeram guerra,

mas deles não levaram prata.

20Lá do céu, das suas órbitas,

as estrelas lutaram contra Sísera.

21A torrente de Quichon os arrastou,

a antiga torrente do rio Quichon.

A torrente espezinhou os heróis.

22Ressoam, ressoam os cascos dos cavalos!

Galopam, galopam, os briosos corcéis!

23E o anjo do Senhor anuncia: “Maldito seja Meroz

e malditos os seus habitantes!

Pois não acudiram, como valentes, a lutar pelo Senhor!”

24Que Jael, mulher de Héber, o quenita,

seja a mais abençoada das mulheres,

que habitam nas nossas tendas!

25Sísera pediu-lhe água, e ela deu-lhe leite;

ofereceu-lhe coalhada de leite em taça especial.

26Entretanto com um prego de tenda na mão esquerda

e o martelo do trabalhador na direita, feriu Sísera;

esmagou-lhe o crânio e atravessou-lhe a cabeça.

27Ele dobrou-se a seus pés e ali ficou caído;

a seus pés caiu e ali ficou!

Caiu morto no chão.

28Pela janela, a mãe de Sísera espreitou;

pelas grades da janela lamentou-se:

“Por que tarda em voltar o seu carro?

Por que demoram tanto os seus cavalos?”

29As mais sábias das suas damas responderam

e a si mesma ela o repete:

30“Devem ter encontrado despojos, para repartir,

uma jovem, duas, para cada soldado,

vestes tingidas para Sísera,

vestes de brocados e bordados

para o pescoço das suas mulheres.”

31Que assim sejam destruídos

todos os teus inimigos, ó Senhor,

mas brilhem como o sol nascente

aqueles que te amam!»

Depois disto, o país ficou em paz durante quarenta anos.

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